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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Do Livro da Morte; do capítulo holocausto negro; Fragmentos do versículo “Somos todos humanos”...


Dizem; ..."A ÁFRICA NÃO EXISTE"..; Eu digo: existem as Áfricas; da mesma forma que o negro não existe; existem os Negros. Na diversidade dessa negritude trilhada sobre espinhos brancos, muitíssimos pretos não resistem e se deixam gentrificar, tornando-se, desse modo, um patético Negropeu autêntico, produtos esses que seguram firmemente o chicote de nove caldas fornecido pelo sinhozinho, durante um macabro ritual de magia branca, sendo este o instrumento, passado no processo desse infame ritual, que sempre garantiu o processo da colonização mental, injetada e introjetada em seus pares através da cultural e da política, psicológica e socialmente . São esses pretos que, não conseguindo empretecer o mundo, embranquecem no corpo suas atitudes embranquecidas pelo pensamento, além daqueles Afromodistas que mantém suas atitudes obsequiosas para com os brancos, uma vez que são violentamente coagidos pelo medo e pela força.

Esses meios de alienação, que são habilmente usados pelo branco opressor, fazendo do olhar negro um branco olhar, faz nascer de um abraço negromata-leão e do sorriso negro a traição somente para com o seu irmão: De um lado o preto-grin[1], a réplica do branco, nos discursos e atitudes; e do outro o Capoeira[2], o guerreiro radical e marginal, saído de qualquer matagal, com fala informal, frente a um envernizado comício Estatal, cercado pelos pretos capitães (do mato) de empreendimento empresarial.  

Desde a independência do Brazill, os exércitos negros, a guarda negra, os lanceiros negros, e hoje, a polícia negra do homem branco, têm servido aos gerentes brancos do mundo, para coagir os próprios pretos a aceitarem a pecha de minoria e a agirem como minoria e, o pior de tudo, os leva a realmente se sentirem como minoria. E isso é reproduzido em todos os setores negros da vida negra nessa branca sociedade escravagista, hipócrita, indolente, infame e arrogante que é essa sociedade de valores invertidos, deturpados, equivocados e hediondos; nossa sociedade eurocêntrica.

Dessa maneira, o negro acreditando não possuir resistência ontológica, se queda diante dessa arriscosa infecção afetiva que o branco lhe transmite a partir do discurso do "somos todos humanos", num mundo onde o branco representa o capital e o negro representa o trabalho, enquanto negras e negros tropeçam nos escombros da própria solidão. como zumbis de hollywood; tenebrosos, sinistros, sozinhos (mesmo acompanhados) e amedrontadores.

As queridas pessoas brancas nos evitam, pensando que vamos ataca-las e devorar seus cérebros. Ou seja, fazer o mesmo que eles fizeram com a gente; nos tornaram acéfalos a ponto da gente não mais se reconhecer e não reconhecer nossos pares, nossos irmãos, nossos camaradas. Somos temidos, mas quando querem lembrar que são humanos, voltam-se para nós, a fim de roubar justamente o que lhes faltam: A humanidade.

Nós negros, somos casados com a terra, como afirma Fanon, e eles, os brancosos, se apropriaram de nossa companheira, que nos dá a vida, mas... Não conseguem possuí-la, mesmo estuprando-a. Então é a nós a quem eles recorrem quando estão ficando irremediavelmente robotizados, desumanizados ao extremo, para que possam resgatar a magia da força que dá a vida, através da humanidade; antes que pereçam como o brancoso Narciso.

São mortos-vivos que não sabem de sua condição de fantasmas da humanidade, de monstros da humanidade, praticantes dos crimes mais hediondos contra a humanidade; por isso, desejam a igualdade e lutam por essa igualdade predadora, onde a competição irracional garante a sobrevida. As ações afirmativas tuteladas por essas queridas pessoas brancas, que sempre esperam a reação correta por parte dos tutelados[1], mostra a gravidade dessa doença típica de zumbi de Hollywood, que é transmitida através da mídia, fixando-se como hospedeiro na alma negra, alquebrando seu espírito que se divorcia da natureza, tendo esse resultado desastroso como consequência.



Desse modo, a mãe África verte permanentes lágrimas em infindáveis minutos de silêncio constantes diante dessa ensurdecedora inquisição. Os mortos que ainda estão de pé e nem sabe que não sabem de seu fenecer espiritual, esses divorciados da terra, aguardam, como Zumbis de Hollywood, o barco da eternidade que chegará através dos rios de lágrimas e de sangue negro, vertidos de todas as mães e irmãs dos negros que não conheceram o Zumbi das terras da Afreaka; da terra-mãe; para levá-los para a outra margem, no além-mundo; para que um dia possam se noivar com a terra novamente e, quiçá, casar-se de novo com a vida.

Estamos mortos e somos mortos nos campos da paz branca na batalha do cotidiano; assassinados por zumbis brancosos mortos, que desejam e matam pela igualdade de espíritos. Espírito humano, Espírito de Ser humano, Espírito  das Terras de Palmares, do Zumbi que retornou na barcaça do além.











[1]Palavra essa atualizada em substituição ao termo “vassalagem”, para ficar em consonância com a política correta cunhada no conceito da troca de espelhos pela riqueza de todas as nações.  


[1] A caricatura do solícito negro serviçal, muito famosa na mídia dos anos 30.
[2] Quando falo do capoeira, me refiro não ao lutador de capoeira que é em sua maioria branco, mas falo do capoeirista que são negras e negros em sua maioria. Ou seja, o negro conhece os fundamentos e a magia que se esconde por trás de cada movimento, canto e toques executados; enquanto o para o branco, a capoeira é só mais um esporte marcial.

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