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quinta-feira, 27 de junho de 2019

A Arte de Conversar com Meninas

Hoje, passeando distraidamente pelas festivas e inflamadas ruas das cidades de Gaya, curiosamente fui olhando para cada janela que encontrava pela frente; vi muitas delas completamente fechadas em pleno Sol de meio-dia; até vi algumas timidamente entreabertas, disfarçadas com cortinas, com véus, persianas e blackouts; mas para minha mais completa felicidade, vi também diversas janelas alegremente abertas; eram janelas das mais variadas cores e de tipos genéricos. Cada uma delas era um incrível universo que me fazia extasiar ao expor suas criatividades discursivas cultivadas no jardim interior.


Claro que não me contive, e tive que chegar mais perto para vislumbrar cada mundo apresentado por tais janelas. Quando cheguei bem perto e olhei através da vidraça, puder ver belas meninas negras se despindo ao meu olhar, ficando completamente nuas. Estanquei no mesmo lugar e ali mesmo onde estava, completamente maravilhado, passei então a observar o encontro dessas meninas negras com meninas verdes que ali também chegavam; além das lindas meninas azuis se encontrando com meninas castanhas guerreiras, e até vi meninas albinas exibindo em meio a seu peito completamente desnudo, uma tatuagem em forma de círculo com vistosas cores opostas em revezamento.

Ao observar toda aquela transparência de cada menina nua, notei que cada uma era um completo Multiverso e Anverso sintropicamente iguais, com diversos universos paralelos, circulares e simultâneos, singularmente revelados por essas belas tatuagens circulares em comum, expostas sobre seus seios que, apesar de diferentes, era uma somente.

Essas meninas, completamente nuas e sem vergonha de serem felizes, ao perceberem que eu as olhava, carinhosamente me abraçaram e se abraçavam a cada gesto, mesmo sem as palavras pronunciadas a cada silêncio sussurrado nos gritos surdos dessa intensa celebração.

Até as meninas dos homens mais sérios que passavam na hora, não se contiveram nesse momento tão especial, abraçando-se também, mesmo sem braços, durante essa festa de encontro entre o recato tímido das meninas da Avenida Ying e a fogosa intensidade das meninas da Avenida Yang.

Sair de casa é isso: é abrir as janelas da alma para festejar nas ruas de Gaya, celebrando entre as meninas de todas as cores esse presente de todo futuro encontrado em cuja casa se ache com a janela aberta para o jardim da vida, em todos os dias e noites de todos os anos, faça Sol ou faça chuva; sem hora para começar ou terminar.

Portanto, é sempre bom manter os olhos abertos, seja nas bucólicas ruas dos subúrbios, seja nas misteriosas vielas das favelas ou mesmo nas amplas e extravagantes Avenidas abiloladas das metrópoles biônicas; mesmo que para isso, seja preciso fechar os olhos para ver melhor, a fim de sentir mais profundamente o pensamento de cada menina. Que o verbo se faça carne, e que se inicie os invisíveis diálogos surdos-mudos com as meninas nas janelas de todas as primaveras para que floresça nosso Éden interior...




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