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quinta-feira, 12 de março de 2015

SILÊNCIO...


Tudo que queria dizer e que não quero mais nada dizer; Tudo que quero dizer é que não tenho mais nada a dizer; mais a morbidez dos fatos tantos se repetem num funesto ad eternum; é como as gélidas águas tórridas em fuga de uma caudalosa cachoeira que passa sob um barco sem remo que minhas palavras sem rimas jorrando discursos no decurso sem recursos desse curso á gauche teimam em abrir o caminho das frases que tentam fugir em queda livre no abismo da surda audição...

Desse modo, o ruído rasante do abutre que circula sobre as bordas do curso do meu discurso, aforismos e máximas, que resiste em risque e em risco riscando a água em curso na superfície das brancas consciências, compete com o trovejar da queda d’água que se aproxima ao longe irrigada de contracorrente, contracultura e contra narrativas rimadas ao ritmo do remo ausente.

A palavra sem rima e arrimo, sem eiras nem beiras, pairando sobre as águas[i] se faz sólida salina, às vezes apimentada ou docemente melada e melindrosa ou mesmo eriçando a superfície do discurso como gato preto assustado no momento antecedente ao ataque ou fuga, ao cruzar a esquina, mormente.

A palavra dita, redita ou maldita mais nunca desdita, sempre ressoa na senda, mais no send[ii] seduz sem nada dizer, somente só mente aos sem mente, plantado a semente reluzente nessa gente que procura fugir das agruras espúrias presas nas linhas continentes da silente nação impiedosamente induzida, reduzida e perversamente seduzida às raias do defloramento de sua virgindade, feito Parcifal[iii]... Sem culpas ou desculpas na feitura da ditadura e reedição das ditas desditas malditas.

Silêncio...
Disse, digo e afirmo, sem medo de errar que hoje, assim como ontem, dificilmente o branco burguês pode se considerar humano, ou alegar ter um mínimo de humanidade, quando ignora as montanhas de cadáveres negros amontoados em cada esquina da vida diuturnamente como atração no centro das telas de TVs, adornando as capas das brancas revistas semanais e nos impropérios e prosélitos do capitalismo racisticamente antropofágico.
Não quero mais dizer o que já disse antes diante desse tétrico e vasto vácuo, usando as palavras que os demasiadamente desumanos[iv] engolem vorazmente pelo ânus e vomitam com intensa volúpia pela boca.

Silencio... Ao traduzir pessoas traduzindo silêncios, enquanto que minhas palavras soltas ao vento que impulsionam as velas da percepção, são embotadas pela falta do bem querer que, encarcerado ao próprio umbigo, faz brotar nos interstícios dos intestinos o enjoo desumano dessa humanidade regurgitada pós-banquete dos homens de bens, na sina assassina desse refluxo social.

Silêncio...
Quero desdizer tudo que já disse antes... De trás pra frente e da frente para diante, em versos diversos e reversos, mesmo que controversos...

Silêncio...
... Nada é mais silencioso do que a escopeta no momento imediato que antecede o tiro na cara preta... E como dizia Zaratustra[v]: ... Onde se pode adivinhar, se odeia calcular... Por isso calculo a distância e a velocidade de impacto do meu silêncio a queima-roupa... Pois se o Estado induz e conduz a sociedade à luta e põe a nação em guerra, para fazer parte da nação é preciso partir para um duelo[vi]. Pois essa a melhor forma de ingressar nela: através da batalha, escolhendo as armas e os inimigos. Este é o caminho viável ao privilégio da existência e poder finalmente, após nosso ex ungue leonem píngere[vii], testemunhar as auroras que ainda não brilharam...




[i] Referência a bíblia; Gênesis.
[ii] Linguagem da informática: significando “enviar” uma mensagem qualquer por meio eletrônico.
[iii] Nome de origem árabe significando algo como “tolo puro”, como um herói casto e ingênuo a prova de todas as tentações mundanas.
[iv] Trocadilho com o título do livro de Nietzsche “demasiadamente humano”.
[v] “Assim falava Zaratustra” (Nietzsche)
[vi] Referência a Nietzsche (Ecce homo).
[vii] “A partir de uma unha pintar um leão”; referência ao filósofo grego Plutarco.

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