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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Carta Aberta aos Estudantes Black And White: É Verdade esse Bilhete...!!

A vocês, minhas amadas e amados estudantes, pesquisadores e mestres, aos quais eu tenho, no decorrer de todos esses anos, trazido o audacioso e atrevido desafio de propor que deixem a zona de conforto criada por essa estrutura a qual o sistema educacional perversamente colonizado pertence, e que nos mantém circunscritos numa bolha de conhecimento formatada nos recônditos dos porões da idade média; por isso tenho trazido a Lei 10.639 e a lei 11.645 como uma maneira de redefinir os paradigmas que a nos foi imposto como verdade única pela história oficial manufaturada.

Quando sabaticamente proponho olhar em volta do senso comum, observando com perspicácia a sua forma e a raiz de sua origem, para tentar perceber orbitando em torno dele justamente o que está sendo invisibilizado, silenciado e apagado de maneira sub-reptícia, exatamente como no filme por nós assistido intitulado “O quarto de Jack”, que expões esse processo de desbravamento do lado de fora dessa bolha que nos envolve, ´certamente vamos inferir que o subterfúgio usado pelo sistema oficial, é sutil e ao mesmo tempo deslavado, pois parte do princípio que, a melhor maneira de se esconder qualquer coisa, é a deixando a vista; e em nosso caso, trata-se daquele elefante embaixo da mesa que todos silenciam a respeito de sua presença quando a mídia dá sua versão sobre o fato.

Nossa história, assim como a ciência oficial, a fim de moldar a natureza humana, criou uma caixa de verdades repletas de escaninhos, onde a verdade manufaturada foi fragmentada e acondicionada, e depois sensualmente exposta nessa caixa-vitrine concebida da mesma forma que uma construção barroca, onde tal arquitetura exibe suas paredes totalmente preenchidas e cobertas por esculturas, pinturas e demasiados ornamentos por todos os lados, fazendo com que os excessivos adornos cubram todo o espaço, inflando-o de informações que escondem quaisquer resquícios da escandalosa parede nua, exatamente como se inviabiliza a verdade crua. Foi assim que a “ciência” construiu nossas verdades.

Pegando o exemplo de quando essa mesma “ciência” atribuiu as estradas construídas pelos indígenas há centenas de anos; estradas estas que iam dar em lugar nenhum; e sentenciou que tais estradas foram construídas em obediência a uma ordem dada pelos seus Deuses, mesmo que tais estradas, quando observadas de cima, revelem claramente a existência de uma pista de pouso, esses cientistas ignoraram quaisquer indícios nesse sentido, vendo o fato a partir de sua realidade própria ao considerar tais indígenas como silvícolas, denominando-os como índios e as suas comunidades como tribos.

A confecção inteligente dessa estratégica zona de conforto nos condicionou, nos acondicionando, ao nos fazer prisioneiros, numa bolha de conhecimento extremamente conveniente ao controlador do fluxo de informações e conhecimentos, fazendo com que a gente reproduza um comportamento padrão, passando a agir como peixinhos dentro de um aquário que desconfia da existência de algo além do vidro, mas, sem, no entanto fazer a mínima ideia do que estaria do lado de fora e menos ainda do conceito de lagoas, de rios, mares ou oceanos. Ou seja, a gente não sabe o que a gente não sabe, e nem desconfia que nem sabe que não sabe.

Dessa forma, aninhados nessa bolha, passamos a considerar o universo a partir do nosso umbigo, de forma cartesiana, egoísta e pretensiosa, ignorando não só as inúmeras dimensões existentes nos diversos Universos paralelos, como também a diversidade dos incontáveis Multiversos isomorfos.

Nossas instituições, como família, religião e escola, etc. nos adestraram dizendo o que fazer, como fazer e quando fazer; o que somos, o que não somos; o que devemos e o que não devemos ser. A maneira com que a nossa ciência legitimou e oficializou essa caixinha de procedimentos e comportamentos, pode ser comparada com aquela construção gótica, edificada com centenas de maravilhosos vitrais, que sedutoramente projetam suas imagens coloridas refletidas calidamente através da luz do sol, mostrando religiosamente suas versões da verdade meticulosamente manufaturada, dissimuladamente imagética, tal como a mídia o faz; e como lembrava o filósofo Bruce Lee quando anunciava que a verdade é como um dedo apontado para a lua, ao passo que nos advertia veementemente para não nos determos na imagem do dedo apontado, mas sim, na lua, como fonte real dessa verdade.

Podemos afirmar, dando o exemplo daquele homem das cavernas que encontra um computador em seu quintal, que não sabe o que fazer com o achado por desconhecer por completo o próprio conceito de computar ou de computador; nós também não sabemos o que não sabemos, e nem desconfiamos que nem sabemos que não sabemos.

Portanto, esse desafio que trago através da Arte Decolonial, visa desvelar as inúmeras camadas com as quais essa bolha de conhecimento foi meticulosamente blindada, transformando o processo do bem viver numa prisão sem grades, e a vida, numa escravização perene, onde esse escravizado, uma vez envolto em sua bolha, é insidiosamente acometido pela Síndrome de Estocolmo, defendendo aguerridamente o esse escravizador de estimação que o submete de forma psicológica, filosófica, física e religiosa.

Enfim, mesmo ciente de que, cada fruto de uma mesma árvore, amadurece cada qual a seu próprio tempo; eu ouso desafiar a todas e todos, convocando-os a fazer parte do caminho-processo que leva a esse prometido jardim do Éden, que a nossa zona de conforto, com seu sedutor véu de ilusões, vem teimando encobrir, para disfarçar o seu cheiro, seu gosto, deletar sua imagem e até mesmo evitar a sua anunciação.

Estou plenamente ciente de que são inúmeras camadas de histórias encobertas, de culturas adulteradas e de livros falsificados com o objetivo único de blindar o indivíduo em sua zona de conforto. São centenas de milhares de dólares gastos diuturnamente a fim de criar múltiplos cenários com fascinantes paraísos artificiais e padrões únicos de beleza, a fim de ditar códigos de condutas nesse mitificado labirinto social computadorizado, fazendo com que o indivíduo se torne um personagem de si mesmo.
Nosso desafio, minhas queridas e meus queridos, é Ser...!!

Fraternalmente, Prof. Rael Rasta


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