Nosso sistema democrático-cristão-ocidental é um sistema “perfeito”, e por isso adotado por nossa cultura representativa terceiro-mundista. Sabemos que a mesma, emana do povo (?); é o poder da maioria. Mas de qual maioria? Sabemos que nossa bula econômica ditada pelo consenso de Washington, delega ao FMI, OMC, BID e todas as instituições financeiras mundiais, ditarem as regras no terceiro mundo; pelas quais nossos governantes são gentilmente coagidos a administrar seu país. Ou seja, nossa democracia foi devidamente seqüestrada, amputada e desfigurada, para legitimar interesses de um punhado de empresas multinacionais.
A hegemonia, a padronização, a uniformização são necessárias à formação, controle e a manipulação de um fiel e adestrado mercado-escravo consumidor.
Imaginemos agora essa mesma democracia solta no espaço escolar: Espaço das diferenças, da convivência entre contrastes concretos e abstratos. Neste mesmo espaço, onde o lema da bandeira nacional é o principal mote catequizador de posturas; um espaço dividido e ordenado de forma utilitarista, que se reflete na uniformização pedagógica, sem mencionar na hegemonia das idéias e aspirações; notórias na metodologia das reproduções em vez das produções dos estudantes. Por isso o brasileiro “educado,” continuamente realiza suas brasileirices, baseado nos silogismos fornecidos pela mídia, principal educadora da geração Big Brother, pensado estar fazendo a coisa mais certa do mundo. Sua extrema ingenuidade faz lembrar o australopicinius africano frente aos homo habilis europeu. O homem tupiniquim sabe que as instituições nacionais são meras fachadas do crime organizado, estão falidas, servindo apenas como instrumento de coasão. Baseado nesse princípio ele rechaça qualquer coisa que tenha ligação com a mesma, evitando a política, e mais, evitando fazer política.
Apesar da falência da educação, ela continua sendo a única via pela qual ele, o homo tupiniquim, poderia usar como instrumento para adquirir autonomia. Mas, contraditoriamente, ele tem aversão; estudar lhe causa ojeriza. Criou-se ai um paradoxo, um paradigma. Ele se recusa a desafiar-se entrando no trem das possibilidades; sua atitude passiva de se paralisar na estação da vida, adquirindo o bilhete da esperança revoltada. Assim o estado e o povo se completam; um dissemina arapucas através de panegíricos, enquanto o outro se deixa conduzir ao cadafalso estratificador.
Assim a natureza tupiniquim se torna carregada de contradições: ela faz amar odiando, construir destruindo, fugindo daquilo que mais deseja, além de usar dois pesos e duas medidas, criando comunidades de infernos particulares num paraíso tropical. Portanto, se não iniciarmos uma discussão “democrática” (?) sobre Democracia, nunca chegaremos à autonomia; permaneceremos incrustados na hegemonia e na ignomia político-partidária, onde os economistas propõem e a mídia empõe.
Rompendo o silêncio histórico do povo melaninoso, protagonizando o outro ponto de vista de uma outra história que se evita ser contada, afrocentrizando o olhar paradigmático sobre a cultura oficialmente formatada, patenteada e legítimada como única.
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sábado, 19 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Os dez mandamentos jurídico-pedagógicos para um coordenador de metropolitana tornar-se um secretário de educação
Art.1º . Todo coordenador de educação deve assimilar que pessoas são números e não gente. Estando, pois, dispensado o coordenador de ouvi-los falar de seus sentimentos e aspirações. Afinal, números são racionais e não primos e menos ainda parentes.
Art. 2º. Todo coordenador deve tomar decisões administrativas, cujas conseqüências não lhes dizem respeito, visto que nenhuma delas interferirão em nada em sua vida, mas sim na vida dos inúmeros chefes e arrimos de família.
Art. 3º. Todo coordenador deve dispensar a polidez, a agradabilidade e o fino trato na relação com os números. Ser rápido e rasteiro ao cortar cabeças, esse deve ser o principal lema.
Art. 4º. Todo coordenador deve ter em mente que números foram feitos para serem manipulados, portanto nunca deve culpar-se ou arrepender-se de quaisquer decisões.
Art. 5º. Todo coordenador deve desconsiderar antigos colegas de profissão, principalmente agora que, em relação à instituição, tais colegas não passam de meros números estatísticos na ponta de sua big caneta bic.
Art. 6º. Todo coordenador deve fazer uso indiscriminado do assédio moral com intuito último de manipular subordinados e colegas de profissão.
Art. 7º. Todo coordenador deve ter em mente que seu papel social é o de subjugar e submeter cidadãos ao capricho do sistema. Sendo revogado qualquer intenção contrária ao citado artigo.
Art. 8º. Todo coordenador deve negar clemência a qualquer ser pensante, visto que o mesmo pode transformar-se em foco de contaminação a outros seres, induzindo-os também ao ato de pensar. Tal atitude, a de pensar, ameaça o equilíbrio de nossas instituições e do lindo, gostoso e confortável sistema vigente.
Art. 9º. Todo coordenador deve vender sua alma ao demônio, fazer o diabo, mas nunca, eu disse nunca, abandonar seu cargo de confiança. Pois retornar à sala de aula para tornar-se também mais um número estatístico é o pior castigo para a raça de sangue azul dos coordenadores.
Art. 10º. Todo coordenador que seguir pari passo tais recomendações, terá descoberto o caminho das pedras para conseguir o que muitos querem mas poucos alcançam: o milagre de flutuar num mar de mensalões imunes à ética, moral e cooperatividade. Louvando sempre a pseudo-cidadania, promovendo a educação zero à esquerda; tal como o salário do professorado.
E o mais importante de tudo é ver a oficialização da nova disciplina curricular: a estatístico-filosófica.
Quanto a nós, meros números estatísticos e reles instrumentos de trabalho do “omem” da caneta e do carimbaço, só podemos repetir (sem pensamentos dúbios, por favor!): que deus o tenha em bom lugar!!!
Art. 2º. Todo coordenador deve tomar decisões administrativas, cujas conseqüências não lhes dizem respeito, visto que nenhuma delas interferirão em nada em sua vida, mas sim na vida dos inúmeros chefes e arrimos de família.
Art. 3º. Todo coordenador deve dispensar a polidez, a agradabilidade e o fino trato na relação com os números. Ser rápido e rasteiro ao cortar cabeças, esse deve ser o principal lema.
Art. 4º. Todo coordenador deve ter em mente que números foram feitos para serem manipulados, portanto nunca deve culpar-se ou arrepender-se de quaisquer decisões.
Art. 5º. Todo coordenador deve desconsiderar antigos colegas de profissão, principalmente agora que, em relação à instituição, tais colegas não passam de meros números estatísticos na ponta de sua big caneta bic.
Art. 6º. Todo coordenador deve fazer uso indiscriminado do assédio moral com intuito último de manipular subordinados e colegas de profissão.
Art. 7º. Todo coordenador deve ter em mente que seu papel social é o de subjugar e submeter cidadãos ao capricho do sistema. Sendo revogado qualquer intenção contrária ao citado artigo.
Art. 8º. Todo coordenador deve negar clemência a qualquer ser pensante, visto que o mesmo pode transformar-se em foco de contaminação a outros seres, induzindo-os também ao ato de pensar. Tal atitude, a de pensar, ameaça o equilíbrio de nossas instituições e do lindo, gostoso e confortável sistema vigente.
Art. 9º. Todo coordenador deve vender sua alma ao demônio, fazer o diabo, mas nunca, eu disse nunca, abandonar seu cargo de confiança. Pois retornar à sala de aula para tornar-se também mais um número estatístico é o pior castigo para a raça de sangue azul dos coordenadores.
Art. 10º. Todo coordenador que seguir pari passo tais recomendações, terá descoberto o caminho das pedras para conseguir o que muitos querem mas poucos alcançam: o milagre de flutuar num mar de mensalões imunes à ética, moral e cooperatividade. Louvando sempre a pseudo-cidadania, promovendo a educação zero à esquerda; tal como o salário do professorado.
E o mais importante de tudo é ver a oficialização da nova disciplina curricular: a estatístico-filosófica.
Quanto a nós, meros números estatísticos e reles instrumentos de trabalho do “omem” da caneta e do carimbaço, só podemos repetir (sem pensamentos dúbios, por favor!): que deus o tenha em bom lugar!!!
terça-feira, 15 de abril de 2008
Pedagogia da Moral
São abundantes os exemplos de que o desenvolvimento intelectual e o moral, não seguem o mesmo compasso. O cotidiano tem nos mostrado, afirmado, confirmado e reconfirmado através de fatos político-sociais equivocados; da prefeitura ao congresso nacional, dos lares à escola, da vida à ausência dela.
Nossa escola tem se detido nos conteúdos ditos fundamentais, valorizando a álgebra e a gramática em detrimento da arte e da filosofia, superestimando o quociente intelectual e subestimando o quociente emocional. Nosso cotidiano tem nos alertado, dizendo que algo está fora da “ordem”; quando clama por paz, por respeito e por segurança. Quando tememos por nossa integridade física, é de bom alvitre lembrar que esse temor se deve à ausência da integridade moral, que grassa nossa sociedade e que criou e tem mantido essa tempestuosa conjuntura.
Quando a escola se revestir de coragem e fibra para colocar as normas e as regras eqüidistante da moral e da ética, no lugar da supervalorização de umas e supressão de outras respectivamente, estará pronta para nos alfabetizar emocionalmente e nossa sociedade certamente refletirá tal mudança.
A credito ser este o provável caminho para o sepultamento da famigerada pedagogia de “Gerson”, criada para fazer contraponto com o excessivo e equivocado valor que se confere a “lei, a ordem e ao progresso” a qualquer preço.
Poderíamos começar, mesmo que timidamente, pela transparência. Isso vai promover o destemor ao expressar e assinar em baixo de nossas opiniões. Depois poderíamos deixar de lado a hipocrisia; isso nos transformaria em pessoas mais autênticas, mais gente, sem medo de encarar os fatos.
Acredito que tais características são indispensáveis à formação de nossa predisposição na migração de paradigmas, quesito fundamental para a assunção de uma nova postura atitudinal.
Nossa geografia continental, com “grandes” médicos , advogados, engenheiros, cientistas, jornalistas, juízes, escritores, matemáticos, enfim, grandes intelectuais que devido a atuações duvidosas , guarda-se muitas reservas quanto a formação moral dos mesmos. Torna-se deveras preocupante quando professores e educadores começam a engrossar a fila desse “rol de intelectuais”. Está é a hora de se rever valores, de ser sabático, de preparar-se um “bemch marck” ético-moral abolindo a pusilanimidade e o pernosticismo. Para, afinal ingressar na prática do estranhamento das atitudes, ditas “normais” na prática cotidiana, que é a do conformismo e aceitação tácita “Gersoniana”.
Sem isso estaremos fadados a falência total e irrestrita. Seremos paciente de um grande sanatório dirigido por loucos, ao lado de uma enfermaria seqüelados e paralisados mentais, que se auxiliam mutuamente a pular do décimo oitavo andar do edifício Joelma. §
Nossa escola tem se detido nos conteúdos ditos fundamentais, valorizando a álgebra e a gramática em detrimento da arte e da filosofia, superestimando o quociente intelectual e subestimando o quociente emocional. Nosso cotidiano tem nos alertado, dizendo que algo está fora da “ordem”; quando clama por paz, por respeito e por segurança. Quando tememos por nossa integridade física, é de bom alvitre lembrar que esse temor se deve à ausência da integridade moral, que grassa nossa sociedade e que criou e tem mantido essa tempestuosa conjuntura.
Quando a escola se revestir de coragem e fibra para colocar as normas e as regras eqüidistante da moral e da ética, no lugar da supervalorização de umas e supressão de outras respectivamente, estará pronta para nos alfabetizar emocionalmente e nossa sociedade certamente refletirá tal mudança.
A credito ser este o provável caminho para o sepultamento da famigerada pedagogia de “Gerson”, criada para fazer contraponto com o excessivo e equivocado valor que se confere a “lei, a ordem e ao progresso” a qualquer preço.
Poderíamos começar, mesmo que timidamente, pela transparência. Isso vai promover o destemor ao expressar e assinar em baixo de nossas opiniões. Depois poderíamos deixar de lado a hipocrisia; isso nos transformaria em pessoas mais autênticas, mais gente, sem medo de encarar os fatos.
Acredito que tais características são indispensáveis à formação de nossa predisposição na migração de paradigmas, quesito fundamental para a assunção de uma nova postura atitudinal.
Nossa geografia continental, com “grandes” médicos , advogados, engenheiros, cientistas, jornalistas, juízes, escritores, matemáticos, enfim, grandes intelectuais que devido a atuações duvidosas , guarda-se muitas reservas quanto a formação moral dos mesmos. Torna-se deveras preocupante quando professores e educadores começam a engrossar a fila desse “rol de intelectuais”. Está é a hora de se rever valores, de ser sabático, de preparar-se um “bemch marck” ético-moral abolindo a pusilanimidade e o pernosticismo. Para, afinal ingressar na prática do estranhamento das atitudes, ditas “normais” na prática cotidiana, que é a do conformismo e aceitação tácita “Gersoniana”.
Sem isso estaremos fadados a falência total e irrestrita. Seremos paciente de um grande sanatório dirigido por loucos, ao lado de uma enfermaria seqüelados e paralisados mentais, que se auxiliam mutuamente a pular do décimo oitavo andar do edifício Joelma. §
Nossa inducação é dez!!!
Enquanto a pobreza se transforma num curioso espetáculo para deleite de nossa elite e para o próprio povo - que imagina ser este um problema pontual;de acordo com o que faz crer a mídia fascista - com direito a favela-tur , e nativos fazendo estripulias para sobreviver como atração principal. A religião virando um grandioso show diário-dominical-obrigatório-senão-cê-vai-pro-inferno; E a filantropia transmutada num dos principais braços da máfia na lavagem de narcodólares tendo como subsidiária o serviço nacional de pistolagem; tendo em seus quadros profissionais impávidos, militares de todas as patentes e tipos diversos; serviço fácil, garantido e de alta rotatividade, e o mais importante: são profissionais assim - como seus mandatários - impassíveis à agonia da ética, do respeito, do amor-próprio, ou da auto-estima e que a exemplo dos adeptos da lei de Gerson, assistem de camarote a extinção desses valores sufocados pelos discursos retórico-surreais-dissimulado dos que acreditam ter devorado um Rei num ato antropofágico ancestral. E agora juram possuir os poderes deste suposto que sem o mínimo pudor expõem a público com suas libidinosas atitude enquanto falam de liberdade: de ir e vir, de expressão de MERCADO, etecetera. Se alguém ousar pensar diferente, em liberdade e igualdade por exemplo, cortam-lhe a cabeça. Liberdade e igualdade são como água e óleo, mas eles tentam mostrar que são como Romeu e Julieta - a deliciosa iguaria composta de goiabada e queijo - omitindo a morte trágica de ambos ao final do episódio.
Nossa educação se recusa a formar cidadãos leitores de discursos sublimares e retóricas descaradas. Ela tem conformado o indivíduo em sua zona de conforto, pacificando e acomodando-o no embalo do “grande irmão I, II, III, e IV”. Enquanto nossa elite quando está de bom-humor promove as revoluções necessárias e convenientes. A questão suscitada é a seguinte: quando será que o indivíduo passará a ser sujeito de sua própria história? Essa questão só poderá ser respondida pelos alfabetizados emocionais. Apesar de nossa realidade mostrar um contingente absurdo de analfabetos funcionais com vocação explicita para gado marcado a caminho do matadouro. Infelizmente parece que nossos mestres, doutores e professores ainda não se localizaram nesta conjuntura sodomita. As escolas, faculdades e universidades idem. Visto que as regras prescinde ao educando e ao educador, dissimulando dessa forma o autoritarismo travestindo-o de gestão democrática. Enquanto sabotam e boicotam iniciativas, perseguem os que expressam seus pensamentos e suas opiniões, consolidando a ditadura branca. Paralelamente seus súditos realizam o serviço sujo; o apartheid do sujeito ou do grupo que ousar pensar fora da bula prescrita pelos tecnocratas.
Acredito que somos resultado de nossas escolhas. Nesse contexto vislumbro três opções, ou direções a seguir:
1-permanecer em nossa zona de conforto.
2- fazer, ou tentar fazer diferente.
3- ser amigo do rei.
E como diz o ditado; cada cabeça uma sentença. Ou seja, cada escolha tem seu preço, seu devido ônus. O principal ponto é descobrir que preço é esse e se temos condições de arcar com o mesmo. Para saber é preciso perguntar, para perguntar é necessário primeiro saber que existe uma pergunta a ser formulada. Para tanto é preciso questionar, para questionar temos que nos aventurar fora de nossa zona de conforto; eis o grande desafio do século.
Para o indivíduo analfabeto funcional está é uma tarefa homérica e hercúlea, pois se faz necessário inconformar-se com essa realidade banalizadora do jeitinho e das falcatruas e ler as entrelinhas dos presentes de grego nos discursos “democráticos”.
Para os indivíduos analfabetos emocionais é necessário que sair da aba do rei e perceber que o “Enola Gay” não é um símbolo de liberdade, mais sim, de atrocidade.
Ser sabático é não usar o xador da hipocrisia democrática. É não admitir nem se submeter ao “viramundo”.
Atitude: é isso que se espera de um líder, seja o mesmo presidente, coordenador, ou mesmo um diretor de uma pequena unidade escolar. Ele precisar primeiro,no mínimo se conscientizar de que seu cargo seu cargo não é eterno, depois perceber que não se individualiza o coletivo, e por último não mascarar a realidade enquanto possa de bom moço. Atitude: é isso que se espera de professores que ainda não banalizaram esse estado de coisas, de manipulações, dissimulações e privilégios indecorosos. Que não se conformam e nunca se conformarão com tal modelito feshion estiloso como querem fazer crer esses costureiros de realidade alheia.Talvez minhas opiniões possam me condenar ao uso democrático da burca. Por outro lado, é de bom alvitre para os senhores feudal o exemplo de Anastácia, que mesmo amordaçada, teve seu silêncio ecoado através dos séculos tal qual Gandhi. Quiçá essas palavras possam ser olvidadas ou mesmo silenciadas quando todos forem democraticamente chamados à avaliação conjuntural deste espaço.
Quando será que a esperança vencerá o medo? Quando a comunidade deixará de ser privada? Quando a fome zero deixará de ser garoto propaganda de um futuro e virtual jardim do Éden de um povo formado por Elias? O Deus da incoerência, da fome, da peste e dos pestes é brasileiro? É para formarmos leitores do AI-5 que estamos educando? Neste caso, Deus é um velho de barbas longas brancas, longas e é brasileiro. Jesus é um africano loiro de olhos azuis. Maria é favelada e faz uns programinhas por fora e José é um desempregado, camelô da central do Brasil. Por isso religião agora faz parte das disciplinas escolares; laicidade é o cassete!!! Pastores e padres são cacófatos e pedófilos nas horas vagas. Com esse milagre educacional, este país com certeza vai pra frente. E o cidadão continuará sendo oficialmente estuprado de verde e amarelo, tudo dentro da lei, é claro!!! §
Nossa educação se recusa a formar cidadãos leitores de discursos sublimares e retóricas descaradas. Ela tem conformado o indivíduo em sua zona de conforto, pacificando e acomodando-o no embalo do “grande irmão I, II, III, e IV”. Enquanto nossa elite quando está de bom-humor promove as revoluções necessárias e convenientes. A questão suscitada é a seguinte: quando será que o indivíduo passará a ser sujeito de sua própria história? Essa questão só poderá ser respondida pelos alfabetizados emocionais. Apesar de nossa realidade mostrar um contingente absurdo de analfabetos funcionais com vocação explicita para gado marcado a caminho do matadouro. Infelizmente parece que nossos mestres, doutores e professores ainda não se localizaram nesta conjuntura sodomita. As escolas, faculdades e universidades idem. Visto que as regras prescinde ao educando e ao educador, dissimulando dessa forma o autoritarismo travestindo-o de gestão democrática. Enquanto sabotam e boicotam iniciativas, perseguem os que expressam seus pensamentos e suas opiniões, consolidando a ditadura branca. Paralelamente seus súditos realizam o serviço sujo; o apartheid do sujeito ou do grupo que ousar pensar fora da bula prescrita pelos tecnocratas.
Acredito que somos resultado de nossas escolhas. Nesse contexto vislumbro três opções, ou direções a seguir:
1-permanecer em nossa zona de conforto.
2- fazer, ou tentar fazer diferente.
3- ser amigo do rei.
E como diz o ditado; cada cabeça uma sentença. Ou seja, cada escolha tem seu preço, seu devido ônus. O principal ponto é descobrir que preço é esse e se temos condições de arcar com o mesmo. Para saber é preciso perguntar, para perguntar é necessário primeiro saber que existe uma pergunta a ser formulada. Para tanto é preciso questionar, para questionar temos que nos aventurar fora de nossa zona de conforto; eis o grande desafio do século.
Para o indivíduo analfabeto funcional está é uma tarefa homérica e hercúlea, pois se faz necessário inconformar-se com essa realidade banalizadora do jeitinho e das falcatruas e ler as entrelinhas dos presentes de grego nos discursos “democráticos”.
Para os indivíduos analfabetos emocionais é necessário que sair da aba do rei e perceber que o “Enola Gay” não é um símbolo de liberdade, mais sim, de atrocidade.
Ser sabático é não usar o xador da hipocrisia democrática. É não admitir nem se submeter ao “viramundo”.
Atitude: é isso que se espera de um líder, seja o mesmo presidente, coordenador, ou mesmo um diretor de uma pequena unidade escolar. Ele precisar primeiro,no mínimo se conscientizar de que seu cargo seu cargo não é eterno, depois perceber que não se individualiza o coletivo, e por último não mascarar a realidade enquanto possa de bom moço. Atitude: é isso que se espera de professores que ainda não banalizaram esse estado de coisas, de manipulações, dissimulações e privilégios indecorosos. Que não se conformam e nunca se conformarão com tal modelito feshion estiloso como querem fazer crer esses costureiros de realidade alheia.Talvez minhas opiniões possam me condenar ao uso democrático da burca. Por outro lado, é de bom alvitre para os senhores feudal o exemplo de Anastácia, que mesmo amordaçada, teve seu silêncio ecoado através dos séculos tal qual Gandhi. Quiçá essas palavras possam ser olvidadas ou mesmo silenciadas quando todos forem democraticamente chamados à avaliação conjuntural deste espaço.
Quando será que a esperança vencerá o medo? Quando a comunidade deixará de ser privada? Quando a fome zero deixará de ser garoto propaganda de um futuro e virtual jardim do Éden de um povo formado por Elias? O Deus da incoerência, da fome, da peste e dos pestes é brasileiro? É para formarmos leitores do AI-5 que estamos educando? Neste caso, Deus é um velho de barbas longas brancas, longas e é brasileiro. Jesus é um africano loiro de olhos azuis. Maria é favelada e faz uns programinhas por fora e José é um desempregado, camelô da central do Brasil. Por isso religião agora faz parte das disciplinas escolares; laicidade é o cassete!!! Pastores e padres são cacófatos e pedófilos nas horas vagas. Com esse milagre educacional, este país com certeza vai pra frente. E o cidadão continuará sendo oficialmente estuprado de verde e amarelo, tudo dentro da lei, é claro!!! §
domingo, 13 de abril de 2008
Super-bobo ou super-herói?
Professor Pardal, Professor aloprado ou Professor Presidente, não importa. O importante é ser um professor criativo para sobreviver à perversidade do sistema de ensino brasileiro. As vezes cria-se apenas bugigangas e até Franksteins, mas certamente de uma maneira ou de outra, todos são formados por ele; o professor. É certamente um dos principais heróis do país, visto que além de sua função ele também exerce as de psicólogo, psicanalista, psiquiatra, enfermeiro, atleta, embaixador, educador, prisioneiro político e saco de pancada de pais mau-humorados. Pelas mãos dele, já passaram gênios e monstros, anjos e malditos, padres e pedófilos (não necessariamente nesta ordem), pastores e políticos (também não necessariamente nesta ordem). O povo apenas faz figuração nos bancos escolares nos primeiros anos de alfabetização, para servir de número estatístico para o sistema. Este tem sido o principal motivo da crise existencial da maioria dos mestres que não praticam a economia da ética. Esta profissão é no mínimo “suis generis”, diferente da medicina por exemplo, “onde o sol ilumina o sucesso e a pele esconde o fracasso”. Ser mestre significa reunir condições inter, multi e transdisciplinares. É partir ou ficar à medida em que o amolengar mostre o amadurecimento do fruto para o postar de novas sementeiras. Seja ensinando uma arte, uma técnica ou ciência, mesmo com o aviltamento de seus dividendos (que é uma grande piada facista-judaico-nazista), ele não modera seu saber. Mesmo em face da conjuntura prostituta vigente, onde a educação não passa de mais um negócio, um balcão de liquidações, promoções e queima da força de trabalho do peão do magistério. Ele tem seu saber leiloado diariamente, a público e ao público, pelo poder oficial vigente pela módica quantia de hum real e noventa e nove centavos. Mas em compensação, são “carinhosamente” lembrados a cada um dia do ano, como toda e qualquer minoria, lá no palácio do governo. Nessa ocasião um bando de alienados, de “aspones” e “formatados” são premiados com cinco minutos de fama, institucionalizados pela escravidão consentida. Nesta cerimônia se resume a valorização do professorado brazilleiro, que tem suas diretrizes curriculares, suas regras e normas, enfim, sua linha de ação formatadas pelos interesses e humores do sistema financeiro. Assim a função da educação depende exclusivamente do câmbio flutuante e do fantasma encarnado da inflação, que de fantasma não tem nada. Sendo assim ele, o professor, não passa de um refém sem valor nas mãos inescrupulosas de grupos políticos, servindo como moeda de troca por ocasião do sufrágio universal. Apesar de não justificar, explica o porquê da prioridade à matemática e ao português, em detrimento da filosofia e da arte. Mestres destas áreas são considerados imprescindíveis e respectivamente os seguintes, são no mínimo descartáveis nesse sistema protecionista, fisiologista, nepotista e corporativista. Eu tenho um sonho: sonho que um dia os imprescindíveis e os descartáveis deixaram de anestesiarem-se com a morfina da indiferença e da complacência, se desformatando e saindo da invisibilidade escrevendo o certo por linhas tortas, deletando esta vil realidade. E tudo isso sem tecla “S.A.P.”
Escola viva?
É não raro assistirmos estupefatos pela TV, alguns episódios inusitados referentes ao reino animal, tal como a fraternidade entre os incompatíveis cães e gatos, uma tigresa que alimenta filhotes de uma leitoa ou de um outro animal qualquer. Ou seja, a transformação e o domínio da natureza do bicho pelo ambiente, pelo modo-vivêndi ou por ele próprio. Já com o animal racional, conhecido com espécie humana, a história é diversa; ele também é influenciado pelo ambiente, modo de vida e principalmente por ele mesmo, podendo ter seu comportamento radicalmente modificado.
O ambiente escolar funciona como um perfeito laboratório concernente à observação, pesquisa e análise desses fatos protagonizados pelos mesmos. Confirmam-se abundantemente teorias e hipóteses, observando o desenrolar dos capítulos envolvendo os pais, os filhos e seus pares. O sentimento de auto-estima, os vícios, o caráter, a ética, a fibra, as paranóias, o pernosticismo, as esquizofrenias, suas preferências, manias e posturas. O amálgama de tudo isso no caldeirão escolar, é a essência do antídoto para o fim anunciado da espécie.
Mas lamentavelmente, esses ingredientes encontram-se ainda em condições de alunos[1], abdicando a condição de estudante, recusando o desconhecido novo mundo novo; estão mergulhados na herança paterna, agarrados ao instituto cultural adquirido no velho mundo materno. Tornaram-se spectros, seres das trevas que sofrem agudamente quando divisam a luz emitida pelos mestres no portal das cavernas de suas consciências de australopitecíneos[2]. Um mestre numa sala abarrotada de neanderthais, australopithecus, homo habilis, sapiens e herectus, que mantém sua serenidade enquanto nosso sistema educativo oferece a carcaça de bolsa família[3] como restos de banquete dos comensais[4], proporcionando o pandemônio necessário para atitudes de natureza duvidosa; é um ser anormal.
O que pensam (se é que pensam...) esses alunos desse mestre? O que esperam desses alunos, esses mestres? Existe alguma esperança de construção ou de reconstrução, nessa contagem regressiva de contexto atômico? A natureza desses pithecantrhopus[5] pode ser redirecionada a um novo recomeçar? Os animais irracionais, através de suas atitudes, afirmam que sim. Ora bolas, mas eles são irracionais, guiam-se pelos instintos; enquanto a prerrogativa da malícia adquirida pertence unicamente ao gênero humano que desdenha tais exemplos, considerando-se uma raça superior em demasia para receber lição de moral de um bicho, que não sabe nem mesmo falar.
Os animais são personagens simples, eles não complicam a vida. Os homens são animais complexos; se podem complicar por que facilitar? Afinal é justamente isso, a complicação, que provoca a adrenalina; o maldito vício humano que traz a sensação do prazer de viver intensamente o presente, sem cogitar o futuro. O espaço escolar e um espaço de construção e reconstrução de futuro, portanto um local de torturas que irrita qualquer aluno. Os mestres, aos olhos dos mesmos, são terríveis Vampiros a persegui-los com sede insaciável de sangue.
Assim, a escola paralela da vida, tornou-se um conto de terror petrificante, onde dificilmente podem-se apontar vilões ou heróis, mocinhos ou bandidos e anjos ou demônios na terra do sol.
[1] Prefixo A indica a falta de algo, e luno; luz. Ou seja; desprovido de luz, conhecimento, saber, etc.
[2] O primeiro ancestral humano, reconhecidos como “hominídios”.
[3] Um dos inúmeros programas sociais populistas do governo federal.
[4] Personagens de Rubião.
[5] Homo herectus.
O ambiente escolar funciona como um perfeito laboratório concernente à observação, pesquisa e análise desses fatos protagonizados pelos mesmos. Confirmam-se abundantemente teorias e hipóteses, observando o desenrolar dos capítulos envolvendo os pais, os filhos e seus pares. O sentimento de auto-estima, os vícios, o caráter, a ética, a fibra, as paranóias, o pernosticismo, as esquizofrenias, suas preferências, manias e posturas. O amálgama de tudo isso no caldeirão escolar, é a essência do antídoto para o fim anunciado da espécie.
Mas lamentavelmente, esses ingredientes encontram-se ainda em condições de alunos[1], abdicando a condição de estudante, recusando o desconhecido novo mundo novo; estão mergulhados na herança paterna, agarrados ao instituto cultural adquirido no velho mundo materno. Tornaram-se spectros, seres das trevas que sofrem agudamente quando divisam a luz emitida pelos mestres no portal das cavernas de suas consciências de australopitecíneos[2]. Um mestre numa sala abarrotada de neanderthais, australopithecus, homo habilis, sapiens e herectus, que mantém sua serenidade enquanto nosso sistema educativo oferece a carcaça de bolsa família[3] como restos de banquete dos comensais[4], proporcionando o pandemônio necessário para atitudes de natureza duvidosa; é um ser anormal.
O que pensam (se é que pensam...) esses alunos desse mestre? O que esperam desses alunos, esses mestres? Existe alguma esperança de construção ou de reconstrução, nessa contagem regressiva de contexto atômico? A natureza desses pithecantrhopus[5] pode ser redirecionada a um novo recomeçar? Os animais irracionais, através de suas atitudes, afirmam que sim. Ora bolas, mas eles são irracionais, guiam-se pelos instintos; enquanto a prerrogativa da malícia adquirida pertence unicamente ao gênero humano que desdenha tais exemplos, considerando-se uma raça superior em demasia para receber lição de moral de um bicho, que não sabe nem mesmo falar.
Os animais são personagens simples, eles não complicam a vida. Os homens são animais complexos; se podem complicar por que facilitar? Afinal é justamente isso, a complicação, que provoca a adrenalina; o maldito vício humano que traz a sensação do prazer de viver intensamente o presente, sem cogitar o futuro. O espaço escolar e um espaço de construção e reconstrução de futuro, portanto um local de torturas que irrita qualquer aluno. Os mestres, aos olhos dos mesmos, são terríveis Vampiros a persegui-los com sede insaciável de sangue.
Assim, a escola paralela da vida, tornou-se um conto de terror petrificante, onde dificilmente podem-se apontar vilões ou heróis, mocinhos ou bandidos e anjos ou demônios na terra do sol.
[1] Prefixo A indica a falta de algo, e luno; luz. Ou seja; desprovido de luz, conhecimento, saber, etc.
[2] O primeiro ancestral humano, reconhecidos como “hominídios”.
[3] Um dos inúmeros programas sociais populistas do governo federal.
[4] Personagens de Rubião.
[5] Homo herectus.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
sistema binário de Educação
Era uma vez um Professor...
UMA HISTÓRIA DE TERROR...!!!
Era uma vez... Um vampiro que vivia as claras, em plena luz, alimentando-se do saber humano desde o século XV. Seu nome era professor, ele vivia sugando o saber de qualquer um que cruzasse seu caminho. Era raro uma presa escapar de suas garras, sua sede era implacável e irresistível. Mas... Como qualquer ser, ele também tinha seu calcanhar de Aquiles. E o dos vampiros como o do professor era os famigerados e amaldiçoados diários, boletins e canhotos. Estas eram as armas mais eficazes para impedir o voraz ataque desse mutante. Também no solo sagrado dos “conselhos de classe” suas forças podiam ser minadas, deixando-o vulnerável e confuso, visto que neste momento está cercado desses objetos sagrados, propiciando assim a seus perseguidores estrondosas vitórias momentâneas.
Pois bem, certa feita um grupo desses seres, invadiram uma bucólica escolinha pública do interior. Sua clientela era basicamente de excepcionais. Os incautos não possuíam nem um só diariozinho, nem boletim informativo, nem mesmo uns canhotos para se defenderem... foi um massacre!!! O ataque em massa foi terrível, eram mais de 40 autistas num cubículo sobre as influências fluídicas desses mutantes lutando bravamente para não sucumbirem. Foi uma batalha dialógica memorável. Mas, felizmente a cavalaria chegou armada até os dentes, com diários, boletins, canhotos a serem preenchidos, informativos e até uma tabela com datas de conselhos de classes, além das famosas e perigosas efemérides: Eram os destemidos diretores, coordenadores e supervisores em seus corcéis brancos, impávidos colossos com seus pendões da esperança que a terra descia. Oh classe amada e idolatrada salve, salve!!! Finalmente, depois de muito esforço conseguiram dominar aqueles pérfidos seres, encurralando-os num canto da sala sobre uma pequena mesa e cadeira abarrotadas de normas e regras. Sem esses valentes paladinos, e sem suas providenciais intervenções, esses sórdidos seres mutantes fora-da-lei, se transformariam em poderosos educadores ameaçando dessa forma o equilíbrio e o status social capitalista. Sem dúvida um desastre sem precedente na história universal, o que seria simplesmente inadmissível.
Felizmente temos o “Senhor dos diários” e seus guardiões, unidos nesta cruzada contra o mal que ronda nossos inocentes autistas. E nossa sociedade continua em plena ordem e progresso. Agora podemos dormir em paz e afirmar com toda a certeza:
A esperança venceu o medo. Professores zero, diários dez!!!
Agora vamos falar sério! A educação no Brasil está resumida a um sistema de promoção automática do aluno à série seguinte, para o governo poder se vangloriar dos altos índices de aprovações. Em outras palavras, para evitar a evasão escolar livra-se do aluno mesmo que ele não tenha competências, após inúmeras e repetidas avaliações, para tanto. Mesmo nestas condições o aluno sabe que o conselho de classe irá aprová-lo, de uma maneira ou de outra; estando apto ou não.
Ao longo de seu exercício, este conselho vem formatando uma geração de conformistas e desvalidos, perpetuando a sensação generalizada da ausência de valores éticos. Certamente “nossos formandos estarão aptos a ser mais um candidato aos inúmeros vestibulares dessas faculdades chinfrins” onde se paga e se passa. Ou talvez esteja o mesmo apto a se inscrever no “show do milhão”, talvez conseguir responder corretamente qual a fórmula da água e assim ganhar o direito de ser governador de uma unidade federativa qualquer. Mas se responder errado, ganha do mesmo jeito. Afinal ser governador é questão de (in) competência.
Creio que chegará o dia em que a legalidade dará lugar à justiça e o nosso conselho não mas será formado por pusilânimes e pernósticos, que fazem uso da legalidade para promover descalabros. Infelizmente se esquecem que estão mexendo no futuro de pessoas, gente.
Necessário se faz refletir, se não estamos promovendo nossos alunos a meros pontos estatísticos a nosso favor. Diários bonitos, coordenadores, supervisores e diretores contentes; alunos idem. Priorizamos os papéis em detrimento do estudante, para justificar os números de um governo hipócrita; a isso dá-se o nome de competência. Hitler também era competente: tirou a Alemanha da recessão, criou milhares de emprego, baixou a inflação e além do mais era um grande mecenas, um amante das artes. No entanto...
Nosso trabalho é a profilaxia para sobrevivermos à inoperância e incompetência de um estado vergonhoso, prepotente e desprovido de dignidade. É inadmissível que um conselho de classe se preste de instrumento para inviabilizá-lo, empregando o cinismo e a contumaz hipocrisia, fazendo uso da “legalidade” para encobrir a ética. §
UMA HISTÓRIA DE TERROR...!!!
Era uma vez... Um vampiro que vivia as claras, em plena luz, alimentando-se do saber humano desde o século XV. Seu nome era professor, ele vivia sugando o saber de qualquer um que cruzasse seu caminho. Era raro uma presa escapar de suas garras, sua sede era implacável e irresistível. Mas... Como qualquer ser, ele também tinha seu calcanhar de Aquiles. E o dos vampiros como o do professor era os famigerados e amaldiçoados diários, boletins e canhotos. Estas eram as armas mais eficazes para impedir o voraz ataque desse mutante. Também no solo sagrado dos “conselhos de classe” suas forças podiam ser minadas, deixando-o vulnerável e confuso, visto que neste momento está cercado desses objetos sagrados, propiciando assim a seus perseguidores estrondosas vitórias momentâneas.
Pois bem, certa feita um grupo desses seres, invadiram uma bucólica escolinha pública do interior. Sua clientela era basicamente de excepcionais. Os incautos não possuíam nem um só diariozinho, nem boletim informativo, nem mesmo uns canhotos para se defenderem... foi um massacre!!! O ataque em massa foi terrível, eram mais de 40 autistas num cubículo sobre as influências fluídicas desses mutantes lutando bravamente para não sucumbirem. Foi uma batalha dialógica memorável. Mas, felizmente a cavalaria chegou armada até os dentes, com diários, boletins, canhotos a serem preenchidos, informativos e até uma tabela com datas de conselhos de classes, além das famosas e perigosas efemérides: Eram os destemidos diretores, coordenadores e supervisores em seus corcéis brancos, impávidos colossos com seus pendões da esperança que a terra descia. Oh classe amada e idolatrada salve, salve!!! Finalmente, depois de muito esforço conseguiram dominar aqueles pérfidos seres, encurralando-os num canto da sala sobre uma pequena mesa e cadeira abarrotadas de normas e regras. Sem esses valentes paladinos, e sem suas providenciais intervenções, esses sórdidos seres mutantes fora-da-lei, se transformariam em poderosos educadores ameaçando dessa forma o equilíbrio e o status social capitalista. Sem dúvida um desastre sem precedente na história universal, o que seria simplesmente inadmissível.
Felizmente temos o “Senhor dos diários” e seus guardiões, unidos nesta cruzada contra o mal que ronda nossos inocentes autistas. E nossa sociedade continua em plena ordem e progresso. Agora podemos dormir em paz e afirmar com toda a certeza:
A esperança venceu o medo. Professores zero, diários dez!!!
Agora vamos falar sério! A educação no Brasil está resumida a um sistema de promoção automática do aluno à série seguinte, para o governo poder se vangloriar dos altos índices de aprovações. Em outras palavras, para evitar a evasão escolar livra-se do aluno mesmo que ele não tenha competências, após inúmeras e repetidas avaliações, para tanto. Mesmo nestas condições o aluno sabe que o conselho de classe irá aprová-lo, de uma maneira ou de outra; estando apto ou não.
Ao longo de seu exercício, este conselho vem formatando uma geração de conformistas e desvalidos, perpetuando a sensação generalizada da ausência de valores éticos. Certamente “nossos formandos estarão aptos a ser mais um candidato aos inúmeros vestibulares dessas faculdades chinfrins” onde se paga e se passa. Ou talvez esteja o mesmo apto a se inscrever no “show do milhão”, talvez conseguir responder corretamente qual a fórmula da água e assim ganhar o direito de ser governador de uma unidade federativa qualquer. Mas se responder errado, ganha do mesmo jeito. Afinal ser governador é questão de (in) competência.
Creio que chegará o dia em que a legalidade dará lugar à justiça e o nosso conselho não mas será formado por pusilânimes e pernósticos, que fazem uso da legalidade para promover descalabros. Infelizmente se esquecem que estão mexendo no futuro de pessoas, gente.
Necessário se faz refletir, se não estamos promovendo nossos alunos a meros pontos estatísticos a nosso favor. Diários bonitos, coordenadores, supervisores e diretores contentes; alunos idem. Priorizamos os papéis em detrimento do estudante, para justificar os números de um governo hipócrita; a isso dá-se o nome de competência. Hitler também era competente: tirou a Alemanha da recessão, criou milhares de emprego, baixou a inflação e além do mais era um grande mecenas, um amante das artes. No entanto...
Nosso trabalho é a profilaxia para sobrevivermos à inoperância e incompetência de um estado vergonhoso, prepotente e desprovido de dignidade. É inadmissível que um conselho de classe se preste de instrumento para inviabilizá-lo, empregando o cinismo e a contumaz hipocrisia, fazendo uso da “legalidade” para encobrir a ética. §
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