Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As religiões no conforto das dissociações cognitivas desde as pedras das Pirâmides até o Cristo de Pedra tupiniquim

Desde que Davi supostamente atirou a primeira pedra que extinguiu a vida do gigante Golias, a Jesus que respondeu aos detratores de uma prostituta dando permissão para que eles também atirassem as suas primeiras pedras para extinguir a vida daquela mulher, o mundo vem passando por uma sequência de divinas pedradas históricas sem fim.

Assim que Napoleão, o quebra-pedras, decidiu arrebentar os achatados narizes negros de pedra das monumentais estátuas egípcias, a igreja tupiniquim se encorajou para erigir no país da Negra Nª Sª Aparecida; Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro; um Cristo feito de pedra; e no decorrer desse caminho das pedras e pedradas, certo poeta falou de uma pedra que havia em meio ao seu caminho. Desde então as pedras ganharam diversas e variadas interpretações míticas, místicas, metafísicas, simbólicas, psicológicas e poéticas. Mas parafraseando outro poeta, posso dizer que as pedras que atravancam o meu caminho passarão, mas eu, passarinho.

Passar por castelos e muros de pedras, assim como pelas imóveis estátuas que se movem com seu simbolismo, significados e significantes que contemplam os empedernidos corações de pedra que caminham com dificuldades por suas ruas de pedras, devido às pedras nos sapatos, e as pedras nos rins adquiridas nos balcões de pedras de bares vulgares e restaurantes chiques, após a copiosa ingestão dos diversos licores que inevitavelmente os acompanham até à pedra mármore de uma solitária prisão ou de uma urna funerária; Durante essa caminhada não devemos nos importar se há pedras no caminho ou que o caminho seja feito de pedras, enquanto os santos permanecem petrificados frente a adoradores de pedras que, em seu nome, extinguem a vida de seu igual; pois devemos saber que as pedras podem, tanto tirar como pode dar sentido; caso ela esteja na mão de um artista ou na funda de um guerreiro, nos pés de um santo ou no coração de um pecador. Com essas pedras podem-se construir um labirinto de horrores ou criar um símbolo de vida e de amores; erigir fortalezas ou ornamentar a vida de beleza.

A pedra é a prova que faltava para confirmar em definitivo que tudo se transforma, seja para se começar, recomeçar ou pôr-se um fim. Para o bem ou para o mal, toda pedra é um Boomerang disfarçado em mineral, assim com toda a natureza em si o é. Tal como Sísifo com sua odiada pedra de estimação, também escolhemos a nossa pedra, mas sem olvidar seus efeitos Boomerang para criação ou para extinção. Afinal, quem viver pela pedra, pela pedra morrerá. Se nosso telhado de vidro nos fizesse lembrar esse prosaico detalhe, em vez de atirar pedras, iríamos preferir construir pirâmides, pois de forma entrópica, a energia seria mais bem aproveitada. Ou seja, em vez de subir a pedra do Cristo redentor, seja no Rio de Janeiro, no Vaticano ou em Salvador, melhor seria observar e vivenciar a construção de pedra que dá a vida e não a que tira a vida.

Lapidar a vida é transformar-se naquele artista que faz da pedra obra-prima, tal como uma pedra de carvão se transforma em diamante com o qual se presenteia um irmão. Seja de pedra polme, pedra preciosa, de granito ou pedra sabão, para descarregar esse caminhão de pedras eternas, sem se transformar em Sísifo, precisamos dominar a arte de viver, como se fossemos um refinado artista, e em vez de meros adoradores, viver como sujeitos de fato e não simples objetos opacos.

Esse processo exige que abandonemos o conforto desse ninho, que se encontra dentro da gaiola da vida trancada em si mesma, e alçar o voo das incertezas; libertando-se das certezas empedradas pelos selecionados pergaminhos das rochas divinizadas. As mesmas rochas que outrora sangraram as faces das prostitutas e hoje sangram a testa do povo de santo, quando ferozmente são atiradas pelos seguidores do cristo de pedra. Libertando nossas percepções para este evento, perceberemos que todas as estátuas ganharam vida quando olham para Medusa, assim como todo ouro do mundo se torna inútil para saciar a fome de qualquer Midas. Afinal, passarinho que come pedras sabe o bico que tem, nessa caminhada onde nem todos os gastrólitos são iguarias gourmet.

Nenhum comentário: