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quinta-feira, 4 de março de 2021

Sobre o Tempo Fractal como Fonte Criativa

Quando o tempo perguntou para o Tempo, quanto tempo o Tempo Teria, Ele respondeu que não tinha tempo, já que Ele era o Próprio Tempo; portanto, Ele, como dono dele mesmo, tinha todo e qualquer tempo, o Tempo todo e a qualquer Estação. Nesse ínterim, muitos optaram por possuir o relógio como bússola, enquanto outros escolhem ter o tempo como guia. 

Assim, o Tempo, como Senhor de todas as coisas, foi posto por muitos indivíduos, num plano secundário; tornando-se um ilustre desconhecido, por todos estes que optaram por viver do passado enquanto pensam num possível futuro.

Foi dessa forma que, espertamente, o proprietário desse tempo linear, estabelecido e consumado pelo relógio, se apropriou do controle absoluto sobre essa massa consumista e consumida pelos insistentes, incessantes, enlouquecedores e repetitivos tique-taques desse medidor, reprodutor de rotinas, toques e depressões escritas, descritas e prescritas nas profiláticas bulas psiquiátricas e bíblias terapêuticas; visto que, o tempo de vida desse indivíduo e a sua força ativa, foram cedidos ao dono desse relógio transformador de sentimentos e fabricante de comoções, servindo aos senhores da guerra financista.

Tais medidores já caducos e cadentes, de desgastantes a desgastados, de tão corroídos se quebraram, sem que os seguidores dos tique-taques se dessem conta do ocorrido. Dessa forma, eles roboticamente continuam, em ordem unida, a sua mecatrônica marcha, supondo ainda ouvir o som desse metafórico látego cortando o tempo-espaço, ditando o ritmo de cada um de seus passos a caminho do cadafalso das fábricas dos Tempos Modernos.

Deste modo, esse apito fantasma que marca a hora do almoço, anunciando a entrada e a saída da labuta diária, continua a aterrorizar, por meio dos intimidadores números grafados como índice de valor, trazidos no canhoto dos contracheques, ao instituir futuros inexistentes constituídos por um passado de carências, estabelecendo assim, um sedutor presente de grego.

Tudo isso acontecendo, enquanto o tempo circula, análogo a uma locomotiva sobre seus trilhos, que, contínua e ininterruptamente, circunda o orbe, passando e repassando por todas as estações da vida, em seu tempo único, numa espiral circular. Dessa maneira, o passado e o futuro se fundem num eterno agora, aonde a mudança é o único fato permanente.

Portanto, aqueles que abraçaram o relógio como guia, habituaram-se a rotina das sombras e as suas nefastas recorrências como destino inexorável. Diferente daqueles que vivem o presente, que não conhecem o peso do que já se passou ou daquilo que ainda virá, pois ambos; passado e futuro; são definitivamente nulos, visto que eles vivem nesse Tempo sem tempos; diferentemente daqueles que lutam pela sobrevivência num cotidiano sem vida, senso ou razão de não ser o que se é; já que atendem aos quesitos e requisitos ditados por esses ponteiros que apontam o seu modo de pensar a realidade, o seu sentir e sua forma de reagir diante da Ordem ditada e do Progresso determinado pelos proprietários dos Tempos Modernos; essa mesma Ordem que instituiu a linha de produção e o consumismo como modo de Progresso exclusivo dos controladores desse processo.

A força ativa e o tempo de vida dos escravizados mental, classificados pelo sistema como trabalhadores e profissionais, tem o seu tempo contado e medido pelo consumo e pelo status quo, sendo continuamente apaziguados por meio da emissão de diplomas e certificados aplacadores de egos que exigem sempre mais, a fim de atender o seu modus vivendi.

Dessa forma, a consciência se alija da vida de fato e direito, abrindo caminho para a inconsciência de si mesmo. De tal modo, a fatalidade de um inexorável destino, tal como o destino de Sísifo, por mais que o indivíduo tente a fuga, tal destino vai se repetir a cada Estação, na qualidade de mais um residente da inconsciência humana, como um processo trazido e traduzido pelo inconsciente coletivo; coletivo formado por indivíduos devidamente adestrados e domesticados.

Portanto, somente quando o indivíduo abdicar desse inconsciente coletivo e mergulhar no silêncio do seu agora, o seu presente se tornará eterno, e o sujeito, imortal. Qualquer fato diferente desse acreditar, faz parte da ampulheta que comprime e oprime o indivíduo qualificado como servo, escravo de um tempo sequestrado pelo gongo adestrador e domesticador de suas emoções.

Nesse processo promovido por Pavlov, o sino da igrejinha substitui as batidas do coração, enquanto o pelourinho se transformou em carteira assinada, certificados e diplomas. Dessa maneira, testemunhamos então, a sabatina do Time is Money se transformando numa homilia, ditada e editada por uma espécie de regra de ouro coach, transformando os cinco sentidos em frias correntes, que fisgam, nas fatalidades do destino do incauto neófito, o prêmio que o qualifica como funcionário padrão.

Ceder o seu Tempo é ceder o seu Poder, seu querer, seu viver. Viver o seu Tempo é fator de decisão; é ter a coragem para ter a ciência de que tudo começa em você; sabendo desse Tempo circular, que é um ponto que circunscreve o seu próprio círculo, como os grãos de areia que cobrem as inúmeras praias do mundo, sendo o próprio mundo; aonde cada um desses grãos, cobrem os Universos e Multiversos, que por sua vez, preenche a imensidão do infinito Cosmo como um só.

Assim sendo, cada pensamento cunha uma realidade, e cada intenção, cria uma nova linha de Tempo quando nos desprendemos dessas metafóricas correntes, cujos elos representam cada tique-taque que nos cerceiam, adoecendo o corpo, a mente e o espírito; grilhões habilmente confeccionados, como adornos que tatuam o coração da pele preta, pelos escravagista de plantão.

 

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