Se a colossal generosidade de Gaya
não mais pudesse ternamente nos manter em seu seio, no acalanto de seu
eterno abraço, certamente despencaríamos no umbral do vácuo sideral, indo para
além da matéria escura, numa viagem que, provavelmente, transmutaria nossos corpos em antimatéria a bordo desse hercólubus,
ao consumir, como ácido, as nossas derradeiras artérias.

Mas, a Mãe Terra, que ressuscita e dá a vida, sempre nos mostra gentilmente os caminhos
iluminados pela verdade; enquanto nós, paradoxalmente, julgando pelas aparências tomadas como verdade por nossa íris puramente física; de olhos bem abertos; enxergamos somente as holografias nossa de cada dia, criadas por nós mesmos, como
se fora um véu que adorna o real, que se esconde entre as sedutoras ilusões, como
quimeras protetoras de nossa consciência, com intuito de fugir da própria escuridão que nos cega até a imaginação.
Abraçar a cada ser vivente ou senciente,
é abraçar Gaya; e a cada abraço apertado, vendo a si mesmo no outro, vai se formando gradativamente uma gigantesca
rede de abraços que carinhosamente, envolvendo a Gaya, faz com que possamos enfim,
corresponder a esse milagroso amplexo, retribuindo a candura com que ela nos
abriga em seu seio, nos alimentando de vida durante nessa caminhada sobre as trilhas da Via Láctea.
É essa rede tecida com ternos
abraços, embalando e acalantando a energia da vida, que vai transformando, de forma
fractal, o microcosmo em macrocosmo. Dessa forma, deixará de haver as causas e efeitos sobre esse tecido de luz confeccionado com células biológicas, que possa vir a ser abarcada nessa gentil, fraterna e terna rede de amplexos em torno de Gaya.

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