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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Sorria e Acene

 

Um dia passado, sem um só sorriso ser dado, é um dia vivido sem siso, é um dia de vida perdido; irresponsável é aquele que tem carregado em sua face, a carrancuda máscara da ácida cor do terrível mal humor, surgido da preocupação e do dissabor.

A alegria, transforma o corpo em pluma, que, suavemente plaina ao decorrer do dia, flutuando livre, leve e solto, sobre o campo minado, transportado nas asas da liberdade, para além dos muros da cidade.

A Leveza da alegria, é sementeira de poesias expressas nas cores meteóricas[1] da doce melodia, introdutória de cada novo dia, como trilha sonora da existência; cadenciando o cauteloso caminhar da garça, que pisa com elegância e graça, sobre a lama escura originada da chuvarada durante a longa noite enevoada, circundando cautelosa, a Flor-de-Lótus germinada no escuro do silêncio profundo, tal como joia rara incrustrada na tela cósmica do infinito versado em prosa.

A alegria vivida em cada momento, alqueivada na luz de jubilosos sentimentos, pavimenta a jornada da existência, liberando toda lágrima e lamento; do mesmo modo, que os irrestritos Sorrisos soltos, entoados sem quaisquer crivos, alimentam os seres vivos, como o sol em plena ação, que se faz presente, reluzente sobre as moções das linhas e entrelinhas de textos, contextos e subtextos, sem razões aparentes ou motivos condizentes.

O sorriso sincero, se alinha sem mistérios, sobre o autêntico semblante, sem as máscaras, nem os meandros usados para se exibir o que não é; revelando-se através da magia dessa pueril alegria brotada no coração, sem a exigência de ser pautada pelos conceitos contingentes da razão apregoada por meio da visão de um novo crente[2].

O sorriso genuíno, colore pensamentos que não ressoam com lamentos, nem se identifica com condições embaladas no berço das profundas emoções, fabricadas nesse mar de ilusões, apresentado no vermelho cartão, postado pela exótica inquisição. A alegria abrolhada na ideoplastia[3], é a única religião da alma, que evolui de mãos dadas com o seu próprio dharma, sem o peso que entrava e arrasta o denso karma.



[1] Referência as cores que definem a composição química de um meteoro.

[2] Referência ao cristão novo (judeu convertido)

[3] Formas pensamentos criadas no ato do pensar.

sábado, 18 de novembro de 2023

O Despertar Do Divino Masculino

Rompendo noite adentro, de mansinho, e sem pedir licença, sutilmente ela foi chegando, penetrando suavemente na penumbra do meu lar; que se encontrava de portas e janelas abertas; me compelindo a levantar do confortável dossel, aonde me encontrava deitado em berço esplêndido; sem nem mesmo se importar como os meus dolosos murmúrios de protestos, e os insistentes alaridos de infindáveis objeções.  

Diante dos meus olhos semiabertos, na contraluz das cortinas soerguidas, as voluptuosas formas das escuras sombras se esvaneciam, desintegrando-se progressivamente na medida em que foram sendo trazidas a luz.

Mesmo em face dos meus indolentes protestos, a Aurora veio alegremente ao meu encontro, me saudando com um longo e delicado abraço, ao mesmo tempo em que me fazia ouvir o trinado da passarada, bailando entre o farfalhar das verdejantes folhas amareladas pelo tempo.

Enquanto os silfos e as Sílfides acariciavam as páginas em branco da luminosa Aurora, as sombras se recolhiam espantadas, procurando abrigo entre os rasgos das folhas outonais, que se dobravam sobre si mesma, exibindo uma arquitetura gestáltica, fazendo a luz da alvorada fluir em espiral sobre uma gota de orvalho, metamorfoseando-se numa forma idêntica à de uma luneta usada pelo astrônomo que observa a Estrela D’Alva; canalizando deste modo, a mensagem trazida pelo alvorecer, revelando tudo aquilo que havia abrolhado entre o nascer do dia e o Pôr-do-Sol.

Foi assim que recebi essa página em branco como presente, para que eu pudesse confeccionar o origami dessa existência embalada pela alegria, delicadamente expressada no franco sorriso sem crivo, da Nova Aurora que ali se apresentava.

Desse modo, despertei nesse abraço suave, na doce brisa soprada dessa formosa Aurora, para a seguir, caminhar de mãos dadas com a Liberdade, enquanto era intimamente beijado pela Felicidade, depois de ter sido coroado Rei, soberano desse Reino, aonde Eu Sou Senhor de mim mesmo. 

Desse modo, o Arauto anuncia a Nova Roupa do Rei, confeccionada pela pueril alegria, que expõe agora a verdade nua; enquanto, sem nenhum pudor; o Rei dança nesse baile sem máscaras, celebrando a existência sem os filtros das crenças e ideologias, perpetradas através dos dogmas e paradigmas; impostos por meio do autoritarismo estabelecido em forma de lei; decretando assim, com Aurora a sua destra, que, o passado não existe mais, e o futuro nunca existiu, abolindo dessa forma, os impostos taxados, que eram exigidos pelo trânsito realizado entre as antigas memórias e o momento do agora, acoplando à noite escura ao dia seguinte.

Foi assim que o Príncipe Noturno despertou, logo que fora abraçado pela Aurora encantada, inebriando-se com a Felicidade trazida pela Estrela D’Alva; quebrando assim, o feitiço realizado no lado escuro da lua que não era de mel; enquanto a boca da noite, sem nenhuma reserva, beijava o dia que a devorava.

Dessa maneira, assentado no trono de [1], com o brilho do sol a pino, ele pode agora avistar o fundo da sua caverna, através desse luminoso espelho solar, que mostrava-se como portal cósmico, por meio do qual, o seu Eu Maior pode atravessar, retirando-se enfim, da aludida caverna.

Esse labirinto de diáfanos, espelhando cada relação, refletindo as imagens das pessoas existentes dentro da sua própria pessoa, permitiu que ele finalmente, pudesse reconhecer as suas sombras, se deparando enfim, com o girassol  tatuado em seu peito, pela intensa Aurora de cada dia, que nos abraça hoje.



[1] Referência aos rastafáris ancestrais, os antigos sacerdotes egípcios que tinham o Sol como referência espiritual, comparando as suas tranças como equivalentes aos raios do astro-rei. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Espeleologia

 

As inúmeras pessoas existentes dentro da própria pessoa, é aquela mesma pessoa que ama e odeia; constrói e destrói, sendo anjo ou demônio, Divino ou trevoso. Ela é o seu próprio portal exibido em forma de espelho, por onde adentram todas as imagens emitidas no dia-a-dia, resultante da projeção da sua relação com o outro e consigo mesmo; transformando de tal modo, a própria pessoa num labirinto de diáfanos, aonde as escolhas feitas são expostas, quando são executadas através do discernimento advindo da autoconsciência, ou originadas dos pensamentos, sentimentos e emoções provocados pela egrégora do ambiente externo, suscitando um processo, que, peremptoriamente, conduzirá o dito-cujo ao seu apocalipse personal.

Cada imagem emitida que escolhemos para prender a nossa atenção, é sintonizada por uma frequência por nós acolhida; iniciando assim, um processo ideoplástico que holograficamente concretiza toda a realidade ao nosso derredor, consolidando deste modo, a experiência da Dupla Fenda, aonde a energia em forma de ondas se transformam em partículas.

Dessa maneira, tudo aquilo que enxergamos no outro, efetivamente é projetado a partir do nosso interior, nos levando a expor as nossas próprias sombras, para que as mesmas sejam acolhidas, direcionadas e solucionadas; e como artesões que devemos ser na arte de viver, precisamos delinear os contrastes e as nuances, necessárias a resolução dos problemas expostos no Quadro Negro dessa matemática da existência.

É dessa forma que a pessoa descobre, que, o gelo também queima, e a teoria da relatividade passa a ser só mais um Quantum da realidade projetada por esse espelho, aonde, de um polo ao outro, a energia é somente uma.

Portanto, olhar para o espelho da vida, enxergando apenas as imagens sacralizadas pelo Inconsciente Coletivo, definitivamente nos induzirá a ser mais um partícipe voluntário desse jogo de pinball, que é realizado no interior desse labirinto que espelha e reflete cada pensamento, emoções e sentimento emanados pelo jogador, movimentando assim, esse jogo de atração e rejeição.

Após toda essa longa jornada, aonde nos embriagamos, sorvendo do cálice das emoções trazidas por todos os sentimentos sentidos; alcançando de tal modo, o nosso aludido apocalipse pessoal; descobriremos enfim, que nós somos a bolinha desse jogo, que fora inserida e plasmada como uma espécie de sonda, oriunda de uma Consciência Maior, revelando-se agora, como sendo a essência do próprio jogador, vinda especialmente para experienciar, nas profundezas sombrias da existência periférica, a separação da sua própria luz, observando-se na dualidade dos seus polos.

Portanto, podemos inferir, que, é a retórica do livre-arbítrio que nos impele a focar a nossa atenção, justamente naquilo que consideramos como sendo certo, nos fazendo apartar daquilo que, aparentemente, consideramos ser errado. Porém, seguindo essa premissa, de que, quando focando no certo, teremos a certeza de estarmos corretos, da mesma forma, seguindo a lógica, quando focamos naquilo que é errado, estaremos igualmente errados.

Contudo, nesse processo de se fazer juízo de valor, classificando cada conduta como correta ou incorreta, vamos inferir que tal categorização é simplesmente uma questão de ressonância, compreendendo finalmente, que, o certo e o errado não existem; o que existe são experiências, e que, as experiências pertencem exclusivamente a cada experimentador; mesmo que seja vivenciada de forma coletiva.

Sendo assim, o fato de interferir ou insistir em fazer da experiência do outro, a nossa própria experiência; é um processo que efetivamente nos transformará em clones, produzidos e projetados através desse espelho, que vem a ser o outro; nos levando assim, a estabelecer e consolidar uma sociedade de androides, aonde reproduzimos experiências programadas em série, pasteurizadas a partir de sentimentos planejados pelos sentidos alheios.

Dessa forma, se não nos servirmos desse Santo Graal, que vem a ser o nosso próprio cálice repleto das emoções a serem experimentadas plenamente; a fim de que, ao sorvê-las, possamos reconhece-las; transmutando assim, as sombras da nossa dualidade, transformando-as na sobriedade que repousa entre as polaridades existente em nosso ser; de outra forma, ele, o nosso cálice, permanecerá cheio, repleno com as realidades delineadas pelos sentimentos e emoções, emanadas por aquele à qual cedemos o nosso poder.

Assim sendo, o nosso apocalipse, exige que liberemos as experiências de emoções alheias, usadas por nós como bússola, passando a assumir as responsabilidades de um ser humano adulto, que reconhece em si, além da própria humanidade, toda a humanidade do mundo contida nele mesmo. Inferindo, portanto, que, mudar a si mesmo, implica na mudança da humanidade.

Só dessa maneira, a pessoa conseguirá se desapegar dessa roda do hamster, que fora estrategicamente arquitetada no interior desse labirinto, a fim de formatar o looping dessa caverna contemporânea, que proporciona a devida segurança psicológica, na dualidade vivida nesse espaço de tempo holográfico.

Sendo assim, somente rasgando os véus dessa realidade imaginária, a holografia vigente virá a se fragmentar, revelando a verdade dessa caverna em nosso entorno, que fora construída pelos manipuladores do hipnótico projetor de meias verdades, e certezas ilusórias; manipuladores que nós mesmos elegemos como representantes políticos e religiosos, definidores dos nossos destinos.

Sendo assim, o fato de quebrarmos espelhos, destruindo todas as imagens subliminares que materializam a nossa realidade como tal, é um ato de honra, que requer muita coragem e integridade.

Portanto, é natural que a assunção das responsabilidades desse heroico ato, se transforme num fato histórico, que será alegremente entoado através das canções dos Menestréis, Aedos e Dielis, que se apresentam enquanto é servido o Graal que celebra a nossa existência, nos festejos realizados do lado de fora desse curral humano, que enfeita a pomposa paisagem refletida nesse espelho, fixado no interior das cavernas dos Tempos Modernos, aonde Narcisos e Medusas se miram enquanto são engolfados pela escravidão mental e psicológica, reinante nos destinos dessa Necrópole, jocosamente conceituada como civilização.

O magnífico festejo desse ato, se dará somente após sermos categorizados e taxados como rebeldes, conspiradores, lunáticos e ovelhas negra da família, pelos eminentes habitantes desse curral humano, que se miram nesse hipnotizante espelho, procurando e apontando um caminho inexistente, sem atinar, que, a única saída dessa caverna, só pode ser acessada através do auto resgate.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

O Pensamento Exagerado É Oficina Do Diabo

Certa feita, há muitos e muitos tempos atrás, um casal de neandertal entediado com a ocupação de pichadores de cavernas, decidiram sair para espairecer um pouco, e foram caminhar pelas pradarias inexplorada do seu quintal. E assim, por onde passavam saudavam efusivamente os seus irmãos selvagens e silvícolas, sem distinção de espécies ou reinos.

Em dado momento, enquanto o macho se deteve para desenvolver um debate sobre a qualidade de paus e pedras, com um símio contrariado, a fêmea, mais à diante do caminho, se deparou com um imenso precipício a sua frente; era um abismo de profundezas tão abissais, que a fez soltar um grunhido de grande admiração. O seu grito de intensa surpresa ecoo através do espaço, trazendo de volta o estrondoso som por ela emitido; fato este que só fez somatizar o seu surto de admiração.

Ato contínuo, ela correu, trazendo o seu companheiro até a beira do dito precipício, alegando que havia encontrado ali, um poderoso Demônio[1]. O neandertal, por estar de mau-humor após a altercação com o simiano, deu um urro abissal, soltando os bichos em cima da companheira. Mas antes que ele tivesse a chance de completar a sua grotesca ação, o eco devolveu o som emitido por seu ronco, de maneira verdadeiramente assustadora.

Deste modo, paralisado pela surpresa, ele se deteve, olhando longamente para o vácuo; após se refazer do susto, ele correu para informar a sua descoberta ao símio descontente e a todos os outros selvagens e silvícolas, jurando ter o poder de conversar com um Demônio.

Assim, com o retorno do seu urro psicossomatizado, ele demostrou o poder da sua voz, ao lança-la em meio ao vácuo daquele tenebroso precipício; fato que serviu para comprovar a sua alegação, fazendo com que todos recuassem assustados, se retirando imediatamente do lugar, além de manter uma medrosa distância do assombrado local.

Desde aquele dia em que o neandertal se aventurou, desvendando o mistério do eco, ele decidiu que sabia mais do que todos os outros seres da natureza; foi assim que passou a categorizar a tudo e a todos, outorgando-se o título de ser pensante. Ou seja, de prosaico neandertal, ele se elevou a categoria de homo sapiens.

Dessa maneira, todos passaram a aguarda-lo voltar daquele Monte, dentro dos limites por ele demarcado, aguardando que ele trouxesse as leis provenientes do ser abissal. Somente a sua companheira sabia, que, era ele petrografava as ditas leis, se fazendo passar por Lúcifer.

Foi assim que muitos anos se passaram, enquanto ele, através de rituais secretos, realizou a formatura de inúmeros auxiliares, a fim de estender o seu poder, dominando todos os silvícolas das cavernas além das pradarias.

Como não existem planos de dominação que sejam perfeitos, certa feita, um grupo de auxiliares, com desmedida paixão pelo poder; ambição resultante do efeito colateral desenvolvida desse processo; tiveram a ousadia de encarar o abismo; e assim, desvendando o Mecanismo, passaram a dar nomes as entidades imaginárias ecoadas do próprio cerne. Foi assim que descobriram que o Monte Olimpo, não era monte e nem olimpo; era na verdade, um enorme buraco, de onde nasciam os deuses criados por suas próprias sombras.

Foi então que a companheira do ex-neandertal, cujo nome era Eva, observando toda aquela histeria coletiva instalada, provocar uma grande insanidade generalizada, decidiu jogar tudo no ventilador, expondo toda a verdade sobre aquele movimento de satã[2]. Foi assim que ambos foram expulsos do movimento organizado, cujos membros combinaram dividir os territórios, designando para cada região, um deus personalizado e devidamente patenteado, se apropriando assim, da anunciação e publicação dessa fantástica narrativa divina.

Desse modo, desde a pré-história, até os dias de hoje, o ser humano moderno continua a ouvir o eco emitido por suas sombras, ribombando freneticamente dentro do seu cérebro; análogo a uma bolinha do jogo de Pinball quicando desvairadamente; enquanto os seus representantes politicamente divinos, continuam a lhes educar, alimentar, cuidando da sua saúde e segurança, com as regras trazidas nas mensagens oficiais grafadas em seus livros sagrados, ditados diretamente do paraíso.

Deste modo, nunca mais se ouviu falar de Eva, nem das suas rogativas por um mundo fundamentado na sinceridade e na transparência; só se sabe, que, foi ela a responsável por ter apresentado o Exu Rei, conhecido como Lúcifer, para o seu casto companheiro, e por conta disso, foram expulsos da caverna; mas o abismo continua lá, e os homens continuam a pensar, que pensam.

Foi assim, que o pensamento se transformou num laboratório manicomial, aonde as questões emocionais extremamente adoecidas, se digladiam em nome do amor. Desse modo, as cavernas contemporâneas abrigam e cultivam no interior dos seus hospícios milhares de casulos de luz, transformados em lagartas, com cérebros reptilianos que só conseguem identificar o eco de sua abissal programação.

Dessa maneira, a percepção da energia do amor como atributo, agora classificado por níveis, foram compartimentados em escaninhos que os hierarquizam tal energia como amor de mãe, amor de pai, de amigos, companheiros, filhos, família, animais etc.


Assim sendo, o vozerio dos gurus, dos padres, pastores, professores, consortes e pais, ecoando no abismo do cérebro reptiliano, desse mesmo ser que se diz humano, vem provocando um contínuo ruído psicológico, que o impede de ouvir a própria voz; evitando que ele tenha não tenha chance de fazer uso do discernimento, a fim de questionar essas mesmas vozes de comando, que lhe perpetraram o gatilho de um guiado pela lógica conclusiva, análogo a inteligência de colmeia, que reage somente ao comando rainha.

Portanto, a mente vem se comportando exatamente como aquele agitado coelho, que está sempre atrasado, correndo acelerado através desse Mundo de Alice, que se transformou o cérebro humano, aonde Dante desceu para nutrir um aprofundado diálogo com Eva, ponderando acerca dos arquétipos e mitos desse encefálico abismo, que lá no fundo promiscuamente se prostituem e se dopam, fugindo da autoconsciência.  



[1] Etimologicamente usado para designar um Ser de luz.

[2] Etimologicamente significa Adversário. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O Mito das Cavernas Medievais e o Green Card Para Cidadania Contemporânea

 


O frenético comércio de soluções, magias e milagres, que é abundantemente ofertado nas feiras dos Tempos Modernos, seja por meio de vendas on-line, lojas de departamentos, shoppings, drogarias, hipermercados, Black Friday, fast food ou afins, contribuiu para diminuir significativamente o tráfico de cidadãos africanos através do Grande Calunga, o Oceano Atlântico; modificando assim, o infame comércio de outrora, transformando os cidadãos comuns de hoje, em submissos humanos domesticados.

Essa transformação se deu, em meio a cisão entre a Idade Média e o iluminismo, trazendo acoplado ao mesmo, como herança mediévica, um combo completo, constituído de feiticeiros, bruxas, satanases, diabos e demônios procedentes das fogueiras medievais de um aquecido inferno, meticulosamente aceso pelos concílios religiosos, a fim de substituir todos os famigerados métodos de torturas, ocasionado por capciosas e contundentes retóricas.

Dessa maneira, as profissões pertencentes as áreas jurídicas, da saúde e da segurança, se tornaram cadeiras destinadas aos integrantes dos clãs; membros pertencentes as famílias tradicionais que governam o Estado Profundo; enquanto o sistema educacional, ficou sobre domínio inquisitório dos insaciáveis e macabros religiosos medievos.

Assim sendo, o controle do subjetivo, alcançado a partir do domínio de corações e mentes, se mostrou assaz efetivo, na construção desse Inconsciente Coletivo, que habilmente desempenha a preciosa função, de controle remoto do servidor-padrão.

É evidente a percepção de, que, o Estado Profundo é quem dita o que devemos aprender, o que ingerir, como nos portar, além das funções e do papel a desempenhar no seio dessa bitolada sociedade, que foi biológica, social e psicologicamente condicionada, dentro dos padrões ditados pela violência escravagista colonial.

Obviamente, que, para fazer esse ousado procedimento funcionar, foi necessário dividir para governar; efetivando de tal modo, a organização de uma cidadania estruturada por meio de gênero, raça, classe e opção sexual, fazendo com que a divisão fluísse naturalmente, inoculando a síndrome de Estocolmo na construção identitária, no subjetivo de cada grupo.  

Desse modo, tais classes foram metaforicamente dividas em grupos de cidadãos pitbulls, dobermanns, Cocker Spaniel, chihuahuas e caramelos; o que todos têm em comum, é a eterna brincadeira de correr atrás do próprio rabo, e se agredirem mutuamente nos espaços de tempo vago.

Sendo assim, o Espaço da mente e o Tempo do Coração, entravados pelos padrões da intelectualidade colonizada, transformou o ser humano em androide, conferindo-lhe uma Inteligência Artificial que o faz orgulhosamente cavalgar, montado sobre o seu Cavalo-De-Tróia de estimação, a procura do seu par romântico, para juntos, encontrarem o anunciado Final Feliz, prometido nos livros sagrados, nos Contos De Fadas, novelas, filmes e séries.

E assim caminha a humanidade, da caverna à cidade, levando pedras, paus e clavas, bombas, fuzis e metralhadoras; cada grupo defendendo a sua própria roda de hamster; tendo ao seu lado, a verdade da sua religião, a sua ideologia e o seu modus vivendi aprendido através das tradições e das memórias do cárcere, vividas e narradas por livros, histórias e cultura, balizados pelos olhares de terceiros.

Desse modo, cada grupo, com sua devida nacionalidade, sua religião, ideologias, partidos políticos, times de futebol, patriotismo, raça, classe, gênero e aí por diante; seguem debatendo e combatendo as razões, alusivas a seus próprios segmentos, olvidando a questão humana, capciosamente diluída nas entrelinhas da retórica. Ou seja, cada qual com as suas meias-verdades, usam as suas energias para reivindicar o controle do painel de descontrole.

Portanto, podemos inferir, que, não existem caminhos para se chegar a verdade, pois ela simplesmente, é, o que é; ela não pode ser capturada, cristalizada e conservada por meios de métodos ou equivalente, visto que, o fato de fatiar a verdade, torná-lo-á irreconhecível. O fato de não reconhecermos a verdade existente em todos e em tudo, é o que nos mantém algemados aos ditames da retórica, determinante das nossas crenças limitantes, ideologias descapacitantes e empatias descapacitantes, enraizadas nos Tempos Modernos, nos tornando clientes assíduos, nessa feira de milagres e magias clonados nos laboratórios da Matrix.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A Estranha História De Um Saci


Durante o processo de programação Mental, promovido pelo
CCSBP (Concílio de Condicionamento social, Biológico e Psicológico), órgão pertencente ao Sistema Público de Educação; eu fui anestesiado e entorpecido, fiquei fascinado; enquanto eu dormia, alguém me despiu, depois, colocaram um gorro cor de sangue sobre o meu Orí, e a seguir, com uma gargalhada jaculada em estado pré coito, deceparam uma das minhas pernas como souvenir. Foi assim que esse neguin, se transformou num prosaico personagem racializado, deficiente e dependente químico.

Naquele lastimável estado, fui levado às pressas para as páginas dos livros didáticos e transformado em objeto de pesquisa. A medida em que passeava pelas páginas mecanicamente folheadas, as histórias narradas sobre minha personagem se transfiguravam, modificar-se de história macabra, para narrativa engraçada.

Foi assim que o neguin virou atração para o fanfarrão de plantão, esse falastrão especialista em educação. Ou seja, aquele pontinho preto, sobre o lençol branco, que sempre chama a nossa atenção, passou a ser usado como um contexto, a fim de fazer analogias pitorescas, como pretexto, para se referir aquele sujeito bantu, que, sonhando ser atleta, corria pelas ruas, nas horas incertas, fugindo do próprio inverno, presente de um pretérito grego dos Tempos Modernos.

Porém, no meio à jocosa narrativa, inadvertidamente, a minha personalidade, caindo em si, despertou o gigante adormecido. Desperto pelo som do Graal derrubado, transbordei pelo solo, cognizando-me de que Eu Sou um gigantesco saci; bípede; que corre e pula, brincando no redemoinho da vida, enquanto vou pitando as fragrâncias das flores, e arribando os humores pela estrada afora. Apareço na capoeira, gingando e dando rasteiras nesse destino, que me foi reservado como cota, dentro dessa história narrada por caçadores de adrenocromos.

Agora Eu vejo com os olhos do Grande Espírito; o Criador-De-Todas-As-Coisas; Eu Sou a Expressão do Criador; Eu Sou a Vontade do Criador; Eu Sou a Consciência do Criador; Eu Sou a Verdade do Criador. Portanto, Eu Sou o que Eu Sou. A roupagem de Saci, eu deixei por aí, como bandeira pirata, fincada no meio do mar, tremulando sobre as etílicas águas da programação mental.

Os livros didáticos, traficados nos porões abarrotados dos tumbeiros, que foram queimados em praça pública, tendo os seus personagens enforcados e sacrificados, a fim de tornar possível, a reforma educacional, proposta pelo Concílio de Hienas[1]; ressuscitados, como bela Fênix, todos os personagens de tais livros, agora despertos e despidos, pulam pelados, saindo das páginas codificadas, em direção as páginas virgens, destituindo líderes, pastores e gurus. Agora, esses gigantes, acordados e desprogramados, impavidamente afrontam os olhos petrificados do Grande Irmão, outrora instrumento do terror.

Deste modo, iniciamos a reescrita da história, a confecção de novos livros e a produção de uma cultura, aonde as roupagens despidas, se tornaram adubos de Camélias e Rosas, Flores-de-Lótus e Girassóis, que adornam as vistosas capas ajardinadas de vida, das novas formas narrativas.

O Concílio, que fora constituído na calada da noite, adernou no abismo abissal das sedutoras sereias, enquanto as viúvas negras, preparavam meticulosamente os seus leitos, a fim de empala-los em eterno looping, deitados eternamente em seu berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, cumprindo a profecia científica que preconizava, que, vento que venta lá, também venta cá.

Assim sendo, quando avistar na capoeira, um neguin de ponta à cabeça, quicando sobre um só pé, cantando e contando história, esqueça a didática das redes sociais, as oficiais, etecetera e tal, e aproveita para desaprender e desacreditar em tudo aquilo em que fizeram tu crê, e, tudo o que pensa que vê; isso vai fazer enxergar cada amanhecer com os olhos do próprio saber.



[1] Alusão ao Concílio de Trento. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

A Revolução Dos Bichos


Após esse longuíssimo período de bárbaro adestramento e domesticação suportado pela raça humana, vivemos agora esse incrível momento, que é o momento histórico da iminente e definitiva libertação do ser humano, do seu sofrido cativeiro de estimação.

Agora não mais existem os muros, para aqueles que buscavam se empoleirar convenientemente em cima dos mesmos, evitando tornar-se responsável pelo compromisso assumido consigo mesmo; e também, não existem mais os tapetes, para serem usados como recurso, a de fim jogar para debaixo dos mesmos, os descalabros da própria insensatez. Ou seja, definitivamente está se encerrando esse intrépido e cruel espetáculo, realizado sobre o picadeiro da vida, promovido pelos abutres trapalhões.

Sendo assim, as meias-verdades paulatinamente se esvanecem como nuvens ao vento, desintegrando-se quando projetados sobre os véus da Matrix, fazendo o bicho-homem despertar para si mesmo, para enfim, lembrar-se da sua condição de ser humano; interrompendo deste modo, o seu chafurdar nessa lata de lixo de pareceres, regras e estatutos, em meio ao chiqueiro das notícias tendenciosas e informações capciosas, negociadas a peso de ouro, nesse infame mercado[1] colonial, ainda praticado nessa atual idade média dos Tempos Modernos.

Desse modo, as focinheiras, coleiras, selas, chicotes e antolhos, estão se tornando assessórios desnecessários, para aqueles que decidiram se retirar desse grande curral humano, recusando-se a serem conduzidos pelo pastor; o verdadeiro devorador das ovelhas.

Mas ainda existem os gados marcados, que continuam temendo a suposta maldade do lobo, visto que foram hipnotizados sobre o cadafalso do próprio subjetivo; por isso, procuram obstinadamente por abrigo na casa do pastor, atrás da sacristia, dentro do confessionário e espaços correlatos.

O lento processo do despertar desse estado hipnótico, tem se mostrado como uma tarefa extremamente árdua, a ser empreendida na jornada desse herói que procura por si mesmo, enfrentando os monstros refletidos na face do seu próprio espelho.

Tais monstros, são continuamente alimentados com sentimentos de vibrações assaz densas, que possibilitam que essas anomalias, detenham magneticamente o poder cabal, de arrasta-los para as profundezas do próprio abismo.

A domesticação humana, foi um artifício produzido pelos afamados líderes pastorais da noite escura, tendo a sua tecnologia desenvolvida em comum acordo com as ditas ovelhas; celebrando num macabro pacto, esse contrato outorgado; a fim de manter uma distância psicologicamente segura dos terríveis lobos-monstros, que habitam as sombras da escuridão humana.

Desse modo, os vampíricos simbiontes muito bem protegidos debaixo da batina, do terno, paletó e gravata, sempre ostentaram o completo poder, obtido o êxito desse processo de domesticação, fazendo com que os próprios humanoides amestrados os protegessem, impedindo assim, quaisquer incursões ou operação de resgate a serem realizadas no covil desse abatedouro humano.

Contudo, a contagem regressiva já se iniciou, e o estouro emanado das energias, não pode mais ser contido. Ou seja, agora, a pele dos pastores estão se liquefazendo como cera exposta a chama da vela, revelando o negrume oculto por baixo do sobretudo, usado para cobrir as ancas do sombrio pastor; enquanto os lupinos solares se iluminam, manifestando-se como estrelas-guia numa galáctica noite sem lua.

A holografia domestificante, estampada sobre a vestimenta dessa vovó, que passa as tradições do medo como elemento necessário a vida; com o intuito óbvio de evitar o empreendimento dessa jornada de descobertas; se projeta agora, sobre esse tapete vermelho estendido; improvisado com a Capa Carmim da criança interior; o cardeal capuz da pessoa, usuária desse sobretudo, com a pretensão de precatar-se da suposta maldade lupina; a mesma capa usada para impedir à todo custo, a implementação dessa cogente jornada, aonde as pessoas existentes dentro da própria pessoa, finalmente deixariam o seu cercado, a fim de se apresentarem a si mesmas, reunindo os paradoxos e conciliando os extremos, dando as mãos aos mesmos lobos que tanto temiam; lobos que agora são vistos e percebidos, como as mesmas temidas sombras, outrora  refletidas por seu próprio espelho.

A passagem através desse magnífico portal, que vem a ser o espelho da vida, é o transporte que nos conduz, dos voláteis quereres maniqueísta da dualidade, para a sobriedade neutra das polaridades, fazendo com que abandonemos a condição de vítimas da conjuntura reinante, para assumir o lugar de testemunhas, dirigindo assim, os destinos das fortuitas ocorrências, oferecidas como regra pelo cotidiano.

É cogente a percepção desse lugar, que denominamos como Ponto Zero, a fim de que possamos nos tornar conscientes das energias dominantes na dualidade da existência, tornando clara a responsabilidade advinda das consequências, decorrentes das decisões de lidarmos com essas mesmas energias, na condição de reféns ou protagonistas.

Uma vez cônscios de, que, todas as nossas decisões são motivadas pelas frequências, que, uma vez transformadas em energias, alimentam o nosso subconsciente por meio das vibrações emanadas de cores, sons e imagens. Portanto, nutrindo com discernimento e parcimônia a nossa autoconsciência, será possível exercer conosco mesmo, o gentil cuidado e a sensibilidade, a fim de possamos convidar para um chá, logo após cear nesse faustoso Banquete de sentidos e sentimentos, o reflexo de todas as nossas sombras, projetadas sobre o espelho da vida; transformando assim, a nossa escura caverna, num solar vibrante, aonde os monstros; sem tribunal, nem religião; são respeitosamente amansados, de forma amorosa, através do autocuidado, autoestima e auto-honestidade.

Esse arrebatador processo, vem sendo motivado pela redescoberta do próprio fogo interior, gerador da revolução histórica desse homem, que, pensa que sabe, o que pensa; fazendo com, que, finalmente ele abandone a escuridão da sua caverna, iluminando-a através da própria Chama Criativa, que é o seu Fogo-Semente; essa centelha de vida, que outrora, fora usurpada e feita refém, por um equivocado pastor chamado Nero.

Do mesmo modo, nessa extraordinária Revolução do Bicho-homem, este obscuro império está a se desfazer, dissipando-se como nuvens ao vento, perante essa mesma chama, erguida como tocha acesa pela autoconsciência, no decurso dessa pesada peleja, sucedida entre a jubilosa luz e a nubilosa escuridão, de onde o ser humano ressurge, alçando o mitológico voo da Fênix, guiando impavidamente a sua matilha, através dos verdejantes prados Gaianos.



[1] Denominação dada ao tráfico de pessoas Africanas através do oceano atlântico.