Mulher Negra e homem branco geram filhos-apartheid,
transformando a nação numa imensa prisão aberta, oferecendo em permanente
leilão, os quase-negros e quase-brancos;
transformados os 70 tons de preto, num colorismo embriagado pelas doses desordenadas de
ordens transmitida on-line pela mídia ensandecida.
Esses filhos da pátria, gerados de um corpo negro estuprado pela vontade das síndromes de Estocolmo e assimilada pela mente colonizada, que têm sua vontade escravizada e seus desejos alienados, se refestelam na conveniência de seu cativeiro o ano inteiro, observando e obedecendo aos comandos das datas comemorativas abrancalhadas que silenciam e alienam a sua história, apagando toda a sua memória.
Desse modo, esses negros coloridos de 70 tons de preto, degustam ceias na noite programada a cada ano anunciado; ingerem peixe ou presenteiam com chocolates, seguindo as ordens desses fatos; abraçam os pais ou amigos de acordo com o calendário estabelecido, louvando a cada herói fabricado e por esse comando ordenado. Esse filhos da pátria, coloridos pelas cores da violência de esquerda e de direita, seguem brigando no centro da roda de uma batalha iniciada nos porões dos negreiros que cruzavam os oceanos do mundo inteiro, aportando em favelas, palafitas e alagados, transformando ruas e vielas em pelourinhos, para aparecer em cenas de novelas exoticamente recreativas, entretendo este Povo quase-preto e quase-branco que se transformou em Público de caráter privado.
Esse mesmo Público, se dividindo em facções de Machistas e de Feministas, geram Mulatos de fato, que se veem, às vezes como Pardos ou Morenos, estabelecendo desse modo, uma rede acorrentada por fatos e episódios impróprios de impensados conflitos entre os seus, enriquecendo dessa forma, os roteiros inteiros de noveleiros e escritores de séries televisivas, perversamente exóticas. Quando o policial aborda esse ser social, que por sua cor já é considerado marginal, ele nunca questiona por sua identificação, pois essa ação sofrida em todos os dias do ano em seu cotidiano, esse ser perdido em si e em sua natureza acorrentada, aceita a coerção, procedendo em seu processo de banalização dessa violência assimilada como instituição.
Essa escravização que nos dói hoje se imiscuiu com a alienação de sua identidade perdida nos calendários de efemérides anunciadas como norte, invariavelmente ditando a sorte desse Ser e seu consorte, casados com as bênçãos de quem os acorrenta e as suas representações preparadas pelos gestores dessa pátria que os pariu num pelourinho de sangue como manjedoura. Para que assim, que todas suas gerações sintam ao escorrer desse sangue que não é quase-preto nem quase-branco, mas sim, é sangue composto de pura melanina, pela qual qualquer menina transmite a continuidade dessa nação que não nasceu na escravidão.
Agora, o que falta é a compreensão de que a solidão é pertencente somente ao Povo negro, em meio a multidão dessa cidade colorida de violência institucional, que tem o colorismo como senha marginal, de direita e de esquerda, como um fator mais do que banal, transmitida como vírus a mente carente de sua identidade, latente no ódio seletivo semeado pelas efemérides nas mentes escravizadas.

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