As inúmeras pessoas existentes
dentro da própria pessoa, é aquela mesma pessoa que ama e odeia; constrói e
destrói, sendo anjo ou demônio, Divino
ou trevoso. Ela é o seu próprio
portal exibido em forma de espelho, por onde adentram todas as imagens emitidas
no dia-a-dia, resultante da projeção da sua relação com o outro e consigo
mesmo; transformando de tal modo, a própria pessoa num labirinto de diáfanos,
aonde as escolhas feitas são expostas, quando são executadas através do
discernimento advindo da autoconsciência, ou originadas dos pensamentos,
sentimentos e emoções provocados pela egrégora do ambiente externo, suscitando
um processo, que, peremptoriamente, conduzirá o dito-cujo ao seu apocalipse personal.
Cada imagem emitida que escolhemos para
prender a nossa atenção, é sintonizada por uma frequência por nós acolhida; iniciando
assim, um processo ideoplástico que holograficamente
concretiza toda a realidade ao nosso derredor, consolidando deste modo, a
experiência da Dupla Fenda, aonde a
energia em forma de ondas se
transformam em partículas.
Dessa maneira, tudo aquilo que
enxergamos no outro, efetivamente é projetado a partir do nosso interior, nos
levando a expor as nossas próprias sombras, para que as mesmas sejam acolhidas,
direcionadas e solucionadas; e como artesões que devemos ser na arte de viver,
precisamos delinear os contrastes e as nuances, necessárias a resolução dos problemas expostos no Quadro Negro dessa matemática da existência.
É dessa forma que a pessoa descobre,
que, o gelo também queima, e a teoria da relatividade passa a ser só mais um Quantum da realidade projetada por esse
espelho, aonde, de um polo ao outro, a energia é somente uma.
Portanto, olhar para o espelho da
vida, enxergando apenas as imagens sacralizadas pelo Inconsciente Coletivo, definitivamente nos induzirá a ser mais um
partícipe voluntário desse jogo de pinball,
que é realizado no interior desse labirinto que espelha e reflete cada
pensamento, emoções e sentimento emanados pelo jogador, movimentando assim,
esse jogo de atração e rejeição.
Após toda essa longa jornada, aonde
nos embriagamos, sorvendo do cálice das emoções trazidas por todos os sentimentos
sentidos; alcançando de tal modo, o nosso aludido apocalipse pessoal;
descobriremos enfim, que nós somos a bolinha desse jogo, que fora inserida e plasmada
como uma espécie de sonda, oriunda de uma Consciência
Maior, revelando-se agora, como sendo a essência do próprio jogador, vinda especialmente
para experienciar, nas profundezas sombrias da existência periférica, a
separação da sua própria luz, observando-se na dualidade dos seus polos.
Portanto, podemos inferir, que, é a
retórica do livre-arbítrio que nos impele a focar a nossa atenção, justamente naquilo
que consideramos como sendo certo, nos fazendo apartar daquilo que, aparentemente,
consideramos ser errado. Porém, seguindo essa premissa, de que, quando focando
no certo, teremos a certeza de estarmos corretos, da mesma forma, seguindo a
lógica, quando focamos naquilo que é errado, estaremos igualmente errados.
Contudo, nesse processo de se fazer juízo
de valor, classificando cada conduta como correta ou incorreta, vamos inferir
que tal categorização é simplesmente uma questão de ressonância, compreendendo finalmente,
que, o certo e o errado não existem; o que existe são experiências, e que, as
experiências pertencem exclusivamente a cada experimentador; mesmo que seja
vivenciada de forma coletiva.
Sendo assim, o fato de interferir ou
insistir em fazer da experiência do outro, a nossa própria experiência; é um
processo que efetivamente nos transformará em clones, produzidos e projetados através desse espelho, que vem a
ser o outro; nos levando assim, a estabelecer e consolidar uma sociedade de
androides, aonde reproduzimos experiências programadas em série, pasteurizadas a
partir de sentimentos planejados pelos sentidos alheios.
Dessa forma, se não nos servirmos
desse Santo Graal, que vem a ser o
nosso próprio cálice repleto das emoções a serem experimentadas plenamente; a
fim de que, ao sorvê-las, possamos reconhece-las; transmutando assim, as
sombras da nossa dualidade, transformando-as na sobriedade que repousa entre as
polaridades existente em nosso ser; de outra forma, ele, o nosso cálice, permanecerá
cheio, repleno com as realidades delineadas pelos sentimentos e emoções, emanadas
por aquele à qual cedemos o nosso poder.
Assim sendo, o nosso apocalipse,
exige que liberemos as experiências de emoções alheias, usadas por nós como
bússola, passando a assumir as responsabilidades de um ser humano adulto, que
reconhece em si, além da própria humanidade, toda a humanidade do mundo contida
nele mesmo. Inferindo, portanto, que, mudar a si mesmo, implica na mudança da
humanidade.
Só dessa maneira, a pessoa conseguirá
se desapegar dessa roda do hamster, que
fora estrategicamente arquitetada no interior desse labirinto, a fim de formatar
o looping dessa caverna contemporânea,
que proporciona a devida segurança psicológica, na dualidade vivida nesse espaço de tempo holográfico.
Sendo assim, somente rasgando os
véus dessa realidade imaginária, a holografia vigente virá a se fragmentar,
revelando a verdade dessa caverna em nosso entorno, que fora construída pelos manipuladores
do hipnótico projetor de meias verdades, e certezas ilusórias; manipuladores
que nós mesmos elegemos como representantes políticos e religiosos, definidores
dos nossos destinos.
Sendo assim, o fato de quebrarmos
espelhos, destruindo todas as imagens subliminares que materializam a nossa
realidade como tal, é um ato de honra, que requer muita coragem e integridade.
Portanto, é natural que a assunção
das responsabilidades desse heroico ato, se transforme num fato histórico, que
será alegremente entoado através das canções dos Menestréis, Aedos e Dielis, que se apresentam enquanto é servido
o Graal que celebra a nossa existência,
nos festejos realizados do lado de fora desse curral humano, que enfeita a pomposa
paisagem refletida nesse espelho, fixado no interior das cavernas dos Tempos Modernos, aonde Narcisos e
Medusas se miram enquanto são
engolfados pela escravidão mental e psicológica, reinante nos destinos dessa Necrópole, jocosamente conceituada como civilização.
O magnífico festejo desse ato, se
dará somente após sermos categorizados e taxados como rebeldes, conspiradores, lunáticos e ovelhas negra da família, pelos
eminentes habitantes desse curral humano, que se miram nesse hipnotizante
espelho, procurando e apontando um caminho inexistente, sem atinar, que, a única
saída dessa caverna, só pode ser acessada através do auto resgate.