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quinta-feira, 12 de março de 2015

Att, (A Teoria de Tudo)



Sabemos que o primeiro homem teve sua origem de fato no continente africano, assim como entre estes surgiram os meios que os possibilitaram sobreviver como ser pensante, característica esta que o difere do animal; ecce homo[i].

Tendo o primeiro homem nascido no planeta terra se originado na África, um continente negro, portanto, um homem negro, primaz, homo sapiens; surge assim a pergunta que não quer calar: ... E o homem branco (e sua obscena monstruosidade)...!? Com sua pungente arrogância e cortante estupidez que tanto o aproxima do nível animalesco dos vermes...!? De onde teria ele surgido...!!???
Ao contrário do que afirma o mito bíblico, ele decididamente não teve sua origem num mero bolo de argila e nem mesmo se aproxima do bolo fecal com que ele tanto se aparenta atualmente; mais sim, teve sua origem numa pedreira. 

O homem branco foi feito da pedra mais disforme e horrivelmente feia que se possa imaginar; pedra bruta sem nenhuma potência ou semelhança com algo que pudesse vir-a-ser qualquer coisa num futuro distante. A pedra dura da qual foi formatado, depois de lapidado num velho e frágil buril sem vigor para concluir o penoso trabalho, resultou num produto final desprovido de coragem e propenso ao aprendizado do medo como forma de autopreservação. Personificando-se, desse modo, numa serpente[ii]; tornando-se indulgente, indecente e arrogante, travestindo-se de palhaço ao fazer de sua existência um exuberante circo abundante em pão e cinismo a gosto.

Sendo um perfeito comédia e irremediavelmente um covarde-mor, fez da estupidez a razão de sua existência. Sua passagem pelo planeta terra tem demostrado o quão nocivo, astuto e desprezível tornou-se o homem branco, deixando um rastro de destruição e desolação onde quer que se encontre. Toda sua criatividade (negativa) e inventividade (mórbida) são dedicadas ao infortúnio do outro, do diferente, de tudo que não é seu reflexo, transformado ele mesmo em sua própria Circe[iii].

A pedra fundamental do homem branco serviu como munição para a funda do bíblico Davi adúltero, mesquinho e egoísta, que veio a fundar a nação dos imputáveis adúlteros, mesquinhos e egoístas contemporâneos. Este erro da natureza, chamado de homem branco, que na verdade é uma extensão dos inocentes e respeitáveis símios, vem dando provas de sua alta periculosidade para a existência da vida no planeta terra, uma vez, que mesmo insignificante, tornou-se um vírus mortal, biocida e suicida.

 A doença do homem branco é tão perigosa que se dissemina até nos homens de verdade; os homens negros. O primeiro sintoma é acreditar que ele (o homem negro) pode vir a ser branco, uma vez adquirido valores brancos. A partir desse momento, se instala a síndrome da branquitude que, infelizmente tornou-se caro, dispendioso e sem garantia de eficácia qualquer profilaxia ou mesmo o uso de quaisquer antídotos após a doença se instalar.

Uma vez que a síndrome da branquitude se instala, se faz necessário um dramático tratamento intensivo, dinâmico e uma ação pungente e incisiva que pode durar algumas poucas horas ou mesmo toda uma longa vida; como dito; não há nenhuma garantia de cura; visto que a cura depende única e exclusivamente da vontade do usuário.

O homem branco, de natureza atávica, não tem como se esquivar de seu destino de homem branco. Sua doença incurável, precisa de um Óleo de Lourenço único a cada usuário. Ele por si só, já é um paciente terminal, dependente químico de máquinas e mídias, nascido sem esperança, nascido branco; desgraçado por natureza.

A melanina, única substância que poderia resgatá-lo concedendo-lhe o privilégio de fazer parte do reino humano, o rechaça com todas as forças ao tocar sua pálida pele; com a mesma força com que a lepra se ligou a pele de Lázaro redivivo, ela (a melanina), foge de sua macilenta epiderme. Essa sina do infame homem branco é o fardo necessário para que ele se dê conta de si, e possa ter alguma possibilidade de evolução dentro de seu pedante desenvolvimento como branco originário dos símios.

Diante dessa Desharmonia Praestabelecita por está sub-raça, a raça do homem branco, faço uso do meu liberum veto[iv] para não me despersonificar como homem de verdade, como homem preto que sou, e dessa maneira, não me deixando enganar, não na condição de indivíduo ou de sujeito, mais na condição de ser humano.

Sabendo, pois, que o primeiro ser humano originou-se no continente africano, portanto podemos inferir que a raça humana, a única raça existente do planeta terra, é a raça negra. As (raças) variantes são adaptações. Essas adaptações belicosamente se voltaram para seus ancestrais se apropriando de tudo o que pertenciam aos mesmos; sua arte, seus conhecimentos, sua cultura e até sua história.

Agora, esses descendentes afro-adaptados, se outorgaram criaturas e donos da criação, empurrando pela goela abaixo suas pérfidas versões codificadas desses conhecimentos furtados e fraudados, tornando tais versões às únicas convenientemente verdadeiras. Esses hepistemicidas são criminosos contumazes. São arrogantes homens brancos sem história, já que renega a história negra, a história da raça humana.

A raça dita branca, medieval e inquisidora por natureza, faz do mundo azul um esgoto branco a céu aberto. Esse é o resumo da história da raça branca sem história e sem caráter, e do segredo através do qual mantém o controle desse sistema criado essencialmente para manipular ao bel prazer o que não é espelho.

Dessa maneira, esses afro-adaptados, conseguem reproduzir uma significante parcela de afro-assimilados; negros que almejam a branquitude através da reprodução das atitudes brancas; afro-assimilados que desempenham a função de imobilizar e coagir seus pares às vontades e desejos dos brancos, pondo-os a mercê e aos caprichos de meia dúzia de dois dirigentes escravocratas. A servidão é o mote que conduz pelo estreito curral urbano a sociedade sedenta de referências nos diáfanos que constrói a opinião pública de forma imagética, que formata cada personalidade, cada ethos, vontades e desejos.

A história do homem branco se resume às guerras, inquisições, nazismo e capitalismo. Portanto, torna-me forçoso afirmar que a branquitude é nosso feudalismo contemporâneo inescrupulosamente revisitado e implacavelmente potencializado. Esse é o espaço de lugares desiguais, aonde o planeta esférico abriga as diferentes coletividades individuais e individualistas, inescrupulosamente propagados e retroalimentados em prosélitos pelo palimpsesto[v] da branca bula meritocrática.

Assim, o homem branco tornou-se um legítimo bovino erudito e absoluto senhor dono do saber ruminado e, após devidamente codificado, foi regurgitado e transformado em repasto para servir ao rei da terra dos cegos, surdos e mudos; terra dos afro-adaptados e afro-assimilados; vassalos estes também conhecidos e reconhecidos como racistas voluntários; são esses racistas brancos e negros (afro-adaptados e afro-assimilados respectivamente) os fiéis guardiões que cuidam, incondicionalmente, da manutenção do controle nas mãos da infame braquintude.

Suas patas imundas se fazem sentir em todo lugar e em lugar nenhum, já que os poderes a eles conferidos só existem, e fazem sentido, para aqueles que lhes concedem tais poderes. Até o luto simbolizado pela cor branca no oriente, aqui se transformou em cor preta para ser possível fazer a relação do negro com tudo quanto fosse negativo e fúnebre, como a própria definição dada pelo dicionário branco à palavra negro, no idioma que a eles, eurodesgraçados, nunca pertenceu.

Criaram, de forma pérfida, todo um pano de fundo, um meticulosos e tenebroso cenário para justificar suas atrocidades, inventando até mesmo um ser divino chamado DIABO; figura essa até então desconhecida em todo o território africano, dado a sua completa inexistência até a chegada dos bondosos filhos do demônio, os Cristãos.

Desse modo, os brancos reinventaram o Cristo Negro embranquecendo-o e colocando as palavras certas em sua boca, desapropriando-o de seu lugar divino e, tornando-o sua imagem e semelhança, para que pudessem reinar por sobre toda a terra e sobre aqueles a quem a melanina pudesse se vincular a origem dos pecados capitais.

Feito isso, controlando o presente para que fosse possível dominar o passado e por extensão o futuro; a pérfida missão, resumida a uma saga de massacres historicamente centenários, homéricas chacinas e assassinatos categóricos espetaculares, teve início. Vivemos o ápice dessa monstruosidade branca que defeca por todas as suas fétidas entranhas exalando sua podridão. 

O cavaleiro que enfrenta esse monstro, não é nenhum santo raivoso e rico, trajando pesada armadura medieval, armado de escudo e lança. Mais sim, um sorridente, humilde e audacioso cavalheiro Negro de terno branco e chapéu Panamá que ginga fácil frente à face do malicioso monstro travestido sobre o disfarce pomposo de cavalo de Tróia, enquanto expectadores entre pão e circo, Papagaios e Maritacas, testemunham tal confronto na arena de Constantino[vi] em pleno século XXI.

Foi assim que a humanidade; me refiro a raça humana original, a raça negra; conheceu, assimilou e se apropriou do céu e do inferno inventado pelos brancos. Dando a César o que é do Czar, o negro ficou com o inferno dos brancos, enquanto esses mesmos brancos se apropriaram do Paraíso tropical dos negros, expulsando esses pretos de seus lares, dividindo suas famílias, além de crucifica-los em praça pública sob o sol do meio-dia.

Morte ao Cristo Negro e três vivas para César Bórgia[vii], Lucrécias[viii] Bórgias e todas as Esbórgias[ix] da branca vida vivida à custa das crucificações pretas de cada dia que nos dói hoje. Que os anjinhos pretos de asas brancas e crespos cabelos adornem os pesados caixões das carnes negras, enquanto os virtuais anjos loiros de asas negras sejam seus abutres antropofágicos a escarnecerem de sua descida ao inferno branco, ao lado de todos os Dimas[x], Josés[xi] e Joões-ninguém, devorando suas carnes ao vivo e a cores para o delírio do mórbido prazer da nefasta branquitude infame, escrota e arrogantemente hipócrita.



[i] Eis o homem; referência a Pôncius Pilatos apresentado Jesus a multidão.
[ii] Referência ao Pecado original bíblico.
[iii] Personagem da mitologia grega, uma feiticeira, filha de Hélio e da ninfa Persis. O episódio que a celebrizou foi o fato de aprisionar Ulisses em sua Ilha durante um ano e ter transformado seus companheiros em porcos.
[iv] “A liberdade de dizer não”. No antigo congresso polonês (1652-1791) o direito de cada membro de revogar as decisões a partir de seu veto pessoal.

[v] Pergaminho que era usado por diversas vezes devido à escassez do material.
[vi] Imperador romano que, se “convertendo” a religião Cristã, passou a crucificar todos os nãos cristãos. Desse modo, as crucificações como a de Cristo, passaram a fazer parte da rotina de todas as outras religiões, inclusive agnósticos e ateus.
[vii] César Bórgia, Duque de Valentinois, Cesare Borgia, Duca Valentino em italiano. Foi um príncipe, cardeal e nobre italiano da Renascença europeia. Filho de Rodrigo Bórgia, eleito Papa Alexandre VI em 1492, com Vannozza dei Cattanei, cujo rosto serviu de modelo para Leonardo da Vinci pintar o quadro de Jesus que conhecemos hoje como Cristo bíblico.
[viii] Irmã de Cesar conhecida por suas extravagâncias sexuais e por ser libertina ao extremo.
[ix] Trocadilho com a palavra esbórnia.
[x] O bom ladrão crucificado ao lado de Cristo bíblico.
[xi] Genitor virtual do Cristo bíblico.








SILÊNCIO...


Tudo que queria dizer e que não quero mais nada dizer; Tudo que quero dizer é que não tenho mais nada a dizer; mais a morbidez dos fatos tantos se repetem num funesto ad eternum; é como as gélidas águas tórridas em fuga de uma caudalosa cachoeira que passa sob um barco sem remo que minhas palavras sem rimas jorrando discursos no decurso sem recursos desse curso á gauche teimam em abrir o caminho das frases que tentam fugir em queda livre no abismo da surda audição...

Desse modo, o ruído rasante do abutre que circula sobre as bordas do curso do meu discurso, aforismos e máximas, que resiste em risque e em risco riscando a água em curso na superfície das brancas consciências, compete com o trovejar da queda d’água que se aproxima ao longe irrigada de contracorrente, contracultura e contra narrativas rimadas ao ritmo do remo ausente.

A palavra sem rima e arrimo, sem eiras nem beiras, pairando sobre as águas[i] se faz sólida salina, às vezes apimentada ou docemente melada e melindrosa ou mesmo eriçando a superfície do discurso como gato preto assustado no momento antecedente ao ataque ou fuga, ao cruzar a esquina, mormente.

A palavra dita, redita ou maldita mais nunca desdita, sempre ressoa na senda, mais no send[ii] seduz sem nada dizer, somente só mente aos sem mente, plantado a semente reluzente nessa gente que procura fugir das agruras espúrias presas nas linhas continentes da silente nação impiedosamente induzida, reduzida e perversamente seduzida às raias do defloramento de sua virgindade, feito Parcifal[iii]... Sem culpas ou desculpas na feitura da ditadura e reedição das ditas desditas malditas.

Silêncio...
Disse, digo e afirmo, sem medo de errar que hoje, assim como ontem, dificilmente o branco burguês pode se considerar humano, ou alegar ter um mínimo de humanidade, quando ignora as montanhas de cadáveres negros amontoados em cada esquina da vida diuturnamente como atração no centro das telas de TVs, adornando as capas das brancas revistas semanais e nos impropérios e prosélitos do capitalismo racisticamente antropofágico.
Não quero mais dizer o que já disse antes diante desse tétrico e vasto vácuo, usando as palavras que os demasiadamente desumanos[iv] engolem vorazmente pelo ânus e vomitam com intensa volúpia pela boca.

Silencio... Ao traduzir pessoas traduzindo silêncios, enquanto que minhas palavras soltas ao vento que impulsionam as velas da percepção, são embotadas pela falta do bem querer que, encarcerado ao próprio umbigo, faz brotar nos interstícios dos intestinos o enjoo desumano dessa humanidade regurgitada pós-banquete dos homens de bens, na sina assassina desse refluxo social.

Silêncio...
Quero desdizer tudo que já disse antes... De trás pra frente e da frente para diante, em versos diversos e reversos, mesmo que controversos...

Silêncio...
... Nada é mais silencioso do que a escopeta no momento imediato que antecede o tiro na cara preta... E como dizia Zaratustra[v]: ... Onde se pode adivinhar, se odeia calcular... Por isso calculo a distância e a velocidade de impacto do meu silêncio a queima-roupa... Pois se o Estado induz e conduz a sociedade à luta e põe a nação em guerra, para fazer parte da nação é preciso partir para um duelo[vi]. Pois essa a melhor forma de ingressar nela: através da batalha, escolhendo as armas e os inimigos. Este é o caminho viável ao privilégio da existência e poder finalmente, após nosso ex ungue leonem píngere[vii], testemunhar as auroras que ainda não brilharam...




[i] Referência a bíblia; Gênesis.
[ii] Linguagem da informática: significando “enviar” uma mensagem qualquer por meio eletrônico.
[iii] Nome de origem árabe significando algo como “tolo puro”, como um herói casto e ingênuo a prova de todas as tentações mundanas.
[iv] Trocadilho com o título do livro de Nietzsche “demasiadamente humano”.
[v] “Assim falava Zaratustra” (Nietzsche)
[vi] Referência a Nietzsche (Ecce homo).
[vii] “A partir de uma unha pintar um leão”; referência ao filósofo grego Plutarco.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sobre as leis da branquitude

É incrível o poder da estupidez científica que grassa hoje na autointitulada classe do conhecimento. Estupidez essa que tem força de verdade sacralizada e sacramentada, fundada nos trilhos construídos pela própria ciência, aonde ela, a ciência, caminha de forma confortável e conveniente, uma vez que sua arrogância a mantém a salvo de qualquer contra narrativa; já que na contemporaneidade a verdadeira verdade é tão comum, tão vulgar, que passa sempre despercebida quando não prestamos a devida atenção nesse ad eterno turbilhão dos discursos branco que nos metralha diuturnamente, nos fuzilando como num moto perpétuo.

Foi assim que um negro, um Babalorixá chamado Nina Rodrigues, homem de ciência, numa atitude Lombrosa, propôs um código penal específico pra gente de sua própria espécie: o homem de cor; Fazendo uso da frenologia, ele cientificamente decidiu que poderia descobrir o criminoso antes que o crime acontecesse da forma mais branca possível: condenando o homem negro.

Desse modo, engendrou a tese do atavismo como justificativa determinista, dando bases para que a eugenia fosse a política social que definitivamente veio se efetivar e se sustentar até os dias atuais, sem contestações ou qualquer voz da casta dos intelectuais  da situação se levantasse e fizesse frente a esse espetacular Genocídio do Povo Negro Brasileiro.

Desde então, qualquer negro que se levante contra sua própria espécie passou a gozar de privilégios e direitos especiais entre a branquitude, e obviamente, essa é a condição que parece fazê-lo sentir-se humano ou, mais ou menos humano: praticando a desumanização de seus pares.
Dessa maneira presenciamos o trabalho dos valentes policiais pretos, dos honestos juízes e desembargadores pretos, dos advogados e promotores pretos, dos políticos pretos e assim por diante, que fazem o trabalho sujo do branco, enquanto esse mesmo branco decide os rumos da nação como deuses do alto de seus olimpos particulares.

Assim, a forma mais conveniente para de um negro tornar-se gente é decididamente embranquecer. Como é de menino que se torce o pepino, é bastante comum encontrar nossas crianças pretas a caminho da escola com suas vistosas mochilas de princesas loiras estampadas como destaque do valor branco, lendo revistas e livros brancos que contam a história arquitetada pelo branco; camisas com heróis brancos no peito de cada adolescente e ídolos brancos colados nas paredes de seus brancos quartos; enquanto nossas novelas, filmes, noticiários e comerciais escracham a negritude e o significado de ser negro desdenhando quem o seja, enquanto sequestra valores negros e colocam as favelas e comunidades em estado de sítio e o Povo negro como refém.

Consequentemente, encontrar Pelés, e correlatos como Nina Rodrigues, Monteiro Lobato e Cia, tornou-se lugar-comum visto ser a fuga preferida dos pretos assimilados e conformados pelo sistema eugênico nacional. Esse é o único motivo pelo qual o movimento negro é o que é, e as políticas de Reparação desse crime continuado que foi e é a escravização do povo negro, continua ser, de forma hedionda, perpetrado.

A atual classe do conhecimento é ciente dessa condição e contribui muitíssimo para que o capitalismo cognitivo se perpetue toda vez que pratica o hepistemicídio, seja por vaidade, egocentrismo e/ou hipocrisia, unidos a sua disputa pelo poder. A expropriação e apropriação da riqueza e da cultura do outro é algo feito de maneira estúpida e ao mesmo tempo assimilativa, de forma subliminar e sutil. São formas diversificadas, sendo cobertas todas as possibilidades de qualquer tipo de reação ou de ação contrárias, daquele que é oprimido e expropriado objetiva e subjetivamente de suas potencialidades.

Desse modo o próprio oprimido torna-se opressor, depois de assimilado pelos essenciais e cruéis princípios deterministas da branquidade; Princípios esse preconizados há muito por Willian Linchy.
A mente da pessoa de cor e de afrodescendentes, deformada e formatada, segundo tais princípios, encontra-se num sanatório criado pela branquitude, sendo fortificado por ele próprio, o homem de cor, que impede a si mesmo das possibilidades de cura, menos ainda de sua auto cura. Nosso hospício urbano tem sua prescrição de tratamento realizado diuturnamente pelos senhores da mídia, que faz uso doutoral e eficaz do saber do próprio povo negro para controla-lo. O mundo da Senzala foi recriado pela TV e esse zoológico negro exibido nas telinhas faz com que o negro acredite que seu inferno pertence, na verdade, ao seu duplo.

Dessa maneira, o negro sempre confere esse cruel sofrimento e sua negritude estampada na pele, ao outro; visto que a mídia apresenta essas miríades e gradações fazendo-o diferir de sua própria etnia; fazendo dele sempre escravo das ideias que a branquitude construiu dele, e não pela cor de sua cara preta ou pelo crespo de seu cabelo.

A religião, outrora no monopólio da verdade de ocasião; após passar o bastão do racismo para as ciências, confirmadora dos princípios da raciologia, cumprindo sua função cultural; o passou para a mídia, manipuladora dessa verdade manufaturada de cada dia que nos dói hoje, consolidando assim esse esporte espetacular da branquitude, que habilmente não deixa o bastão da infâmia cair, durante esse dinâmico show malabarístico contextualizado pelo pão e circo.

Desse modo, as grades invisíveis dessa Prisão Mental, Senzala espetáculo, tornou-se a principal atração em horário nobre para o próprio prisioneiro; esse prisioneiro que, a exemplo do cão de Pavlov, espera pelas migalhas jogadas dos Cândidos banquetes, como prêmio de reconhecimento do seu dono branco. Quando esse portador de melanina em demasia se torna inconformado, o chicote do feitor lhe transmite toda a dor através dos punhos dos negros embranquecidos pelas mãos do branco imperador.

De tal modo, o negro se acorrenta ao infame poste da vergonha num religioso ritual diuturno de autoflagelo, cumprindo a mitológica profecia branca, construída para ser a sustentadora do poder branco. Dessa maneira, a função do pelourinho contemporâneo desempenhado pela mídia, tornou-se uma arma devastadoramente limpa, mais poderosa que qualquer força atômica ou correlata, pois as baixas provocadas pela mesma são massivas e não deixam marcas passíveis de criminalização perante as devoradoras leis da branquitude.

Nesse campo de batalha a luta ocorre sem que o negro tenha a possibilidade de se armar, chance de se proteger ou mesmo se defender, ao mesmo tempo em que esse combate acontece sobre a égide da meritocracia. Portanto, é dessa maneira única que a meritocracia branca se traduz, e é aceita e legitimada como principal termo de negociação nesse campo de disputa por igualdades e diferenças, verdades e saberes.




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Super Mercado Negro do Shopping branco contemporâneo

Negócio é negócio... tudo é negócio... O capitalismo se resume a esse sagrado conceito de Mercado, que leva o indivíduo a ostentar sua arrogância como máxima de sua existência definindo-o ser que se diz humano.

Tudo é novo nesse velho conceito capital que mostrou sua atual face nos porões dos tumbeiros de forma magistral. Os produtos desses negreiros aqui chegando, os escravizados, que perderam neste sinistro caminho de água e terror, seu chão, suas roupas, sua religião e até seu nome, pois aqui chegando foram chamados de pretos novos; após se transformarem em objetos; ganhando novo nome, religião e identificação.

A cidade onde habito hoje, e aonde nasci preto como filho de preto: São Gonçalo, aqui mesmo no Rio de Janeiro; cidade com nome de santo branco; é o Município que congrega o maior número de negros no Brazil e também o município com o maior número de evangélicos do mundo, local aonde eu, preto, fiz meu desmundo.

Certamente os políticos dessa cidade, muitos dos quais negros e evangélicos, são extremamente competentes na observância dos bons costumes brancos aqui impostos e cobrados como impostos. Vejamos os fatos que me leva a tal peremptória afirmação: a prefeitura, principalmente na gestão Panisset, proibiu o uso de atabaques nas aulas de capoeira ministradas nas escolas públicas do município em questão, isso após ordenar a queima do material didático abordando a História e a Cultura Afro, A Cor da Cultura, que fora enviado pelo governo federal para todas as escolas do referido município após a promulgação da Lei 10.639/03; além de ordenar a derrubada do primeiro templo de Umbanda do Brasil, local onde iniciou-se a prática de matriz afro sincrética no país. Ações como essas tornaram-se lugar comum na sociedade Gonçalense, sem estranhamento ou qualquer atitude contrária comovente, só perversidade na mente com sintomas demente.

Como professor nesse cruel e espetacular paraíso racial, trabalhando com o referido tema há vinte anos numa escola de pensamento branco total como manancial, bem como todas (escolas) nessas embranquecidas paragens brasilianas, tenho que trabalhar concorrendo com o corporativismo branco assimilado pelos (negros) embranquecidos. Nesse caso, inevitavelmente fui condenado por apologia ao racismo ao contrário.

Tento explicar que não é bem assim, que até tenho amigos brancos, que tive já um avô branco e que até já namorei uma branca; mais parece que essas justificativas não foram suficientes para que deixassem de me acusar de preconceito contra branco... Um absurdo...!! Uma aberrante dissociação cognitiva gritante...

Meus acusadores são pessoas de embranquecido respeito, que trabalham em prol da igualdade racial e louvam as Ações Afirmativas. Ou seja, são exemplos nesse mercado educacional onde o preconceito racial transformou-se em defesa de interesses e racismo é só um mero e prosaico negócio, é disputa de poder.

Esse Black Friday Pedagógico é o negócio de ocasião que jorra nas públicas promoções de efemérides dos currículos nosso de cada dia, onde os clãs da branquitude determinam o lugar dos neguinhos assimilados pelo embranquecimento cotidiano promovido pela mídia ao longo de cada ano.

Desse modo, neguinho acaba fazendo branquices quando entra, quando sai e também no meio. A lista branca é longa e as branquices são muitas. Branquinhos se protegem num corporativismo quase animal, e agora ainda contam com neguinho pra fazer seu trabalho sujo; o fiel capitão-do-mato que cumpre seu papel a risca. Bem em relação a isso, só posso dizer uma coisa: branquinho é Foda... Se a gente não se ligar, e se nosso xadrez não se vestir de preto e vermelho, 10.639 cairão nossa esquerda assim como 11.645  já caíram a nossa direita, e a branquice estará completa, pois isso, só pode mesmo ser coisa de branco...!!



Reafirmo, não sou racista ao contrário, já que raça branca é só uma lamentável e estúpida construção social, um lastimável engano. Ou seja, raça branca não existe, portanto, assim como qualquer branco, não sou racista... Já tive até uma calopsita de cor branca...Quer mais o quê...!? Só por que não sou preto novo e fui negro de Senzala, não quer dizer que seja racista ao contrário, muito pelo contrário...Sou totalmente o avesso do inverso desse reverso ao contrário...Quer prova melhor...!? Creio que não sejam necessários uns 10.369 tapas na cara pra branquinho acordar pra realidade e parar com essas branquices... 

Já que isso não deve, não pode e não vai passar em branco... Racistas não passarão. Ainda mais esse horror de negro gozar de direito para exercer o preconceito contra a própria cor, nessa eterna guerra pelos domínios de territórios, onde nesse campo de batalha, o exercício da alteridade implicaria positivamente na aceitação do branco como um criminoso, um estuprador, num contínuo processo de auto reconhecimento que necessariamente requer sentir extrema dor; visto que essa aparente imunidade, da prática criminosa contra a própria espécie, nunca reinará na impunidade prometida como prêmio por esse mercado marcado pela improbidade; onde somos produtos enlatados nas prateleiras atrativamente brancas, com a carne negra sendo consumida vorazmente de forma antropofágica, ao mesmo tempo em que é exibida como um lindo filme de terror sendo atração principal desse carnavalesco funeral da humanidade desumana...É preciso erradicar essa peste branca dessa clara idade mental medieval...