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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Você sabe o que é REPARAÇÃO...?

REPARAÇÃO foi um conceito criado ao final da guerra dos 30 anos, numa Conferência realizada para procurar promover o ressarcimento do vencedor desse histórico conflito bélico,. Ela foi então concedida para cobrir os danos causados por tal guerra. Desse modo, a REPARAÇÃO foi a maneira pela qual a parte prejudicada por uma contenda bélica exigia como pagamento para recuperar os prejuízos aferidos. Era conhecida como Reparação de guerra.

Poderíamos ilustrar essa situação com mais precisão tendo como exemplo a 1ª grande guerra, quando findo o conflito, os países que deflagraram esses lastimável episódio, foram obrigados a indenizar os países vencedores e os “povos” prejudicados por tais ferozes combates. Mas como haveria de ser, os países responsáveis por tal guerra quebraram após esse pagamento, e desse modo, foi acordado que a Reparação dali por diante não seria mais exclusivamente monetária.

Dessa maneira, na 2ª grande guerra, a Alemanha, Japão, Itália em outros países do Eixo, arcaram com essas REPARAÇÕES, principalmente no que diz respeito ao povo judeu, que decidiram que queriam ter um Estado só deles como forma de Reparação. E assim foi feito, os Norte-americanos resolveram que as terras dos Palestinos confiscadas (roubadas) e doadas como propriedade ao Povo judeu. Por isso, os judeus e EUA são aliados convenientes e estrategicamente eternos. 

Aqui no Brasil, as vitimas da tortura impingida pelos militares durante o golpe de 1964, foram ressarcidos, mas não foram Reparados. Ou seja, existem diferenças categóricas entre Reparação e Indenização. Na Reparação, aquele a ser Reparado decide a forma, de que maneira e como deve ser Reparado pelo Estado Criminoso; diferente daquele que é indenizado, visto que quem decide como e de que forma se dará essa indenização é o Estado criminoso.

Podemos citar também, dando exemplo da forma perversa de agir dos Estados criminosos, o caso dos senhores escravocratas europeus que invadiram o Brasil, que exigiram (e ganharam) indenizações do Estado brasileiro, pelo simples fato de não poderem mais cometer o crime de escravização dos negros sequestrados no continente africano por conta da (falsa) Abolição da Escravatura; O Estado indenizou os escravocratas, fato este que foi registrado numa cláusula que acompanhava a lei-do-ventre-livre, recebendo até a década de 30 quando o governo Getúlio Vargas suspendeu esse pagamento indenizatório as famílias tradicionais que receberiam até hoje, caso não houvesse tal interrupção.

Este ocorrido, surpreendente por sua inversão de valores, como se deu neste caso; visto que a REPARAÇÃO se deu de forma contrária e contraditória, exatamente como o exemplo do Haiti; pois nesse caso, foi o vencedor que reparou o perdedor e não o contrário, o perdedor reparando o vencedor como reza no princípio da Reparação. Desse modo, os algozes é que foram indenizados pelos crimes que cometeram. Ou seja, mesmo perdendo eles ganharam. Aqui no Brasil, por exemplo, foi suis generis: as vítimas desses mesmos crimes transferiram esse legado aos seus descendentes, em forma de pobreza e estigmas racistas, como uma fúnebre herança dos crimes dessa escravização. 

Desde então, o Estado tem garantido a permanência desse dolo através de criação de leis como a de 1850; conhecida Lei da terra que impedia aos africanos e seus descendentes, de terem qualquer possibilidade ou condição legal de acesso a terra. Sem mencionar lei da vadiagem, que permitia, em última instância, que a elite branca aprisionasse e reescravizasse o negro que não tivesse ocupação estipulada como legal pelo Estado, como fazia a marinha do brazill sequestrando os negros sem trabalho ou sem teto para servir literalmente em seus quadros, dai o episódio do Almirante negro[1]. A recente lei do boi, que garantia a Educação gratuita aos filhos do Agronegócio como as cotas brancalóides para os filhos do judiciário que ocorre atualmente, assim como os imigrantes europeus vieram voluntariamente estimulados pelas cotas para brancos oferecidas pelo Estado brasileiro.

Deste modo então, o estigma ao negro se estendeu também a toda a cultura negra, como o samba, a capoeira, a religião e quaisquer manifestações do povo negro, que foram proibidas e desqualificadas, na medida em que o próprio negro foi sendo desumanizado e coisificado através da política da limpeza étnica conhecida como eugenia; política cujo princípio já constou na própria constituição brasileira como hoje consta o ensino religioso como única disciplina obrigatória em nossa atual constituição aprovada em 1988, confeccionada pela elite brasileira representada pelo estado Nacional.

Dessa maneira, nós negros nunca conseguimos nos integrar a sociedade brasileira como cidadãos de fato e de direitos, mesmo sendo o único povo existente no país atualmente, após a ocorrência infame do genocídio dos povos indígenas e a presença maciça dos imigrantes europeus, na tentativa inócua de formar um povo brasileiro branco; formando assim, uma população de imigrantes europeus que hoje comanda a economia de nosso país; enquanto nos fomos alijados de nossa humanidade, invisibilizados e socialmente silenciados.

Os países do mundo em sua maioria, com exceção de EUA e Israel, reconheceram, através da Conferência de Durbam, em 2001, na África do Sul, organizada pela ONU; Organização das Nações Unidas; como responsável pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos em seu solo; fato este que o Brazil esconde de seu povo e se silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional confirmado em Durbam, e mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas que tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos, o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável.

Dessa forma, a REPARAÇÃO é o único caminho para se negociar com esse Estado uni-étnico, de forma que seja possível promover-se minimamente a justiça, para que tal dolo possa vir a Reparar o que ainda é Reparável; pois além de tratar de um crime imprescritível, trata-se também de um Crime Continuado, já que até hoje sofremos todas as consequências provocadas por esse crime; pois é notório que a herança da escravidão para Negros e para brancos está explícita de maneira explícita e clara quando se olha para o morro e para o asfalto, em face a violenta dicotomia social e jurídica estabelecida e banalizada que reserva tratamentos diferenciados dirigido a ambos. Estamos aqui exigindo, além da justiça, através desse processo de Reparação, a nossa história, nossa memória e nossa própria humanidade de volta. REPARAÇÃO JÁ...!!!


[1] Como ficou conhecido o marinheiro João Cândido ao comandar a Revolta da Chibata no Rio de Janeiro.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Brazill: República Federativa do Holocausto Negro

A amputação de nossa história se deu com o sequestro de nossos tataravôs, no continente hoje chamado de África. Essa violência, como um nefasto crime que abalou para sempre toda a humanidade enquanto humanidade, é conhecida de forma eufêmica nos livros didáticos, como TRÁFICO NEGREIRO; também chamado de MERCADO INFAME.

Após esse violento sequestro, fomos torturados, humilhados e jogados num porão fedido de um Navio fantasma, rumo norte, em direção ao inferno branco povoado por santos eurocêntricos que prometia o sofrimento eterno para aquele que fosse portador de uma pele da cor das noites sem lua...

Fomos então depositados atrás de grades ferro, acorrentados e ensanguentados, depois postos em jaulas, inaugurando assim os primeiros zoológicos humanos do planeta, de toda a galáxia e do universo conhecido em todo seu esplendor. Assim enviezadamente imponderados, nos tornaram seres exóticos para sermos exibidos, vendidos, trocados, negociados ou dado de presente e destinado a esse futuro do presente ausente...

Hoje estamos aqui como construtores de uma nação rica e forte, que foi transformada em cárcere, em calabouço; nação transformada na câmara de tortura no holocausto continuado de um povo, nesse genocídio que se iniciou a mais de 500 anos, e que nas escolas é ensinado para nossos filhos como se fosse o capítulo de uma página virada dessa história que se passa em nosso presente; por isso, essa história adulterada e infame supostamente se refere a um povo esquecido, um povo vindo de florestas, um povo que habitava em tribos, sem civilização, um povo historicamente inferior...

Hoje vivemos aqui, exilados no país que nós construímos com nossas próprias mãos; vivemos nos Territórios de Exceção, em campos de concentração, vigiados pelo Estado e seus agentes; esse mesmo Estado que também diz nos representar dizendo que somos livres para continuar cativos ou para continuar sermos escravizados pelos descendentes de nossos sequestradores; Esse Estado nos diz que somos livres para continuar a produzir as riquezas dessas infames famílias chamadas de tradicionais, que sempre usurparam toda a riqueza por nós produzida...
A primeira noite eles vieram e roubaram uma flor de nosso jardim e nós não dissemos nada; a segunda noite eles voltaram, pisaram nas nossas floras e mataram nosso cão e nós novamente não dissemos nada; até que um dia, o mais frágil deles invadiu a nossa casa e roubou a nossa luz, e percebendo o nosso medo, roubou a voz de nossas gargantas. Hoje, mesmo que quiséssemos, já não podemos dizer mais nada...

Por isso eu conto e canto essa história silenciada nos sinistros porões dessa humanidade desumana que desfila na passarela de nossa preta cultura, soltando esse grito que arde no peito; que é o grito de uma raça nobre, é grito de uma raça guerreira, é grito da raça negra, é grito de capoeira...REPARAÇÃO JÁ...!!

Esse grito é para que possamos ver e rever o lamentável episódio do apartheid, não como um fato passado, mas poder observá-lo de modo que possamos recontextualizar-lo, enxergando não somente como um fato dessa página virada de uma história mal contada, mas sim, como um grotesco erro que jamais deva vir a ser repetido na história da humanidade, nesse momento tão caro onde a Colonização Mental tem afetado perversamente a humanidade no mais recôndito do seu ser, sem que enxerguemos os seus nefastos efeitos, que chegam envoltos em vistosos papeis de presente capciosamente concedido pelos habitantes de Troia com seu capitalismo brancopofágico que leva a sua liberdade cativa, surda e cega aos povos do mundo, impondo um saber roubado, adulterado e cheio de adornos em forma de gongóricos códigos. 


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Campanha da Reparação aos Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no Brazil


Somos Filhos da Pátria que nos Pariu


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pele Negra, Máscara Branca

Nos passos dados em direção ao processo de chute ao balde cheio de verdades greco-romana manipuladas, as grafias incisivas de Nietzsche despindo o despudor do cristianismo e o poder das palavras de Fanon retirando as máscaras brancas da cara preta disfarçadas do império feito de cartas jogadas com os blefes dos cerimoniais míticos de Tróia, foram determinantes para vislumbrar o corpo nu do maniqueismo religioso protegido pela máscara dual e dicotômica que separou o ser de sua humanidade.

Fanon precisou sair da Martinica para descobrir sua negritude, uma vez que chegando à França, se descobriu como um negro qualquer vindo da colônia francesa, pois foi exatamente desse modo que os franceses o trataram. Assim ele descobriu qual o requisito único para que uma pessoa pudesse ser considerada ser humano. Dessa forma, ele constata que todo negro, no afã de ser aceito se aliena de si mesmo ao definir essa patologia como Alienação Colonial, ao perceber a impossibilidade do indivíduo em participar e se constituir como sujeito de fato de sua própria história. dentro de suas relações sociais; mesmo tendo consciência dessa alienação e saiba o porquê dela. Sendo assim, não seria o bastante mudar a visão sobre o mundo para deixar de ser alienado, mas sim, seria necessário mudar o mundo.

Desse modo, inferimos que a luta não se resume ao campo das ideias; a luta deve ser prática; pois ele pensa a alienação de maneira objetiva e subjetiva, visto que o ocidente, afirmando o ser humano como razão, transferindo a natureza para o campo da emoção, e como tal, tratando-a como algo a ser dominado e controlado. Os pensadores iluministas, donos da razão, falavam narcisamente deles mesmos, se definindo como humanos a partir de sua religião, de seu Estado, tecnologia, etc. Esse padrão imposto pela violência colonial se faz presente em nosso sistema educacional hoje, que reproduz esse processo adestrando o ser humano dentro da razão eurocêntrica.

Dessa forma, para ser humano é preciso ser branco. Sendo assim, o negro passou a ter a necessidade de se embranquecer de todas as formas possíveis; no comportamento, roupas, relações afetivas, organização, linguagem, etc. para poder alcançar a sua humanidade. Assim, a busca pelo outro é mediada pelo racismo. Mas ao perceber que mesmo assim ele continua a ser negro, a partir do momento em que não é aceito pelo mundo branco, mesmo amando muito esse mundo, ele se volta com raiva contra ele, e o amor se transforma em ódio.

O lado positivo é que esse ódio pode desestabilizar a hegemonia branca; o lado negativo é que nenhuma luta política se faz através do ódio, visto que tal sentimento impede perceber, nesse processo dialético, que o outro também tem coisas que nos pertence. Somos todos sujeitos, e a divisão criada razão/emoção pelo branco é inadmissível: a inversão dos papéis não é a solução. Portanto não se trata da preservação de uma ou de outra cultura, mas sim da percepção de uma cultura humanista. Ou seja, trata-se da libertação do ser humano a partir da recontextualização dessa mesma cultura.

Desse balde chutado, esparrama-se pelo caminho o malcheiroso esterco brancalóide; mas pode ser que exista dai a possibilidade de que, em meio a esse fétido esterco, possa vir a brotar uma perfumada flor de lótus, após esse necessário processo de chutar o balde e mandar a merda o que Narciso chama de mono-espelho e a pele preta possa se mostrar limpa da mancha branca que oprime sua humanidade ao retirar essa máscara de merda.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Movimento de Reparação aos Descendentes de Povos Africanos Escravizados no Brasil

O Projeto de Lei sobre a Revitalização da Pequena África Para a Preservação da Memória da Presença do Africano escravizado na Cidade do Rio de Janeiro, organizado pelo Movimento Pela Reparação aos Povos Negro e Indígenas, realizado no dia 25 de Novembro no Prédio da Ação e Cidadania, construído pelo Engenheiro Negro André Rebouças, das 10:00 as 16:00; a R. Barão de Tefé, nº 75 – Pça Mauá, foi iniciado com uma breve introdução sobre o tema proferida pelo Prof. Yêdo Ferreira, após o intermediador André Constantine, tendo como relator o Prof. Rael Preto da Silva, ter aberto o evento apresentado as Instituições presentes e abrindo com a fala da vice-cônsul de Angola que se somou as falas subsequentes.

Prof. Yêdo Ferreira abordou sobre o Território da Pequena África, falou sobre os escravizados sequestrados em Angola, como um evento que deu origem a referência daquela área como Ngola Janga (Pequena África), aonde a elite, com repulsa aos mesmos, não coabitava a mesma área; não deixando de citar também os ex-escravizados mulçumanos e a Revolta dos Malês na cidade do Rio de Janeiro, fato que não é comentado nos livros de história, que sucedeu a Revolta do Malês em Salvador; ressaltando que os revoltosos do RJ foram deportados para Benin e Marrocos, fato que deu origem aos festejos do Senhor do Bomfim nesses citados países africanos. Apresentando assim, a Pequena África como Território Histórico dos Descendentes desses Povos Escravizados no Brasil e o Projeto de Revitalização da referida área.

A Sª Anabelle de Souza, vice-cônsul de Angola, agradecendo pela ocasião, comentou sobre o processo de escravização que aqui trouxe os angolanos, e o subsequente crime da colonização de Angola e países africanos pelos infames portugueses, abordando os pontos em comum entre Angola e Brasil.

André Constantine fez uma analogia entre os Territórios de Exceção, as favelas, palafitas e alagados, e o Território Histórico, ressaltando a diferença entre senzala e Quilombo, apresentando o Estado nacional como responsável por esse crime e o mesmo Estado como um instrumento usado pela elite eurodescendente para a continuação do crime da escravidão iniciado há 5017 anos. Apresentou o anteprojeto para a Pequena África e os pontos de discussão a serem tratados, tais como a criação de uma Subprefeitura para administrar à área, a criação de uma Comissão mista de acompanhamento e fiscalização do Processo, as possibilidades e viabilidade financeira do Projeto e destinação da área como um Memorial Vivo da Diáspora, a fim de vivenciar a nossa cultura; abordando também as diferenças entre Reparação e Ações Afirmativas e a possibilidade legítima de emancipação que uma e outra poderiam promover, afirmando que uma realiza esse intento para totalidade de nosso povo e a outra cuida somente de uma pequena porcentagem privilegiada de negros e fakes. Comentou sobre as etapas desse Processo, que deve seguir inicialmente  para o STF, em caso remoto de manutenção da legalidade do citado crime da história pelo STF, o Processo segue para a OEA e possivelmente até a ONU, caso a OEA confirme a legalização do crime de escravidão legalizado inicialmente pelo STF.

Anastácio Jalobe anuncia a presença de outras instituições da citada área e fala sobre o Projeto de Lei de iniciativa Popular (PLIP)

Prof. Yêdo Ferreira retoma a palavra e fala sobre o conceito de Reparação e sua trajetória histórica advinda da Reparação de guerra, fazendo referência ao Estado de Israel como forma de Reparação exigida pelo povo judaico; aborda a Conferência de Durban, em 2001, que tipificou os crimes do tráfico de negreiro transatlântico, a escravidão e a colonização, e seus correlatos, como Crimes da História, determinando que os mesmos, como crimes contra a humanidade, são imprescritíveis; além de qualificar como crimes de ódio, o racismo, a xenofobia, a discriminação e segregação racial, apresentando o Direito Coletivo como algo muito recente e pouco conhecido no Brasil.
A leitura e apresentação do Projeto de Lei sobre a Revitalização da Pequena África Para a Preservação da Memória da Presença do Africano escravizado na Cidade do Rio de Janeiro, organizado pelo Movimento Pela Reparação aos Povos Negro e Indígena, foi feita pelo Prof. Rael Preto da Silva, iniciando assim, o debate sobre citado Projeto.

A Profª Geny Guimarães trouxe a proposta, que foi aceita, de mudança do nome “Marco Zero” para “Ponto Inicial”, alegando que o conceito de Marco Zero aplicado ao Território Histórico se refere ao lugar do começo dessa história e não meramente a um ponto inicial de referência a uma delimitação de um perímetro.

Rubens Confete fez uma detalhada abordagem histórica sobre a área do Caís do Valongo e as personalidades negras protagonista da história do local, falando dos 30 mil negros que ali habitavam, dos bantos e iorubas aos Malês e Ashantis, além da religião de matriz africana dali oriunda.
Destacamos a presença de alguns Movimentos como o Centro Cultural Pequena África, os Filhos de Gandhi, o Corpo jurídico de Mulheres da OAB, além do Movimento pela Reparação.
Após a demarcação do Território em questão, foi acordada para dia 09 de dezembro a próxima reunião para definir-se e formar a Comissão Mista Permanente de Acompanhamento de Revitalização da Pequena África, que será composta por 25 membros, a ser realizada no Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH), localizado no Bairro da Lapa, a Rua Mem de Sá, 39, no horário das 11:00 as 15:00,No Centro do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sobre a Solidão da Mulher Negra.

Mulher Negra e homem branco geram filhos-apartheid, transformando a nação numa imensa prisão aberta, oferecendo em permanente leilão, os quase-negros e quase-brancos; transformados os 70 tons de preto, num colorismo embriagado pelas doses desordenadas de ordens transmitida on-line pela mídia ensandecida. 
Esses filhos da pátria, gerados de um corpo negro estuprado pela vontade das síndromes de Estocolmo e assimilada pela mente colonizada, que têm sua vontade escravizada e seus desejos alienados, se refestelam na conveniência de seu cativeiro o ano inteiro, observando e obedecendo aos comandos das datas comemorativas abrancalhadas que silenciam e alienam a sua história, apagando toda a sua memória.
Desse modo, esses negros coloridos de 70 tons de preto, degustam ceias na noite programada a cada ano anunciado; ingerem peixe ou presenteiam com chocolates, seguindo as ordens desses fatos; abraçam os pais ou amigos de acordo com o calendário estabelecido, louvando a cada herói fabricado e por esse comando ordenado. Esse filhos da pátria, coloridos pelas cores da violência de esquerda e de direita, seguem brigando no centro da roda de uma batalha iniciada nos porões dos negreiros que cruzavam os oceanos do mundo inteiro, aportando em favelas, palafitas e alagados, transformando ruas e vielas em pelourinhos, para aparecer em cenas de novelas exoticamente recreativas, entretendo este Povo quase-preto e quase-branco que se transformou em Público de caráter privado.
Esse mesmo Público, se dividindo em facções de Machistas e de Feministas, geram Mulatos de fato, que se veem, às vezes como Pardos ou Morenos, estabelecendo desse modo, uma rede acorrentada por fatos e episódios impróprios de impensados conflitos entre os seus, enriquecendo dessa forma, os roteiros inteiros de noveleiros e escritores de séries televisivas, perversamente exóticas. Quando o policial aborda esse ser social, que por sua cor já é considerado marginal, ele nunca questiona por sua identificação, pois essa ação sofrida em todos os dias do ano em seu cotidiano, esse ser perdido em si e em sua natureza acorrentada, aceita a coerção, procedendo em seu processo de banalização dessa violência assimilada como instituição.
Essa escravização que nos dói hoje se imiscuiu com a alienação de sua identidade perdida nos calendários de efemérides anunciadas como norte, invariavelmente ditando a sorte desse Ser e seu consorte, casados com as bênçãos de quem os acorrenta e as suas representações preparadas pelos gestores dessa pátria que os pariu num pelourinho de sangue como manjedoura. Para que assim, que todas suas gerações sintam ao escorrer desse sangue que não é quase-preto nem quase-branco, mas sim, é sangue composto de pura melanina, pela qual qualquer menina transmite a continuidade dessa nação que não nasceu na escravidão.
Agora, o que falta é a compreensão de que a solidão é pertencente somente ao Povo negro, em meio a multidão dessa cidade colorida de violência institucional, que tem o colorismo como senha marginal, de direita e de esquerda, como um fator mais do que banal, transmitida como vírus a mente carente de sua identidade, latente no ódio seletivo semeado pelas efemérides nas mentes escravizadas.

domingo, 26 de novembro de 2017

A cor que não oferece perigo

Colorismo [1]colorido de cores espantadas de violências engolfadas, afogadas e pichadas pelo sangue azul, sobre as paredes escuras de uma história branca, numa estrada só de ida, que corre fácil sobre o fervente asfalto negro. Passeando pelas ruas durante o deserto das horas que se seguem ao ocaso, não é por acaso que as bolsas das madames são apressadamente escondidas, ante os olhos desconfiados de transeuntes assustados com a presença acusada da pele negra que caminha alhures, cuidando daquilo que há de mais humano no ser humano: seu próprio viver.

Mas as cores noturnas se mistura a pele diurnalmente solar; cútis que capta a energia do universo profundo, certamente incerto, caminhante por esta estrada de vida revivida e revolvida por cores fortes, cercada pela natureza morta dos sugadores de vidas.

Como num filme rodado em preto e branco, a modernidade vem sugando a vida preta, fazendo uso da bandeira branca para promover a paz sangrenta, pintando o asfalto negro de vermelho com o pincel retórico de um discurso capcioso, seguido pelo fraterno gesto amoroso de tilintar de armas municiadas e engatilhadas, prontas para rasgar a carne negra que energiza a vida com a cultura da brandura de almas em sintonia com as cordas[2] do universo.

O quadro negro, pintado de branco infestado de vírus, vira patologia aplicada a morte anunciada, colorindo a festa fúnebre da missa de corpos melaninosos que brilham no firmamento da escura estrada da vida.

Desse modo o perigo sempre se aproxima da vida preta, que caminha sem rumo nessa rima que se sintoniza na primazia do canto que anuncia a vida num Rap cifrado de 70 tons de preto, ameaçando esse ser humano controlado que não oferece mais risco.

Essa preta cor que ofereceu Arte e Cultura à filosofia que faz da vida a sua plenitude, jaz na cruz da soberbia europoide, covardemente exposta nos tabloides, para ilustrar as aventuras fabricadas para o pseudo-herói branco-amorfo que se alimenta do medo e do ódio cultivado pela indústria eurocêntrica do terror.

A cor que oferece o perigo e provoca tanta dor, se mostra fresca, sensual, bela e incolor, nas capas e manchetes de jornais e revistas de impuro teor, reluzindo sua cor de branco-impostor. Essa terrorista cor passeia pelas ruas e lares, escolas e igrejas; e desfilando representatividade, desnuda o seu sacralizado e divino despudor, meticulosamente descrito em cenas sacanas no jornal nacional, transformadas em cenas banais de um mal, numa anormalidade mais do que normal, marchando nas ruas, num indeciso cordão, pelas escolas, nos campos, quartéis e construções, criando a desordem instituída pela ordem que dita o progresso regredindo ao negreiro que trafega pelo mundo inteiro, vendendo carne negra a preço de ocasião, nessa eterna festa da inquisição, nesse século que anuncia a medieval maioridade brancalóide; essa cor do terror que gera a desordem suscitada pela ordem gerenciada por esse Estado de contínua dor.

  




[1] Existem mais de 70 tons de cores na pele preta, e dessa gradação foi gerada a quantidade de racismo que um negro sofre mais do outro, dependendo do tom de pele emitido por sua melanina.
[2] Alusão a Teoria das cordas, uma das teses científicas que tentam explicar a formação do universo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A cor designe da liberdade religiosa

A estátua da Liberdade é branca, da mesma falsa cor com que picharam a tal da desconhecida liberdade; O cristo redentor é branco, da mesma cor dos gerentes crentes integrantes da religião dominante. Desse modo, inferimos que a liberdade e a religiosidade estão intimamente acorrentadas, mantendo uma ilícita relação sadicamente promíscua. Tudo isso acontecendo naquele momento em que a gente sente a fugaz permanência da eternidade inexistente, traduzida no prosaico exercício do ato cotidiano de darmos milho aos pombos, sentados alheios num banco da Praça de Vaticano um qualquer.

É neste interregno então, que percebemos que a raça está ligada Religião ao observar que os povos autóctones se reportam a Tupã; indianos, a Ganesha; muslim a Alá; europoides, a Jeová, e assim por diante. Desde que começou essa brincadeira divina advinda da idade da pedra, junto com a descoberta do fogo, da roda e do amor, surgiu no mundo cerca de 10 mil religiões sem mencionar as incontáveis nações; e quando falamos da bíblia  dos denominados cristãos, anotamos que já foi registrado até o momento 102 versões do citado livro “sagrado”.

Desde então, a liberdade religiosa de um, passou a ser determinada pela restrição da religiosidade do outro, passando então a existir uma indústria de verdades únicas, disputadas a ferro e a fogo, numa eterna guerra entre as divinas facções cooptadoras dos saberes autóctones de rótulos pagãos, para manterem-se em sua sana insana de liderança profana do divino culto sacralizado, que fora modificado.

Religiosamente, essa guerra já foi batizada de Inquisição, de Cruzadas e até mesmo de guerra Santa. Juridicamente esses episódios de extrema estupidez foram legalizados em prol dos negócios e dos impostos, a fim de oficializar um mercado que pudesse permitir o controle de uma minoria sobre as maiorias. Dai, nasce o selvagem capitalismo, fundamentado na violação racial em todos os níveis e possibilidades improváveis, como política profética e profanadora do fator humano.

Desse modo, o xadrez das correntes do cativeiro, empretecidas pela liberdade petrificada através das mãos do artista europoide, embranqueceram os privilégios adquiridos exclusivamente através das caríssimas moedas de sangue, transformando os valores enlameados de fezes em produtos de mercado negociados pela plebe, e os direitos emanados da necropolítica como códigos norteadores do bom viver dos homens de bens.

Destarte, a humanidade dividida em cores, perdeu seus sabores e humores, singrando uma trilha de horrores sem fim, para se perder na tempestade dos tempos difíceis de um possível alvorecer, nesse jardim de um Éden repleto de enxofre e sarça ardente de desejos sinistros e sem o senso clemente. Cada clamor se transformou em horror, trajando um elegante terno e gravata abstrata de sentido, atrás de um livro sacralizado e fingido, seguido por uma fila de cordeiro em ordem unida, num profundo sono  acordado, em homilia eterna

E assim, perdidos no caminho certo, seguem zumbizando pela reta sinuosa de sentidos insensíveis, esses corpos coloridos de preto, de branco, de vermelho e de amarelo; e como alvos singelos do canhão desse flagelo, a bala branca detecta sempre o alvo preto, seguido de uma sucessão de explosão, após secretas seções de sinistros  cismas, no caminhar da desumanidade.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As religiões no conforto das dissociações cognitivas desde as pedras das Pirâmides até o Cristo de Pedra tupiniquim

Desde que Davi supostamente atirou a primeira pedra que extinguiu a vida do gigante Golias, a Jesus que respondeu aos detratores de uma prostituta dando permissão para que eles também atirassem as suas primeiras pedras para extinguir a vida daquela mulher, o mundo vem passando por uma sequência de divinas pedradas históricas sem fim.

Assim que Napoleão, o quebra-pedras, decidiu arrebentar os achatados narizes negros de pedra das monumentais estátuas egípcias, a igreja tupiniquim se encorajou para erigir no país da Negra Nª Sª Aparecida; Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro; um Cristo feito de pedra; e no decorrer desse caminho das pedras e pedradas, certo poeta falou de uma pedra que havia em meio ao seu caminho. Desde então as pedras ganharam diversas e variadas interpretações míticas, místicas, metafísicas, simbólicas, psicológicas e poéticas. Mas parafraseando outro poeta, posso dizer que as pedras que atravancam o meu caminho passarão, mas eu, passarinho.

Passar por castelos e muros de pedras, assim como pelas imóveis estátuas que se movem com seu simbolismo, significados e significantes que contemplam os empedernidos corações de pedra que caminham com dificuldades por suas ruas de pedras, devido às pedras nos sapatos, e as pedras nos rins adquiridas nos balcões de pedras de bares vulgares e restaurantes chiques, após a copiosa ingestão dos diversos licores que inevitavelmente os acompanham até à pedra mármore de uma solitária prisão ou de uma urna funerária; Durante essa caminhada não devemos nos importar se há pedras no caminho ou que o caminho seja feito de pedras, enquanto os santos permanecem petrificados frente a adoradores de pedras que, em seu nome, extinguem a vida de seu igual; pois devemos saber que as pedras podem, tanto tirar como pode dar sentido; caso ela esteja na mão de um artista ou na funda de um guerreiro, nos pés de um santo ou no coração de um pecador. Com essas pedras podem-se construir um labirinto de horrores ou criar um símbolo de vida e de amores; erigir fortalezas ou ornamentar a vida de beleza.

A pedra é a prova que faltava para confirmar em definitivo que tudo se transforma, seja para se começar, recomeçar ou pôr-se um fim. Para o bem ou para o mal, toda pedra é um Boomerang disfarçado em mineral, assim com toda a natureza em si o é. Tal como Sísifo com sua odiada pedra de estimação, também escolhemos a nossa pedra, mas sem olvidar seus efeitos Boomerang para criação ou para extinção. Afinal, quem viver pela pedra, pela pedra morrerá. Se nosso telhado de vidro nos fizesse lembrar esse prosaico detalhe, em vez de atirar pedras, iríamos preferir construir pirâmides, pois de forma entrópica, a energia seria mais bem aproveitada. Ou seja, em vez de subir a pedra do Cristo redentor, seja no Rio de Janeiro, no Vaticano ou em Salvador, melhor seria observar e vivenciar a construção de pedra que dá a vida e não a que tira a vida.

Lapidar a vida é transformar-se naquele artista que faz da pedra obra-prima, tal como uma pedra de carvão se transforma em diamante com o qual se presenteia um irmão. Seja de pedra polme, pedra preciosa, de granito ou pedra sabão, para descarregar esse caminhão de pedras eternas, sem se transformar em Sísifo, precisamos dominar a arte de viver, como se fossemos um refinado artista, e em vez de meros adoradores, viver como sujeitos de fato e não simples objetos opacos.

Esse processo exige que abandonemos o conforto desse ninho, que se encontra dentro da gaiola da vida trancada em si mesma, e alçar o voo das incertezas; libertando-se das certezas empedradas pelos selecionados pergaminhos das rochas divinizadas. As mesmas rochas que outrora sangraram as faces das prostitutas e hoje sangram a testa do povo de santo, quando ferozmente são atiradas pelos seguidores do cristo de pedra. Libertando nossas percepções para este evento, perceberemos que todas as estátuas ganharam vida quando olham para Medusa, assim como todo ouro do mundo se torna inútil para saciar a fome de qualquer Midas. Afinal, passarinho que come pedras sabe o bico que tem, nessa caminhada onde nem todos os gastrólitos são iguarias gourmet.

domingo, 12 de novembro de 2017

PROJETO POLÍTICO DE NAÇÃO DO POVO NEGRO

Para falar do Projeto Político Do Povo Brasileiro é necessário falar sobre os Conceitos de Etnias, de Nações e de Povo, que compõem o Estado nacional. Primeiramente é preciso explicitar que o conceito de Estado é uma criação eurocêntrica, visto que essa concepção inexistiu nos povos originários e autóctones, pois esses mesmos povos tinham a concepção de que a natureza e tudo que nela existe; água, terras, ar, etc. é um bem comum, um bem básico encarado como um direito humano

Os Europoides, após se apropriarem do saber e da tecnologia africana, programaram a individualidade, através do conceito da meritocracia, fundamentada pela hierarquia impetrada pela ideia falaciosa de neutralidade, fragmentando desse modo, o homem, separando-o da natureza, com o discurso e intuito de dominar para controlar essa mesma natureza humana.

Os Europoides foram civilizados pelos africanos; podemos citar como exemplo mais recente o caso espanhol, que foram civilizados pelos Mouros e que após serem seus servos (escravos) por longos períodos, se apropriaram do saber melanodérmicos para implantar o vírus do individualismo no homem e, juntamente com os portugueses e todos os europoides, inauguraram a indústria do sequestro de seres humanos, e na sequência, indizíveis torturas, trazendo a dor para o processo da morte; surpreendendo os povos melanodérmicos com uma violência inaudita e inédita, instaurando assim, o sistema de colonização que fundou a modernidade, impondo um padrão de poder eurocêntrico de governo no mundo.

O exemplo da Espanha, país hoje aonde existem diversas etnias como a dos Bascos, Catalães, andaluz, ciganos, etc. com suas inúmeras etnias que integram a nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como exemplo como o Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por sua vez, é formado pelas nações.

A nação é formada por etnias que compartilham a mesma cultura, idioma e território, como é o caso das 11 etnias que compartilham o Estado na África do Sul, com suas culturas, idiomas e territórios. No caso brasileiro, aonde também existem diversas etnias; é o caso dos nisseis e judeus brasileiros; e outras nacionalidades, como no caso de italianos, espanhóis, japoneses, alemães, etc. além do povo indígena e do povo negro, observamos que os indígenas são etnias que possuem idiomas, culturas e territórios e que forma um povo, mas que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, juridicamente são tutelados por esse mesmo Estado.

Os únicos que tem a nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros que foram titulados como Afro-brasileiros; nesse caso, juridicamente é o único povo existente no Brasil, visto que a República não teve êxito em fazer da nação brasileira uma nação branca como previa o processo eugênico contrariando as expectativas de Charles Darwin.

Sendo assim, o desejado projeto de nação europoide, hoje naufraga num redundante fracasso, adernando a deriva numa desordem provocada por sua própria ordem nesse processo onde a cobra devora a sim mesma. Portanto, virá do único povo existente no Brasil neste momento, o projeto de nação que finalmente formará o povo brasileiro, fundando dessa maneira, um Estado legítimo e legal, transformando nosso território num país de fato, deixando assim de ser uma colônia europoide que sobrevive de sucessivos golpes.

Nesse caso, o Povo Negro deve se articular, mobilizando-se para protagonizar esse processo tão esperado por todos aqueles que habitam neste país fragmentado por um Estado unívoco, monorracial e monocultural. Portanto, através do processo iniciado pela Campanha da Reparação para os Descendentes dos Povos africanos escravizados no Brasil, damos inicio ao Projeto de Nação para o Brasil trazendo a proposta de um Estado compartilhado e pluriversal.  

Hoje, a Campanha tem sua sede no INSTITUTO PALMARES DE DIREITOS HUMANOS (IPDH), na Av. Mem de Sá, 39, Lapa, Rio de Janeiro, Brasil. As negras e negros, além de todos aqueles que prezam pela equidade e pela justiça, tem a obrigação moral de participarem desse processo que tirará nosso país do atoleiro e dessa funesta distopia.
Reparação já, para que não sejamos mais um estado de Israel que expulsa o povo de um país para poder chamar de seu e num Estado de puro egocentrismo europoide, franqueia e legaliza para si mesmo, todos os crimes e monstruosidades que desumaniza o outro desumanizando a si mesmo. Que o holocausto do Povo Negro tenha seu fim e que a sociedade não se cale diante da legalização de um crime que é coisa de branco, sendo corresponsáveis pelo mesmo.



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Abraço Negro: Há Espaço igual a magia desse carinho²...!?

O futuro é uma vitrine que está sempre presente no Espaço, mas não no Tempo. Dividimos nosso espaço do agora com essa vitrine presente o tempo todo em nossas vidas; podemos escolher sempre que quisermos um futuro mais colorido, sonoro, aromático, ruidoso, vibrante ou com gostos diferentes, que estão sempre expostos nesses estabelecimentos observados em todas as estradas e esquinas de nossa vida. Portanto, somos seres livres para escolher um futuro diferente em qualquer tempo desse nosso espaço vivido. Visto que o tempo está sempre em função desse espaço, há uma plasticidade atemporal entre tais períodos temporais chamado de vida. Tudo então passa a ser mutável, dinâmico e vibrante, mesmo que esteja aparentemente estático. 

Sendo assim, o espaço em que vivemos é sempre em função das escolhas que fazemos o tempo todo ou, das escolhas que deixamos de fazer; cujos resultados se traduzem por aromas, paladares e sensações variadas que podem conflitar ou se harmonizarem entre si, pois os resultados vêm sempre acoplados a esse presente escolhido nessa vitrine do futuro sempre ao alcance de nossas mãos. 

É como se a vida fosse uma viagem onde você tem a possibilidade de passear por um gigantesco Shopping Center, com inúmeras lojas de departamentos, parque de diversões, etc. Com absolutamente tudo ao alcance das mãos, desde que se pague pelo preço do produto em questão; nesse caso, o futuro pretendido.Toda vez que você escolhe um futuro diferente na vitrine desse Shopping, cuja administração está localizada em sua pineal, você modificará o tempo no espaço presente, que passará agora a ser o passado de seu amanhã; mas que você poderá alterá-lo indefinidamente todas as vezes que se decidir por um futuro diferente. 

Esse presente só pode ser dado a você por você mesmo, já que a a viagem é sua e a porta desse monumental Shopping abre somente de dentro para fora, e só você tem as chaves. Visto que você é o gerente, é o porteiro, é o segurança e também o recepcionista.Tem gente que passa pela vida sem aproveitar a viagem e nunca sem ingressar nesse Shopping, e como um beija-flor, preferem pousar no imediatismo dos Fast food, já que não querem perder tempo com questões que não lhes apetecem, julgando não lhes dizer a respeito. 

Tem também há os que se perdem pelo Shopping e os que não querem sair dele. Sendo assim, podemos observar que há aqueles que não querem entrar, os que não querem sair, os que se perdem e também os que visitam em seu devido tempo, de acordo com a suas necessidades, retornando ou não a ele. As necessidades vão se mostrando precisas ou não, na medida em que o futuro escolhido se desenrola. Além das vitrines futurísticas há também os cinemas 3D, onde podem acontecer os encontros e os desencontros próprios do relógio universal. Alguns conseguem acertar esse relógio ou harmonizar os tempos simultâneos em descompasso dentro do ritmo cósmico das vibrações nirvânicas.

É bem ai nesse Shopping do Tempo, em vitrines bem específicas, que se encontra um tal de Amor; o Amor Universal. Basta marcar um encontro na praça de alimentação onde esse amor é servido gratuitamente, e sem contraindicação, para adquirimos um ingresso de compromisso harmônico; pronto. Agora é possível passear por este espaço sem a preocupação com o tempo. Desse modo, a vida pode ser longa, a vida pode ser curta ou a vida pode só ser; pois é ai que descobrimos prosaicamente que a equação é bem simples: a medida do tempo é o Amor

Sendo assim, o resultado é de que em qualquer Tempo+Espaço, sendo ele, o Amor, uma força neutra; transformará e transmutará qualquer energia produzida pelo medo, transpondo todas as barreiras temporais imagináveis e inimagináveis. Desse modo, descobriremos o Cronos que faz o coração e a Mente serem naturalmente unos, e que vibram na frequência cósmica de tudo o que existe no micro e no macrocosmo de todos os cosmos. 

Essa não é uma Teoria e menos ainda tem haver com a Relatividade; é Ciência pura, Ciência de verdade. É Ciência antes da ciência. Essa é a ciência existente em todo Universo conhecido e ainda por conhecer que cabe toda dentro de um único abraço: um abraço Negro.