Art.1º . Todo coordenador de educação deve assimilar que pessoas são números e não gente. Estando, pois, dispensado o coordenador de ouvi-los falar de seus sentimentos e aspirações. Afinal, números são racionais e não primos e menos ainda parentes.
Art. 2º. Todo coordenador deve tomar decisões administrativas, cujas conseqüências não lhes dizem respeito, visto que nenhuma delas interferirão em nada em sua vida, mas sim na vida dos inúmeros chefes e arrimos de família.
Art. 3º. Todo coordenador deve dispensar a polidez, a agradabilidade e o fino trato na relação com os números. Ser rápido e rasteiro ao cortar cabeças, esse deve ser o principal lema.
Art. 4º. Todo coordenador deve ter em mente que números foram feitos para serem manipulados, portanto nunca deve culpar-se ou arrepender-se de quaisquer decisões.
Art. 5º. Todo coordenador deve desconsiderar antigos colegas de profissão, principalmente agora que, em relação à instituição, tais colegas não passam de meros números estatísticos na ponta de sua big caneta bic.
Art. 6º. Todo coordenador deve fazer uso indiscriminado do assédio moral com intuito último de manipular subordinados e colegas de profissão.
Art. 7º. Todo coordenador deve ter em mente que seu papel social é o de subjugar e submeter cidadãos ao capricho do sistema. Sendo revogado qualquer intenção contrária ao citado artigo.
Art. 8º. Todo coordenador deve negar clemência a qualquer ser pensante, visto que o mesmo pode transformar-se em foco de contaminação a outros seres, induzindo-os também ao ato de pensar. Tal atitude, a de pensar, ameaça o equilíbrio de nossas instituições e do lindo, gostoso e confortável sistema vigente.
Art. 9º. Todo coordenador deve vender sua alma ao demônio, fazer o diabo, mas nunca, eu disse nunca, abandonar seu cargo de confiança. Pois retornar à sala de aula para tornar-se também mais um número estatístico é o pior castigo para a raça de sangue azul dos coordenadores.
Art. 10º. Todo coordenador que seguir pari passo tais recomendações, terá descoberto o caminho das pedras para conseguir o que muitos querem mas poucos alcançam: o milagre de flutuar num mar de mensalões imunes à ética, moral e cooperatividade. Louvando sempre a pseudo-cidadania, promovendo a educação zero à esquerda; tal como o salário do professorado.
E o mais importante de tudo é ver a oficialização da nova disciplina curricular: a estatístico-filosófica.
Quanto a nós, meros números estatísticos e reles instrumentos de trabalho do “omem” da caneta e do carimbaço, só podemos repetir (sem pensamentos dúbios, por favor!): que deus o tenha em bom lugar!!!
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