A vocês,
minhas amadas e amados estudantes, pesquisadores e mestres, aos quais eu tenho,
no decorrer de todos esses anos, trazido o audacioso e atrevido desafio de
propor que deixem a zona de conforto criada por essa estrutura a qual o sistema
educacional perversamente colonizado pertence, e que nos mantém circunscritos numa
bolha de conhecimento formatada nos recônditos dos porões da idade média; por
isso tenho trazido a Lei 10.639 e a lei 11.645 como uma maneira de redefinir os
paradigmas que a nos foi imposto como verdade única pela história oficial manufaturada.
Quando sabaticamente
proponho olhar em volta do senso comum, observando com perspicácia a sua forma
e a raiz de sua origem, para tentar perceber orbitando em torno dele justamente o
que está sendo invisibilizado, silenciado e apagado de maneira sub-reptícia,
exatamente como no filme por nós assistido intitulado “O quarto de Jack”, que expões esse processo de desbravamento do lado
de fora dessa bolha que nos envolve, ´certamente vamos inferir que o subterfúgio usado pelo
sistema oficial, é sutil e ao mesmo tempo deslavado, pois parte do princípio
que, a melhor maneira de se esconder qualquer coisa, é a deixando a vista; e em
nosso caso, trata-se daquele elefante embaixo da mesa que todos silenciam a
respeito de sua presença quando a mídia dá sua versão sobre o fato.
Nossa
história, assim como a ciência oficial, a fim de moldar a natureza humana, criou
uma caixa de verdades repletas de escaninhos, onde a verdade manufaturada foi fragmentada
e acondicionada, e depois sensualmente exposta nessa caixa-vitrine concebida da
mesma forma que uma construção barroca, onde tal arquitetura exibe suas paredes
totalmente preenchidas e cobertas por esculturas, pinturas e demasiados ornamentos
por todos os lados, fazendo com que os excessivos adornos cubram todo o espaço,
inflando-o de informações que escondem quaisquer resquícios da escandalosa parede
nua, exatamente como se inviabiliza a verdade crua. Foi assim que a “ciência”
construiu nossas verdades.
Pegando o
exemplo de quando essa mesma “ciência” atribuiu as estradas construídas pelos
indígenas há centenas de anos; estradas estas que iam dar em lugar nenhum; e sentenciou
que tais estradas foram construídas em obediência a uma ordem dada pelos seus Deuses,
mesmo que tais estradas, quando observadas de cima, revelem claramente a
existência de uma pista de pouso, esses cientistas ignoraram quaisquer indícios
nesse sentido, vendo o fato a partir de sua realidade própria ao considerar
tais indígenas como silvícolas, denominando-os como índios e as suas comunidades como tribos.
A confecção
inteligente dessa estratégica zona de conforto nos condicionou, nos acondicionando,
ao nos fazer prisioneiros, numa bolha de conhecimento extremamente conveniente ao
controlador do fluxo de informações e conhecimentos, fazendo com que a gente reproduza
um comportamento padrão, passando a agir como peixinhos dentro de um aquário que
desconfia da existência de algo além do vidro, mas, sem, no entanto fazer a
mínima ideia do que estaria do lado de fora e menos ainda do conceito de
lagoas, de rios, mares ou oceanos. Ou seja, a gente não sabe o que a gente não
sabe, e nem desconfia que nem sabe que não sabe.
Dessa
forma, aninhados nessa bolha, passamos a considerar o universo a partir do
nosso umbigo, de forma cartesiana, egoísta e pretensiosa, ignorando não só as inúmeras
dimensões existentes nos diversos Universos paralelos, como também a
diversidade dos incontáveis Multiversos isomorfos.
Nossas
instituições, como família, religião e escola, etc. nos adestraram dizendo o
que fazer, como fazer e quando fazer; o que somos, o que não somos; o que devemos
e o que não devemos ser. A maneira com que a nossa ciência legitimou e oficializou
essa caixinha de procedimentos e comportamentos, pode ser comparada com aquela
construção gótica, edificada com centenas de maravilhosos vitrais, que sedutoramente
projetam suas imagens coloridas refletidas calidamente através da luz do sol,
mostrando religiosamente suas versões da verdade meticulosamente manufaturada, dissimuladamente
imagética, tal como a mídia o faz; e como lembrava o filósofo Bruce Lee quando anunciava que a
verdade é como um dedo apontado para a lua, ao passo que nos advertia veementemente
para não nos determos na imagem do dedo apontado, mas sim, na lua, como fonte real
dessa verdade.
Podemos
afirmar, dando o exemplo daquele homem das cavernas que encontra um computador
em seu quintal, que não sabe o que fazer com o achado por desconhecer por
completo o próprio conceito de computar ou de computador; nós também não
sabemos o que não sabemos, e nem desconfiamos que nem sabemos que não sabemos.
Portanto,
esse desafio que trago através da Arte
Decolonial, visa desvelar as inúmeras camadas com as quais essa bolha de
conhecimento foi meticulosamente blindada, transformando o processo do bem
viver numa prisão sem grades, e a vida, numa escravização perene, onde esse
escravizado, uma vez envolto em sua bolha, é insidiosamente acometido pela
Síndrome de Estocolmo, defendendo aguerridamente o esse escravizador de
estimação que o submete de forma psicológica, filosófica, física e religiosa.
Enfim,
mesmo ciente de que, cada fruto de uma mesma árvore, amadurece cada qual a seu próprio
tempo; eu ouso desafiar a todas e todos, convocando-os a fazer parte do
caminho-processo que leva a esse prometido jardim do Éden, que a nossa zona de
conforto, com seu sedutor véu de ilusões, vem teimando encobrir, para disfarçar
o seu cheiro, seu gosto, deletar sua imagem e até mesmo evitar a sua anunciação.
Estou
plenamente ciente de que são inúmeras camadas de histórias encobertas, de
culturas adulteradas e de livros falsificados com o objetivo único de blindar o
indivíduo em sua zona de conforto. São centenas de milhares de dólares gastos
diuturnamente a fim de criar múltiplos cenários com fascinantes paraísos
artificiais e padrões únicos de beleza, a fim de ditar códigos de condutas nesse
mitificado labirinto social computadorizado, fazendo com que o indivíduo se
torne um personagem de si mesmo.
Nosso desafio,
minhas queridas e meus queridos, é Ser...!!
Fraternalmente, Prof. Rael Rasta

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