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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A cor designe da liberdade religiosa

A estátua da Liberdade é branca, da mesma falsa cor com que picharam a tal da desconhecida liberdade; O cristo redentor é branco, da mesma cor dos gerentes crentes integrantes da religião dominante. Desse modo, inferimos que a liberdade e a religiosidade estão intimamente acorrentadas, mantendo uma ilícita relação sadicamente promíscua. Tudo isso acontecendo naquele momento em que a gente sente a fugaz permanência da eternidade inexistente, traduzida no prosaico exercício do ato cotidiano de darmos milho aos pombos, sentados alheios num banco da Praça de Vaticano um qualquer.

É neste interregno então, que percebemos que a raça está ligada Religião ao observar que os povos autóctones se reportam a Tupã; indianos, a Ganesha; muslim a Alá; europoides, a Jeová, e assim por diante. Desde que começou essa brincadeira divina advinda da idade da pedra, junto com a descoberta do fogo, da roda e do amor, surgiu no mundo cerca de 10 mil religiões sem mencionar as incontáveis nações; e quando falamos da bíblia  dos denominados cristãos, anotamos que já foi registrado até o momento 102 versões do citado livro “sagrado”.

Desde então, a liberdade religiosa de um, passou a ser determinada pela restrição da religiosidade do outro, passando então a existir uma indústria de verdades únicas, disputadas a ferro e a fogo, numa eterna guerra entre as divinas facções cooptadoras dos saberes autóctones de rótulos pagãos, para manterem-se em sua sana insana de liderança profana do divino culto sacralizado, que fora modificado.

Religiosamente, essa guerra já foi batizada de Inquisição, de Cruzadas e até mesmo de guerra Santa. Juridicamente esses episódios de extrema estupidez foram legalizados em prol dos negócios e dos impostos, a fim de oficializar um mercado que pudesse permitir o controle de uma minoria sobre as maiorias. Dai, nasce o selvagem capitalismo, fundamentado na violação racial em todos os níveis e possibilidades improváveis, como política profética e profanadora do fator humano.

Desse modo, o xadrez das correntes do cativeiro, empretecidas pela liberdade petrificada através das mãos do artista europoide, embranqueceram os privilégios adquiridos exclusivamente através das caríssimas moedas de sangue, transformando os valores enlameados de fezes em produtos de mercado negociados pela plebe, e os direitos emanados da necropolítica como códigos norteadores do bom viver dos homens de bens.

Destarte, a humanidade dividida em cores, perdeu seus sabores e humores, singrando uma trilha de horrores sem fim, para se perder na tempestade dos tempos difíceis de um possível alvorecer, nesse jardim de um Éden repleto de enxofre e sarça ardente de desejos sinistros e sem o senso clemente. Cada clamor se transformou em horror, trajando um elegante terno e gravata abstrata de sentido, atrás de um livro sacralizado e fingido, seguido por uma fila de cordeiro em ordem unida, num profundo sono  acordado, em homilia eterna

E assim, perdidos no caminho certo, seguem zumbizando pela reta sinuosa de sentidos insensíveis, esses corpos coloridos de preto, de branco, de vermelho e de amarelo; e como alvos singelos do canhão desse flagelo, a bala branca detecta sempre o alvo preto, seguido de uma sucessão de explosão, após secretas seções de sinistros  cismas, no caminhar da desumanidade.

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