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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A Aldeia Global das Tribos nos Tribunais

Fardas, togas e paletós, servem para manter as velas e o curso do navio Negreiro contemporâneo de todos os dias que nos dói hoje, que trás a carga viva do engano da farsa da abolição como fato ocorrido de fato. Ele, esse navio negreiro, parte para todas as partes, saindo do brancopofágico porto de Liverpool, com seu capitão-do-mato preto a bordo portando uma bandeira branca, uma vez que este capitão foi formado pela academia ariana; academia esta frequentada pelos que buscam pelo poder e pela fama.

Dessa forma, o preto que veste paletó, toga ou farda passou a ser o real fardo do povo negro. Povo este que produz a riqueza da branquitude desde que a estética ariana passou a produzir e a criminalizar a pobreza como processo político usado como propulsão principal das instituições da colônia portuguesa como capital europeia em solo Latino-americano.

Essa fúnebre Nau errante, singrando nossa sociedade, passa pelas ruas e becos da cidade: passa todos os dias atropelando, quebrando os ossos e rasgando a pele preta sangrada pela caneta-chicote do branco sinhô do norte. Esses negreiros que hoje se movem com gasolina, óleo diesel, álcool e estriquinina, sobem e descem os morros tupiniquins, com as malas abarrotadas de corpos pretos acorrentados e ensanguentados, em cenas fortes e sem cortes, exibindo esse mórbido espetáculo que é a paga por sua diária de infames horrores, com os aplausos surdos dos expectadores, que se prostram em silêncio ensurdecedor diante dessa horrenda e alheia dor.

As medalhas que decoram coloridas fardas, as assinaturas que ornamentam os diplomas no currículo dos diplomatas e a escuridão das togas, onde é manipulada à sombra, a justiça terrena, através das leoninas leis divinas, são as sutis e fatais munições usadas pela mídia para alimentar o fogo do ego que aquece e ilustra a fronte do manipulado. Pois são justamente essas formas sinuosas das imagens sedutoras das medalhas, que tremelicam como pano de fundo os limites desenhado pelo pass-par-tous do diplomado e os traços que ornamentam as letras que assinam esses pomposos certificados, que têm moldado o caráter da pessoa de cor através da moral padronizada pela violência colonial que não é incolor.

O paletó que passou a ser pessoa; a medalha que essa pessoa transformou em sua consciência; e a escuridão da toga; que passou o kit usado na estética indutora da condição humana do ser em seu processo de vassalagem que inevitável o leva a desenvolver a Síndrome de Estocolmo Adquirida.
Vestir o véu da ilusão ofertado pelos meios de comunicação, passou a ser a principal função das pessoas de cor que se travestem com fardas, togas, paletós, e que representam os poderes constituídos dessa nação, a fim de resguardar o sutil processo dessa nova forma de escravização.

A leitura narrativa dessas togas, fardas e uniformes desenhados nos livros didáticos, são habilmente usadas por quem sabe desenhar as histórias apagadas de nossa memória; redesenhando-as, a fim de reconstruí-la usando os novíssimos mitos programados nas nossas cavernas mentais pós-modernas-coloniais.


Despertar e despir esses corpos negros, e exibir em toda a sua nudez, a incômoda verdade que essas
vistosas vestes escondem em seu falso pudor, deveria ser o escândalo nosso de cada dia, do solstícios a equinócios, rasgando uniformes escolares e militares; certificados e diplomas, além das togas dos estupradores da justiça terrena e divina; essa ato de insubordinação deveriam fazer parte do currículo oficial da história do único povo de Ébano que vive em solo nacional. Sem isso, nosso currículo é um engodo que corroí a pele negra ao passo que tenta embranquece-la, mesmo após, vampirescamente ter consumido a sua última centelha, defronte ao palácio dessa justiça portadora de múltiplas deficiências físicas, mentais e psicológicas de estimação.

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