Todas as artes marciais existentes no mundo tiveram sua origem num continente específico; lugar que hoje chamamos de AFREAKA. A CAPOEIRA, desenvolvida no Brasil, ainda é a única arte marcial que tem guardado seus princípios, conservados em seus fundamentos, na espiritualidade.
Mas o fato dessa arte negra também estar sofrendo o cruel processo de gentrificação, tal como toda a cultura negra no mundo; basta pra isso observar, principalmente no Brazill, o jongo, o candomblé ou qualquer setor da cultura negra, para constatar tal fato, como ocorreu com o Fado em Portugal, com o Tango na Argentina ou mesmo com o rock, que tornaram-se propriedade das queridas pessoas brancas que hoje ganham rios de dinheiro com nossa cultura; a cultura negra.
Num curioso e paradoxal contraponto, temos o enegrecimento dos setores brancos, tal qual o pentecostalismo, que está se empretecendo com a força negra presente em seus quadros, onde pode-se perfeitamente confundir tais alienantes cultos religiosos brancófagos com a dinâmica de qualquer culto de matriz africana, visto a transferência de todos os ritos processuais negros para os setores da cultura ocidental na medida em que a cultura negra vem sendo esvaziada e embranquecida. Esse fenômeno de transferência de royalties se dá de uma maneira estupidamente predatória e indolente.
Nos encontramos numa via única de contramão genocida, onde o desatino desse epistemicídio mostra seus devastadores efeitos, já que essa apropriação cultural e de saberes retornam em forma de conhecimentos que subalternizam, e escravizam corações e mentes, retirando a dignidade do Povo Negro. Esse mesmo Povo que, quando pode, precisa ir para as Universidades para que lhes devolvam um saber regurgitado sobre sua própria história.
Hoje, as vivências da cultura negra está sendo repassada aos próprios negros por professores brancos que não fazem a mínima ideia do que é ser, além de sujeito, objeto da própria pesquisa; resumido a uma cabaia de um laboratório eurocêntrico, como fazem com nossa melanina no congresso internacional que acontecem de três em três anos, onde alemães, italianos e japoneses sustentam tal pesquisa, sem que nenhum negro nunca tenha sido jamais convidado a participar.
Esses Robôs brancos que agora se intitulam como doutores da arte negra, e que vivencia nossa cultura como objeto, coisificando todo um mundo, toda uma história e a própria humanidade do negro, além das próprias verdades.
Esse fenômeno brancoso, de desapropriar apropriando-se da humanidade de uma pessoa, justificado sobre a égide contraditória de que somos todos humanos, é um exercício de voracidade antropofágica violenta e atroz, onde ele, o branco, busca desesperadamente por sua própria humanidade, quando ele se encontra robotizado diante de uma natureza dinâmica e exuberante aonde o negro se insere.
Portanto, fica fácil discernir a diferença entre um lutador de capoeira e um capoeirista; basta observar a cor de sua cútis. Por outro lado, também é fácil perceber quando um negro da capoeira sofreu o processo de gentrificação, deixando de ser capoeirista para se transformar num prosaico lutador de capoeira: O círculo que fundamenta seu jogo se transforma nas linhas retas de um quadrado retângulo, enquanto embranquece as cores da mandala existentes nas formas das chulas, corridos, quadras e ladainhas, transformando os mantras da capoeira numa prosaica música de capoeira.



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