Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Capoeira de Angola



Havia uma sombra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma sombra; Não sei se se minha ou do outro...
A sombra sempre escura que assombra, faz fechar os olhos para não ver a negra escuridão que baixa e não se encaixa no corpo esquivante, que brinca na capoeira gingante.
Girando, indo e vindo, a sombra lombra a visão da águia ao meio dia, à luz da meia lua.
A sombra dança a meia luz, procurando, num movimento que seduz, abraçar na benção e na ponteira de forma bem rasteira, a assombração que gira, circula e domina a roda da vida.
No meio do caminho havia uma sombra; havia uma sombra no meio do caminho... A outra sombra não era escura... Era a sombra assombrada pelas almas arrancadas dos corpos de ébano...











segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cotas, cotistas e cotados no inverso do reverso.


Para se construir o Brasil, os africanos, nossos ancestrais, foram sequestrados e escravizados segundo as bençãos da cristandade. O expediente de vendê-los como animais num zoo, para depois adestrá-los sobre  torturas nos pelourinhos públicos transformou-se em lugar-comum.

Os mondages (africanos sequestrados) expostos nos mercados negros do Rio de janeiro e em todo o litoral brasileiro, tornou-se um acontecimento cultural motivo de frisson, uma moda que se alastrou e aqueceu o mercado financeiro mundial, firmando-se na cultura brazilleira como uma ordinária frivolidade necessária inerente a branquitude, trazendo a europa (assim mesmo em letra minúscula) e estados unidos para um lugar de destaque na disputa do poder no cenário internacional.

Hoje os motambas (pessoas vendidas pela própria família por motivos financeiros) e mondages se expões como mercadoria por "vontade própria", para se venderem no mercado branco, aos descendentes dos awurafam (senhor das armas), hoje proprietários dos meios de produção; enquanto nós, os ancestrais,  julgamo-nos livres na condição de escravos-de-ganho. Assim, continuamos a ser objeto de uso e a produzir as riquezas para a elite, proprietária dos meios de comunicação e de produção. 

A lei da terra, instituída em 1850, seguindo o exemplo da lei Euzébio de Queirós, do ventre-livre, dos Sexagenários, das Cotas, etc; nos mantém  marginalizados e docilmente alijados da sociedade. 
Hoje, após um misterioso surto de bom senso de um pequeno grupo de políticos, sensíveis aos inúmeros assassinatos de negros e as incontáveis manifestações de apelos a humanidade branca, passou no congresso nacional a Lei 10.639/03, sendo a seguir,  diluída dentro da lei 11.645, para que tivesse, a exemplo das cotas raciais habilmente convertidas  em cotas sociais, seus efeitos eufemizados  afim de atenuar as consequências legais.

A mídia brazilleira, propriedade da elite escravocrata, reforçam os efeitos dessas leis que domesticam e mantém os "libertos" em seu lugar de Motambas e mondages. Assim, nessa dominante cultura da branquitude, os indígenas foram batizados pejorativamente de índios e as comunidades africanas rotuladas de tribo, de uma maneira naturalmente recorrente; Sendo os mesmos desapropriados de suas terras nativas  e a força ativa do negro, continua ainda hoje sequestrada, para gerar riquezas para a branquitude que se apropriaram de maneira invertida dessas mesmas cotas, para introduzir, padronizar e legitimar a meritocracia como simbolo de liberdade conquistada. Essa liberdade, passou a ser a única liberdade aceita como legítima na cultura popular, imposta de forma eugênica, pela branquitude.

É certo que a liberdade nunca é concedida, mas sim um resultado de conquista, de lutas e de resiliência. Esperar que essa elite tenha um momento de lucidez suscitando a ética e o respeito a humanidade, é uma lamentável utopia. Ubuntu é uma palavra alienígena e de significado desconhecido para a branquitude eurocêntrica. Portanto, usar o perverso e hediondo método de recorrer ao expediente corriqueiro de assassinatos e torturas, usando para isso os próprios escravizados que se julgam livres, como executores dessa morbidez, transformou-se em lugar-comum;  sobre os auspícios  da mídia, como outrora fora da cristandade. Dividir para governar, esse sempre foi o lema infalível da elite dominante.

Hoje os mondages lutam por uma liberdade meritocrática, e os descendentes dos motambas pelas cotas e pela Lei 10.639. Assim os malungos digladiam-se, enquanto a elite assiste satisfeita esse cenário caótico, como mais uma grande vitória similar a lei áurea.
Nossa baía de todos os santos da Guanabara não tem mais seus Cândidos Joões, pois as fardas militares agora pertencem aos Joões-ninguém de cor negra e armados de branquitude. Esses, a exemplo do João que acreditou e foi traído pelas promessas presidências, acreditam na mídia capataz e se veem na santa paz; paz armada, paz branca, paz da TV, paz assassina.
Luz, câmera, ação... E mais um negro vai morrer no calçadão para turista ver que a segurança é forte do Rio até o norte.
...Pausa para nossos comerciais....
Fique na paz...voltaremos logo mais, para contar os corpos de mais rapaz...Nossa cota tá cumprida por hoje...Somos a favor das leis, da princesa isabel, da família (branca), da religião (na escola)... Somos homens de bens...





sábado, 8 de dezembro de 2012

A Economia da Rosa dos Ventos


É necessário que a escola pública seja de má qualidade, para que gerem trabalhadores servis, para proporcionar as escolas particulares os lucros absurdos e que possam preparar os filhos dessa escola branca, para gerir seus negócios que irão empregar esses trabalhadores servis, que gerarão as riquezas que lhes competem como proprietários dos meios de produção.
É necessário que os hospitais públicos sejam impróprios, para que os hospitais particulares possam ganhar com a violência, torturas e mortes praticadas pelos agentes públicos contra trabalhadores servis, que discordam desse perfeito sistema capital.
É necessário que as universidades públicas sirvam a elite e não ao público servil, para que as faculdades particulares possam obter lucros, com os servis que tentam um mínimo de mobilidade social, na tentativa de ser cidadão.
É necessário que nossos militares sejam assassinos e torturadores, a exemplo dos capitães do mato, pretos que queriam ser gente, trucidando sua própria gente; para pensar que poderia, em algum momento, sair da condição de escravizado.
Enfim, é necessário que o cidadão comum dispute entre si um resto de dignidade e respeito, quando quem o desrespeita não são seus pares, mas sim a elite que o envenenou com uma inocente mentira, dizendo que uns são melhores que os outros, usando a mídia para se eximir de quaisquer responsabilidades pelo crime de falso testemunho que provoca a denúncia inquisitória de irmãos contra irmãos.
Assim, dividindo, ela, a elite, pode governar na santa paz do Deus único, patenteado e legitimado pela manipulação das massas. Essa elite sabe exatamente que uma gota de veneno, compromete todo um reservatório de água pura. Assim, faz uso de uma única mentira para estragar mil verdades. De maneira tremendamente fácil e até pueril, as inocentes mentiras se alastram como chamas num dia de verão, sobre as mentes incautas da geração big Brother.
Mas, em meio a cinco mil Deuses cultuados no mundo, a elite sabe que somente o de sua propriedade é verdadeiro; assim, seguem legitimando as verdades e qualificando as mentiras da maneira que deve ser. Portanto, o mundo segue rumo ao norte, sem encontrar o Sul; norteando-se sem se orientar. 



terça-feira, 27 de novembro de 2012

O encontro do Preto-velho e o velho papai Noel



Papai Noel:  - How, how, how...!!

Preto velho: - Vos micê ta rindu du quê, seu moço..!??

- Estou muito feliz... Mais do que feliz, incrivelmente feliz...how, how, how...!!
- Bom p’rocê, né seu moço..!?? Mas pro mode de preguntá... Posso saber o motivo de todo esse salamaleque..??
- Hoje sendo natal, eu distribuo muitas terras como presente, para os meus afilhados e compadres, filhos desse solo brazilleiro..!!

- Mais é..!? Pra todos os brasileiros du Brasi..??
- Ô velho, eu disse só para meus compadres e afilhados... Ora, pois...!!

- I comu foi que tu conseguiste tantas terra assim, pra distribuir a torto e a direita, sô..??
- Fácil... Antigamente no brazill, os pais de meus pais quando aqui chegaram, descobriram este maravilhoso mundo novo perdido, barganharam e trocaram muitos espelhinhos por essas terras a perder de vistas...!! Um presente do Deus-todo-poderoso, com toda certeza..!!
- Intãum os pai de seus pai tinha mesmu bastante intimidade com as divindades lá de riba... Lá na África foi bem diferente... Premero a genti cumeçou trocandu terra por blíblas... Mas adispôis a genti é era qui era trocadu pur umas garrafas di caxaça ou pur três ou quatro armas...!! Como aqui no brazi, passou a ser genti pur espelhu... Seus cumpadis e afilhados se alegraram com esses regalos; eles armazenaram os pai di meus pai num espaço de dois palmos (20 cm) durante meses, nu meio di fezes, baratas e ratos; nós era chamados de carga viva, enquantu levavam a gente no Owbaa coocoo (tumbeiro) batizadu com nomi di Santa. Os pai de meus pai foram acorrentados num desses... Me lembro bem du nome dessa masmorra flutuante: o negreiro  tinha o nome  de LIberty... Até que era um nomi bunitu pr’um açougue de carni humana!!
- Nós não... O pai de meu pai, junto com todos os pais e suas lindas, brancas e limpas famílias, limparam as terras usando uma moderna técnica de extermicídio em massa, enquanto os pais de seus pais foram trazidos para produzir riquezas pra gente de bens, como nós..!!
Afinal com tanto investimento em algemas, gargantilhas, perfuradores e gangalhas... Tinha que dar certo... Só assim podíamos vender mais armas para incentivar disputas e guerras, e investir na conquista de novos trabalhadores, pois eles não duravam mais do que seis anos na linha ativa de produção de riquezas... Um absurdo... Tudo pela hora da morte... E tinha uns preguiçosos que morriam só pra não trabalhar!! Os coitados dos cristãos, os meus compadres, tiveram que jogar alguns negrinhos e negrinhas pros tubarões pra servir de lição...



- É... Eu sei que os pai de meus pai deram muito ouro pros pai de seus pai... Também muito fruto arando a terra... Comida... Bebida... Construíram as casa grande,estradas, palácius e igrejas... E tudo mais que seus pai possuía, Mas também sei qui apesar de tudo isso, dessa riqueza sem fim gerada pelos pai de meus pai, o que valia mesmo pros pai de seus pai... Era o ouro negro; nossa alma, nosso espírito, nossa força... Mais também sei que eles nunca vendero a alma pros awurafam (senhor do poder do fogo)... Esse sinhô pai de seu pai...!! Ele não poderia pagar u qui num tem preço... Mesmo com Lemma Lemma (um capitão de navio negreiro conhecido como ladrão de homens) segurando o chicote...!!

- Isso não importa... Agora que chegamos com nossas renas e nossos trenós a esse novo Rio Benin (Nigéria) nosso Volta (Rio volta) é de mão única nesse lindo terceiro mundo...!!
- Eu bem sei que sua rena é uma fera faminta de barriga vazia, um negreiro que encarcera coração e de mente, aguardando os montambas (pessoas vendidas como escravas pela própria família por motivo de fome e miséria na maioria das vezes) e mondages (pessoas sequestradas para serem escravizadas) com seu presenti de gregu...!!



  
- Ô seu preto velho... Já é natal, portanto pare de reclamar de barriga cheia e aceite logo esses presentes doados por esse povo cristão que se preocupa tanto com vocês das comunidades miseráveis desse maravilhoso país..!! Vocês são privilegiados por serem sempre os primeiros na lista das prioridades de nosso honrado governo; veja só, esses alimentos fabricados em nossas grandes fazendas, como as de Corumbiara (local onde uma comunidade indígena inteira foi exterminada por militares para assentar fazendeiros), por exemplo...!! Além do mais este asilo é tudo de bom pra vocês, que nem casa tem... Nunca tiveram... Não entendo como podem ser tão mal-agradecidos com quem tanto se preocupa com vocês...!! Veja só aquele velho índio na cama ao fundo... Siga o exemplo dele; abra sua garrafa de cana e acenda seu cachimbo pra se distrair; afinal, é só isso que sua gente sabe fazer... How, how, how...!! Feliz natal...!!

-... Apinhados, em dor, os corpos malcheirosos, contidos por grilhões, conspurcam os ares abafados, em dolorosas fileiras, com grande engenho amontoados, jazem fumegantes, respirando a úmida fedentina:... (canção dos escravos durante a travessia do meio).
- Há... Havia esquecido... Vocês também sabem cantar...!!

-... Manchadas de sangue, no chão de madeira adamantina, articulações esfoladas pelo balanço do mar... E o navio prossegue seu funesto singrar... 



- Onde está aquele lindo funk que seus Filhos cantam tão bem...!?? Pare com essa canção ridícula de preto velho que não significa nada para esses inteligentes meninos; eles agora usam nossos modernos notebooks para se informar e atualizar... Esqueça essas histórias de famílias antiquadas e ridículas... Só faz confundir a cabeça das pessoas; Será melhor pra você, seu velho..!! Afinal, esse negócio de família está mudado... Estamos num mundo pós-moderno...!!
- Eu sou Preto Velho... E você é o velho Noel... Além do detalhe da roupa vermeia e de aparecer na televisão como o cara que representa o espírito do filho do homi, qual é o motivo dessa divisão...!??

_ Vocês também aparecem na TV recebendo os fraternos presentes, registrando assim nossa benevolência anual... Mesmo sendo filhos de Cãm (líderes religiosos e intelectuais europeus afirmavam que Cãm, filho de Noé, era negro. Portanto a maldição de Deus estavam sobre eles, podendo assim serem escravizados de acordo com as bênçãos divinas e científicas); Viu como é tudo muito lindo e emocionante..?? Não há motivos para reclamar...!! Toda essa vida de lamúrias é recompensada por nossos lindos presentes...!! Agora me abrace e sorria para as câmeras... Não vai querer aparecer mal na fita, né!?? ... Feliz natal Preto Velho... How, how, how...!!!
-... Feliz natal papai Noel...!! ... Duros mercadores se unem no mal, e a meia-noite concebem o plano fatal; malham o primeiro elo da cadeia do terror, cujas vibrações se prolongam no reino da dor...

- Vê se ensina pra esse infeliz o “Gingon Bell”, “noite feliz”, ou qualquer coisa que valha a pena... Dá um sistema de Cotas... um cartão de ajuda de custos...sei lá...Não aguento mais essas músicas do diabo... Se esse velho não para de cantar, faz ele dançar...!! 



terça-feira, 13 de novembro de 2012

RELIGARE


Um conto indiano relata o episódio do início dos tempos, quando os homens ainda eram próximo de seu criador e não necessitava de interlocutores, em que Deus reuniu seus auxiliares, comunicando-lhes a decisão de retirar do homem seu dom maior: a divindade.

Surgiu então a questão principal: em que lugar poderia-se esconde-lá...?? Sabendo-se da potencialidade humana e seu dom de exploração para descobertas, seu desenvolvimento e evolução... Cedo ou tarde ele certamente descobriria esse dom.

Seus auxiliares atarantados com a questão, cogitaram diversas hipóteses, das profundezas abissais da terra e dos oceanos, até o mais recônditos da imensidão do vazio das estrelas; mas... as possibilidades da redescoberta era sempre apontada.

Rogando sua própria ajuda, Deus disse a seus auxiliares que tinha a resposta a questão: onde esconder tal tesouro...!?? 

Diante de tal certeza, seus auxiliares perguntaram ansiosos pela resposta, a qual foram atendidos de pronto; O todo-poderoso então disse: vou esconde-lo justamente no lugar onde o homem não alcança; esconderei a divindade do homem... Dentro dele mesmo...!!

O tempo passou...

...E o homem, certa feita, numa rápida olhadela para o outro, num divino lampejo enxergou a si mesmo... E assim criou o RELIGARE: A RELIGIÃO. 
O passo seguinte foi anunciar aos quatro cantos sua descoberta e a esta anunciação deu-se a origem de uma nova invenção: A IGREJA. 
A seguir, como muitos concorriam ao divino sacerdócio da anunciação, já que isso conferia aos anunciadores um importantíssimo status divinus há muito perdido, surgiram então o processo de legitimação através do proselitismo desembocando finalmente na descoberta do MARKETING.

Foi então que, num golpe de mestre, patentearam essa divindade, inventando uma figura em que seria depositado todos os males da humanidade: O DIABO. Agora o homem só teria que se arrepender e se converter pagando indulgências. a conversão e mais uma cota de seu salário para livrar-se da culpa eterna de seus nefastos atos, seria um preço módico e conveniente para ter os problemas resolvidos. 

Bem, esse processo desenvolvimentista se deu concomitadamente com descoberta e evolução da escrita, com a invenção do jornalismo, do rádio, da TV. Enfim, das tecnologias de informação e comunicação. Com seu vertiginoso processo de desenvolvimento acelerado, chegou-se enfim ao advento da internet, globalizando então suas potencialidades criativas interdependentes, indo na contra-mão de sua própria evolução.

Com um golpe de mestre, como um anjo caído, ele assimilou o processo de esconde-esconde divino para uso e proveito próprio, tirando grande vantagem sobre os outros concorrentes na disputa pelo poder, inventando então a divisão da humanidade em raças superiores e inferiores, instituindo assim, o poder dos primeiros sobre os segundos.

Utilizando o citado princípio divino, ele legitimou-se como portador da verdade divina, se apropriando de todo e quaisquer bens que os inferiores possuíssem, sendo esse bem material ou imaterial. Promoveram invasões de terras alheias, estupros e assassinatos; e tudo mais, em nome do divino. 

Enfim, fundaram uma nova ordem, onde o capital foi colocado no trono como governo vitalício sempre usando a técnica do divino processo do óbvio ululante: ele prega a liberdade mantendo todos encarcerados; nega o preconceito, praticando o racismo; usando a ditadura em pleno processo democrático; torturando para dizer que é errado torturar; nega a exclusão, excluindo. enfim, reforça toda forma negativa do inferno na propaganda do paraíso.

Assim esse inferno é instituído na promessa de se ganhar tal paraíso; tendo como condição única o assimilar e o aceitar esse princípio divino desses iluministas iluminados, como forma de conversão e arrependimentos da cegueira de seus pecados. Neste caótico umbral urbano, a ilusão da verdade tornou-se a única pílula contra a ignorância. Só ela pode evitar a dor que seria o  encontrar-se do homem consigo mesmo, com seu eu autêntico divino (abençoados sejam os ignorantes... eles podem enxergar seu inferno)

Essa foi a maneira encontrada para que o indivíduo se protegesse do próprio inferno; assimilando-esse inferno e dando-lhe abrigo em seu próprio peito para não enxergá-lo; assim como fizera Deus escondendo sua divindade. Desde modo, os conflitos, as perversidades. assassinatos categóricos, torturas indiscriminadas e mixofobias torna-se elementos naturais, não passíveis de estranhamentos em seu cotidiano, muito pelo contrário; são fatos vistos como atrações e passatempo nas horas de lazer. 

Surpreendente seria alguém estranhar tais fatos e de algum modo tentar apelar à razão comunitária. tal sujeito se tornaria um meliante diante dos olhos hegemônicos da sociedade. Seria um terrorista, um macumbeiro, no mínimo um baderneiro ou algo do gênero; assim classificado e rotulado, seria despachado para o julgamento popular democrático da ditadura neo-liberal.

Esses anarquistas seriam os inimigos do Estado e da liberdade: infiéis, macumbeiros, anti-cristos da humanidade. Só o julgamento midiático final, devolveria a tranquilidade e a normalidade, trazendo o ar de controle do fracasso humano e do caos social, como um fator norteador da mixofobia e da saúde mental desse hospício urbano. O cidadão novamente se sentiria virtualmente protegido contra a realidade da cidadania que o espreita, do coletivismo que o rodeia e do comunismo que o assalta continuamente sem dar-lhe folga.

Assim, ele continua a olhar e a olhar-se sem nada enxergar, a ouvir sem escutar e a falar sem nada dizer: O princípio divino de sua natureza segue seu ritmo ininterrupto, nas profundezas de seu  insondável ser, velado pelos religares midiáticos das TCIs e abençoado pelo capital, governador vitalício do império democrático tupiniquim; dentro da complexa simplicidade da arte do bem viver.


O peixe só percebe que existe um outro mundo quando sai da água...




Eckhart Tolle" falava sobre a necessidade da pessoa defina-se para si mesmo ou aos outros. afirmando que isso não era uma questão de morte, mas sim, seria um modo de te trazer para a vida. E chamando a atenção para não se preocupar pela forma como que te definem. Pois enquanto eles definem você, eles estão limitando-se, portanto esse não é seu problema. 

Necessário se faz, interagir com as pessoas, não estando lá, principalmente como uma função ou um papel, mas como o campo de presença consciente. Você só pode perder algo que você tem, mas você não pode perder algo que você é."

Bem, como definiu muito bem Napoleão Bonaparte: "A história é um conjunto de mentiras acordado." não entenda tudo na defensiva se você é branco, ou culpe alguém por não ser branco...
Estes são crimes cometidos pelas elites, enquanto brigamos uns com os outros discutindo sobre "o que seu povo fez..." caindo na armadilha de defender o que fizeram esses ou aqueles, pois todos sentimos que uma parte de nós que está sendo atacada, enquanto as elites seguem nessa doutrinação inteligente e sutil na disseminação do racismo, componentes dessa oligarquia estão rindo a caminho do banco.

Através da história, as elites ricas DESTRUÍRAM países e povos e deixou o homem comum para lidar com o resto do que sobrou, criando inimizade entre as pessoas por gerações através de propaganda inteligente; até que todos se reúnam numa unidade, enquanto não tomarmos conhecimento do que eles têm feito, eles continuarão a fazer isso, roubando-nos e criando profundas diferenças geracionais e raciais, dividindo-nos... Dividir e conquistar é o nome do jogo.

Os não-brancos aprendendo que são melhores, mais bonitos, mais inteligentes e se auto-proclamado que são superiores; enquanto os negros aprendem que seus cabelos são ruins, seus Deuses são demônios e que eles nasceram para serem subalternizados. Quanto a elite dominante... essa vai bem, obrigado..!! 

Passeiam de jatinho, curtem as férias de novem meses no exterior, administram seus milhares de bens adquiridos com a força ativa do povo, e suas terras demarcadas com sangue indígenas e construída com sangue negro para o bem estar de seu sangue azul.
Como podemos observar, cada cor representa um valor, cotado a torturas e humilhações no pregão instituído por essa elite oligárquica que habilmente dividem esses infelizes, através das ricas programações veiculadas pelas tecnologias de informação e comunicação: nossa mídia, fiel escudeira desses assassinos de plantão. Portanto, as discussões e os debates sobre cotas e se existe ou não o racismo no Brazill são tão necessários a essa sociedade que se fez obtusa, através do processo de inclusão na grande Matrix democrática eurocêntrica, patrocinada pela KKK globalitária.

Portanto, definir-se, é resgatar sua história, suas raízes, sua memória. Só assim será possível nossa recolocação no tempo e no espaço social, como gente, como cidadão pleno e protagonista de sua própria história; uma história que foi cunhada inicialmente por seus antepassados, na solidariedade, coletividade e comunidade de povos negros e de povos pejorativamente chamados de índios e de bárbaros que habitavam em tribos. 
Essa mesma elite branca, democrática e que prega a liberdade, faz uso do terrorismo para trucidar povos que são contra seus interesses, intitulando-os de terroristas para legitimar, diante dessa sociedade obtusa, os assassinatos categóricos em massa, infligidos aos povos que discordam com esse contrato de liberdade provisória, que reza na exploração de suas terras, e da obrigatoriedade mão-de-obra escravizada de seus cidadãos.
mas como é bem mais tranquilo se criar escravos felizes do que trabalhadores descontentes, nossa mídia procuram definir habilmente o caráter de seus cidadãos, domesticando-os e formatando seu modo de pensar, de forma educada e homogênea.


Portanto, falar sobre o mês da consciência negra em Novembro, é confinar e limitar sua própria história, seu próprio valor. Nesse caso, concordo com Morgan Frimam, não precisamos de "um" mês de consciência negra e os outros onze meses de valores brancos. Precisamos sim, nos definir como gente, cidadãos livres com dignidade à vida, marcando presença, não como um objeto exótico-cultura, mas como presença política participativa e transformadora desta realidade perversa, habilmente implementada nas instituições públicas e nos institutos sociais em todos os setores da nossa sociedade, legitimando a fragmentação social e identitária do cidadão melanodérmico.

WANTED...


Procura-se um político profissional,
Para ocupar 500 vagas no congresso nacional.
1º, 2º ou 3º grau, graduado ou com mestrado,
Boa aparência e cara-de-pau; tem que ser sujeito mau, faceiro e carniceiro.
Ajuda de custo não vai faltar,
Seus desejos e caprichos vão se realizar.
Vergonha é coisa do passado, ética é bicho estranho.
No pregão do congresso, o tráfico de influência é um sucesso.
A mentira é de lei, a manipulação é o mote da oração.
Se seu currículo indica uma ficha na polícia,
Venha logo de camburão tomar posse nessa eleição.
Venha sem nada a declarar,
Prometendo sem pestanejar,
Pois só isso é pré-requisito pra nessa farra ingressar.
Ser político tupiniquim, não é tudo de ruim,
Contando que o mandato não tenha fim. 
É tudo gente fina, é só entrar no clima.
A C.P.I. Não tá nem aí,
Pois sempre leva o “Oscar” de melhor atuação
Por mostrar o “xis” da questão.
Comissão de ética é figura patética.
Seja sem-vergonha e traga sua maconha,
Subindo a rampa com muita pompa.
Usando sua desfaçatez
Por trás do perfume francês,
Mostre a cara de madeira
Subindo a ladeira.
Trocando moto por voto,
Na confusão da reeleição.
É... Vem que tem!
Wanted...Wanted...Wanted...!!!
Eu poderia estar matando,
Eu poderia estar roubando,
Mas estou aqui te embromando;
Orando e confiando na ética aidética do homem de bens; aquele ser cristão que governa essa nação, enquanto fecha os olhos pr’essa situação; se ligou irmão..!!?
Então preste bem atenção e deixe de arrumar confusão; se candidate a viver com arte;
Arte de ver, de ouvir e de falar sem mandar um “h” na hora de lutar por ti, mim, por vós, juntando todos os nós; A gente contra agente... 
Quem não luta crente naquele que mente é a Negrada de benção, martelo e armada, e quem foi do negreiro sabe em fevereiro não tem mais bloco de traiçoeiro mandado de assalto pelo planalto, ordenado pelo primeiro arruaceiro eleito contra o povo brasileiro. 
Êêêê... Sacode a poeira...



domingo, 11 de novembro de 2012

God and Evil na terra dos gringos




A benção é maldição, a maldição é benção, enquanto o bom é ruim e o ruim é bom, na batalha travada no jogo desse tabuleiro em que se transformou o novo mundo, entre peças pretas e brancas, essas dicotomias dançam aguerridas, chorando de tanto rir, ao sabor dos sentidos fragmentados, enquanto as vistas passam rápidas fazendo as peças parecerem mulatas, marrons, moreninhas, cor de chocolates...

É nesta hora que Dante sente inveja, percebendo que seu inferno é só um parquinho de diversões, pois agora ao contrário de seu umbral arejado, gente deixou de ser gente para ser mera peça de manipulação.
Sísifo é testemunha, de quem vive nesse inferno gélido, chamado de vida vivida a fogo; o Preto e o Branco, o Bem e o Mal; abençoado e amaldiçoado jogando eternamente consigo mesmo, enquanto ironicamente seguram a carretilha que trava e movimenta a própria armadilha manipulando sua auto-arapuca.
O medo habilmente plantado e cultivado, como planta daninha na ceara da vida, agrava tal condição, quando com suas próprias mãos travam essa carretilha, a fim de manter contínuo o vício da adrenalina que potencializa a emoção do jogo imposto, de cartas marcadas. 
A mão que prende é a mesma que liberta o inferno refletido no espelho do outro, sendo nada mais que seu próprio inferno (refletido), mantenedora da imagem e das reação vivas, nesse inferno de mortos felizes.
Olhar para si e perceber sua própria mão, é destruir ilusões, matando sua pseudo-vida expressa na fachada da face fechada e fulgurante em forma apolínea, contida no semblante reflexo do semelhante.
A certeza da verdade incerta, se torna exata no preciso erro legítimo por natureza; natureza morta, onde a cor do céu é Black e a do inferno Blanc. Assim o Deus ciumento e sanguinário do velho (testamento) que se fez novo, torna-se o maldito  Diabo Afro desse mesmo tudo que é nada.
Desse modo, o racismo rentável no rascunho riscado no reverso do retrato do rosto do Rasta, retundo e rarefeito, se rende a razão que reluz revelada. A rainha ranheta remando renitente na reta rota de ratos e raposas, recua a régua real; raptando respostas na rede que resiste, reergue e se refaz. O racismo das raças rasga a razão no jogo em questão. 
Resta o dinheiro produzido e roubado do objeto negro, negociado no mercado branco, como fonte da razão da existência da divisão do mundo em raças.


sábado, 3 de novembro de 2012









EDITAL PARA INSCRIÇÃO DE TRABALHOS

NA FORMA DE PÔSTER



1.    DISPOSIÇÕES GERAIS:
Poderão ser inscritos no Seminário Educação Básica e Diversidade Étnico-Racial: a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/ trabalhos de práticas pedagógicas que abordem temas da área da educação das relações étnico-raciais, realizados por profissionais da educação da rede pública do município de São Gonçalo e por graduandos de Licenciatura.

2.    PRAZOS:
·        Os trabalhos deverão ser enviados para a Comissão de Avaliação até às 17h do dia 10 de novembro de 2012, via Internet através do endereço http://sepe-sg.blogspot.com.br/ ou inscrição presencial na sede do SEPE São Gonçalo, Rua Coronel Rodrigues, 256 – Centro – São Gonçalo – RJ.
·        Somente serão aceitos trabalhos com data de postagem no prazo acima citado.
·        Não haverá prorrogação dessa data.

3.    INSCRIÇÃO:
Para inscrição do trabalho na forma de pôster, são necessários três documentos:
a)    Fichas de inscrição de trabalho: anexa ao presente Edital. Todos os campos devem ser adequadamente preenchidos e todos os nomes dos autores devem estar completos e escritos por extenso.

b)    Resumo: redigido segundo as instruções de normatização do Anexo – Normas para elaboração de resumo do pôster deste Edital.

c)      Roteiro do conteúdo do pôster: redigido segundo as instruções de normatização do Anexo – Normas para elaboração de pôster deste Edital.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A difícil missão do dicionário na tradução da palavra hipocrisia e sua leitura analfabetizada no cotidiano escolar.




No dicionário de língua portuguesa a palavra hipocrisia se traduz por falsidade, fingimento de um sentimento que não se tem. Ou seja, uma afetação da virtude.
Para ilustrar esse contexto sócio-político-cultural abundantes em nosso cotidiano, lamentavelmente não nos faltam exemplos. Na minha labuta diária exercendo o magistério, esse é o sentimento no qual tenho sido especialista nessa atual conjuntura. Um notório fatos que venho aqui narrar, tem inicio com uma letra de música, que numa certa ocasião distribui aos educandos, para que fizéssemos uma análise crítica da mensagem.
 Tratando-se de uma questão relativa à cultura Afro Africana, a composição mencionada era um RAP dos Racionas Mc... Obviamente, tal composição fazendo uso da linguagem coloquial, usava um considerável recheio de palavrões, comumente usados por esses mesmos educandos como ponto, vírgulas e figuras ornamentais em suas conversas informais. Ou seja, nada que os mesmos  desconhecessem.
Bem, analisemos então os desdobramentos pedagógicos dessa Afro-atividade: No dia seguinte fui convocado à direção para dar explicações a respeito da citada aula, tendo como convidado especial um representante da Secretaria de educação como fiscal dos bons costumes, portando implicitamente a habitual suástica como insígnia de sua autoridade. Esse espetáculo inquisitório foi promovido por um abaixo-assinado, em consequência das reclamações dos pais desses mesmos educandos, alegando o absurdo daquela situação inadmissível, deixando seus filhos expostos e a mercê desse professor de baixo calão. É correto afirmar que os assinantes desse abaixo-assinado eram pais tementes a Deus, que a exemplo de seus filhos, jamais diriam palavras desse quilate. Enfim, eram Homens de bens; ou melhor, de bem.
Bem, em relação à mensagem da composição, nada foi mencionado; visto que as palavras lidas e compreendidas, foram somente aquelas que faziam parte da realidade do cotidiano dos envolvidos na situação, e as outras abordavam questões relativas à autonomia de pensamento, alteridade, consciência, capital cognitivo, etc. Sendo assim, as possibilidades de ensinar aqueles que se recusam a aprender, tornou-se algo complexo, contrariando os discursos de pesquisadores acadêmicos e de pedagogos especialistas que se debruçam na análise de questões fenomenológicas educacionais.
Claro que fui inquirido continuamente a cada ação pedagógica implementada naquela unidade escolar, onde os professores normalmente sofriam agressões verbais de forma naturalizada e normatizada por parte dos educandos; fui convidado a me retirar, por não me adequar a tais normas e acabei abandonando a matrícula na qual exercia a profissão há oito anos.
A palavra hipocrisia continua no dicionário, e nossos educandos continuam a fazer uso do sub-coloquial em suas conversas informais e virtuais tais palavras, como pontos, vírgulas e ornamentos de linguagem, assim como seus pais deixam de fazê-lo no púlpito. O privado toma conta do público, onde o coletivo é expulso e individualismo imposto como forma de respeito ao próximo; Instituído o certo e o errado, envernizamos nossas realidades assim como os meios de Comunicação o fazem: um Sileno de Alcebíades* (estátua grega rude, bem rústica, que em seu interior trazia outra de extrema beleza) ao avesso. Sendo assim, parece que no lugar da Pedagogia das Emoções, implementamos a pedagogia do Cinismo. Parece que no lugar da necessidade do espanto da descoberta, adotamos a política da comodidade, trazida como presente de grego pela globalização, escolhendo olhar pro nosso umbigo como centro do universo; optamos por olhar sem ver, ouvir sem escutar e tocar sem sentir. 
Nesse contexto a ética tornou-se um produto virtual, que se faz uso quando necessita-se para ornamentar e legitimar quaisquer preleções, que contribua na difusão da cultura de efemérides oficial reinante no discurso meritocrático de “educação pública de qualidade”.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A eugenia contemporânea e a violência do racismo na classe médica.

SUS: Seu Último Suspiro. É assim que o sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro é conhecido. Os chamados erros médicos são  especificamente cometidos contra pretos, pobres pretos e quase pretos. Grosserias como ácidos injetados na veia, sopa injetada na veia e acreditem, até café com leite são aplicados nas veias dos indivíduos dessas indesejáveis classes, sem citar outras perversidades como objetos "esquecidos" e costurados dentro do corpo do sujeito, amputações indevidas ou simplesmente a omissão de socorro, se tornaram lugar comum, fatos corriqueiros. Erros médicos que raramente são passíveis de serem reparados pela justiça oligárquica, conivente e cúmplice do clã da medicina.
Esse processo genocida não se limita a perversidade oligárquica do clã da medicina e do poder judiciário, mas faz parte do processo eugênico iniciado com a vitoriosa república brazilleira, que está se potencializando com a adesão da "classe do conhecimento" a qual os intelectuais fortalecem e engrossam.
É lamentável assistir esse biocídio veiculado ao vivo e em preto e quase branco, pela mídia fascista e racista desse Brazill brazilleiro, fazendo com que seja encarada de forma extremamente normal e natural; sendo comodamente aceita e assimilada cinicamente pela sociedade.
O médico, assim como os advogados e todos os homens brancos de status quo padronizado, são chamados de doutores, mesmo não possuindo o diploma que os gabaritem como tal; era visto como um salvador; aquele que para vinha para amenizar a dor e o sofrimento do  desafortunado moribundo. Infelizmente constatamos que hoje, eles fazem coro com os militares, que exterminam publicamente a população melanodérmica com a cumplicidade daqueles que fazem parte da classe média conservadora, racista e reacionária brazilleira. 
Esse processo foi naturalizado graças a habilidade da mídia, formatadora da opinião pública e domesticadora de consciências. Os repórteres e os jornalistas inescrupulosamente exploram os sentimentos de quem sofre esses infortúnios, dando sua versão editorial final como a voz da verdade, desviando assim o foco da responsabilidade do crime cometido, ordenando e dirigindo as devidas reações das vítimas, fazendo desse quadro branco mais um show de atração no horário nobre. 
Assim, os criminosos tranquilamente continuam assassinando, torturando, e pior, se acostumando com esse processo biocida, acreditando nele como paradigma, tal como os neo-evangélicos acreditam que as religiões de matrizes africanas são do demônio: Natural, normal, verdade absoluta e incontestável: dogma social. Assim se justifica o racismo, o preconceito, a estereotipia. Enfim, comprovamos nossa incompetência de conviver em sociedade e aceitamos nosso fracasso como ser humano inaugurando a cada dia nossa selvageria, nossa nulidade como gente, lapidando ao ligar a TV a nossa incapacidade de produção de sinapses que nos transformam em verdadeiras aberrações cognitivas ambulantes com diploma de quinta grandeza. Diploma de estupidez exercido com orgulho; honores causa em imbecilidade e morbidez. Essa é a cara branca da medicina de hoje, atrás da máscara protetora que cobre o rosto disfarçado pela   imaculada roupa branca, manchada com sangue negro da carne mais barata do mercado.

*Soldados Belgas, em 1997, fazendo churrasco de uma criança somali: Eles foram inocentados pelo comando e o caso foi abafado pela imprensa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Ética na educação e o Projeto Político Pedagógico



Hic Rhodus, Hic Salta*...!! (Aqui é Rodes, que aqui seja o salto...!! referência a um fanfarrão que dizia ter dada um grande salto na Ilha de Rhodes, chamando todos para testemunhar seu feito, quando alguém na platéia grita: aqui é Rhodes, que aqui seja o salto..!! ) Segundo Bauman, Nosso mundo contemporâneo é formado por redes conceituais herdadas e aprendidas para que possamos apreender nossa realidade fugaz. Por isso necessitamos com urgência de um novo quadro que comporte e organize nossas experiências (de quem as têm), que permitam ler sua lógica e mensagem, até agora ocultas.

É necessário atentar para a questão da experiência, nesse contexto vivido por nossos jovens no mundo virtual, separado da realidade exigida a todo momento pela vida. Nikolai Leskov nos fala da morte da narrativa, visto que a sabedoria, o lado épico da verdade, está em extinção, já que ela, a narrativa, está sendo expulsa da esfera do discurso. Ele aponta como causa dessa morte, o surgimento do romance. O que separa o romance da narrativa é que ele está essencialmente veiculado ao livro, enquanto a narrativa se relaciona essencialmente a oralidade.
O narrador retira da experiência, dele e de outros, o que ele conta e incorpora a coisa narrada à experiência dos ouvintes, enquanto o romancista segrega-se, anunciando a profunda perplexidade de quem a vive..
A causa desse fenômeno é clara: A falta do processo de experimentações. Ou seja, as ações de experiências estão se tornando raras. Basta olharmos as mídias e tecnologias de informação para percebemos esse fenômeno: ela traz tanta comodidade e facilita tanto a vida, que os processo mentais de produção de sinapses estão adormecendo; assim, estamos produzindo verdadeiras aberrações cognitivas.
A experiência passada de pessoa a pessoa é a principal fonte dos narradores. Assim o narrador se torna tangível, real. Ele incomoda os sentidos daqueles que se embalam nos doces braços do imobilismo.
Nossa escola paralela está anos luz à frente da escola pública conservadora e reprodutora do pensamento hierarquizado, compartimentado e coercitivo.


Sua hierarquia se baseia no conceito da “ordem das bicadas”, criado por aqueles que se autoproclamaram superiores, impedido as possibilidades de uma vida decente e agradável e de um mundo mais bem ajustado.
Por isso viver tornou-se uma arte, e tal como as imagens de Warhol, é necessário se auto recriar para resolver as interações entre o mundo e a própria auto identidade, na medida em que ela é negada no espaço societal. 

E o que a mídia tem haver com isso? Metade do tempo ocioso de seu tempo, os pais de nossos alunos, esse trabalhador, passa em frente à TV, que o persuade a necessitar de mais coisas. Para comprar essas coisas ele precisa de mais dinheiro, então ele precisa trabalhar mais, ficando mais ausente do lar. Para compensar essa ausência ele compra presentes, que custam dinheiro, e assim ele materializa o amor e o ciclo se perpetua. segundo Bauman, Esses imediatismos exigidos pela velocidade das coisas, pelas expressões imediatas da vida contemporânea, aplicado às relações, se ativam pela proximidade ou pela presença do outro. Assim a confiança se liquefaz na constante busca, nas referências de uma relação segura, gerando um terreno fértil para ressentimentos, combinado com o medo oriundo na insegurança dessa busca. A confiança e o carinho dão lugar a mixofobia banalizada. 

Assim, as pessoas se uniformizam, permanecendo em companhia de pessoas como ela, com quem pode se socializar de forma prática e mecânica, sem riscos de desentendimentos. Não sendo então necessário se traduzir e nem ela aos outros. Desse modo ela “desaprende” a arte de negociação dos sentidos comuns. Estabelecendo então uma guerra de comunicação com os diferentes, quando não mais dispõem das habilidades da arte da convivência. Assim essa relação de felonia tem como consequência a autodecepção projetada, disfarçando seu erro e alimentando sua autoindulgência. Ou seja, ele se torna vítima, o sofredor da ação do outro; o rancor inicial é “justificado” e “confirmado” pelas ações daqueles que os alimentam.

Desconstruir esse ressentimento é um trabalho árduo, visto ser necessário descobrir ou mesmo inventar as armas, para enfrentar as configurações que põem os interesses de seus portadores em conflitos. Enquanto não percebermos nossa interdependência como fator decisivo no desafio da globalização e de nosso sucesso ou fracasso, conviveremos nessa penosa condição de Sísifo. Como diria John Donne, “Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
A escola, inserida nessa conjuntura, onde se constata uma sociedade preconceituosa, racista, cínica e violenta  como cúmplice, uma vez que silencia diante desse contexto coisificante, adotando preceitos meritocráticos, guetizando currículos e subalternizando seu Projeto Pedagógico.
Enquanto nossos companheiros professores se limitarem à lamentações e paradoxalmente se calarem diante diante desse quadro branco, a educação mudará o suficiente para que tudo continue como está: Produzindo aberrações cognitivas em massa e consequentemente, escravos momentaneamente felizes por poder materializar o amor na tela do computador.
Os projetos Pedagógicos, com raríssimas exceções, estão contaminados com o pensamento escravista da oligarquia reinante. A escola naturaliza essa violência, tendo a mídia domesticadora como parceira. Assim o discuso sobre universidade e empresa, sobre produção de "conhecimento" se limitam a beneficiar um grupelho restrito, enquanto milhões se encontram alijados do mínimo para viver com dignidade. 
Luther King falava sobre o silêncio dos bons; eu falo sobre a conivência e cumplicidade dos bons que se sujeitam a tais coisificações em troca dos benefícios advindos desse imobilismo moral que grassa em nossa cínica sociedade.