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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Ética na educação e o Projeto Político Pedagógico



Hic Rhodus, Hic Salta*...!! (Aqui é Rodes, que aqui seja o salto...!! referência a um fanfarrão que dizia ter dada um grande salto na Ilha de Rhodes, chamando todos para testemunhar seu feito, quando alguém na platéia grita: aqui é Rhodes, que aqui seja o salto..!! ) Segundo Bauman, Nosso mundo contemporâneo é formado por redes conceituais herdadas e aprendidas para que possamos apreender nossa realidade fugaz. Por isso necessitamos com urgência de um novo quadro que comporte e organize nossas experiências (de quem as têm), que permitam ler sua lógica e mensagem, até agora ocultas.

É necessário atentar para a questão da experiência, nesse contexto vivido por nossos jovens no mundo virtual, separado da realidade exigida a todo momento pela vida. Nikolai Leskov nos fala da morte da narrativa, visto que a sabedoria, o lado épico da verdade, está em extinção, já que ela, a narrativa, está sendo expulsa da esfera do discurso. Ele aponta como causa dessa morte, o surgimento do romance. O que separa o romance da narrativa é que ele está essencialmente veiculado ao livro, enquanto a narrativa se relaciona essencialmente a oralidade.
O narrador retira da experiência, dele e de outros, o que ele conta e incorpora a coisa narrada à experiência dos ouvintes, enquanto o romancista segrega-se, anunciando a profunda perplexidade de quem a vive..
A causa desse fenômeno é clara: A falta do processo de experimentações. Ou seja, as ações de experiências estão se tornando raras. Basta olharmos as mídias e tecnologias de informação para percebemos esse fenômeno: ela traz tanta comodidade e facilita tanto a vida, que os processo mentais de produção de sinapses estão adormecendo; assim, estamos produzindo verdadeiras aberrações cognitivas.
A experiência passada de pessoa a pessoa é a principal fonte dos narradores. Assim o narrador se torna tangível, real. Ele incomoda os sentidos daqueles que se embalam nos doces braços do imobilismo.
Nossa escola paralela está anos luz à frente da escola pública conservadora e reprodutora do pensamento hierarquizado, compartimentado e coercitivo.


Sua hierarquia se baseia no conceito da “ordem das bicadas”, criado por aqueles que se autoproclamaram superiores, impedido as possibilidades de uma vida decente e agradável e de um mundo mais bem ajustado.
Por isso viver tornou-se uma arte, e tal como as imagens de Warhol, é necessário se auto recriar para resolver as interações entre o mundo e a própria auto identidade, na medida em que ela é negada no espaço societal. 

E o que a mídia tem haver com isso? Metade do tempo ocioso de seu tempo, os pais de nossos alunos, esse trabalhador, passa em frente à TV, que o persuade a necessitar de mais coisas. Para comprar essas coisas ele precisa de mais dinheiro, então ele precisa trabalhar mais, ficando mais ausente do lar. Para compensar essa ausência ele compra presentes, que custam dinheiro, e assim ele materializa o amor e o ciclo se perpetua. segundo Bauman, Esses imediatismos exigidos pela velocidade das coisas, pelas expressões imediatas da vida contemporânea, aplicado às relações, se ativam pela proximidade ou pela presença do outro. Assim a confiança se liquefaz na constante busca, nas referências de uma relação segura, gerando um terreno fértil para ressentimentos, combinado com o medo oriundo na insegurança dessa busca. A confiança e o carinho dão lugar a mixofobia banalizada. 

Assim, as pessoas se uniformizam, permanecendo em companhia de pessoas como ela, com quem pode se socializar de forma prática e mecânica, sem riscos de desentendimentos. Não sendo então necessário se traduzir e nem ela aos outros. Desse modo ela “desaprende” a arte de negociação dos sentidos comuns. Estabelecendo então uma guerra de comunicação com os diferentes, quando não mais dispõem das habilidades da arte da convivência. Assim essa relação de felonia tem como consequência a autodecepção projetada, disfarçando seu erro e alimentando sua autoindulgência. Ou seja, ele se torna vítima, o sofredor da ação do outro; o rancor inicial é “justificado” e “confirmado” pelas ações daqueles que os alimentam.

Desconstruir esse ressentimento é um trabalho árduo, visto ser necessário descobrir ou mesmo inventar as armas, para enfrentar as configurações que põem os interesses de seus portadores em conflitos. Enquanto não percebermos nossa interdependência como fator decisivo no desafio da globalização e de nosso sucesso ou fracasso, conviveremos nessa penosa condição de Sísifo. Como diria John Donne, “Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
A escola, inserida nessa conjuntura, onde se constata uma sociedade preconceituosa, racista, cínica e violenta  como cúmplice, uma vez que silencia diante desse contexto coisificante, adotando preceitos meritocráticos, guetizando currículos e subalternizando seu Projeto Pedagógico.
Enquanto nossos companheiros professores se limitarem à lamentações e paradoxalmente se calarem diante diante desse quadro branco, a educação mudará o suficiente para que tudo continue como está: Produzindo aberrações cognitivas em massa e consequentemente, escravos momentaneamente felizes por poder materializar o amor na tela do computador.
Os projetos Pedagógicos, com raríssimas exceções, estão contaminados com o pensamento escravista da oligarquia reinante. A escola naturaliza essa violência, tendo a mídia domesticadora como parceira. Assim o discuso sobre universidade e empresa, sobre produção de "conhecimento" se limitam a beneficiar um grupelho restrito, enquanto milhões se encontram alijados do mínimo para viver com dignidade. 
Luther King falava sobre o silêncio dos bons; eu falo sobre a conivência e cumplicidade dos bons que se sujeitam a tais coisificações em troca dos benefícios advindos desse imobilismo moral que grassa em nossa cínica sociedade.





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