O fato de
uma pessoa ser alfabetizada, tendo a suposta capacidade de juntar
palavras numa frase, não significa efetivamente que ela tenha a
habilidade de ler; da mesma forma que ouvir, não significa em
hipótese alguma, que essa mesma pessoa saiba ouvir; do
mesmo modo, que o fato dessa pessoa possuir olhos, não significa dizer
que tenha a capacidade de ver.
Normalmente, são essas as pessoas
que falam sem nada dizer, e prosaicamente são essas pessoas que são indicadas por partidos políticos,
justamente por essas habilidades manipuláveis, para ocuparem cargos na
função pública no Estado, a fim de proteger os interesses daqueles
que se outorgaram donos da verdade; da verdade comprada pelo
dinheiro estampadas nas manchetes bombásticas do noticiário matutino. Para constatar esse fato, é só observar as ações e
posturas desses caricatos personagens que se dizem representantes do
povo; falo dos políticos de maneira geral e de suas ações
inclassificáveis e inimputáveis.
Comecemos
pela covardia do instituto do fórum privilegiado e da imunidade
parlamentar concedidos por eles a eles mesmos, como se previssem
que seus crimes só poderiam ser perdoados por Deus. Este princípio
de controle social, instituído democraticamente em nome do controle e manutenção do
poder a qualquer custo, estendeu-se a todos os níveis e
possibilidades, laureado pela prisão especial para os que
possuírem estudo, para em seguida, iniciar por ai a farra do aumento de seus
próprios salários e o de seus pares, partícipes do poder sem
pudor.
Foi dessa
maneira que nas terras tupiniquins instalou-se o sistemas de castas; obviamente, um fato um negado pela classe do conhecimento, que
ignora o apartheid oficial sacramentado pela elite, que descaradamente fez uso da
máquina estatal para tanto. Essa mesma classe do conhecimento tem
evitado a todo custo usar palavras tais como gentrificação,
eugenia e correlatos, afim de evitar quaisquer reflexões a
respeito da cruel e triste realidade em que as populações
escravizadas se encontram.
Para que
o povo não tenha a mínima percepção da situação em que se
encontra, a arte dos entretenimentos e os operadores desse segmento,
especializados em envernizar a conjuntura política, passam a fazer
parte dessa casta privilegiada; a classe de manutenção do status
quo; eles agem enquanto os escravos capitães-do-mato,
se tornaram seus prestimosos servidores, auxiliando na contenção
dos efeitos colaterais, sempre que os efeitos especiais
se mostram insuficientes.
Desse modo, as favelas se consolidaram como imensas senzalas aonde as crueldades da
escravização tornaram-se lugar-comum; fatos tão normais quanto a
superlotação das prisões, que são, indubitavelmente, o ápice das consequências da
hipocrisia social, que institui como verdade, as imposições jurídicas
que criminalizam raça e classe.
A quantidade alarmante
de assassinatos e torturas patrocinados pelo Estado, já atingiu, há
muito tempo, a números surpreendentemente intolerantes, fato classificado e considerado pela
comunidade internacional, como crime contra a humanidade, visto
tratar-se do extermínio de um determinado povo.
Até o
momento, o Estado brazilleiro, assim como os norte-americanos,
conseguiu se esquivar das responsabilidades relativas ao genocídio
do povo indígena, da mesma forma que tenta se livrar das
responsabilidades pelo holocausto do Povo negro.
Enquanto o Estado for
gerido por pessoas com deficiências dessa natureza; pessoas que
nada vêem, nada ouvem e nada falam, teremos esse Estado biônico,
que serve de instrumento eficiente de controle, e como a principal
arma de extinção do restículo de humanidade existente nas pequenas
ilhas de bom senso cercadas de dissimulação por todos os lados.
A
reprodução do senso comum, impiedosamente patrocinada pela elite, e
gerenciado pelo Estado através de suas agências de controle que
habilmente traveste esse mesmo senso, com a falsa sensação de
exercício de cidadania, vem fazendo com que esse processo de
controle social, se retroalimente continuamente, se tornando, desse
modo, um monstro voraz e autônomo. Dessa maneira, com esse monstro
descontrolado a solta nas telas televisivas, o povo vive preso a um
filme de terror sem fim; filme onde o terrorista se veste de padre
protetor, com toga de jurista e executor. Destarte, toda a assembléia
de deputados e de senadores, tornou-se a reedição de jogos
vorazes de uma olimpíada terrorista onde a elite, faz de
desses momentos, a sua principal diversão.
Assim,
mais do que cédulas, a principal moeda dessa cínica sociedade,
passou a ser o sangue negro; pois a quantidade e a crueza desse
sangue derramado, é que vai traduzir a qualidade do poder exercido
por essa pútrida elite, inquisidora de sua própria humanidade através do
suplício alheio, na medida em que desumaniza o outro, quando não faz o uso democrático da dissimulação e adulação, faz uso plutocrático do extermínio físico como instituto social.
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