De todas as auroras que ainda não brilharam, falemos do direito a existência; direito que, para o Povo Negro, desde que Domingos Jorge Velho assassinou 30 mil pretos, se transformou em privilégio. Por isso, nós negros nunca perguntamos por quem os sinos dobram, pois é por nós que eles sempre dobram...
É notório constatar que Duque de Caxias, o patrono do exército brazilleiro, assim como Domingos Jorge, foi um dos maiores assassinos em massa que se tem notícia na história do Brazill; mesmo assim, seu nome virou nome de Bairro, virou nome de rua, virou nome de escolas e por ai vai...
Desde então, todos os assassinos, torturadores, saqueadores, sequestradores, genocidas e seus asseclas, hoje se encontram na gestão de nossa sociedade. Eles são sempre homenageados e têm seus nomes exaltados pelas mídias; as revistas, TVs, jornais, propagandas, redes sociais e todos os veículos que possam incutir a ideologia da exclusão como uma característica que sustenta a meritocracia.
Todos os privilégios desses usurpadores está sendo mantido pela desmemorialização e fragmentação do povo-alvo; o povo negro; na medida em que a história vem sendo habilmente manipulada e as relações com nosso povo tem sido através do exercício da dissimulação descarada e despropositada. O extrativismo social foi estruturado nesse perverso conceito de raça criado pelos famigerados inquisidores medievais e iluministas europeus.
Assim, foi criado nossa diversidade de escravizados desde os tempos pré lei áurea; tínhamos os escravizados do eito, os escravos domésticos, os escravos de ganho e o escravo capataz. Nos dias de hoje, só restaram os escravos-de-ganho e o escravo capataz.
Enquanto existir escravos, vamos falar e propagandear a democracia como um bem maior, mas sempre confundindo o discurso democrático do homem de bem com o discurso burocrático do homem de BENS, Duque de caxias com Mahatma Gandhi e manteiga com margarina.
Para um preto, em meio a noite escura, a morte lhe cai bem, é normal. Assim é Morrer de morte natural para um negro; é encontrar a bala perdida da polícia no meio ao caminho em direção ao artigo 5º da constituição. Não por que seu algoz não saiba ler, mas sim porque, antes de aprender a ler, ele (o puliça, o verme, etc.) aprendeu a obedecer a um Omem branco; por isso ele mata, estupra, humilha e tortura (não necessariamente nessa ordem).
Em meios a esses valores socialmente inversos, a carnificina se faz presente de forma estupidamente amena, estressantemente suave e petrificadora para o branco que assiste seu noticiário pós novela, e aos finais de semana vai a igreja e paga seu dízimo ou dá sua oferta, que invariavelmente vem amenizar os tremores noturnos de sua consciência.
Entre o artigo quinto da constituição e o capítulo bíblico que relata a maldição de Cã, o porre de vinho de Noé vence de longe; nem Usaim Bolt seria páreo para concorrer com tal dogma. Ou seja, entre a palavra que o homem escreveu, dizendo ser a palavra de Deus; palavras essas que trazem a desgraça e a humilhação para um povo; e as palavras escritas pelo homem afirmando que nascemos e que somos livres, preferimos acreditar naquela palavra que humilha, mas que, segundo o homem, é a palavra dita por Deus, em vez daquela palavra que liberta, visto não se encontrar nesta escrita, a emocionante assinatura manipulante de Deus.
Constatamos, desse modo que, entre a liberdade e a humilhante tortura da morte do povo preto, existe a fina arte da dissimulação descarada e a infinita maldade do homem branco, afirmando que o Diabo é vermelho e corno. Decididamente, o inferno sempre esteve vazio e o Brazill não é para amadores...

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