Se fosse
possível definir o conceito de REPARAÇÃO através de uma breve história no tempo, eu narraria o conto do negro José da Silva e
de seu visitante NEANDERTAL chamado Handolfo Ritler.
O
primeiro personagem; o José da Silva; assim que se fez gente, fez
sua habitação numa vasta planície que se perdia de vista, limitada
por densas florestas a sua direita, inúmeras cachoeiras a sua
esquerda, além de imensas montanhas do lado oposto, tendo um vasto mar
diante de si, chamando esse território de mundo.
Sua
família no mundo, viveu tranquilamente durante noventa e nove gerações,
quando chegou então, o bando do Handolfinho; bando sozinho no mundo,
sem nada na vida; sem formação familiar, sem saberem ler, nem escrever;
sem nada pro seu sustento ou sobrevivência.
A família
de Zé acolheu Handolfinho e seu bando, e tentaram lhes ensinar duas importantes lições : seus ofícios e seu modo de sobrevivência.
Mas a
família de Handolfinho, por falta de melanina no organismo (1), eles tinham grandes dificuldades de apreensão dos ofícios
a eles ensinados, fazendo tudo errado e trazendo danos a tudo e a todos ao seu
entorno. Por isso, acabaram tendo que ocupar o espaço circunscrito
à sua origem na paisagem do mundo, para dar menos prujuízo
possível.
Mas, um
dos membros da família do Handolfinho, O Handolfo Netinho Júnior,
durante as aulas na escola da vida, embaixo do pé de Baobá, colou
com o caçula Zé pretinho; conhecido como Zezinho das Candongas; querquitrisaneto do Zé da Silva; tentando então, colar na prova da vida,
invertendo a lição. Desse modo, como último recurso, ofereceu um
espelho d'água portátil, roubado do avô do Zezinho, que havia
confeccionado tal espelho para dar de presente quando ele atingisse a
maioridade, e que não dera até então, já que aguardava seu
quadragésimo aniversário para isso2.
Desse
maneira, Zenzinho, seduzido pelo objeto, passou toda a cola da prova
de vida para Handolfo Netinho dos Santos.
A família
de Handolfinho Netinho Júnior, de posse do valioso espelho d'água
portátil, após decorar um diálogo sedutor de convencimento, passou
a assediar os trisanetos do Zé da Silva; cujos descendentes passaram
a ser denominados pelo codinome de Zé Ninguém; e nesse diálogo
decorado; conhecido pelo nome de CAPITALISMO, trocaram o lugar aonde estavam circunscritos, pela vasta paisagem que habitavam
a família do Zé Preto, posteriormente também chamado de Zé
Pelintra. Este processo, simultâneo ao capitalismo, denominou-se de
ESCRAVIZAÇÃO ou, escravidão, pela linguagem dominante.
Dessa
maneira, o pequeno espaço em que habitava o bando do Handolfinho,
foi ocupado pela imensa família do Zé; também chamado de Zé
Pequeno; que agora, completamente confinados nesse ínfimo espaço devido a proporção inversa de habitantes, passaram a pagar pedágios e taxas diversas, chamadas
de impostos, para ter uma mínima mobilidade nas terras que antes
lhes pertenciam; Este processo foi chamado de COLONIZAÇÃO.
Assim, a
família de Handolfinho, cobram impostos exorbitantes aos descendentes da família do Zé
Ninguém, para que possam minimamente circular pelo espaço,
trabalhar, produzir quaisquer produtos que sejam e até mesmo para
poder viver, seja aonde for e como for; Até mesmo no pequeno espaço
restrito que lhes foram reservados pela família do Handolfo Ritler;
espaço hoje chamado de FAVELA e PERIFERIA; esta negociação foi chamada de
ABOLIÇÃO.
Hoje, os
descendentes da família Zé, tentam negociar com a descendentes da
família do handolfinho uma forma de acordo, para que possam ter de
volta sua dignidade e sua tão desejada paz, além de sua mobilidade de volta pelo mundo, e a
essa negociação, dá-se o nome de REPARAÇÃO.
A Reparações Já PREVÊ A REVISÃO DE TODAS AS TAXAS E PEDÁGIOS COBRADOS INDEVIDAMENTE, ALÉM DOS ESPAÇOS OCUPADOS E DA HISTÓRIA MASCARADA DESSE PROCESSO EXCLUDENTE E GENOCIDA DE UM CRIME AINDA ESTÁ EM CURSO...
1
- Uma substância que faz do ser humano ser humano; homo Sapiens
sapiens
2
- Era a idade em que os africanos tinham direito a voz entre os
adultos

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