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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CRONOS

A jogada de Mestre do tempo, foi geometrizar a sua não-existência se fazendo presente no vácuo de si mesmo. Há teses afirmando que somente o presente é real, visto que o passado, ficará sempre no passado, e o futuro, será sempre aquilo que ainda ainda está por vir. Sendo assim, o-que-já-foi e o que há-de-vir-a-ser necessariamente ainda não existem, confirmando que o passado já deixou-de-ser e o futuro ainda não é, chegamos então a conclusão de que ambos são inexistentes no presente.

Nessa linha de raciocínio, dentro dessa perspectiva, podemos concluir também que o presente não existe, visto que, o que fazemos no presente, se já não for passado, o fazemos visando o futuro, fazemos para o futuro. Se o que fazemos visa o futuro, ele passa a ser passado ao mesmo tempo que ainda virá a ser no futuro; pois a ideia não se congela no presente; desse modo, ela, essa ideia, existe num módulo atemporal; Sendo assim, concretamente ela é inexistente no presente, já que o tempo aprisionado só existe na fotografia, numa filmagem ou numa pintura qualquer; fora isso, o presente também não existe; ele, invariavelmente já-foi ou virá-a-ser; é um elemento que nunca foi, nem será prisioneiro.

Por este motivo, os povos melanodérmicos, identificam nesse elemento inclassificável o que chamamos de N'zambi, ou Deus; Que é um dos 100 nomes diferentes que lhe é atribuído pelos povos africanos. Portanto, ele, o Tempo, é a própria natureza; é tudo o que existiu; é tudo o que existe e é tudo que virá a existir.

A necessidade de ordenar e hierarquizar dos leucodérmicos, como uma maneira que os possibilitassem racionalizar, a fim de compreender, para dominar tudo e a todos que existissem ao seu redor, fez com que personificassem esse elemento chamado de TEMPO, dicotomizando-o, quando tentou fatiar a natureza em partes dionisíacas e apolíneas, lhes dando suas próprias características a fim de tentar controlar o tempo, controlando Deus e, desse modo, ser Deus em nome de Deus.

Portanto, Deus, ou a ideia de Deus, foi sendo apropriada durante um processo epistemicída, onde o próprio (Deus)foi patenteado e registrado como propriedade dessas populações leucodérmicas. Desse modo, Deus passou a ser um Ente assassino, vingativo e ciumento, segundo o velho testamento. Ou seja, Deus, a partir das vicissitudes leucodérmicas, e tornou-se humano, passando a escolher seus preferidos e a supliciar seus desafetos. 

Enfim, passou a ser um Deus escravocrata. Como com Deus; que é o soberano Senhor de todas as coisas; segundo o velho testamento; não existe diálogo, só a completa servidão; foi aberta então, a temporada de caça àqueles que fossem a favor da dialogia e da diversidade. Ou seja, Fedeu...!! Os seres pensantes. Ou seja, os discordantes, passaram a servir de isca de jacaré e de caça para qualquer fiel, que desde então, passou a ter carta branca para caçar quaisquer infiéis.

Desta maneira, as religiões passaram a ser empreendimentos altamente rentáveis, já que contra a ideologia religiosa, não pode haver resistência de espécie alguma, pois trata-se do divino; e sendo algo vindo do divino, abaixa-se a cabeça de forma genuflexa e se cumpre as ordens dadas sempre, invariavelmente, e sem questionamentos.

Sendo assim, religião e religiosidade passaram a ser a mesma coisa, da mesma forma que se confunde competição com competitividade, ou burocracia com burocratismo e assim por diante. Ou seja, Deus e religião passaram a ser as mesmas coisas. Desde então,  religião virou sinônimo de dominação, de poder, é de terrorismo celestial, geral e irrestrito; terrorismo contra o qual, não existe resistência de espécie alguma.


Mas o TEMPO, tudo observa, tudo vê e de tudo sabe; e assim como o vento que não faz curvas, da mesma forma que toda estrada que vai, também volta; ele espera o círculo da vida se completar, para mostrar sua face no vácuo da própria existência, do lado esquerdo que é direito, sem estar em cima nem em baixo, sempre na frente que foi deixada para trás em todos os lados de cima abaixo, de longe mas bem perto, estando por dentro e por fora a todo momento, sem começo nem fim; É originalmente cem vezes nomeado N'ZAMBI. 

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