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domingo, 6 de junho de 2010

Lenda Urbana


Dizem que a zona norte é via da morte, e a zona sul, não é só mar azul. A zona oeste é inconteste; Zona oeste é faroeste. Na Linha Amarela o Comando é Vermelho, e Linha Vermelha, amigos dos amigos. Enquanto a Linha verde desmatada. À noite, as luzes da favela se confundem com as estrelas no negrume noturno do céu. As Balas encravadas nos muros e paredes são como os diamantes cravejados nos anéis das madames e dos burgueses.
Rio sem brio, sem teto e com frio. Padre cacófato em cenas insanas de cismas sinistros. Rio, de braços abertos na blitz bandida, civil e militar. Rio jagunço, que desarma o homem comum armando o meliante sem medo da punidade; “penas”... Pra que te quero!!!??? Rio, braços abertos para o amigo-urso. Rio branco, não da paz, mas da raça racista. Rio, vermelho de raiva, de fogo dos canos de revólveres, do sangue que corre nas vicinais e principais. Rio, negro, escravo de si mesmo. Morro palestino, asfalto TELa VIVa; invasão ou ocupação!!!??? Preocupação com a ação da cidadania virtual. Viva Rio, morte carioca!! Viver sem vida, sem teto e com brio é sina na cena do carioca sem gema, mas... Às claras. Pão...!!?? Só de açúcar... E pavê na TV. À mesa, fartura de espaço vazio; vazio de vida, de respeito e dignidade. Mas todos sorriem, pois estão sendo filmados pelo “grande irmão”; por isso mostram seu sorriso vazio contrastando com sua pele negra e suas saltitantes olheiras neste Rio sem rima nem ritmo, mas com muita bossa burguesa e mulata à milanesa. Tá servido!!??
Ah...!!! Mais uma boa notícia! O salário mínimo não vai diminuir..., Por outro lado teremos um pequenino reajuste de 199% no feijão, arroz, gasolina, gás, passagens de trens, ônibus, barcas e metrô, nada com que se preocupar. Afinal nossos prestimosos banqueiros estão aí para te bancar até sua falência final, geral e irrestrita. Depois disso, é o banco da praça a serventia da casa. Da praça XI, Praça do Jóquei, Antero de Quintal, General Osório e adjacentes. Nelas só se encontram “boas praças” com nome no Serasa e S.P.C. Araribóia que o diga, pois veio de Espírito Santo e virou Martins Afonso como o paulista que cariocou após a chuva fina do veranico fluminense; o alemão que se maravilhou com uma negra e sinuosa cútis bamboleante; ou o inglês que baba com a visão das maravilhas mórbidas e burlescas orgulhosamente mostradas pelo turismo mambembe. Tudo em nome do Cristo, redentor de todos os males, culpas e pecados capitais do político lesa-pátria, lesa-culpa com ética aidética.
Rio, antiga capital da Nau-capitânia, da revolta da vacina, dos tenentes e marinheiros. Da capoeira de Besouro de Mangangá à roda de samba na tia Ciata. Rio maravilha nós gostamos de você, te admiramos como a um cadáver boiando na Baía de Guanabara junto a um golfinho rotador. Tudo isso é grotescamente maravilhoso, é o sol do paradoxo na longitude atitudinal do germe na gema do carioca da Silva, de João, Maria e Josés.
João e Maria são sem teto e José é suburbano. Pedintes e camelô que se cruzam na esquina da vida defronte à estação do bondinho no qual eles nunca poderão ingressar, também como aquele cinema lá no centro; o Odeon. Ou aquele teatro na Cinelândia; o Municipal. São pessoas erradas em lugares errados, mesmo que tais lugares também lhes pertençam. Agora eles palestinam pelas ruas da cidade pela dignidade e pelo respeito. Para os primeiros, a vida se resume a um pedaço de pão jogado à lixeira-banquete. Para o segundo, a vida se resume à escravidão consentida. Todos os dias eles se transformam em São Sebastião e têm seus corpos transpassados pelas flechas da ignorância, do racismo e do preconceito e tal qual Tiradentes, são diariamente esquartejados em praça pública. Mas a inquisição se mostra surpresa quanto à renitência fenixiana desses insistentes seres, que teimam em reviver e sobreviver aos pés do Cristo redentor. Voltando da tumba para insistir na vida, na luta e acreditar em algo que nem imaginam o que seja ou mesmo que exista. Uns, dizem que eles têm espírito carioca, outros que não passam de grandes idiotas. O fato é que... No meio do caminho tinha uma flecha, um Pero Vaz de Caminha e vários tamoios, franceses, ingleses, holandeses e americanos. O tempo fechou na cidade maravilhosa, até viram São Sebastião flutuando na Baía de Guanabara lutando ao lado dos ocupantes, contra os invasores,... Ou seria ao contrário? Bem, o fato é que depois da bonança vem a tempestade, mas como nessa terra tudo que se planta dá, a marijuana está de vento em popa; ela atravessa o canal de Marapendi, passa pela Barra, pega o bondinho, dá umas voltas em Santa Teresa, vai de barcas a Niterói e aporta nas raves sem medo de ser feliz. Lá, até Martim Afonso já dançou: picharam a bunda dele como fizeram com Zumbi lá no Rossio, além da Uruguaiana; limite da cidade e cemitério de negros, gatos e cachorros. È o Rio democrático e cidadão; é a cidade maravilhosa, escandalosa, inescrupulosa e calamitosa. Rio yankee, sem rumo nem rima. Uma torre de babel sem sotaque tupiniquim, terra de Alice através do Narciso espelho d’água tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Beleza privatizada pela estética neoliberal. O Rio morre de raiva, de inveja, a míngua e a mata atlântica dança atropelada na Avenida “Brazil” por caminhões de empreiteiros contratados a peso de ouro pelo prefeito que constrói sua casa de campo na calada da noite sobre o cedro, casa do mico-leão-dourado. Nossa casa é o chão de estrelas, chão ocupado pela cannabis sativa, ativa e nativa que desarma o espírito e engatilha a doze na cara do cara careta. Rio 40 graus, bonito, charmoso, bombado e suado, desfilando pelo calçadão, subindo as escadarias do Christ, descendo a lapa de bondinho ao teleférico do Sugar Loaf. Cheio de graça e beleza gingando pela Avenida Atlântica, sob olhares ávidos de espectadores de big brothers.
Foi justamente num desses calientes dias, quando os nós das gravatas tornam-se cordas e elevadores cadafalsos, que Mister Gringo; um grande amigo do prefeito e embaixador dos USA no Brazil, decidiu amenizar as pressões do dia indo passear no bondinho do Sugar Loaf. Durante seu tour a caminho do referido ponto turístico, um grupo de pit-bulls zoavam na bilheteria da estação. A confusão já estava formada com a chegada dos seguranças do embaixador, da guarda municipal e da polícia militar. O burburinho ouvido nos rádios comunicadores era de que os bombados estavam chegando ao Sugar Loaf. O alerta geral foi emitido, toda a segurança estava de prontidão. O embaixador naquela confusão, sem entender o que ocorria nem entendendo direito o dialeto carioca, indagava ao seu ordenança o que estava acontecendo. A ordenança, que entendia tanto do vernáculo carioca quanto o embaixador, afirmava que as forças de segurança haviam detectado homens-bombas no Sugar Loaf. Alertado sobre a ameaça terrorista, o embaixador imediatamente reportou o fato a White House, que imediatamente acionou a SSIA, o EFIBIAI e seu poderoso exército. Do conforto de seu escritório, o number one reafirmou em seu discurso a necessidade de se levar à liberdade ao povo la cucaracha. Assim, foi mobilizada em grande escala a operação “liberdade tropical”. Junto ao pacote de liberdade, foram enviados os temidos caças invisíveis, mísseis importados do Iraque, bombas atômicas do Irã e tanques alemães. Tal ação, que fora comunicada ao congresso nacional com alguns milésimos de segundos de antecedência, passara despercebida já que lá em Brasília enssenadores e deputancias estavam atuando em regime de urgência urgentíssima para votarem seu futuro novo aumento de salário máximo.
A Baía de Guanabara transformou-se num grande estacionamento de porta-aviões e a ponte Rio-Niterói num dos principais postos de observação, enquanto os pelotões desembarcavam nas praias lotadas de gente, turistas e gatunos. Os caras-pintadas que brotavam d’água não causavam nenhuma estranheza aos transeuntes acostumados ao vai-e-vem de homens armados, de estampidos de calibres diversos, de balas perdidas e balas achadas, de falsas e de verdadeiras blitzes e dos corpos espalhados diante dos paredões nas escuras esquinas das zonas sinistras.
No Sugar Loaf, o sobe e desce de alpinistas e escaladores se misturava ao dos pára-quedistas yankees, enquanto binóculos militares se imiscuíam com o colorido dos biquínis, escrutinando as profundezas mais recônditas das nativas.
O palácio do planalto ainda não se pronunciara sobre as notas de protesto da ONU em relação ao desrespeito aos direitos humanos pelas bandas tupiniquins. Em Brasília comentava-se sobre uma guerra na antiga capital do Brazil, e o Rio, vivendo em ritmo de reality show, não se deu conta de tal invasão.
Hoje a força de segurança nacional ainda continua em alerta, mantendo a ordem e o progresso enquanto as forças yankee garantem a liberdade dos cariocas, dos biquínis e da imprensa livre. Assim, tudo mudou para continuar exatamente como antes; quanto aos homens-bombas... Esses continuam indecisos em suas opções de gêneros, mas persistem em zoar a noite na saída da boite le boy do Leblon: enquanto o Christ redentor e o Sugar Loaf então envolto pelas luzes dos supersônicos Yankes eles (os bad boys) ainda não decidiram se porram os rapazes e pegam as meninas, ou se pegam os rapazes e porram as meninas. Ser ou não ser, that’s the quest já dizia o deputado costureiro e brazileiro na rampa do congresso nacional. Agora as câmeras estão ligadas 24h, transmitindo ao vivo para que o povo assista on-line a invasão que rola em seu próprio quintal, na própria sala, na cozinha e principalmente na cama. Às armas cidadãos do mundo virtual, porque a realidade bate à sua porta, está nua e crua, desfilando pelas passarelas, nos jornais e nas revistas!!! Seu corpo é sensual, sua face é cadavérica e seu toque petrifica, mas é uma linda Vênus platinada que esconde todos os vícios, cadáveres e corrupções atrás dum lindo cenário tropical; a Vênus com seus beautiful cabelos de Medusa, desalinhado pelo vento norte durante a abertura da novela das oito, mostra escancaradamente sua apple como uma candle in the wind (vela ao vento), enquanto tupiniquins agacham em direção a Meca Babilônica e com as nádegas expostas ao sol idolatrando a liberdade da imprensa, afinal o show deve que continuar! E como diria um dos maiores estadista tupiniquim: estupra, mas não mata!! Agora sim, depois do saco de liberdade yankee, finalmente conquistamos nossa independência. Viva la Independência, viva sete de setembro!!!
Somos livres e independentes enfim. Independentes de liberdade e igualdade, independentes de ética, de responsabilidade e de coletividade. Independentes do trabalho, da construção e reconstrução. Do compromisso com a palavra, com nossa própria palavra. Independentes do amigo, da amiga, de gente. Independente das diferenças e dependentes da indiferença. Dependentes do money, da vantagem e do privilégio.
04 de julho, Dia da Independência brazilleira: Dom Pedro; Dom Diego de la Vega; Dom Casmurro; Donga; Dunga; Duendes e Sereias num desfile trági-cêni-cômico; as alegrias de uma tragédia Greco-tupiniquim da favela independente da dignidade, do respeito e do auto-estima. Independente de tudo e de todos, dependentes químicos e independentes alquímicos, só não sabemos de quem depende essa “independência” comprometida e dependente do canhoto de um contracheque contra o choque do pau-de-arara imperial.
Meditando nessas duras penas e desditas que são ditas e reditas, percebemos uma autonomia dependente da ignomínia e da estupidez. Deus salve os trogloditas das Américas à terra do fogo, de cabo a rabo, de Guantanamo à Abu-grhaib onde “os fortes fazem o que bem entendem e os fracos sofrem o que for preciso”. Finalmente os dependentes de independência participam, quase ao vivo, do reality show independence day na esplanada dos ministérios; misturando sete de setembro com 04 de julho. Bem... No fundo, até que “a morte do carteiro” lhes caiu bem. Caiu mais um corpo do paredão. Um tiro certeiro na nuca do carteiro. Ta lá mais um corpo estendido no chão; estático. Estatístico, estético, estatelado, inerte e inerme. Mais um Zé morto no paredão do Sugar Loaf, enquanto João e Maria são algemados, transformados em réu sem crime e levados a julgamento sem júri. Mas a vida continua bela e maravilhosa, a fábrica já apitou, ta na hora de bater o cartão.
Viva Rio!!! Viva Rio???
Viva... Rio! Não morra... Ainda!! Nem me mate! Pois Sou de Angola, uma favela perto da faixa de Gaza, bem longe de Xerém, onde o som da tumbadora, cavaquinho e agogô se misturam com o som dos projeteis das PTs, em contraponto aos cantos banto do samba de mesa. Sou mulato mestiço armado de violão nas costas, cavaquinho nas mãos e de palavra cantada na garganta, que viaja entre os fartos lábios, espaço geográfico da antiga cantiga do capão, acompanhada de atabaque e berimbau. Desvio-me do capitão-do-mato; o embaixador da paz, para ter a chance de lutar pela diferença para alcançar a igualdade. As linhas que delimitam mapas separando países e mundo, uso para montar meu instrumento e cantar idiomas arcanos e profanos dos arcanjos, no Rio ou em Belém, em casa blanca ou em Dresdén. Ontem mesmo, caminhando e cantando pelas ruas dos subúrbios do Rio, eu vi Clark Kent revirando um lixão à procura de algo que saciasse sua fome e garantisse sua subsistência. Do outro lado da rua estava Linda Carter degustando um resto de sanduba que acabara de tomar do menino prodígio. No meio da rua estava Peter Parker fazendo malabanares, defendendo uns trocados para pagar o aluguel e ajudar sua tia May. Na delegacia da esquina, o Dr. Destino se preparava para a diligência diária aos guetos da cidade à caça dos Panteras-negras, enquanto no décimo andar, o Homem de gelo cumpria sua jornada diária num escritório multinacional. No andar térreo o taciturno Batmam, como de costume, mantinha sua vigília na fila de desempregados repleta de X-mem, afim de uma oportunidade para mostrar seus múltiplos talentos. Pelo calçadão, gritando palavras de ordem, vociferava o exemplar Capitão América, que pela décima terceira vez candidatava-se ao cargo de deputado federal por uma sigla Yanke. Todos com suas respectivas máscaras de cidadãos pintadas sobre a face de clown, como fantasma de uma ópera, desafinada pelo caos urbano. Todos figurando como personagem de platéia, diante da cena cínica da tragédia “Afro-índi”. Heróis de figuração que constituem a estatística da constituinte urbana; heróis invisíveis, detentores de troféus sem valor, diplomados em desvarios paranóicos e histerias coletivas.
Doravante o arquiteto louco - lacaio da rainha má; traça seus quadrinhos, historiando a vida do herói sem valia, pintando-os com o vermelho de sangue real e o marrom da terra de Alice. As raízes no estômago, as flores no ser e os frutos na mente são traços de um ilustre herói anônimo, que mascara seu desvalor ajeitando-se na indumentária de arlequim. Heróis faraônicos e vilânicos, de países sulistas, solanos, saladinos e surreais: despatriados e desterrados vivos de seus próprios corpos, usando meandros malandros mascarados com melodramos. Máscaras invisíveis a olho nu, que desnudam os seres de opiniões críticas desconstrutoras de momentos fatais criando mitos olimpianos.
Heróis mascarados são vilões invisíveis que mostra a cara nua de crown pintada de ébano; decorado de abstrato, com corpo de pano e nariz de madeira. Tendo o cérebro de “sapo escaldado” que acompanhou o “escorpião” em sua breve travessia pelo negro mar carmim em sua eterna luta a procura de si mesmo num salvador alheio. Heróis que tem o poder da surdez, a cegueira da justiça, e o dom do silêncio; A velocidade de um processo e a força de um toillet pós-banquete; Um herói que nunca se cansa de estender suas férias para descansar seu exíguo intelecto e jamais tem um momento para parar e pensar, fazendo extremamente necessária a manutenção de sua identidade super-secreta em segredo de estado e de justiça.
Portanto, as máscaras servem de eficazes escudos e de amuletos protetores na eterna luta contra o bem-me-quer e o mal-me-quer cotidiano de nossas histórias em quadrinhos na platéia do palco da vida. Protagonizar um espectador sem máscara é papel de herói sem valor, assumir a cara de paisagem é digno de diploma oficial da academia dos imortais assassinados pela vaidade imanente do poder; Esses imensos poderes que testam o homem disponível no herói que folheia sua própria H.Q., assistindo o desfile de sua de vida no calçadão da história. É esse herói que virá nos salvar dos Aliens, que invadiram nossas vidas roubando nossos sonhos; e somente ele poderá conter a sana dos Alemães Americanos vendedores de ilusões.
Agora a cidade dorme, e o sonho acorda o super-herói para dormir sua vida cansada de esperança; Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer..., bem...zzz..me...zzz...queezzz...zzzzzz...!!! em Brasília 19 horas...!!! Plim,plim..!! Ordem e progresso..!!Brazil, zil, zil, zil...200 milhões em ação, pra frente Brazil, salve a seleção...!!beba coca-cola!! É gooooooolll..!!! lá em cima daquele morro passa boi passa boiada....funk Brazzil..zzzil...zzzzil...zill..zzziillll..zzz...trararara...traa...trarara...nosso herói já acordar se desviando de balas perdidas, vive azul de fome, sem dinheiro nem pr’um cafezinho, menos ainda para pagar a passagem de ônibus para chegar ao “trampo”. O infeliz, chega em casa e vê na TV a velha novidade de que outra vez, de novo, novamente os deputados, que só vão ao trabalho quando é para votar o próprio aumento salarial, como sempre aumentaram seus dividendos em modestos 500%. O “herói” assistindo a tal novidade fica vermelho de raiva; só ele paga impostos, só ele paga suas contas, só ele cumpre a famigerada responsabilidade fiscal e só ele sofre arrocho salarial. Nosso herói, quando liga a TV fica branco ante as notícias de reformas, reuniões do COPOM, decretos e reedição de medidas provisórias, que de provisória só tem o nome. Como se tudo isso não bastasse, na subida do morro sempre encontra com uns pêemes que lhe deixam roxo de pancadas, só para lembrar que ele não passa de um negro qualquer. Nessas horas o verde da esperança só se faz presente na bandeira brazilleira, pois nem na rezadeira nosso herói consegue deixar de sorrir amarelo. Para ele o tempo se faz sempre cinza-escuro. Quando não está meio lusco-fusco ou cor-de-burro-quando-foge. Mas, ele espera um dia espalhar as cinzas da desgraça, regatando o verde da esperança, trazendo de volta o vermelho fogo da paixão. Mesmo sendo preto, atingir o alvo “branco” da paz. Só assim vai ficar tudo azul, reluzindo o amarelo-ouro do fastio. No momento sua memória deu um branco e ele vive num permanente blecaute, pois o arco-íris esvaeceu-se à sua frente até o completo delir, junto à tempestade invernal. Tá tudo escuro, claro mesmo só o irracional e irascível racismo. O pote do amarelo-ouro, transforma-se em relógio-despertador, que berra alto em seus tímpanos anunciando a hora de ir trabalhar.
Tá na hora e nosso herói, um “escravo de Jó”, tem que “trampar”. A vida de pintor de placas de sinais de trânsito não é nada fácil. Mas não é qualquer sinal, semáforo, sinaleira ou farol que o impedirá de tocar seu “Show de realidade”. Na vida desse heroi cara-pintada (de palhaço), tudo acontece ao vivo e a cores, mesmo que seja em cores – mortas. Afinal, este boa-pinta é brasileiro..., ele não “resiste” nunca, além do mais, sua pintura de guerra já não causa mais tanto frisson. Só lhe resta o vermelho da vergonha na face, que lhe desvanece o semblante, sangrando a existência na agonia da vida. Quanto a mim, um crioulo de cara preta, sigo a palo seco pela aridez do lotado deserto urbano, este nosso meio-ambiente morto e enterrado pelo egocentrismo antropofágico desumano dos humanos. Não é preciso estar no mundo da lua para notar que a terra azul se transformou num mar vermelho, sem trilha nem caminho de retorno para escapar do abismo de si mesmo. Nem as lágrimas de arrependimento misturadas as de crocodilos fazem cessar o brotar de vidas secas, regadas pela sede de viver fora desse jardim de fosseis urbanos; esse Oásis de pensamentos jurássicos que a muito extinguiu a sana da chama terna da vida de cidade grande. Agora a aridez das emoções faz brotar espinhos nos músculos anabolizados de Cupido, fazendo os yuppes saírem das cavernas pútridas da modernidade virtual para a crueldade do mundo real, desmascarados e completamente nus.
Peles negras, brancas, amarelas e vermelhas ressequidas de afetos, transformadas em fosseis, são mortas pela vida e ressuscitadas para a morte através do sangue azul e vermelho centrifugados pelo ranger de dentes, e solidificados pela palavra cuspida nas faces embrutecidas pela agonia egocêntrica, dando o tom cinzento do crepúsculo da zona sul a zona norte.
O sal do Sugar Loaf arde na boca do Redentor de pedra que num esforço supremo, como o abutre de Prometeu, se desgarra de seu pedestal lançando-se sobre os fósseis humanos no afã de abraçá-los uma última vez, arrancando-lhes seu sangue e quebrando os ossos, enquanto lhes trituram as carnes num sinal derradeiro de afago e afeto.
“Foi o Rio que passou na minha vida, e meu coração se deixou levar...” Assim mais um cogumelo atômico é servido à Via Láctea, nossa Via de mão dupla transversal. Hiroshima é aqui, Nagasak é ali, quanto ao Hawai e o Haiti...Não sei, morri...Sentindo o baque d’uma bala nas costas, enquanto olhava um carro alegórico atravessando a Sapucaí!!! Enquanto eu me acabava, a guerra começava... booommm!!!
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça... É essa historinha escrita na pedra da praça, na lápide de mais um herói desconhecido, sobre o envelhecido monumento dos pracinhas!!! Foi assim que, finalmente um herói decidiu acordar para livrar-nos da opressão dos poderosos. Surge então o maior de todos os heróis: não é o super-Mam, menos ainda o chapolim colorado, nem mesmo Charlie Chaplin. Estamos falando de um herói que reúne a força de todas as crenças, verdades verdadeiras e falsas, além de todos os dogmas e paradigmas. Calculista como batmam, frio como o homem de gelo, nervos de aço como qualquer super, além de carregar as forças sagradas de sansão em seus longos dreads loaks. O mais importante de tudo isso, é o que faz dele um ser mais diferente que os diferentes: ele não tem medo do escuro; já que esteve no escuro e também é escuro. Ou melhor, ele é preto, é negão, um verdadeiro tição. Sim, é dele que estamos falando; do Supertição. O maior super-herói negro de todos os tempos; tão poderoso que consegue supera até mesmo a kliptonita branca, com seu super fashion dread loaks.
Ele não usa máscara, justamente para não ser reconhecido. A combinação da brancura de seus dentes com a escuridão de sua pele, provocam reações inusitadas e controversas; quando esse ser entra numa loja de um shopping qualquer, todas as câmeras seguem seus passos; também pelas ruas, esquinas, avenidas, bancos, ônibus, e supermercados. Além de todos os vendedores, gerentes e até mesmos clientes lhes dispensarem especial atenção, enquanto seguram com firmeza suas bolsa e carteiras. Quando ele sai às ruas, os olhares de transeuntes, de seguranças e de policiais cravam em suas costas como lanças pontiagudas a penetrar-lhe as entranhas. É a mesma coisa em seu trabalho, com seus vizinhos e alguns poucos amigos. Mas seus Dread’s têm resistido bravamente, provando sua força e provocando outras forças. Todos os dias ele prova pra si e para o mundo sua competência e criatividade; todos os dias ele renasce do salário mínimo, todos os dias ele acorda para despertar seu sonho adormecido; todos os dias ele derrota seus pesadelos à luz do dia-a-dia. Os santos arianos católicos afirmam em suas bulas, que seres negros não têm alma, portando deus permite que os mesmos sejam escravos. Todo o mundo já aceitou e incorporou essa verdade, menos o Supertição, que continua sua luta inglória e solitária pra provar que existe e tem alma; Seja no Rio, No Brasil ou no Mundo, mesmo sendo um herói estrangeiro em sua própria casa, mesmo nascido do preto e do branco, mesmo sendo a síntese mestiça do mundo.
Pelo menos agora com todas as câmeras em seu encalço, ele tem a oportunidade de aparecer no paredão das lamentações da vida e não ser apenas mais um reles herói desconhecido. Como a macaquinha chita, coadjuvante de Tarzan junto à loira Jane, ele consegue ter seus quinze minutos de fama efêmera, justificando assim seu respeitável nome: Supertição.
Ele, um supertiçioso incurável, acredita na vida, num mundo melhor, na liberdade, fraternidade e igualdade. Acredita até mesmo no direito à vida, a expressão e em poder ir e vir quando bem lhe convier. Um simplório e prosaico herói protagonista de uma cruel tragédia tupiniquim: Wall Street lhe ordena que corra, mas como um Saci ele só consegue capengar; Wall Street lhe promete saúde, mas como o Saci ele não larga seu cachimbo (de crak). Wall Street lhe cobra que pense, mas como o saci ele é apenas mais um traquina, sendo apenas mais uma mula sem cabeça.
Quando pensa, ele só consegue imaginar como fazer para conseguir o próximo almoço, lanche ou jantar. Quando corre, é porque tem um bando de policiais e/ou salteadores e cobradores a lhe acossar. Sua figura esbelta e esguia se deve a ausência de nutrientes e aos constantes exercícios de fuga do poder “constituído”.
Sua casa é a mata Atlântica; cidade-favela mad in Rio. Sua cama é feita de asfalto, seu teto é de estrelas e seu toalete é o bueiro de qualquer esquina escura ou clara, feito às claras.
Do alto de sua luxuosa torre gêmea, Mister gringo o embaixador, classifica nosso herói de bárbaro, de rato de esgoto, uma figura escatológica que precisa ser banida da sociedade. Mesmo já estando banido de seu lar, sendo violentado e execrado em todos os sentidos, nosso herói ainda sorri ante as câmeras de segurança e de turistas; um sorriso negro, um sorriso amarelo, sorriso de clown frente a sorrisos de crocodilo ante repasto.
O Rio é puro sorriso, constituídos de gente boa, gente linda e que vive feliz, com balas perdidas, estupros, assaltos e morte ao vivo e a cores. Por isso viva o Rio, vamos nos divertir e aparecer nas próximas passeatas pela paz, contra a violência, pela vida, pelo meio-ambiente, etc, etc e etc. No Rio o bom de viver ao vivo é morrer on-line; é a modernidade contemporânea do século 21 chegando a selva urbana tupiniquim, através das moderníssimas câmaras de gás tecnológicas chamadas de máquinas globalizatórias; cortesia dos hitlerianos administradores do mundo pós-moderno. Afinal essas arcaicas figuras folclóricas, de tão ultrapassadas fizeram com que as superstições ficassem totalmente démodé; é a vida, é a evolução, é o progresso e contra a ordem e o progresso não há Superstição que resista! Será!!?? Preparem as câmeras, assistam o paredão e votem na onda que provocar o maior e mais engraçado caixote. Afinal, sem platéia não existe espetáculo e já que a vida é um palco...!!! Ser platéia ou protagonista é uma questão simples de escolhas complexas! De máscaras ou desnudo, de preto ou de branco, de tudo isso ou nada disso, sendo ou não sendo. Localize-se em seu espaço, descobrindo seu mundo, explorando sua geografia encefálica cinzenta e coronariana, fazendo sua trilha entre as delicadas minas explosivas no terreno da vida morta em que se tornou esta maravilhosa cidade-sepulcro; tumbeiro de heróis.
Resta agora um olhar perdido no horizonte a procura de algo desvairado no próprio ser: sua esperança. Esperança em algo abstrato, inexistente, que se revela metamorfoseada como os Jardins de Tântalo , do Edem, como Utopia, Nova Atlântida, Shangri-lá ou a terra do Nunca. Agora tais mundos se tornaram os principais orbes do nosso sistema planetário encefálico. Nele a lua cheia de mel, temperada com açúcar de fel, se tornou o centro.
Esses planetas são formados de matérias importadas, ancestrais, diferentes do material tácito e orgânico formador do seu núcleo. Portanto seu invólucro mascara sua real composição e essa mesma escaramuça denuncia a barreira virtual que envolve seu núcleo vital, quando aponta uma órbita circunscrita a si mesmo; caminho que leva ao eterno retorno. Enquanto o núcleo latente jaz adormecido - submerso em sonhos de vida, esses planetas anões estão completos de si por fora, sendo micro-gigantes por dentro.
São mundos excepcionais embotados por suas próprias sombras, acreditando numa Deusa chamada Esperança: Deusa que rege o futuro; protetora da vida como ela é: fria como o próprio espaço, distante como as galáxias, vazia como o vácuo e virtual como a própria Deusa.
São mundos de órbitas fixadas na mutação de devires pré-fixados por créditos, que são valorados de acordo com o pregão da vida.
A Deusa Esperança capitaneia a Nau Capitania , pirateando o espaço vital do coração dos Jardins de Tântalo. Deusa Esperança: protetora dos ladrões, suprindo-os com maestria durante suas fraudulentas vidas quando implanta no coração de suas vítimas um renovado porvir. A Deusa os cria e os alimenta num ciclo ad infinitum nos vastos campos planetários, fertilizados pelos insanos raios lunares. A sementeira da Esperança fornece suprimentos perpétuos para salteadores e vigaristas da pior espécie, ela é a Deusa irmã da loucura e prima do sono profundo, senhora dos fracos e dos oprimidos, dona do coração dos tolos. Subjuga os pais, os amantes, os sonhadores e todos aqueles que acreditam sem buscar. Como tarântula, Tântalo os envolve em sua teia, enquanto a Esperança assiste a primavera se definhar e suas forças se exaurirem encarcerando a razão. Assim ela festeja com Nigreton Hypnos sua vitoriosa supremacia junto a sua corte; os emotivos e os espectadores.
Das pedras do Arpoador se vislumbra lá no espaço, o pontinho luminoso da inalcançável Esperança, reflete nos olhos da platéia distante, noturnamente melancólica. O desenvolvimento humano, com toda sua evolução tecnológica, ainda não criou um meio de transportar o homem à terra firme, afim de finalmente fazer com que ponha os pés no chão. Assim ele continua como platéia – com cara de paisagem, assistindo o futuro passar ao largo, como folha de outono jogada ao léu pelo mesmo vento norte que acende as velas da razão.
Os braços da Esperança são como garras afiadas, fincadas nas entranhas dos visitantes dos Jardins de Tântalo, uma vez embalados e empalados em seu colo “protetor”. Ela anestesia, cega e embriaga os sentidos calando a mente e despertando a língua. Como rainha dos desesperados, ela engendra sonhos paralisados e entorpecidos pela vontade rendida, vendida e coagida por seu divino dom. Todo lar tem seu altar, que a homenageia sem cessar. Seja rico, seja pobre, sem saúde ou sem dinheiro, sem amor, com destemor, até mesmo os descrentes que se somam a essa gente que não desiste nunca.
Há, não esqueçamos do outro pontinho luminoso do céu crepuscular; Vênus, o planeta do Amor e dos amores ternos e eternos; da alma, do corpo e do espírito. Um planeta criado pelos Deuses, numa gênese completada pela emoção arrazoada. Um mundo caliente, vulcanizado por Afrodite; enquanto seu vizinho - o planeta Terra, fabricado pela inveja de Orco e pela vingança de Caos, jaz numa solitária imensidão escura, envolto em neurastenias e distúrbios bipolares.
Um planeta outrora azul, agora acarvonado, grafitado por Alzaimer com figuras d’um presente que se foi.
Orco, fabricante de Earth, afirma ter produzido a terra e tudo que nela existe, inclusive o homem a sua imagem e semelhança; provavelmente isso explica seu caráter ambíguo. Certamente os políticos profissionais, que manipulam o religare tentando recriar a criatura da lama de suas próprias fezes, encontram grande inspiração nessa fonte divina, quando fazem oferendas a seu próprio Orco.
Nessa Terra tem palmeiras, onde o negro chorará; os escravos que aqui morrem, já não sofrem como lá.
Nossos morros têm mais pobres, nossas ruas mais horrores, nossos órfãos tem mais ira, nessa vida de impostores.
Se sair a rua a noite só a morte encontro lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará.
Minha terra tem impostores qu’em Vênus n’entrará, se eu sair a rua a noite mais cadáver encontro lá; nessa Terra tem palmeiras onde um negro chorará.
Me permita Deus a morte, pra que eu não volte para lá; pra qu’eu não veja esses horrores quando Iemanjá me abraçar; pra qu’inda só aviste as palmeiras sem um negro pra velar.
Avenidas Atlânticas, boites, coifers, coffee breack,
Trailers, vouchers, waffers, boys and girl,
Apart hotel, diners…, Shopping’s…,
Delivery…, e-mail…,
Pit-stop.., hot-dog…
Blitz….,
Maison…, bidê…, notebook…, point…, workshop…, blitz
Show…, palace…, ruche…, marketing…, airbus…, Kodak…, blitz mp3…, ok.., Aiwa…, LG…, big…brother…, blitz
blitz…, blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… abajour,…sandwich,…late,…club,…jockey,…football,…
blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… blitz… help… help…help…help… heeeeeellllpplp…!!! Plaaft...!!! Acorda negão, já chegou sua estação! Suba logo seu morrão, se não leva um porradão!!!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Onde os absurdos são leis

Outrora os negros eram escravizados, chicoteados, esquartejados, sangrados, emasculados, castrados, decapitados, estuprados, humilhados, acorrentados, seviciados, torturados cotidianamente, naturalmente, displicentemente, escandalosamente.
Suas feridas, embalsamadas por seus conhecimentos medicinais e por sua teimosia em prorrogar a vida sem banzo, sem suicídio, de cabeça erguida.
O pelourinho, testemunha da vida sofrida; o chicote, companheiro da lida; a dor, vestimenta da ferida encobrindo a melanina trucidada; estampada na face negra.
Cada dia, uma agonia; cada minuto, um insulto; para cada voz, um túmulo cavado por um algoz. Negro sem voz, calado: atroz. Negro sangrado, humilhado: com nós. Normal, banal; negro ao natural.
Se for negro, tem que ser humilhado. Se for negro, tem que ser animalizado. Se for negro tem que ser castrado.
A globalização democratizou a demonização a melanina, curando as feridas nas faces sofridas e esfolando a alma ensandecida, além de engatilhar o espírito maldito pintado no muro da vergonha, das lamentações, da agonia escrava na garganta.
Hoje o negro sofre a banalidade da discriminação, a naturalidade do preconceito, a normatização da humilhação.
Hoje, no lugar de correntes, sua alma é marcada por arames que comprimem sua honra.
No lugar do pelourinho, são as algemas que entorpece sua voz.
No lugar dos chicotes, os olhares encravados em seu corpo, de braços abertos, pendurado no calvário da inquisição.
Corpo negro, preconceito claro. Pele escura, igualdade obscura. Melanina, só na surdina.
Século 21 sem mistério algum, lei 171, ônibus 174; sem os 18 do forte, sem sorte nem norte; nem a candidez do almirante atravessando a ponte dos generais.
Era uma vez..., Cinderela...Era uma vez..., Camélia. Casas demolidas, negros desabrigados; desapropriados de dignidade e de respeito.
Camélia cheira cola, saindo da escola e vivendo de esmola.
Cinderela se esmera na penteadeira, sorrindo da lavadeira que canta besteira à luz da lareira.
Nosso folclore se colore, inflando o fole esfolado pelo som do chicote musicado no preconceito justificado, do eleitor endinheirado.
São essas as coisas mais lindas, mais cheias de graça; que vem e que passa pisando na raça algemada, cremada, a caminho do mar; do tumbeiro pra senzala.
Senzala high tech, senzala societ, soft e escroque.
Almas marcadas, cravadas, estropiadas, injuriada e humilhada.
Almas com marca registrada, apropriada, desapropriada; embriagada pela banalidade adquirida pela cultura da bestialidade ariana: a cor do cinismo, a cor da atrocidade, a cor do horror sem pudor.
A normatização do absurdo é regra social aceita, acolhida, assimilada e festejada nos dias 13 de Maio de todos os dias negros de todo negro.
Viva treze de Maio, viva princesa Isabel!!

A voz vítima da vez

Os profissionais de Educação estão pensando: pensando que são gente, que podem se dar ao luxo de almoçar e de jantar num mesmo dia e até mesmo ir ao banheiro impunemente.
São tão pretensiosos que até ousam pensar num futuro e salário dignos. Assim pensando, resolveram questionar as condições degradantes a que são oficialmente submetidos, com o aval social de todo o pessoal.
É claro que quando os mesmos profissionais mostraram a cara na Avenida Central do Brasil, seus antigos alunos, agora bravos policiais condecorados por bravura, respeitosamente lhes enfiam a porrada, sem nenhuma cerimônia, justificativas ou algo similar; Promovendo um festival de barbárie regada a cassetetes e balas de borrachas, além do indispensável soco na cara.
Obviamente esses bravos militares seguem a risca a filosofia de nosso lindo pendão da esperança, que tem como lema “ordem e progresso”.
Enquanto em nossos tribunais são discutidos assuntos triviais, nas prateleiras da justiça se acumulam atos secretos e de barbáries, que se estendem até aos bancos escolares.
Na falta da educação, só um professor pode mudar a situação; e na falta do respeito? O que pode fazer o sujeito? Qual a lição do dia-a-dia para enfrentar tanta hipocrisia?
Procurei nas fórmulas químicas, físicas e matemáticas; em toda a ciência exata. Mas a estatística que mantém a estética me deixou estático.
Procurei nos pontos e vírgulas, na métrica das poesias do dia-a-dia, mas continuei em profunda agonia. Nem a filosofia da sociologia me fez voltar à alegria.
O primado entre o certo e errado já está consumado; se todo anzol certo tem que ser torto, não posso me permitir ser um morto muito louco e viver no desgosto da normalidade anormal.
Sou realista: me contento com o impossível!

O Negro na história do Brasil da Lei 7.716/89 a lei 11645/08

Gesto nobre é digno de Rei e gesto pobre é coisa de preto. No plebiscito realizado no ano de 1993, para se escolher a forma de governo que os brasileiros desejavam para nosso país, mais de 60% votaram na monarquia. Votaram naqueles aristocratas que dilapidaram o país, que dizimaram um povo além de escravizar outro; transformando os sobreviventes desse genocídio em mortos-vivos.
Que filhos da pátria são esses que vêem na sua mãe (a mãe África) e no estupro de Lucy , genitora dos afro-brasileiros, uma vadia sem lar, reduzindo-a a uma caricatura de Geni . Porque o Brasil precisa decretar uma lei para adestrar uma consciência inexistente; a consciência da alforria, a consciência negra. Porque a vergonha de ser negro, imposta pela representação do preto-pobre-feio-burro-escravo, persiste para além dos livros didáticos, paradidáticos e midiáticos naturalizado pelo senso-comum.
Em nossa sociedade de príncipes e mendigos o preconceito não é crime, uma vez que não pode ser medido nem pesado. Nós, os assalariados, somos filhos dos escravos libertos largados pelas ruas, becos e vielas do Brasil pós-abolição. Incrivelmente tal abolição veio acompanhada, dois meses após especificamente, pela famigerada lei da terra, dando posse da mesma terra aos possuidores de rendas. Obviamente não houve nenhum crime de Racismo ou de Preconceito nessa lei, visto que em nenhum momento se mencionou alguma coisa sobre pessoas de cor; assim como a maioria esmagadora das leis brasileiras, confeccionadas especificamente para criação e manutenção de privilégios de quem já os possuem, além do achincalhamento dos despossuídos; tudo muito natural, aceitável, normal.
Por isso os Negros são os marginas, os parias, a ameaça que caminha pelas ruas escuras dessa sociedade que se protege e se exime através do sentimento do preconceito. Já que, convenientemente, tal sentimento não passível de criminalização. Portanto, conclui-se que no Brasil as leis venham especificamente para mudar o suficiente para que tudo possa continuar está. Se a mudança de paradigmas se encontra na Educação..., Que se desconfigure a educação. Afinal, é a Educação que muda a pessoa; e são as pessoas que mudam o mundo . Enquanto não se transforma essa escola-tijolo em escola-gente, continuamos a sermos humanos carentes e indecentes, afogados em normas regras, leis, bulas e fórmulas; prova de nosso estrondoso fracasso como seres humanos: Lucy Dingines com seu diploma de Hominídeo, mãe e mulher, que inspiram as Rosas Parker e Luizas Mahim, mostra o caminho do Tronco genealógico do respeito à vida, as diferenças e a si próprio como sujeito construtor da própria realidade. O tronco da mesma árvore em que o escravo circulava nove vezes para esquecer de si, de sua história como homem, passando a condição de coisa, de objeto pertencente a um infame caucasiano.
A educação pública outorgou para si o mesmo papel dessa árvore de outrora; educação eugenista, baseado no preconceito legal, normatizado e naturalizado pelo senso comum.
Luiza Mahim não foi uma princesa burguesa assim como princesa Isabel nunca foi Princesa guerreira para que pudesse libertar alguém de alguma coisa. Esse exemplo ilustra a tendenciosidade sacana da história contada pelos vencedores, donos de terras griladas, de mansões, donos do Brasil, da estatística e da opinião pública. Cuidadosamente esses “senhores” cuidaram para que fossem excluídos dessa mesma história, a participação dos verdadeiros construtores da nação: os negros e os indígenas. Assim como cuidam, através da educação e da religião, para que os mesmos continuem alijados do processo pleno de cidadania.
A Cleópatra hollywoodiana tornou-se branca de olhos azuis, além de cabelos intitulados de “bom”; a Rainha de Sabá assumiu seu branqueamento bíblico-ocidental, assim como Jesus de Nazaré; representado como um típico hippie americano, mesmo tendo nascido numa geografia de Hamas e Talibãns.
Falar de anjos loiros e rainhas brancas seria redundante numa sociedade movida pelo preconceito; afinal isso é tão natural. Somente o negro é antinatural nesse contexto canibal. A antropofagia do respeito é estado de direito, e direito adquirido não se discute, se acata. Nossa justiça se divide em Estado de Direito para uns, e Estado de Exceção para outros. O degradé melanínico aliado à condição social, tornou-se atualmente o único documento aceito como passaporte para a alforria desse estado de agonia.
Assim, quando a monarquia chegar, será possível a cada indivíduo, finalmente oficializar sua condição de Príncipe ou de Mendigo; saberemos então quem são os verdadeiros filhos da Pátria, não confundindo mais o homem honrado do contumaz canalha; já que os discursos de ambos são idênticos. A lei áurea da princesa burguesa fez da palavra liberdade um prosaico sinônimo de igualdade, que de maneira perversa, negou todos os direitos de cidadão ao “cidadão de cor”. Sem direito a vez, sem direito voto, sem direito à participação política, sem direito a terra ou exercer qualquer dos quesitos que caracterizasse o indivíduo como cidadão, ele foi libertado. Agora liberto tornou-se sinônimo de mendigo, de marginal, de refugo social.
Mas esse mesmo liberto, eternamente grato por sua nova condição, em dívida com a princesa e a monarquia pelo favor prestado, comemorava o silêncio de sua história. Mas como salvadores da pátria, os benevolentes senhores caucasianos oficializaram a liberdade da negrada, fazendo com que o trabalho escravo tornasse trabalho assalariado; agora o dono do preto passou a ser o empresário; Coisa de nossa pós-modernidade! Mas o negro continuou preto sem teto, sem terra

Etiquetas e Direitos Humanos

O século XVIII nos trouxe uma impressionante gama de pensadores conhecidos como iluministas; esses mesmos senhores do alto de seus tronos de sabedoria confeccionaram e etiquetaram um novo homem; inventando, além dos direitos autorais, a hierarquia. Sendo assim, um homem de origem Árabe, Turca ou Africana era devidamente rotulado com uma moderna e inovadora etiqueta, indicando seu valor; classificando-o como “Mad in...” Ou seja, neste século, além da revolução das máquinas veio também a reboque, à construção desse homem moderno; mais ou menos valorizado, de acordo com sua nova etiqueta, no novo cenário do novo século, de novo pensar. A fabricação desse novo homem seguiu o modelo constituído segundo os princípios do mercado; portanto sujeito às leis desse mesmo mercado, às suas flutuações e cotações; como qualquer empresa que criam e adotam suas próprias leis, a despeito da legislação existente no país em que se instalam. Ele, o homem moderno, tem em sua etiqueta a determinação da porcentagem dos direitos a que ele tem direito, e quando cessam esses mesmos direitos. As etiquetas indicando sua constituição e origem; sua cor, seu credo, preferências pessoais e sexuais, determinam sua qualidade de vida e de morte, seu azar e sua sorte do Sul até o norte, do Oiapoque a Beijim. São multi povos, muita gente e um Deus; Deus que foi patenteado, dividido, redividido e multiplicado. Cada etiqueta um Deus, cada povo uma etiqueta, enquanto cada religião hierarquiza sua gente, cada povo hierarquiza sua casta e cada casta a sua cor, de acordo com a etiqueta de seu novo Deus e as bênçãos dos iluministas. Os pobres e miseráveis brancos norte-americanos preferem mil vezes essa condição, a serem ricos e... Negros; o que chamam neste país de “lei da última gota”. Ou seja, se por acaso existir na árvore genealógica daquele sujeito, um negro. Ele socialmente, politicamente, juridicamente e psicologicamente, fatalmente cairá em desgraça. Sendo assim, a noção de ser negro, está bem delineada no consciente do cidadão norte-americano; enquanto que no Brasil, terra em que literalmente tudo dá, a consciência se limita à aceitação da condição de nulidade social e jurídica; a consciência de ser negro é rechaçada com veemência, visto que ser negro significa ser nulo: ideologia propagada pela mídia. Ou seja, esse é mais um paradoxo listado como fator constituinte na programação da etiqueta do homem moderno. O indivíduo moderno aceitou continuar sendo um objeto na prateleira do consumo. Ele continua gerando divisas a medida em que é literalmente consumido; vendido a todo momento, sem ter a mínima consciência de que é negociado a cada contrato social ou governamental, a cada medida provisória e a cada decreto. Sua etiqueta está programada a não se envolver em política, não contestar seu líder religioso nem a televisão. Assim a tríade religião-estado-mídia mantém a etiqueta na moda, renovando sempre com ideologias preconceituosas e racistas as diferenças e singularidades registradas nessas mesmas etiquetas, a despeito da legislação em vigor; para fortalecer nosso paradoxo ao contrário e/ou de ponta-a-cabeça, fazendo com que cada velha inovação seja nova aos olhos do homem-etiqueta. E deste modo que ele, o homem moderno, acredita na abolição da escravatura, na princesa Isabel, em Duque de Caxias, na Histórica independência do Brasil, em Jonas sobrevivendo na barriga da baleia, no jornal nacional, em papai Noel, etc. ele honestamente, de maneira simplória, até acredita ser mesmo um indivíduo livre, quando não tem noção do significado de cidadania, nem a mínima ciência da escravidão paulatina a que é submetido. Sua memória só funciona com imagens pintadas com cores berrantes; portanto é notória a exposição de sua etiqueta ao público e a público, nos shoppings, nas repartições públicas, nos jornais, na TV e nas revistas, mantendo a lembrança de sua condição e sua “consciência” de pertencimento bem ativa. Certamente todo esse mérito deve ser creditado ao fator globalizatório, que trouxe a contemporaneidade um quesito determinante de inovação, quando patenteou a consciência do indivíduo trazida na etiqueta do homem moderno; legitimando assim, a liberdade provisória do mesmo; desde que não contrarie qualquer dispositivo de contenção do sujeito. O indivíduo não tem casa, não tem alimentação mínima adequada, não tem educação, nem dignidade; mas tem o sentimento de gratidão, por não estar acorrentado, com uma camisa de onze varas, limpando a latrina do “patrão”. Afinal fazer esse “trabalho” sem esse uniforme e sem as correntes e ainda ganhar uns trocados para poder continuar a ser o que é: um escravo liberto... É tudo que ele sempre quis: o resto... Ele vê no big brother e na novela das oito.

Liberdade ainda que tardia


Durante a tragédia do “infame comércio” de gente através do grande calunga, o oceano atlântico, a ética dos traficantes se resumia a uma matemática elementar de lucros. Uma regra de três simples, onde as razias seqüestravam centenas de crianças negras e em cada grupo de dez, assassinavam oito através do processo emasculatório. Os dois sobrevivente restantes que resistiam a essa terrível tortura, seriam os que mais gerariam os vergonhosos lucros a seus algozes, tornando-se eunucos; mercadoria valiosíssima no mercado negro oficial, internacional e natural no mundo europeu, superando qualquer especulação financeira de toda a história de todo o planeta.
Hoje a elite caucasiana, herdeira daqueles que financiavam tais razias, gozam da fortuna deixada por esses mesmos torturadores, que também lhes doaram a cultura racista, oficializada em cartório, institucionalizada e reconhecida pela justiça da forma mais subjetiva possível, para não se contrapor a lei vigente.
Me pergunto quantas vidas valem cada mansão, cada carro importado, cada conta nos paraísos fiscais? Quantas mortes ainda são necessárias para se manter tais privilégios? Quanta indiferença e indignidade serão preciso para sustentar tal status?
Desse infame comércio, nasceu e se alimentou a aristocracia; dai floresceu, e se sustenta nossa elite caucasiana; hoje o racismo adquirido é a garantia da longevidade desse infame comércio, que é o uso do negro como combustível da máquina produtora de riquezas que é o sistema financeiro.
Quanta dignidade vale o salário de cada negro que recolhe o lixo das ruas, que lava uma Ferrari ou a latrina de um “dôtor”; negro que vive da fé e tem dinheiro só pr’um café?
Liberdade, fraternidade e igualdade foram as palavras mais pronunciadas na Europa no século XVIII; ironicamente foi o século em que o infame tráfico do comércio de gente cresceu de forma mais escandalosamente absurda possível e inimaginável.
Hoje tais palavras voltaram à moda, tornando o assunto, relativos à africanidade e a negritude, uma matéria lucrativa.
Obviamente o negro voltou a ser objeto, agora de pesquisa, de curiosidade, mitos; enfim, voltou a ser um produto exótico, desde a academia até a mídia. Não importa se de forma positiva ou negativa, para quem ou para quê; o que se deve assinalar é que muitos se aproveitam disso, menos o próprio negro. Ele ainda está longe de disputar em pé de igualdade os bancos escolares, a academia, o mercado de trabalho, a política, shoppings, a liberdade de ir e vir, etc.
Me pergunto a quem mais interessa essa folclorização e carnavalização da negritude e a falsa polêmica levantada em torno do negro, das cotas; enfim, da diversidade, afim de desviar a atenção dos afrodescendentes a pretensão de igualdade de oportunidades?

Honorís causa

A assinatura da lei Áurea foi mais uma desastrosa sentença condenatória ao povo negro; visto tê-lo reduzido de escravo a um ordinário ex-detento. Assim a sociedade o trata: como um pseudocidadão com liberdade provisória.
A “redentora” dos negros deu um perverso e infame golpe de autopromoção, num momento em que 95% dos negros já haviam se libertado a custo de muita luta, de muito sangue e sacrifício através da abolição popular. A liberdade promovida pela princesa, representando a benevolência do poder dominante, condenou antecipadamente o negro a viver em eterna subserviência as elites de plantão. Visto que essa liberdade provisória é constantemente contestada pela exigência de se apresentar cartas de alforria por onde quer que vá, autenticada, com firma reconhecida e validade renovada periodicamente. Um negro chamado Pastinha é um dos exemplos dessa benevolência oligárquica; ele foi convidado a se retirar de sua residência no Pelourinho, na cidade de Salvador, com promessas enganosas, para que o restaurante do SENAC pudesse ocupar o espaço de sua academia de capoeira. Muito mais que uma infame negociata, foi à perversidade de se remover um símbolo de resistência de luta de uma raça; um capoeira, Para dar lugar ao símbolo de dominação oligárquica.
Foi um momento da história em que o firmamento tornou-se negro e o dia virou noite na esquina do céu, onde João Cândido encontrou-se com M. Bimba numa conversa afiada de navalha e canhão, liberdade e escravidão; tendo ao fundo o choro solado do Mestre Pixinguinha, abençoado pela negra Ciata. Esse tempo nublado provocou ventos, derramando em cascata essa conversa em letras e canções sobre as frontes dos infantes, em cada latitude e longitude, do Rio de Janeiro a Brasília, passando pelo mundo inteiro as palavras caladas nos livros estrangeiros. Conversa que despertou, do levante de Zumbi ao levante do Malês; o levante da Consciência, derrubando a infâmia escravidão e a tortura da chibata.
Hoje o templo negro é sediado no tempo da consciência que vem abrindo caminho na capoeira desde Canudos até os mega latifúndios.
Os canhões do Almirante Negro romperam os silêncios, acompanhado pelas notas da chorada da melodia de guerra, no ritmo dos tambores, rompendo e invadindo tímpanos, atingindo em cheio o id, ego e o super ego.
De Lima Barreto a M. Pastinha, de Juliano Moreira a Bispo do Rosário, da pré-consciência a pós-consciência desse tempo trazido pelo vento, onde as ondas invadem o ser sobrevivente, inundando e adaptando o próprio ser na consciência de um novo amanhecer.





As olimpíadas no Rio de Janeiro e o esporte favorito na Cidade Negra de elite SERIAL KILLERS


Moro num país tropical, num condomínio branco, com um shopping de olhos azuis e outdoors loiros. Um país onde a justiça passa em brancas nuvens e as leis são aplicadas nos esvoaçantes cabelos lisos naturais, soltos ao vento na tela do cinema com final feliz.

A paz, a pomba, o papa são heróis de sucesso na tela da TV que não me vê; salvo aos que se branqueiam, para ter a chance de candidatarem-se à sucessão de sucessos sacramentados em atos secretos.

Meu país é cercado por arames farpados de todos lados; torre de proteção para manter a ilusão e um grande fosso para afastar o desgosto e o “encosto”.
É um país bonito por natureza; uma beleza. Desde o lindo comercial mostrando a branquitude do carnaval até a imagem de Zumbi de Hollywood dançando break na “terra do Nunca”.

Sou Manchester e tenho uma loira chamada Breatney. Poderia chamar-se Solange, Cremilda ou Camélia; mas as notas azuis de meu canto não são brancas, são blues; e eu sou “moreninho”, e moro num país tropical abençoado por Deus. Mesmo sabendo que o amor não tem cor, sei Deus é branco... E não da cor da minha dor!

Com o anelar, consigo indicar na hierarquia do mapa mundi, além do Brasil, país multicolorido de Branco; A Europa, continente multicolorido de Loiro.
EUA, país multicolorido de olhos azuis.
Multiculturalismo branco, loiro e de olhos azuis.

Bandeira branca do anjo loiro, que olha a terra azul sem enxergar o mundo negro.
África; continente negro, onde surgiu o primeiro homem, a primeira família, a primeira sociedade, o primeiro céu, sol, chuva, anil, café, cerveja, linho, sabonete, música, dança, vida...

Mas os anjos brancos, primeiros oficiais divinos patenteados pelo “multiculturalismo”, decretaram a proibição de se perceber a pele morena mestiça amansada, com seus olhos castanhos, transgênicos e confusos; resultado do preto petróleo do branco, tronco de células sacanas e insanas.

A bandeira pirata preta marginal; xadrez bicolor que colore o arlequim, carnavalizado pelo picadeiro da vida, mostrando a natureza afro-morta, descolorada pela morte ao vivo dos negro-preto-mestiços.
Aqui na terra de Santa Cruz, gesto nobre é digno de Rei e gesto pobre é coisa de preto. Prova disso foi o plebiscito realizado no ano de 1993, para se escolher a forma de governo que os brasileiros desejavam para nosso país: o resultado foi que mais de 60% votaram na monarquia. Votaram naqueles aristocratas que dilapidaram o país, que dizimaram um povo além de escravizar outro; transformando os sobreviventes desse genocídio em mortos-vivos.

Que filhos da pátria são esses que vêem na sua mãe (a mãe África) e no estupro de Lucy , genitora dos afro-brasileiros, uma vadia sem lar, reduzindo-a a uma Geni . Porque o Brasil precisa decretar uma lei para adestrar uma consciência inexistente; a consciência da alforria, a consciência negra. Porque a vergonha de ser negro, imposta pela representação do preto-pobre-feio-burro-escravo, 
Essa visão branca é a que persiste para além dos livros didáticos, paradidáticos e midiáticos naturalizado pelo senso-comum.

Em nossa sociedade de príncipes e mendigos o racismo não é crime, uma vez que não pode ser medido nem pesado positivisticamente. 

Enquanto isso, Nós, os assalariados, filhos dos escravos libertos largados pelas ruas, becos e vielas do Brasil pós-abolição, vagamos pela contramão da verdade embranquecida pelo carrasco enraivecido. Essa mesma abolição que incrivelmente veio acompanhada, dois meses após especificamente, pela famigerada lei da terra, dando posse da mesma somente aos possuidores de rendas. 

Obviamente não houve nenhum crime de Racismo ou de Preconceito nessa lei, visto que em nenhum momento se mencionou alguma coisa sobre pessoas de cor; assim como a maioria esmagadora das leis brasileiras, confeccionadas especificamente para manutenção de privilégios de quem já os possuem, além do achincalhamento dos despossuídos; tudo muito natural, aceitável, normal.

Por isso nós, os Negros, somos os marginas, os parias, a ameaça que caminha pelas ruas escuras dessa sociedade que se protege e se exime através do sentimento racista, visto que tal sentimento não é passível de criminalização. 

Portanto, conclui-se que no Brasil as leis venham especificamente para mudar o suficiente para que tudo possa continuar tudo está. Se a mudança de paradigmas se encontra na Educação... Que se desconfigure a educação. Afinal, sé é a Educação que muda a pessoa e são as pessoas que mudam o mundo... 

Enquanto não transformarmos essa escola-tijolo em escola-gente, continuaremos a sermos humanos carentes e indecentes, afogados em normas regras, leis, bulas e fórmulas; prova de nosso estrondoso fracasso como ser humano: Lucy Dingines com seu diploma de Hominídeo, mãe e mulher, que inspiram as Rosas Parker e Luizas Mahim, mostra o caminho do Tronco genealógico do respeito à vida, as diferenças e a si próprio como sujeito construtor da própria realidade; No tronco da mesma árvore em que o escravo circulava nove vezes para esquecer de si, de sua história como homem, passando a condição de coisa, de objeto pertencente a um infame caucasiano.

A educação pública outorgou para si o mesmo papel dessa árvore de outrora; educação eugenista, baseado no preconceito legal, normatizado e naturalizado pelo senso comum.

Luiza Mahim não foi uma princesa burguesa assim como princesa Isabel nunca foi Princesa guerreira para que pudesse libertar alguém de alguma coisa. Esse exemplo ilustra a tendenciosidade sacana da história do Brasil contada pelos vencedores, donos de terras griladas, das mansões, donos do Brasil, da estatística e da opinião pública, que cuidadosamente excluíram a participação dos verdadeiros construtores da nação: os negros e os indígenas. Assim como cuidam, através da educação e da religião, para que os mesmos continuem alijados do processo pleno de cidadania.

A Cleópatra hollywoodiana tornou-se branca de olhos azuis, além de cabelos intitulados de “bom”; a rainha de Sabá assumiu seu midiático branqueamento bíblico-ocidental, assim como Jesus de Nazaré; representado como um típico hippie americano, mesmo tendo nascido numa geografia de Hamas e Talibãs.

Falar de anjos loiros e rainhas brancas seria redundante nessa sociedade movida pelo racismo, afinal é tudo tão natural. Somente o negro é antinatural nesse contexto canibal. 

A antropofagia do respeito é estado de direito, e direito adquirido não se discute, se acata. Nossa justiça se divide em estado de direito para uns, e estado de exceção para outros. O degradé melamínico aliado à condição social, tornou-se atualmente o único documento aceito como passaporte para a alforria. Assim, quando a monarquia chegar, será possível a cada indivíduo, finalmente oficializar sua condição de Príncipe ou de Mendigo; saberemos então quem são os verdadeiros filhos da Pátria que os pariu.

A lei áurea da princesa burguesa fez da palavra liberdade um prosaico sinônimo de igualdade; de maneira perversa negou todos os direitos de cidadão ao cidadão de cor. Sem direito a voto, sem direito a participação política, sem direito a terra e exercer qualquer dos quesitos que caracterize o indivíduo como cidadão, ele foi libertado. Agora liberto tornou-se sinônimo de mendigo, de marginal.
Agora o liberto, agradecido pela nova condição, a princesa e a monarquia, comemorava o silêncio de sua história. Mas como salvadores da pátria, os benevolentes senhores caucasianos oficializaram a liberdade da negrada, fazendo com que o trabalho escravo torna-se trabalho assalariado; agora o dono do preto passou a ser o empresário; Coisa muito moderna. Mas o negro continuou preto, sem teto, terra nem direito a se impor.

O senhor de outrora virou diretor de escola, doutor, empreendedor e/ou especulador e a sinhá que bailava o lundu, agora frequentar baile funk em plena zona sul.

Quanto ao cidadão de cor que transgride essa ordem e esse progresso, este continua a ser caçado, não pelo capitão do mato, mas pelos novos donos do terror que usam fardas, emblemas e armas, os terroristas do Estado que fazer do pelourinho uma pálida fotocópia da dor; e da lei, um histórico escárnio da justiça cega, surda, muda; uma prostituta de luxo.

A natureza da covardia infame do racismo claro contra o cidadão escuro, torna esse racismo
naturalmente aceito, refeito e perfeito. Ele, esse prosaico racismo, que mostra sua cara desde o café matinal até o jornal nacional; nos out doors, jornais e revistas de forma indolente, altiva e altaneira nunca vista; sem medo de tamanha asneira; rasgando a carne escura, numa eterna tortura diuturna, como tributo a paz ariana; passou a ser classificado nojentamente como racismo velado. 

Assim o sujeito oculto da expressão, o negro tornou-se abjeto concreto; ser invisível dissociado do social, desde os Malês a Maji-maji,  invisível como as pilhas de corpos velados diuturnamente amontoados pelas esquinas da vida e da morte, nos mercados de carne negra a céu aberto, ofertados pela "civilização" cristão ocidental.

REPARAÇÃO JÁ...!!

Travessia

Quantos kilômetros têm da garota de Ipanema à Menina do Subúrbio?
Quantos momentos, cartões de créditos e sentimentos?
Quantos shoppings ou loja de departamentos?
Quantos documentos?
Quantos insanos, insumos e insultos?
Quantas praias, Rios e valões?
Quantas vidas e depressões?
Choros..., Cem razões?
Formaturas e travessuras...
Táxi ou caminhão?
Strogonof com camarote? Ou farinha com feijão?
Qual é a coisa mais linda, mais cheia de graça?
A que leva tapa na cara, sem mágua e sem mão?
Ou a que vai de bondinho, ao Redentor, ao dois irmãos?
Quantas vistas sinistras? Quantos turbilhões?
Quantas faces escuras? Quantas agruras?
Quantas flores de Camélia? Quantas Cinderelas?
Quantas princesas negras descendo o morro ou pedindo socorro e levando esporro?
Quantos cabelos esticados depois de aloirados, cheirando a fumaça de cigarro de motel após o despejo do quarto do desterro?
Quantos enterros depois da balada? Quantas noitadas, notícias e chegadas?
Modelos...Padrões...Apagões...Apelações...
Garota de Ipanema e Menina do Subúrbio...
Elevador social e de serviço...
Trabalho ou compromisso?
Uma sobe, outra desce;
Entre eterno Spa e interminável Stresse...
Uma sonha, a outra esquece...
A oposta aposta na ilusão, enquanto a outra deleta a emoção...
Do Subúrbio a zona sul...?
Muito chão...E céu azul...!!!