A estátua da Liberdade é branca, da
mesma falsa cor com que picharam a tal da desconhecida liberdade; O cristo redentor é
branco, da mesma cor dos gerentes crentes integrantes da religião dominante.
Desse modo, inferimos que a liberdade e a religiosidade
estão intimamente acorrentadas, mantendo uma ilícita relação sadicamente promíscua. Tudo isso acontecendo
naquele momento em que a gente sente a fugaz permanência da eternidade inexistente, traduzida no prosaico
exercício do ato cotidiano de darmos milho aos pombos, sentados alheios num banco da Praça
de Vaticano um qualquer.
É neste interregno então, que percebemos
que a raça está ligada Religião ao observar que os povos autóctones se reportam
a Tupã; indianos, a Ganesha; muslim a Alá; europoides, a Jeová, e assim por diante.
Desde que começou essa brincadeira divina advinda da idade da pedra, junto com
a descoberta do fogo, da roda e do amor,
surgiu no mundo cerca de 10 mil religiões sem mencionar as incontáveis nações;
e quando falamos da bíblia dos
denominados cristãos, anotamos que já foi registrado até o momento 102 versões do citado
livro “sagrado”.
Desde então, a liberdade religiosa de
um, passou a ser determinada pela restrição da religiosidade do outro, passando
então a existir uma indústria de verdades únicas, disputadas a ferro e a fogo, numa
eterna guerra entre as divinas facções cooptadoras dos saberes autóctones de rótulos
pagãos, para manterem-se em sua sana insana de liderança profana do divino culto
sacralizado, que fora modificado.
Religiosamente, essa guerra já foi batizada
de Inquisição, de Cruzadas e até mesmo de guerra Santa. Juridicamente esses
episódios de extrema estupidez foram legalizados em prol dos negócios e dos impostos, a fim de oficializar um mercado que pudesse permitir o controle de uma
minoria sobre as maiorias. Dai, nasce o selvagem capitalismo, fundamentado na violação
racial em todos os níveis e possibilidades improváveis, como política profética
e profanadora do fator humano.
Desse modo, o xadrez das correntes do cativeiro, empretecidas pela liberdade petrificada
através das mãos do artista europoide, embranqueceram os privilégios adquiridos
exclusivamente através das caríssimas moedas de sangue, transformando os
valores enlameados de fezes em produtos de mercado negociados pela plebe, e os
direitos emanados da necropolítica
como códigos norteadores do bom viver dos homens de bens.
Destarte, a humanidade dividida em
cores, perdeu seus sabores e humores, singrando uma trilha de horrores sem fim,
para se perder na tempestade dos tempos difíceis de um possível alvorecer,
nesse jardim de um Éden repleto de enxofre e sarça ardente de desejos sinistros
e sem o senso clemente. Cada clamor se transformou em horror, trajando um elegante
terno e gravata abstrata de sentido, atrás de um livro sacralizado e fingido,
seguido por uma fila de cordeiro em ordem unida, num profundo sono acordado, em homilia eterna.
E assim, perdidos no caminho certo, seguem zumbizando pela reta
sinuosa de sentidos insensíveis, esses corpos coloridos de preto, de branco, de
vermelho e de amarelo; e como alvos singelos do canhão desse flagelo, a bala
branca detecta sempre o alvo preto, seguido de uma sucessão de explosão, após secretas seções de sinistros cismas, no caminhar da desumanidade.

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