Era uma vez um Professor...
UMA HISTÓRIA DE TERROR...!!!
Era uma vez... Um vampiro que vivia as claras, em plena luz, alimentando-se do saber humano desde o século XV. Seu nome era professor, ele vivia sugando o saber de qualquer um que cruzasse seu caminho. Era raro uma presa escapar de suas garras, sua sede era implacável e irresistível. Mas... Como qualquer ser, ele também tinha seu calcanhar de Aquiles. E o dos vampiros como o do professor era os famigerados e amaldiçoados diários, boletins e canhotos. Estas eram as armas mais eficazes para impedir o voraz ataque desse mutante. Também no solo sagrado dos “conselhos de classe” suas forças podiam ser minadas, deixando-o vulnerável e confuso, visto que neste momento está cercado desses objetos sagrados, propiciando assim a seus perseguidores estrondosas vitórias momentâneas.
Pois bem, certa feita um grupo desses seres, invadiram uma bucólica escolinha pública do interior. Sua clientela era basicamente de excepcionais. Os incautos não possuíam nem um só diariozinho, nem boletim informativo, nem mesmo uns canhotos para se defenderem... foi um massacre!!! O ataque em massa foi terrível, eram mais de 40 autistas num cubículo sobre as influências fluídicas desses mutantes lutando bravamente para não sucumbirem. Foi uma batalha dialógica memorável. Mas, felizmente a cavalaria chegou armada até os dentes, com diários, boletins, canhotos a serem preenchidos, informativos e até uma tabela com datas de conselhos de classes, além das famosas e perigosas efemérides: Eram os destemidos diretores, coordenadores e supervisores em seus corcéis brancos, impávidos colossos com seus pendões da esperança que a terra descia. Oh classe amada e idolatrada salve, salve!!! Finalmente, depois de muito esforço conseguiram dominar aqueles pérfidos seres, encurralando-os num canto da sala sobre uma pequena mesa e cadeira abarrotadas de normas e regras. Sem esses valentes paladinos, e sem suas providenciais intervenções, esses sórdidos seres mutantes fora-da-lei, se transformariam em poderosos educadores ameaçando dessa forma o equilíbrio e o status social capitalista. Sem dúvida um desastre sem precedente na história universal, o que seria simplesmente inadmissível.
Felizmente temos o “Senhor dos diários” e seus guardiões, unidos nesta cruzada contra o mal que ronda nossos inocentes autistas. E nossa sociedade continua em plena ordem e progresso. Agora podemos dormir em paz e afirmar com toda a certeza:
A esperança venceu o medo. Professores zero, diários dez!!!
Agora vamos falar sério! A educação no Brasil está resumida a um sistema de promoção automática do aluno à série seguinte, para o governo poder se vangloriar dos altos índices de aprovações. Em outras palavras, para evitar a evasão escolar livra-se do aluno mesmo que ele não tenha competências, após inúmeras e repetidas avaliações, para tanto. Mesmo nestas condições o aluno sabe que o conselho de classe irá aprová-lo, de uma maneira ou de outra; estando apto ou não.
Ao longo de seu exercício, este conselho vem formatando uma geração de conformistas e desvalidos, perpetuando a sensação generalizada da ausência de valores éticos. Certamente “nossos formandos estarão aptos a ser mais um candidato aos inúmeros vestibulares dessas faculdades chinfrins” onde se paga e se passa. Ou talvez esteja o mesmo apto a se inscrever no “show do milhão”, talvez conseguir responder corretamente qual a fórmula da água e assim ganhar o direito de ser governador de uma unidade federativa qualquer. Mas se responder errado, ganha do mesmo jeito. Afinal ser governador é questão de (in) competência.
Creio que chegará o dia em que a legalidade dará lugar à justiça e o nosso conselho não mas será formado por pusilânimes e pernósticos, que fazem uso da legalidade para promover descalabros. Infelizmente se esquecem que estão mexendo no futuro de pessoas, gente.
Necessário se faz refletir, se não estamos promovendo nossos alunos a meros pontos estatísticos a nosso favor. Diários bonitos, coordenadores, supervisores e diretores contentes; alunos idem. Priorizamos os papéis em detrimento do estudante, para justificar os números de um governo hipócrita; a isso dá-se o nome de competência. Hitler também era competente: tirou a Alemanha da recessão, criou milhares de emprego, baixou a inflação e além do mais era um grande mecenas, um amante das artes. No entanto...
Nosso trabalho é a profilaxia para sobrevivermos à inoperância e incompetência de um estado vergonhoso, prepotente e desprovido de dignidade. É inadmissível que um conselho de classe se preste de instrumento para inviabilizá-lo, empregando o cinismo e a contumaz hipocrisia, fazendo uso da “legalidade” para encobrir a ética. §
Um comentário:
Lendo seus textos, não me espanta o fato deles não terem recebido comentários. Sua linguagem, apesar de demonstrar inteligência e domínio, é extremamente ousada e difícil. Não é para qualquer um. Mas admiro isto e me orgulho por ainda existir educadores cujo a preocupação vai além do quadro, do giz, do diário das provas e de todos aqueles procedimentos que muito pouco contribui para a educação de fato.
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