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domingo, 13 de abril de 2008

Escola viva?

É não raro assistirmos estupefatos pela TV, alguns episódios inusitados referentes ao reino animal, tal como a fraternidade entre os incompatíveis cães e gatos, uma tigresa que alimenta filhotes de uma leitoa ou de um outro animal qualquer. Ou seja, a transformação e o domínio da natureza do bicho pelo ambiente, pelo modo-vivêndi ou por ele próprio. Já com o animal racional, conhecido com espécie humana, a história é diversa; ele também é influenciado pelo ambiente, modo de vida e principalmente por ele mesmo, podendo ter seu comportamento radicalmente modificado.
O ambiente escolar funciona como um perfeito laboratório concernente à observação, pesquisa e análise desses fatos protagonizados pelos mesmos. Confirmam-se abundantemente teorias e hipóteses, observando o desenrolar dos capítulos envolvendo os pais, os filhos e seus pares. O sentimento de auto-estima, os vícios, o caráter, a ética, a fibra, as paranóias, o pernosticismo, as esquizofrenias, suas preferências, manias e posturas. O amálgama de tudo isso no caldeirão escolar, é a essência do antídoto para o fim anunciado da espécie.
Mas lamentavelmente, esses ingredientes encontram-se ainda em condições de alunos[1], abdicando a condição de estudante, recusando o desconhecido novo mundo novo; estão mergulhados na herança paterna, agarrados ao instituto cultural adquirido no velho mundo materno. Tornaram-se spectros, seres das trevas que sofrem agudamente quando divisam a luz emitida pelos mestres no portal das cavernas de suas consciências de australopitecíneos[2]. Um mestre numa sala abarrotada de neanderthais, australopithecus, homo habilis, sapiens e herectus, que mantém sua serenidade enquanto nosso sistema educativo oferece a carcaça de bolsa família[3] como restos de banquete dos comensais[4], proporcionando o pandemônio necessário para atitudes de natureza duvidosa; é um ser anormal.
O que pensam (se é que pensam...) esses alunos desse mestre? O que esperam desses alunos, esses mestres? Existe alguma esperança de construção ou de reconstrução, nessa contagem regressiva de contexto atômico? A natureza desses pithecantrhopus[5] pode ser redirecionada a um novo recomeçar? Os animais irracionais, através de suas atitudes, afirmam que sim. Ora bolas, mas eles são irracionais, guiam-se pelos instintos; enquanto a prerrogativa da malícia adquirida pertence unicamente ao gênero humano que desdenha tais exemplos, considerando-se uma raça superior em demasia para receber lição de moral de um bicho, que não sabe nem mesmo falar.
Os animais são personagens simples, eles não complicam a vida. Os homens são animais complexos; se podem complicar por que facilitar? Afinal é justamente isso, a complicação, que provoca a adrenalina; o maldito vício humano que traz a sensação do prazer de viver intensamente o presente, sem cogitar o futuro. O espaço escolar e um espaço de construção e reconstrução de futuro, portanto um local de torturas que irrita qualquer aluno. Os mestres, aos olhos dos mesmos, são terríveis Vampiros a persegui-los com sede insaciável de sangue.
Assim, a escola paralela da vida, tornou-se um conto de terror petrificante, onde dificilmente podem-se apontar vilões ou heróis, mocinhos ou bandidos e anjos ou demônios na terra do sol.


[1] Prefixo A indica a falta de algo, e luno; luz. Ou seja; desprovido de luz, conhecimento, saber, etc.
[2] O primeiro ancestral humano, reconhecidos como “hominídios”.
[3] Um dos inúmeros programas sociais populistas do governo federal.
[4] Personagens de Rubião.
[5] Homo herectus.

Um comentário:

Andreia disse...

Penso que mesmo diante da dinâmica dos novos tempos marcados por novas tecnologias e ambientes de aprendizagem a escola continua voltada para uma visão puramente instrucionista, onde docentes acreditam piamente que ensinar é instruir, treinar, transmitir conhecimentos conforme a carga curricular imposta. Diante dos fatos, cabe-nos perguntar: A escola é viva ou apenas tem cumprido seu papel de uma máquina que está a serviço de um sistema cruel? Sócrates, Piaget e Vygotsky, já defendiam a idéia de que conhecimento não se transmite simplesmente. Se constrói, desconstrói e reconstrói. O que se transmite é informação digitalizada que pode ser gravada, armazenada, guardada e enviada. A escola é viva ou a escola é uma máquina?