Segundo a história contada pelo dinheiro, os caras-pálidas aportaram em Terras Tupiniquins exatamente no ano de 1500, uma data redonda e fácil de ser devidamente introjetada e assimilada por qualquer neófito, trazendo como oferta de boa vontade, seus espelhos-TVs seguido de morte para os povos autóctones. A mesma técnica foi usada com os povos melanodérmicos, quando presenteados com bíblias seguida de cruéis torturas, que lhes foram oferendadas.
Como só se pode oferecer o que se possuí, esses povos (autóctones e melanodérmicos), ofertaram em agradecimento, além de sua hospitalidade, o ensinamento do conceito do significado de humanidade. Mas os caras-pálidas, do alto do seu Monte de Lixo misturado a saberes pluriétnicos roubados, Monte a qual etiquetaram como Monte Olimpo, se mantiveram na idade das trevas da qual haviam se originado; desse modo, o Umbral se fez presente no equilíbrio permanente da natureza humana, onde o bem e o mal conviviam como fonte de conhecimento e não de uma dicotômica competição hierárquica.
Assim se inicia a saga de terror leucodérmico; queimando e encarcerando corpos que não correspondiam a seus espelhos ofertados; espelhos que simbolizavam a sua boa vontade e a sua particular paz nas Terras invadidas. Através das suas mentiras repetidas transformadas em verdade, tiveram a habilidade de transformar as vítimas em réus, e fazer com que essas mesmas vítimas acreditassem em sua suposta culpabilidade. Dessa maneira, as próprias vítimas punem uma as outras ad infinitamente, num eterno círculo vicioso, enquanto os caras-pálidas, refestelados, assistem e se deliciando com o mórbido espetáculo das queimas de corpo, torturas e encarceramentos indiscriminados e categóricos.
Entre os oprimidos aliados, conhecidos como pretos de sapatos e capitão-do-mato, grassa a animalidade e a ausência completa de qualquer discernimento, seja diante da queima de corpos ou da pérfida e infame tortura. A naturalização dos crimes brancos contra a humanidade, agora fazendo uso dos pretos de sapatos para amenizar a própria culpa, são naturalizados através da repetição progressiva dessa infâmia como lugar-comum, fazendo predominar a completa robotização entre esses aliados da Casagrande, enquanto no senso-comum, a opinião pública assimila tal distopia como valor, revertendo os valores ancestrais que são colocados como antiquados, arcaicos e similares. Destarte, estar socialmente na moda, requer a iniciação de queima, tortura e encarceramentos de corpos oprimidos, de forma direta ou indireta. Ou seja, sendo executor ou mero expectador.
A natureza predadora do novo mundo, do mundo leucodérmico, sangra o velho mundo, seguindo as premissas bíblicas Freudianas de que o filho deve matar o próprio pai; sem mencionar o casamento com a mãe; esses mórbidos valores antropofágicos arianos, como vírus, vem gangrenando o senso de humanidade, retirando a dignidade da vida coletiva, do comunismo, a vida em comum, ao mesmo tempo em que faz propaganda da família nuclear como valor único.
No Brazill, 63 corpos negros São esquartejado por dia, assim como o que resta dos autóctones, que somente na metade deste ano de 2016, calamitosamente já somam a espantosa quantia de mais de 800 mortes. A sociedade, dependente de pão e circo, religiosamente assiste ao espetáculo de suplícios dominicais enquanto comemoram datas fúnebres como as da Páscoa, Natal e correlatas. As efemérides dos calvários alheios são festejadas com pompas e circunstâncias, sem culpas ou mínimo pudor, sem a percepção de que nossa vez, na fila do sacrifício, se torna cada vez mais próxima.
Vai chegar o momento em que dançaram em volta de nossos corpos esquartejados e em chamas, e finalmente, seremos a atração principal: nossos quinze minutos de fama branca. Então, finalmente o oprimido que virou opressor, vai poder se equiparar ao seu brancoso senhor. Mas seus sapatos, certamente vai servir a outros pés pretos contemporâneo, que continuaram os passos da sangrenta saga leucodérmica, até que o fogo purifique as almas transmutando carvão em diamante. Então, nunca pergunte por quem os sinos dobram; pois eles dobram por você, por mim, por nós...

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