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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pele Negra, Máscara Branca

Nos passos dados em direção ao processo de chute ao balde cheio de verdades greco-romana manipuladas, as grafias incisivas de Nietzsche despindo o despudor do cristianismo e o poder das palavras de Fanon retirando as máscaras brancas da cara preta disfarçadas do império feito de cartas jogadas com os blefes dos cerimoniais míticos de Tróia, foram determinantes para vislumbrar o corpo nu do maniqueismo religioso protegido pela máscara dual e dicotômica que separou o ser de sua humanidade.

Fanon precisou sair da Martinica para descobrir sua negritude, uma vez que chegando à França, se descobriu como um negro qualquer vindo da colônia francesa, pois foi exatamente desse modo que os franceses o trataram. Assim ele descobriu qual o requisito único para que uma pessoa pudesse ser considerada ser humano. Dessa forma, ele constata que todo negro, no afã de ser aceito se aliena de si mesmo ao definir essa patologia como Alienação Colonial, ao perceber a impossibilidade do indivíduo em participar e se constituir como sujeito de fato de sua própria história. dentro de suas relações sociais; mesmo tendo consciência dessa alienação e saiba o porquê dela. Sendo assim, não seria o bastante mudar a visão sobre o mundo para deixar de ser alienado, mas sim, seria necessário mudar o mundo.

Desse modo, inferimos que a luta não se resume ao campo das ideias; a luta deve ser prática; pois ele pensa a alienação de maneira objetiva e subjetiva, visto que o ocidente, afirmando o ser humano como razão, transferindo a natureza para o campo da emoção, e como tal, tratando-a como algo a ser dominado e controlado. Os pensadores iluministas, donos da razão, falavam narcisamente deles mesmos, se definindo como humanos a partir de sua religião, de seu Estado, tecnologia, etc. Esse padrão imposto pela violência colonial se faz presente em nosso sistema educacional hoje, que reproduz esse processo adestrando o ser humano dentro da razão eurocêntrica.

Dessa forma, para ser humano é preciso ser branco. Sendo assim, o negro passou a ter a necessidade de se embranquecer de todas as formas possíveis; no comportamento, roupas, relações afetivas, organização, linguagem, etc. para poder alcançar a sua humanidade. Assim, a busca pelo outro é mediada pelo racismo. Mas ao perceber que mesmo assim ele continua a ser negro, a partir do momento em que não é aceito pelo mundo branco, mesmo amando muito esse mundo, ele se volta com raiva contra ele, e o amor se transforma em ódio.

O lado positivo é que esse ódio pode desestabilizar a hegemonia branca; o lado negativo é que nenhuma luta política se faz através do ódio, visto que tal sentimento impede perceber, nesse processo dialético, que o outro também tem coisas que nos pertence. Somos todos sujeitos, e a divisão criada razão/emoção pelo branco é inadmissível: a inversão dos papéis não é a solução. Portanto não se trata da preservação de uma ou de outra cultura, mas sim da percepção de uma cultura humanista. Ou seja, trata-se da libertação do ser humano a partir da recontextualização dessa mesma cultura.

Desse balde chutado, esparrama-se pelo caminho o malcheiroso esterco brancalóide; mas pode ser que exista dai a possibilidade de que, em meio a esse fétido esterco, possa vir a brotar uma perfumada flor de lótus, após esse necessário processo de chutar o balde e mandar a merda o que Narciso chama de mono-espelho e a pele preta possa se mostrar limpa da mancha branca que oprime sua humanidade ao retirar essa máscara de merda.

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