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sábado, 2 de julho de 2016

Dos espelhos indígenas aos sapatos dos negros: Os reflexos de uma dramática caminhada...

Sapato grande em  Pé pequeno, também machuca. Os pretos de sapatos deveriam saber disso; deveriam saber que, repetir o discurso e as atitudes arrogantes do sinhozinho, não o torna fashion, nem o integra a sociedade esbranquiçada. Ele, o negro de sapato, deveria saber que, por ser um excluído, é alvo vivo e certo desse Estado genocida. Os negros de sapatos; satélites que orbitam ao redor do famigerado poder; devem adentrar nesse sistema para rompê-lo e não para se integrar a ele.

O fato de fazer parte de comissões em câmaras ou no Congresso somente para inglês ver, é uma forma brancosa de violência contra seus pares, servindo apenas ao desserviço de legitimar o crime secular do infame comércio que estruturou e tem mantido o fôlego do capitalismo.

As mortes, torturas e humilhações promovidas durante a ditadura militar, não chegam nem de longe perto das mortes, das torturas e das humilhações que já ocorrem a mais de três século com o povo Negro brasileiro sequestrados em Áfraka; e até o momento, ouve-se apenas o rufar do cinismo aos quatro ventos. As mortes da ditadura serviram para mudar todo uma forma de governar e até mesmo a prostituição. Digo, a constituição, que foi modificada por conta disso. 

Enquanto as mortes e torturas de negros promovidas sobre os auspícios do Estado, contam oficialmente na casa de 63 assassinatos por dia, sendo mais de 60 mil ao ano; fato mais do que caracterizado e comprovado como genocídio, e que se iniciou a mais de 400 anos atrás; um crime que continua legalizado e oficializado pelo Estado branco brazilleiro, que trocou a ditadura militar pela famigerada plutocracia; plutocracia essa que tem na sua filosofia de morte, a pedante meritocracia.

Nosso apartheid, arrogante e indolente, se mostra explicitamente impune sobre o rótulo de racismo "velado", já que o cinismo social decidiu ignorar todo o sangue que corre, irrigando a terra de violência político-religiosa, consequente da truculência estatal e burguesa nessa grande Senzala em que querem transformar os quilombos tupiniquins.

Aos indígenas ofereceram espelhos e aos negros, sapatos. Na zona de conforto o espetáculo do derramamento do sangue negro é a doce droga vampiresca das sanguessugas leucodérmicas, que se deliciam com a terceirização da violência, assistindo as mortes ao vivo e em preto e branco, quando, como por um encanto divino, os sapatos dos negros se transformam em botas que legitimam a humilhação e o vilipêndio, tendo como filosofia e política do abismo branco em que se transformou o mundo perdido no Atlântico.

Alice foi brancamente estuprada e transformada em ama-de-leite, para alimentar os produtos de seu flagelo e da amarga sinhazinha. Peter Pan envelheceu aguardando a esperança que prometeu vir acompanhando a sexagenária primavera de suor e de sangue. O mundo perdido no Atlântico embranqueceu aquele que caminhou sobre as águas; sobrando assim, só o suplício certo do carrasco de sapatos, que olha e enxerga através dos olhos azuis que espelham suas brilhantes botas lustradas por ingênuos descamisados, impudentemente vestidos de dignidade, mas com seus pequenos pés sem sapatos, sempre.









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