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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cotas, cotistas e cotados no inverso do reverso.


Para se construir o Brasil, os africanos, nossos ancestrais, foram sequestrados e escravizados segundo as bençãos da cristandade. O expediente de vendê-los como animais num zoo, para depois adestrá-los sobre  torturas nos pelourinhos públicos transformou-se em lugar-comum.

Os mondages (africanos sequestrados) expostos nos mercados negros do Rio de janeiro e em todo o litoral brasileiro, tornou-se um acontecimento cultural motivo de frisson, uma moda que se alastrou e aqueceu o mercado financeiro mundial, firmando-se na cultura brazilleira como uma ordinária frivolidade necessária inerente a branquitude, trazendo a europa (assim mesmo em letra minúscula) e estados unidos para um lugar de destaque na disputa do poder no cenário internacional.

Hoje os motambas (pessoas vendidas pela própria família por motivos financeiros) e mondages se expões como mercadoria por "vontade própria", para se venderem no mercado branco, aos descendentes dos awurafam (senhor das armas), hoje proprietários dos meios de produção; enquanto nós, os ancestrais,  julgamo-nos livres na condição de escravos-de-ganho. Assim, continuamos a ser objeto de uso e a produzir as riquezas para a elite, proprietária dos meios de comunicação e de produção. 

A lei da terra, instituída em 1850, seguindo o exemplo da lei Euzébio de Queirós, do ventre-livre, dos Sexagenários, das Cotas, etc; nos mantém  marginalizados e docilmente alijados da sociedade. 
Hoje, após um misterioso surto de bom senso de um pequeno grupo de políticos, sensíveis aos inúmeros assassinatos de negros e as incontáveis manifestações de apelos a humanidade branca, passou no congresso nacional a Lei 10.639/03, sendo a seguir,  diluída dentro da lei 11.645, para que tivesse, a exemplo das cotas raciais habilmente convertidas  em cotas sociais, seus efeitos eufemizados  afim de atenuar as consequências legais.

A mídia brazilleira, propriedade da elite escravocrata, reforçam os efeitos dessas leis que domesticam e mantém os "libertos" em seu lugar de Motambas e mondages. Assim, nessa dominante cultura da branquitude, os indígenas foram batizados pejorativamente de índios e as comunidades africanas rotuladas de tribo, de uma maneira naturalmente recorrente; Sendo os mesmos desapropriados de suas terras nativas  e a força ativa do negro, continua ainda hoje sequestrada, para gerar riquezas para a branquitude que se apropriaram de maneira invertida dessas mesmas cotas, para introduzir, padronizar e legitimar a meritocracia como simbolo de liberdade conquistada. Essa liberdade, passou a ser a única liberdade aceita como legítima na cultura popular, imposta de forma eugênica, pela branquitude.

É certo que a liberdade nunca é concedida, mas sim um resultado de conquista, de lutas e de resiliência. Esperar que essa elite tenha um momento de lucidez suscitando a ética e o respeito a humanidade, é uma lamentável utopia. Ubuntu é uma palavra alienígena e de significado desconhecido para a branquitude eurocêntrica. Portanto, usar o perverso e hediondo método de recorrer ao expediente corriqueiro de assassinatos e torturas, usando para isso os próprios escravizados que se julgam livres, como executores dessa morbidez, transformou-se em lugar-comum;  sobre os auspícios  da mídia, como outrora fora da cristandade. Dividir para governar, esse sempre foi o lema infalível da elite dominante.

Hoje os mondages lutam por uma liberdade meritocrática, e os descendentes dos motambas pelas cotas e pela Lei 10.639. Assim os malungos digladiam-se, enquanto a elite assiste satisfeita esse cenário caótico, como mais uma grande vitória similar a lei áurea.
Nossa baía de todos os santos da Guanabara não tem mais seus Cândidos Joões, pois as fardas militares agora pertencem aos Joões-ninguém de cor negra e armados de branquitude. Esses, a exemplo do João que acreditou e foi traído pelas promessas presidências, acreditam na mídia capataz e se veem na santa paz; paz armada, paz branca, paz da TV, paz assassina.
Luz, câmera, ação... E mais um negro vai morrer no calçadão para turista ver que a segurança é forte do Rio até o norte.
...Pausa para nossos comerciais....
Fique na paz...voltaremos logo mais, para contar os corpos de mais rapaz...Nossa cota tá cumprida por hoje...Somos a favor das leis, da princesa isabel, da família (branca), da religião (na escola)... Somos homens de bens...





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