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domingo, 15 de janeiro de 2017

Epistemicídio melanodérmico: Das Diásporas Africanas a colonização contemporânea.

Nos anos que se seguiram, no decorrer do século 16, os escravocratas norte-americanos, despudoradamente recorreram a um doutor negro chamado Joahnn Bluemnback, docente da especialista em história do Reino Songhai, a frente da cadeira do Departamento de história da África na Universidade de Gotinga, na Alemanha, a fim de que este pudesse ajudá-los a conter as constantes revoltas dos escravizados de origem Songhai, prisioneiros da guerra de 1541 que a despeito das piores punições sofridas, continuavam a recorrer as insurreições de forma cada vez mais intensa naquele conturbado período. 
Este negropeu, atendendo a pedidos, perguntou se esses negros escravizados sabiam de onde eles sabiam que vinha do Reino de Songhai; tendo resposta positiva a questão posta, este completa: ... Eles sabem quem são; o que vocês precisam fazer é evitar que eles saibam de sua origem, de sua história, para que eles esqueçam que outrora pertenceram a um rico reino, poderoso, reino de beleza, de excelência e sofisticação. Portanto, eles sabem para onde querem ir. Nesse caso, vocês devem separar as crianças de seus pais, levando os pais para trabalharem até a morte em fazendas distantes, fazendo-as a acreditarem que vieram de uma selva qualquer, e depois educá-las segundo os vossos costumes e crenças; seguindo as minhas recomendações, futuramente vocês não terão mais problemas dessa natureza com nenhum desses escravizados... Pra eles, não mais fará diferença o que for dito ao contrário sobre seu passado, seus pais não estarão lá para contar...
Assim foi feito...
Desde então, até os dias de hoje, os negros que foram apartados de sua história e devidamente educados dentro da pedagogia opressora eurocêntrica, incluindo os seus descendentes, jamais esboçaram qualquer reação ou quaisquer sinais desobediência aos ditames de seus opressores ou aos descendentes desses opressores que carregam o legado do infame comércio, se beneficiando da herança, material e simbólica, dos crimes da escravidão até hoje vigente nas Américas. O resultado desse processo é que hoje, muitos desses negros, principalmente os descendentes de escravizados africanos nascidos no Brazill, não acreditarem que a escravidão seja um fato atual; e muitos deles, chegam até mesmo a negar a existência do racismo no país, chegando ao cúmulo de não tomarem conhecimento de que são negros, e nem mesmo chegam a saber, que não sabem.
Portanto, é razoável inferir que, um povo que não conhece a sua própria história, está fadado ao desaparecimento, através de sua própria autodestruição.
Dessa maneira, para evitar o completo holocausto melanodérmico, é necessário que, falemos da gente, e de nossa história de única civilização formadora da humanidade deste planeta, cujo último nome conhecido era Etiópia.
Precisamos falar da primeira diáspora ocorrida durante o período da Pangéa, quando o planeta era formado completamente pelo Povo Negro; falar da segunda Diáspora ocorrida durante a estupidez do infame comércio, como era conhecido o tráfico de corpos negros; e falar da terceira Diáspora, que está ocorrendo agora; que é a volta para casa e a reterritorialização dos Valores Civilizatórios Africanos; num momento em que, os negros de todo o mundo, sofrem com os violentos ataques promovidos por um planejado, meticuloso e hábil processo político da colonização de seu território mental.
No senso comum, a opinião pública, principalmente daqueles que fazem questão de ignorar a história e a geografia, tem banalizado o uso da dissociação cognitiva, para negar ou desqualificar a verdade do outro, a fim de deslegitimar o óbvio ululante, num mero exercício de disputa na relação de poder ou do famigerado status quo.
Portanto, é perfeitamente comum, ainda se ouvir absurdas afirmações tais como, as de que, o Egito pertence ao oriente médio, ao passo de que, o indivíduo ignora que a Palestina outrora, fazia parte do continente Africano. Sem mencionar que o sujeito nem faz ideia que a distância entre o Egito e a Palestina não ultrapassam os 614 km. Ou seja, seria impossível um grupo de pessoas, por maior que fosse tal grupo, pudesse percorrer este espaço num período que durasse 40 anos; a não ser que dessem três passos por dia; ressaltando que, nesse percurso, havia postos da guarda egípcia a cada 10 km, como no período da aventura divina de negro Moisés embranquecido.
É notório observar que, a imagem equivocada vendida pela mídia, quando se refere ao continente africano, se resume, de forma prosaica e inocente, aos animais exóticos da savana, além das guerras crués, das devastadoras doenças, da infindável pobreza e de imensa fome; numa construção imagética nitidamente comprometida com a incontestável desonestidade narrativa monorracial.
Desse modo, para alterar essa falsa realidade é necessário desconstruir e destruir as falsas representações criadas para esse fim; e isso só pode ser possível através de uma contundente desobediência epistemológica, a fim de transvalorar todos os valores postos e impostos por essas capciosas e criminosas representações leucodérmicas.
Tendo a sensibilidade e o cuidado de uma predisposição fundamentada no respeito e na ética; pois sem esse quesito, essa desobediência epistemológica tornar-se-á escrava dos conceitos limitadores da própria humanidade contida no ser, confundindo sujeito e objeto. Portanto, a honestidade deve dar o tom da busca, sem o fundamentalismo dos pré-conceitos aprisionadores de uma consciência tripartida pela psicologia albina.
Dessa maneira, respondendo aquela questão existencial que nos persegue desde que o mundo é mundo: Quem sou eu...? De onde vim...? Pra onde vou...? Vamos enfim, possibilitar o resgate de nossa humanidade roubada, através da intimidação que resultou no sequestro de nossa força ativa e de nosso ser como sujeito histórico, nesse mundo onde até os dias de hoje, sustentamos os nossos incólumes e arrogantes algozes.

 Rael Preto
Organização para a Libertação do Povo Negro

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