Professor Pardal, Professor aloprado ou Professor Presidente, não importa. O importante é ser um professor criativo para sobreviver à perversidade do sistema de ensino brasileiro. As vezes cria-se apenas bugigangas e até Franksteins, mas certamente de uma maneira ou de outra, todos são formados por ele; o professor. É certamente um dos principais heróis do país, visto que além de sua função ele também exerce as de psicólogo, psicanalista, psiquiatra, enfermeiro, atleta, embaixador, educador, prisioneiro político e saco de pancada de pais mau-humorados. Pelas mãos dele, já passaram gênios e monstros, anjos e malditos, padres e pedófilos (não necessariamente nesta ordem), pastores e políticos (também não necessariamente nesta ordem). O povo apenas faz figuração nos bancos escolares nos primeiros anos de alfabetização, para servir de número estatístico para o sistema. Este tem sido o principal motivo da crise existencial da maioria dos mestres que não praticam a economia da ética. Esta profissão é no mínimo “suis generis”, diferente da medicina por exemplo, “onde o sol ilumina o sucesso e a pele esconde o fracasso”. Ser mestre significa reunir condições inter, multi e transdisciplinares. É partir ou ficar à medida em que o amolengar mostre o amadurecimento do fruto para o postar de novas sementeiras. Seja ensinando uma arte, uma técnica ou ciência, mesmo com o aviltamento de seus dividendos (que é uma grande piada facista-judaico-nazista), ele não modera seu saber. Mesmo em face da conjuntura prostituta vigente, onde a educação não passa de mais um negócio, um balcão de liquidações, promoções e queima da força de trabalho do peão do magistério. Ele tem seu saber leiloado diariamente, a público e ao público, pelo poder oficial vigente pela módica quantia de hum real e noventa e nove centavos. Mas em compensação, são “carinhosamente” lembrados a cada um dia do ano, como toda e qualquer minoria, lá no palácio do governo. Nessa ocasião um bando de alienados, de “aspones” e “formatados” são premiados com cinco minutos de fama, institucionalizados pela escravidão consentida. Nesta cerimônia se resume a valorização do professorado brazilleiro, que tem suas diretrizes curriculares, suas regras e normas, enfim, sua linha de ação formatadas pelos interesses e humores do sistema financeiro. Assim a função da educação depende exclusivamente do câmbio flutuante e do fantasma encarnado da inflação, que de fantasma não tem nada. Sendo assim ele, o professor, não passa de um refém sem valor nas mãos inescrupulosas de grupos políticos, servindo como moeda de troca por ocasião do sufrágio universal. Apesar de não justificar, explica o porquê da prioridade à matemática e ao português, em detrimento da filosofia e da arte. Mestres destas áreas são considerados imprescindíveis e respectivamente os seguintes, são no mínimo descartáveis nesse sistema protecionista, fisiologista, nepotista e corporativista. Eu tenho um sonho: sonho que um dia os imprescindíveis e os descartáveis deixaram de anestesiarem-se com a morfina da indiferença e da complacência, se desformatando e saindo da invisibilidade escrevendo o certo por linhas tortas, deletando esta vil realidade. E tudo isso sem tecla “S.A.P.”
2 comentários:
A educação, sobretudo a pública, adoeceu, passou por várias convulsões, entrou em coma e agora está em estado terminal e em processo acelerado de degeneração. Nós educadores fazemos uso de várias receitas de remédios que já não fazem mais efeito algum e ainda assim insistimos em nos doparmos com os mesmos inutilmente. Mesmo diante de uma falência múltipla dos órgãos, há quem de uma forma "masoquista", prefira vegetar, mantendo-se um morto-vivo diante dos fatos.Ra-el, onde está a cura?
A educação, sobretudo a pública, adoeceu, passou por várias convulsões, entrou em coma e agora está em estado terminal e em processo acelerado de degeneração. Nós educadores fazemos uso de várias receitas de remédios que já não fazem mais efeito algum e ainda assim insistimos em nos doparmos com os mesmos inutilmente. Mesmo diante de uma falência múltipla dos órgãos, há quem de uma forma "masoquista" prefira vegetar, mantendo-se um morto-vivo diante dos fatos. Será que ainda pode haver cura Ra-el?
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