Minha Casa não é Grande, nem mesmo branca
ela é; Pois meu lar é CasaPreta e não é uma casebre
qualquer; Lá o diabo não traja vermelho, nem se engana uma mulher; Esse demônio
de Black Power não veste Prada, nem
um modelito qualquer, pois parente do
Lobo primo ele também o é; Aquele lobo que enxerga longe, olha onde quer e
ouve sem mesmo estar de pé, que Conheceu a Chapeuzinho e fez dela uma linda mulher; Essa mulher de vermelho
que hoje até o diabo quer.
A CasaPreta
é a Casa da Vovó, e o caminho pra chegar lá você escolhe qual quiser, já que o
caçador da White House tá sempre de
orelha em pé, se dizendo bandeirante, caçando negras travestidas como ele quer;
de capuz vermelho, de vestido ou de boné, deliciosa tal qual cheiro de café. CasaPreta, café, Black Power e Mulher, incendiando a White House com caçador, capataz e Sinhô, num festivo churrasco de
racismo a molho pardo, ao som do canto triste de um branco bardo: Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...
Chapeuzinhos,
Lobos, Vovós e caçadores; personagens desenhadas para povoar as mentes com uma
narrativa sutil, emotiva e predadora, escritas por mãos brancas impostoras. As
mesmas mãos que aqueceram o inferno desenhando de um Ser de luz que pregou a
autonomia dos esquecidos pela hierarquia homicida.
O desenhista,
narrador da White House, nunca saiu do conforto da casa-grande, já que o grande
irmão é o dono da contação que produz toda a emoção controlando a luz, a câmera
e a ação. Dessa forma, a nossa Ação passiva se conforma com a imponência do
Super-herói que introjeta, assimila e acomoda a moda sangrenta do chicote
fashion, enquanto neguinho que esmola, rola na vala comum por não possuir a cor
do menino de sangue azul.
A menina
preta vende a sua bouceta, por não
ter mais como sustentar sua vida imperfeita da cor de ébano e cheia de treta. Sua
casa, com Tv e novela, não tem tramela para deter os vermes[1]
que vem pela ruela, atirando em sombras pretas, de cabelos enroscados de indivíduos
frustrados, trucidando até em bebês com remela, que pede: Conta pra mim vovó, uma história antes de dormir... Pra eu poder
acordar no paraíso de anjos negros e mãe preta, uma história sem fim...!!
Mas ele
acorda no inferno vermelho pintado pelo homem branco de sangue azul que mora na
casa-grande, a casa do Cordeiro Divino, a
White House onde se prepara os vampirescos repastos de sangue negro e de negresco[2].
Desse modo,
a história sem pretos que são lidas para ela, se perdem entre as narrativas
emotivas de Frozen, Brancas de Neve e Cinderela, sem vovó,
nem preto velho, só uma vara de marmelo como lembrança do cativeiro que se
tornou o mundo inteiro, para cada preta e cada preto de sangue vermelho.
Pela estrada afora, eu vou bem sozinha, levar esse
doces para a vovozinha... Pois a mãezinha
morreu de bala perdida e o painho foi
sumido pelo verme vil pintado como
herói nas páginas dos livros didáticos dessa pátria que nos pariu.

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