A Negra e o Negro autênticos, são pessoas resolutas, ousadas e destemidas, definindo-se definitivamente como uma nação que, compõe dentro de si diversas nações. Essa é a Negra e o negro, descolonizado, que caminha nas diversas trilhas de seu continente, sem as amarras impostas pelo oligárquico opressor; colonizador este que, tendo sequestrado sua força ativa, privatizando sua mobilidade física e material, tenta agora, a todo custo, privatizar seu pensamento, através da cínica e hipócrita dissimulação, sobre o véu de inocentes mentiras sagradas e sacralizadas, transformadas em vírus; o vírus da branquidão.
Enquanto nós, as Negras e Negros resolutos e concisos de nosso coletivismo como sujeitos protagonistas da própria história, não nos despirmos do estúpido sentimento branco bairrista e paroquiano de ser e do ter, não perceberemos a necessidade desse coletivismo como sinônimo de interdependência humana de subsistência.
Nossa liberdade depende de nos aventurarmos pelas movimentadas estradas do desconforto da insegurança, e sair definitivamente do conforto da servidão; Sem medo, nem reservas; pois o medo será sempre fatal. Nosso futuro é agora; nesse ano que vem que já chegou. Só dessa maneira, construiremos uma Estado-nação compartilhado de forma coletiva e sólida.
Penso que a questão negra não é uma questão nacional, mas sim, internacional, visto que nosso território e nossa questão vão muito além do cativeiro das linhas colonizantes limitadoras do mundo, de gente e gentilezas. Sendo assim, devemos ter nossa identidade traduzida, como mulheres e homens, de forma, e que abarque nossa origem cultural e nossa cultura contemporânea; curando-nos desse modo, da metástase do assimilacionismo, que nos mantém mentalmente presos e na condição de povo colonizado.
As leis estabelecidas pela supremacia branca, desde o fim da primeira guerra mundial, há muito já caducaram, até mesmo para as queridas pessoas brancas elas já não tem a devida eficácia. Precisamos pois, estabelecer contato com o mundo real e interagir como povo, como gente e como ser humano, enfrentando as dificuldades do diálogo, nas trocas, construção e desconstrução, aprendendo e desaprendendo, ensinando e desensinando; nos encontros, nas ruas, no trabalho e reuniões; trabalhando as contradições, tendo o cuidado de não rimar opiniões com argumentos.
Rael Preto
Organização Para a Libertação do Povo Negro

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