Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Onde os absurdos são leis

Outrora os negros eram escravizados, chicoteados, esquartejados, sangrados, emasculados, castrados, decapitados, estuprados, humilhados, acorrentados, seviciados, torturados cotidianamente, naturalmente, displicentemente, escandalosamente.
Suas feridas, embalsamadas por seus conhecimentos medicinais e por sua teimosia em prorrogar a vida sem banzo, sem suicídio, de cabeça erguida.
O pelourinho, testemunha da vida sofrida; o chicote, companheiro da lida; a dor, vestimenta da ferida encobrindo a melanina trucidada; estampada na face negra.
Cada dia, uma agonia; cada minuto, um insulto; para cada voz, um túmulo cavado por um algoz. Negro sem voz, calado: atroz. Negro sangrado, humilhado: com nós. Normal, banal; negro ao natural.
Se for negro, tem que ser humilhado. Se for negro, tem que ser animalizado. Se for negro tem que ser castrado.
A globalização democratizou a demonização a melanina, curando as feridas nas faces sofridas e esfolando a alma ensandecida, além de engatilhar o espírito maldito pintado no muro da vergonha, das lamentações, da agonia escrava na garganta.
Hoje o negro sofre a banalidade da discriminação, a naturalidade do preconceito, a normatização da humilhação.
Hoje, no lugar de correntes, sua alma é marcada por arames que comprimem sua honra.
No lugar do pelourinho, são as algemas que entorpece sua voz.
No lugar dos chicotes, os olhares encravados em seu corpo, de braços abertos, pendurado no calvário da inquisição.
Corpo negro, preconceito claro. Pele escura, igualdade obscura. Melanina, só na surdina.
Século 21 sem mistério algum, lei 171, ônibus 174; sem os 18 do forte, sem sorte nem norte; nem a candidez do almirante atravessando a ponte dos generais.
Era uma vez..., Cinderela...Era uma vez..., Camélia. Casas demolidas, negros desabrigados; desapropriados de dignidade e de respeito.
Camélia cheira cola, saindo da escola e vivendo de esmola.
Cinderela se esmera na penteadeira, sorrindo da lavadeira que canta besteira à luz da lareira.
Nosso folclore se colore, inflando o fole esfolado pelo som do chicote musicado no preconceito justificado, do eleitor endinheirado.
São essas as coisas mais lindas, mais cheias de graça; que vem e que passa pisando na raça algemada, cremada, a caminho do mar; do tumbeiro pra senzala.
Senzala high tech, senzala societ, soft e escroque.
Almas marcadas, cravadas, estropiadas, injuriada e humilhada.
Almas com marca registrada, apropriada, desapropriada; embriagada pela banalidade adquirida pela cultura da bestialidade ariana: a cor do cinismo, a cor da atrocidade, a cor do horror sem pudor.
A normatização do absurdo é regra social aceita, acolhida, assimilada e festejada nos dias 13 de Maio de todos os dias negros de todo negro.
Viva treze de Maio, viva princesa Isabel!!

Nenhum comentário: