Era
uma vez, uma linda princesa que, enquanto esperava por seu príncipe, desembaraçava seus lindos cabelos lisos com uma escova de ouro adornada com as mais belas pérolas do
reino, enquanto do outro lado do continente, Tarzan, o rei da selva, se balançava dependurado num cipó africano, como Peter Park em sua aracnídea teia mágica, que mais parece o Peter Pan em sua
eterna brincadeira... O que todos os heróis do mundo têm em comum com essas
cenas...!?? A extrema brancura da tez .
Poderia
citar uma extensa lista branca de heróis caras-pálidas, com valores de brancos e fazendo branquices. Mas vamos analisar mais de perto esses conceitos, princípios e
definições que foram transformados em signos de representações pela magia da televisão.
Constatamos
que, por ironia do destino, todos esses brancos heróis estão sempre enfrentando
um vilão, aquele cara muito mal, o demônio estuprador que por coincidência é sempre personalizado por outra etnia: normalmente um negro ou indígena.
Mas,
você que está lendo essa afirmativa, e que está procurando nos arcanos da memória
uma forma de rebater ou desqualificar esse fato, não se culpe, já que,
certamente você foi afetado pelo discurso branco de que só eles, os brancosos,
são boas pessoas, são legais, fortes, bonitos e poderosos.

É obvio que é o que qualquer ser gostaria de ser, certo....!? Bom, bonito, gostoso; forte, poderoso e amado; e além de tudo, sempre do lado da “verdade” e da “justiça”. Por esse motivo, portanto é perfeitamente compreensível que o indivíduo passe a se identificar com tais personagens e com esses brancos valores repassados; já que paralelamente os vilões, são estigmatizados, a partir desses padrões estabelecidos pela promoção dessa branca propaganda sobre si mesmo, ao mesmo tempo em que desqualifica, deslegitima e calunia o que ele considera como o outro; esse mesmo outro tão falado por Sartre e que se encaixa perfeitamente em teses psicanalíticas Freudianas ou mesmo de Adler, que implicitamente já estabelecia uma psicopatologia para a pessoa de cor.
Desse
modo, na lição da escola, quando falamos da história de quem construiu o
Brasil, falamos sempre em terceira pessoa, quando nos referindo ao negro, já
que essa identificação não nos cabe, nem qualquer carapuça correlata. Essa certeza aumenta ainda mais, se tornando convicção, principalmente quando assistimos os noticiários sangrentos,
sensacionalistas e exóticos. Nós nos excluímos a partir do momento em que sentimos que essa coisa não vai pegar bem pro nosso currículo; estando em nossa zona de conforto; ser
identificado como o selvagem, o gênio do mal ou qualquer marginal pré-estabelecido
como tal; por isso, andamos sempre na moda, vamos ao Mc Donald’s e bebemos Coca-Cola
e raramente damos esmola.
Essa
não valorização de nós mesmo é o que nos impede de amar e de nos amar, de sermos humanizados e humanos de verdade; uma vez que nos tornamos meras
caricaturas confeccionadas pelos trabalhadores dos estúdios da Disney. Transformaram a gente num boneco de ventríloquo personalizado, que é monitorado e tem cada movimento ditado assim o que fazemos, dirigidos e articulados pelos famosos diretores dos filmes hollywoodianos.Nossas vivências foram midiaticamente extirpadas, depois de lobotomizados, cotidianamente temos o coração docemente arrancado para que a robotização se dê de maneira satisfatória para presa e predador. Pronto; estamos pronto para falar de nosso povo em terceira pessoa e repetir, como se fosse um mantra, o discurso brancoso, olhando o mundo sempre através das lentes do branco.
Muito bem, você acaba de ser adicionado, acionado, direcionado, norteado, selecionado e sorteado para viver feliz na Matrix da Caverna do Dragão[i],
cujo final não será feliz, se a gente não descer do cavalo e tirá-lo da chuva,
a fim de uma boa e longa conversa sobre Reis, rainhas e princesas de verdade; e assim, sair da caverna de Platão, para subir finalmente no palco da vida fazendo nossa própria história.
[i]
Desenho animado exibido nos anos 80, cujos personagens guerreiros viviam presos
num limbo; a missão deles era fugir desse lugar e para isso contava com a ajuda
de um bondoso Mago, contra as armadilhas preparadas por um demoníaco Ser que
queira leva-los para uma perigosa dimensão. Ao final da temporada do desenho,
os fãs descobriram que os personagens, na verdade, era um grupo de amigos que havia
morrido num acidente automobilístico e estavam as portas do inferno; e o
bondoso Mago era o Diabo, enquanto o demoníaco ser era mesmo, seu protetor que
sempre impedia que o diabo os levassem para seu reino através da sedução sobre
a capa de bondade, verdade e justiça. Como nos filmes eurocentrados sempre seduzem,
apresentando os heróis e heroínas brancos como defensores da justiça e da
verdade.
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