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quarta-feira, 22 de março de 2017

Considerações gerais acerca da educação greco-tupiniquim...

A educação eurocêntrica, imposta aos descendentes de africanos escravizados no Brasil, fez do homem negro o maior obstáculo a sua própria libertação.
Desde que a população leucodérmica se apropriou do conhecimento melanodérmico, manipulando e patenteando-o; devolvendo-o adulterado e enviesado após um violento processo epistemicida que produziu e pasteurizou as verdades num único bloco monorracial; os bens comuns à humanidade: a terra, a água e o ar; foram espertamente privatizados pelas queridas pessoas brancas; safadamente instituído através do capitalismo cognitivo geral e irrestrito.

Dessa maneira, o homem branco passou a receber pelos serviços roubados, após ter convencido o povo negro a abandonar o trabalho na terra e a viver de juros, omitindo que os serviços prestados seriam através do sequestro de sua própria força ativa de trabalho.

Hoje, nós, descendentes dos africanos escravizados no Brazill, ainda na qualidade de escravos-de-ganho; agora com o honroso e estupendo título de assalariado, que quase nos comparou com os cotistas caras-pálidas imigrantes europeus (hó, quanta honra...); perpetuamos nossa escravização continuando a produzir as riquezas e abastecendo de regalias o bem viver dos eurodescendentes e suas tradicionais famílias; fazendo do treze de maio, um dia sem fim...

O assalto a nossa história e a educação eurocêntrica, nos fez perder a memória, após arrancar nossa a nossa voz e nossa humanidade, nos tornando invisíveis como sujeitos da história. Portanto, hoje somos uma caricatura; resumidos ao resultado do que o branco nos transformou.

O legado dos estupros, torturas e assassinatos categóricos perpetrados pela população branca, além do medo e das constantes intimidações, nos tornaram um arremedo de gente, que pensa como branco, age como branco, fala como branco e enxerga como branco; perdendo todo o brio de pessoa negra e se definhando como povo melanodérmico na medida em que, como vírus, atacamos e destruímos nossos pares sistematicamente, após passar por esse vil programa de correção educacional brancopofágico no qual pensamos sinceramente ser livres tentando ser como os brancos.

Não é por mero acaso que hoje, meia dúzia de quatro fundações, como a Rockfeller e Lemman, estar carinhosamente patrocinando, através do banco mundial, as reformulações curriculares tupiniquim; pois com essa educação-papagaio, que positivamente coloca o negro devidamente robotizado, se embranquecendo; adquirindo dessa forma, a patologia branca da pretofobia; na medida em que se desviam de quaisquer indícios ou atitudes que possam traí-los e levá-los a se identificarem com a “raça”; ao mesmo tempo em que gradativamente iniciam o processo de desenvolvimento da síndrome de Estocolmo, pedindo a branca benção na entrada e na saída; se é que existe saída para quem está perdido no caminho da vida.

Hoje, a ambição de um negro é fazer uso das cotas para ter o “direito” de se graduar, fazer o mestrado, o doutorado e finalmente ser chamado de doutor, após repetir com maestria, toda a homilia copiada de autores brancos.
Eis ai mais um doutor negro, um clone humano, um simbionte, um replicante; de sapatos, terno e gravata; mais um ser fabricado para dar sustento à egocêntrica orgia branca; sendo ele a principal atração do grande espetáculo no centro da arena romana tupiniquim, na qual se tornou nossa vil sociedade.

Essa cruel conjuntura nos mantém presos ao dia treze de maio; um dia que ainda não teve seu fim; enquanto nessa data, alguns países africanos comemoram o fim da diáspora, aqui no brazill, não conseguimos ainda nem por fim a escravização de seus descendentes; mas a falácia da falsa abolição continua ainda sendo o perfil da nossa educação.

A maldosa mídia faz questão de expor detalhadamente os fatos fantasia, como aquele inventado por uma querida e mentirosa pessoa branca; dela ter sido destratada por uma super mulher negra, por ser branca e estar usando uma indumentária negra; um turbante. Esta técnica eficaz de distração para desviar o foco da verdadeira apropriação cultural, que foi o sequestro do conhecimento melanodérmico, desde a matemática, física, astronomia, até a psicologia e filosofia.

Diante dessas dissensões meticulosamente construídas pela imprensa-branca, torna-se quase insustentável discutir nossa educação; a educação feita pelo negro para o negro; para tornar possível iniciar um processo de descontaminação dessa praga branca[1] que assola nosso país.

Portanto, quando essa mesma educação imposta por D. João, torna-se objeto de reformulação curricular, sem nunca ter sido considerado em momento algum, a direção de racializar o assunto em questão; obviamente é de se esperar o acirramento total da alienação e colonização mental como instrumento principal desse programa tipo “branco total radiante”, onde o choro e as lágrimas melanodérmicas sejam a atração principal, nesse espetáculo tradicional oferecido pelo euro-pelourinho digital, nesse dia que nos dói hoje, em meio a esse mar de laicidade destruidora dos diferentes e deserdados: os invisíveis e ausentes feridos pela vil justiça branca. Enquanto negro católico é atacado por evangélico e negro de matriz africana é atacado por neo-pentecostais, dando-se o mesmo com os negros muçulmanos, judeus e demais religiões comandada e contaminadas pela branquitude, enquanto a mídia nos distraí com sua patéticas pautas do dia-a-dia.

Rael Rasta



[1] Tal qual a peste branca na idade média européia, que foi capciosamente rotulada como peste negra; essa doença fatal foi provocada pela matança dos gatos, visto ser o mesmo um animal sagrado pelos egípcios; sendo, pois assim, considerados como demônios pelos europeus.

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