Ser branco no Brasil...!?? Ser branco significa ter que sentir vergonha o tempo todo, durante todo o tempo. Não por ter cometido algum ilícito ou correlato; não por ser ou ter sido uma pessoa ruim; nem por errar às vezes ou quase sempre; mas sim, pelo que ele representa. Pois essa pessoa branca representa a tortura, humilhação, barbárie e morte. Representa o invasor; ele é o sequestrador, é o violador.
Não estou aqui afirmando que qualquer querida pessoa branca que viva hoje, tenha cometido quaisquer barbárie como os conhecidos e abomináveis crimes de escravidão, dos estupros e trucidamentos dos Povos indígenas ou dos Povos Negros; visto que os responsáveis diretos por esses inclassificáveis atos foram os seus antepassados. Sim; falo de seus tataravós. É obvio que, em absoluto, os brancos de hoje devam ser condenados pelos crimes de seus parentes.
Quando falo da vergonha que os brancos devem ou deveriam sentir, me refiro ao resultado daquilo que seus antepassados fizeram e que resultou nas gravíssimas consequências que podemos observar a olhos vistos até o presente momento.
As barbáries provocadas pelas torturas, humilhações e assassinatos categóricos perpetrados contra os Povos autóctones e melanodérmicos para que eles produzissem a riqueza desse país, além de ter deixado profundas marcas no corpo e no espírito, deixou também muitas heranças; e essas heranças; além de material e simbólica, também foi psicológica.
Esse insidioso lado psicológico das progressivas torturas e desmedidas humilhações que foram herdados pelos indígenas e afrodescendentes, na contramão da riqueza produzida por eles, foi passado para seus filhos, netos e bisnetos. Assim como as citadas riquezas foram passadas para os filhos, netos e bisnetos desses brancos que hoje vivem com suas casas e seus carros em suas garagens.
A alma trucidada dos negros em sofrimento foi a herança recebida pelos que hoje se encontram tutelados por um Estado dirigido por empresários escravistas e por uma hipócrita e cínica sociedade republicana que se omite diante das barbáries cotidianamente praticadas contra os que se encontram fragilizados, após contemplados com suas respectivas heranças recebidas através dos crimes da escravidão; me refiro aqui aos deserdados e aos feridos pela justiça corporativa que trazem literalmente essa marca na pele.
Por esse motivo, os homens de bens, sempre fecharam seus olhos para a escravidão histórica e contemporânea; assim como fecham os olhos para os estupros, as humilhações e os assassinatos de pretas e pretos, ininterruptos até a presente data; e o fazem como uma inútil e covarde forma de tentar desviar, de si e dos outros, a atenção de suas responsabilidades no cruel contexto dessa conjuntura estruturada sobre os auspícios da igreja e do Estado brasileiro. Pois eles sabem, de uma maneira ou de outra, que os seus privilégios outorgados e herdados, sejam benesses materiais, sociais, políticas ou psicológicas; absolutamente todas elas tiveram sua origem na histórica abominação desse infame comércio.
Nesse caso, diante dessa estúpida sociedade de Dante, sem Don Quixote nem Sancho Pança; eles, esses brancos; permanecem calados e impassíveis a quaisquer gritos de agonia ou sofrimentos dos diferentes, como qualquer Temeroso cúmplice ou comparsa de um reconhecido e gravíssimo crime praticado que perdura pendurado em sua árvore genealógica como aquele fruto podre no sesto que contamina todo o restante.
Portanto, olhar para esses diferentes, é lembrar-se continuamente desse crime; e também é lembrar-se dos comprometedores tratos e contratos dessa cumplicidade, além das consequências da quebra desses tratados, e confiar que a sua cor de gringo é a certeza de possuir seu fórum privilegiado particular, os fazendo pensar que indefinidamente permanecerão incólumes às consequências desse crime continuado;
Para uma querida pessoa branca ter que olhar ou mesmo ter que ouvir a voz de um diferente admitindo-o igualmente como humano, isso implicaria inevitavelmente na assunção desse crime continuado, e possivelmente poderia vir-à-ser um promissor início de se querer pensar em fazer a coisa certa.
Mas, o Temor dessa querida pessoa branca em vir a sentir a vergonha implacável e o penetrar da fria lâmina do aço da culpabilidade nas profundezas do fundo do seu ser, vem bem antes dela pensar em tentar buscar fazer a coisa certa; e isso faz com que essa querida pessoa branca postergue a sua humanidade como gente de verdade.
Ela primeiro vai vociferar, vai gritar, vai agredir e vai fazer de tudo, como fizeram os seus parentes e antecessores, para poder fugir de sua responsabilidade como coautora desse crime continuado; e depondo a seu favor, estão os filmes, revistas, os grandes conglomerados, os políticos, delegados, juízes, até a corte suprema do país e toda a estrutura amealhada decorrente da histórica pilhagem que custou incontáveis vidas indígenas e negras: o Tráfico negreiro, a escravidão e a colonização.
A pele negra, tremulando a frente de uma querida pessoa branca, é vista por este como uma desafiadora bandeira de liberdade, ao mesmo tempo em que tem a petulância de aponta-los sem medo, como os responsáveis morais e por tabela como culpados pela continuação desse crime secular. Isso faz com que a única resposta da defesa leucodérmica seja a utilização de barbáries que vão gerar mais barbáries, pois eles acreditam sinceramente que rasgando e pondo fogo nessas bandeiras ambulantes, eles poderão realmente manter escondidas as provas, ainda vivas, desse crime histórico. Dessa maneira, a cada bandeira pirata transeunte, é cometido um infame linchamento oficializado pelo Estado que representa e protege os continuadores desse crime.
Esse conclave já teve muitos nomes; às vezes são chamados de iluminatis, outras vezes de maçons; mais a única certeza é a de que se trata de uma sociedade altamente secreta visível todos os dias, em todos os lados, momentos em destaque nos principais cargos políticos, religiosos e empresárias da sociedade brancopofágica brazilleira. Desde os púlpitos aos tribunais e das escolas aos telejornais, até as piadas matinais.
Mas a verdade é que os beneficiados por esse histórico crime contra a humanidade se refestelam na impunidade temporária, enquanto a liberdade condicional dos cativos dessa prisão mental estiver em vigor através da religião, da escola e do comercial.
Por possuir essa absoluta convicção é possuir a total certeza de ter recebido como herança a imunidade racial. Por esse motivo, as queridas pessoas brancas aparecem sempre nos finais felizes, junto aos heróis salvadores desse mundo normal, e protegido pela sólida Caverna do Dragão da idade da pedra européia, numa ação de graça transformada em hábito étnico quando exercitam o expediente de queimar bandeiras negras vivas, sobre a legação diante do
Supremo Tribunal Étnico-Único, de ser bandeira pirata marginal; fazendo então, desse hábito, um vício, como o vício de consumir cocaína, crack ou outras drogas pesadas quaisquer; por hora, essa foi a única forma encontrada que as possibilitaram esquecerem-se desse crime histórico; Ates de tentar pensar em fazer a coisa certa, eles continuam a satisfazer suas vicissitudes animal de forma normal...
Organização Para a Libertação do Povo Negro

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