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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Movimento de Reparação aos Descendentes de Povos Africanos Escravizados no Brasil

O Projeto de Lei sobre a Revitalização da Pequena África Para a Preservação da Memória da Presença do Africano escravizado na Cidade do Rio de Janeiro, organizado pelo Movimento Pela Reparação aos Povos Negro e Indígenas, realizado no dia 25 de Novembro no Prédio da Ação e Cidadania, construído pelo Engenheiro Negro André Rebouças, das 10:00 as 16:00; a R. Barão de Tefé, nº 75 – Pça Mauá, foi iniciado com uma breve introdução sobre o tema proferida pelo Prof. Yêdo Ferreira, após o intermediador André Constantine, tendo como relator o Prof. Rael Preto da Silva, ter aberto o evento apresentado as Instituições presentes e abrindo com a fala da vice-cônsul de Angola que se somou as falas subsequentes.

Prof. Yêdo Ferreira abordou sobre o Território da Pequena África, falou sobre os escravizados sequestrados em Angola, como um evento que deu origem a referência daquela área como Ngola Janga (Pequena África), aonde a elite, com repulsa aos mesmos, não coabitava a mesma área; não deixando de citar também os ex-escravizados mulçumanos e a Revolta dos Malês na cidade do Rio de Janeiro, fato que não é comentado nos livros de história, que sucedeu a Revolta do Malês em Salvador; ressaltando que os revoltosos do RJ foram deportados para Benin e Marrocos, fato que deu origem aos festejos do Senhor do Bomfim nesses citados países africanos. Apresentando assim, a Pequena África como Território Histórico dos Descendentes desses Povos Escravizados no Brasil e o Projeto de Revitalização da referida área.

A Sª Anabelle de Souza, vice-cônsul de Angola, agradecendo pela ocasião, comentou sobre o processo de escravização que aqui trouxe os angolanos, e o subsequente crime da colonização de Angola e países africanos pelos infames portugueses, abordando os pontos em comum entre Angola e Brasil.

André Constantine fez uma analogia entre os Territórios de Exceção, as favelas, palafitas e alagados, e o Território Histórico, ressaltando a diferença entre senzala e Quilombo, apresentando o Estado nacional como responsável por esse crime e o mesmo Estado como um instrumento usado pela elite eurodescendente para a continuação do crime da escravidão iniciado há 5017 anos. Apresentou o anteprojeto para a Pequena África e os pontos de discussão a serem tratados, tais como a criação de uma Subprefeitura para administrar à área, a criação de uma Comissão mista de acompanhamento e fiscalização do Processo, as possibilidades e viabilidade financeira do Projeto e destinação da área como um Memorial Vivo da Diáspora, a fim de vivenciar a nossa cultura; abordando também as diferenças entre Reparação e Ações Afirmativas e a possibilidade legítima de emancipação que uma e outra poderiam promover, afirmando que uma realiza esse intento para totalidade de nosso povo e a outra cuida somente de uma pequena porcentagem privilegiada de negros e fakes. Comentou sobre as etapas desse Processo, que deve seguir inicialmente  para o STF, em caso remoto de manutenção da legalidade do citado crime da história pelo STF, o Processo segue para a OEA e possivelmente até a ONU, caso a OEA confirme a legalização do crime de escravidão legalizado inicialmente pelo STF.

Anastácio Jalobe anuncia a presença de outras instituições da citada área e fala sobre o Projeto de Lei de iniciativa Popular (PLIP)

Prof. Yêdo Ferreira retoma a palavra e fala sobre o conceito de Reparação e sua trajetória histórica advinda da Reparação de guerra, fazendo referência ao Estado de Israel como forma de Reparação exigida pelo povo judaico; aborda a Conferência de Durban, em 2001, que tipificou os crimes do tráfico de negreiro transatlântico, a escravidão e a colonização, e seus correlatos, como Crimes da História, determinando que os mesmos, como crimes contra a humanidade, são imprescritíveis; além de qualificar como crimes de ódio, o racismo, a xenofobia, a discriminação e segregação racial, apresentando o Direito Coletivo como algo muito recente e pouco conhecido no Brasil.
A leitura e apresentação do Projeto de Lei sobre a Revitalização da Pequena África Para a Preservação da Memória da Presença do Africano escravizado na Cidade do Rio de Janeiro, organizado pelo Movimento Pela Reparação aos Povos Negro e Indígena, foi feita pelo Prof. Rael Preto da Silva, iniciando assim, o debate sobre citado Projeto.

A Profª Geny Guimarães trouxe a proposta, que foi aceita, de mudança do nome “Marco Zero” para “Ponto Inicial”, alegando que o conceito de Marco Zero aplicado ao Território Histórico se refere ao lugar do começo dessa história e não meramente a um ponto inicial de referência a uma delimitação de um perímetro.

Rubens Confete fez uma detalhada abordagem histórica sobre a área do Caís do Valongo e as personalidades negras protagonista da história do local, falando dos 30 mil negros que ali habitavam, dos bantos e iorubas aos Malês e Ashantis, além da religião de matriz africana dali oriunda.
Destacamos a presença de alguns Movimentos como o Centro Cultural Pequena África, os Filhos de Gandhi, o Corpo jurídico de Mulheres da OAB, além do Movimento pela Reparação.
Após a demarcação do Território em questão, foi acordada para dia 09 de dezembro a próxima reunião para definir-se e formar a Comissão Mista Permanente de Acompanhamento de Revitalização da Pequena África, que será composta por 25 membros, a ser realizada no Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH), localizado no Bairro da Lapa, a Rua Mem de Sá, 39, no horário das 11:00 as 15:00,No Centro do Rio de Janeiro.

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