Intelectualidade,
evolução tecnológica ou diplomas de doutor, nunca foram sinônimos de moral não
senhor, porque tudo isso pode causar muito dissabor no caminho de quem tem um
mínimo de pudor. Portanto, assim como a cor dos olhos não determina o caráter
da pessoa, a inteligência deve repudiar o diploma[1] como forma ou testemunha de idoneidade, na formação da sociedade.
Foi a xenofilia[2] do povo preto que fez com que o
diploma fosse bem aceito como ingresso impresso de acesso prioritário a
propriedade intelectual de uma verdade universal incontestável e impessoal na
sociedade atual, promovendo assim, esse festival de certificado mercantil, que
fez até o capitão-do-mato se definir como mandatário desse império senil, nesse
banquete brancopofágico das Negras subjetividades servidas a gosto, tais como
serviam nas feiras exóticas dos zoológicos humanos eurocentrados proposta pela
união européia medieval, como mercado infame de padrão ISO universal.
Nesse
histórico contexto desse Brasil brasileiro, criou-se para o estrangeiro um
toque de berimbau chamado cavalaria[3], para apontar o canalha cor de x-9 que na esquina
surgia; esse mesmo indivíduo preto que tem a crença tenaz de que a xenofilia é
da cor da pomba da paz, armada de uniforme e trabuco, terno e gravata, e
diploma de diplomata.
Dessa maneira,
a traição, identificada pelo toque da canção do capoeira que
jogava descalço na rua, em frente a estação, expondo a situação de uma xenofilia
de uma única mão, exclusiva e seletiva, estimulada por esse caramunhão cor de
x-9 que entregava os irmãos, e formava um esquadrão de uniforme e cassetete na
mão; exercício hoje exercido por este mesmo exército, feito de participante democrático no processo
obrigatório de qualquer eleição; seja para Feitor, deputado, prefeito ou vereador, e até
mesmo sacristão; além de direção de escola de samba ou para qualquer
empreendedor de sorriso incolor.
Para ele, o
empreendedor, a palavra do momento é empoderamento; de
quem para quem, dá pra se ver no sorriso branco daquele alguém, proprietário de
helicóptero entorpecido de entorpecentes, além dos crentes na política da bancada santa, na bala que canta e no desfile do boi garantido do Coronel Jamanta, enquanto a
família brasileira que janta, sentada a mesa da sala assistindo ao jornal
nacional, se encanta com a bunda que se levanta na praia de um Rio que ri na
cara do cara careta de janeiro a novembro, que trabalha pra caceta e não tem
noção do significado da palavra bitcoin ou do
termo cotação; só entende
de treta e de boceta, além de comer com gosto o farelo servido pelo pato amarelo[4].
Portanto,
essa gente carente não sabe que o diploma para prisão especial apresentado na
propaganda do jornal, não significa um incentivo educacional, mas a garantia de
uma fina nata da elite nacional que se prepara para entrar com infinitos
recursos no tribunal, a fim de não ser prestar contas no final. Mas o povo não perde no
total, pois se satisfaz com o final feliz da novela que vem após o jornal, e
que vai repetir tudo de novo nas tardes da TV matinal para essa gente que sofre
lavagem cerebral degustando-a como prato principal.
Agora vamos
dar uma pausa para o nosso comercial, para depois retornamos com a ladainha,
corrido e a chula de nosso esporte nacional que não pode mais defender o comensal de
comerciais da TV nacional patrocinado pelos Death Eaters internacional.
O filme já está no
fim e este final feliz foi feito pra mim; pensa o comensal de forma
anormal, sentado a frente da tela, com a sequela de quem não poder distinguir o
que está a frente dela como realidade paralela, salvo quando a casa dos três
porquinhos aparece no programa de catástrofe encomendadas; só assim a
verossimilhança lhe enche a pança com as verdades estúpidas da crueldade com
diploma de imunidade.
Mas a
paralisia do medo que anestesia, fez desse público, que um dia já foi povo,
entrar em total afasia, repetindo o trabalho de Sísifo a cada dia, que lhe fora
ordenado em nome da Ordem e Progresso do certificado manipulado pelo dono da TV
que tudo vê. Só resta a religião que repete o Vade Mecun para o
Deus cifrão e lidera a coalizão dos cinco poderes que tem a posse do controle
remoto, mas não possuem as pilhas que pertencem a esse público que um dia já
foi povo e desconhece esse processo novo.
Desse modo,
o carpe
diem[5] dos passarinhos que acompanharam os morcegos
e acordam a noite de ponta-a-cabeça, se tornou Carpem noctem[6]. Como diria o ditado, a noite todos os
gatos são pardos, desse modo, a Distopia se
travestiu de Utopia abrindo o desfile das escolas da vida, para que tudo
terminasse no samba do branquinho doido, sem o
berimbau da capoeira marginal que agora é exibida no programa esporte total como
mais uma atração matinal, sem oferecer mais perigo ao portador do diploma e
certificado que garante o saber ancestral para o despossuído da melanina
seminal. Esse é só mais um dia normal na cidade de Townsvilles[7].
[1] Referência a Lima Barreto.
[2] Antônimo de xenofobia.
[3] Toque de capoeira que era executado para anunciar a
chegada da polícia.
[4] Referência ao movimento neoliberal da ultradireita
brasileira que articulou o golpe de Estado no Brasil, financiados e liderados
pelos Estados Unidos da América.
[5] Do latim “Aproveite o dia”.
[6] “Aproveite a noite”.
[7] Alusão ao desenho animado intitulado “As Meninas Super Poderosas” e sua citação final.

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