A benção é maldição, a maldição é benção, enquanto o bom é ruim e o ruim é bom, na batalha travada no jogo desse tabuleiro em que se transformou o novo mundo, entre peças pretas e brancas, essas dicotomias dançam aguerridas, chorando de tanto rir, ao sabor dos sentidos fragmentados, enquanto as vistas passam rápidas fazendo as peças parecerem mulatas, marrons, moreninhas, cor de chocolates...
É nesta hora que Dante sente inveja, percebendo que seu inferno é só um parquinho de diversões, pois agora ao contrário de seu umbral arejado, gente deixou de ser gente para ser mera peça de manipulação.
Sísifo é testemunha, de quem vive nesse inferno gélido, chamado de vida vivida a fogo; o Preto e o Branco, o Bem e o Mal; abençoado e amaldiçoado jogando eternamente consigo mesmo, enquanto ironicamente seguram a carretilha que trava e movimenta a própria armadilha manipulando sua auto-arapuca.
O medo habilmente plantado e cultivado, como planta daninha na ceara da vida, agrava tal condição, quando com suas próprias mãos travam essa carretilha, a fim de manter contínuo o vício da adrenalina que potencializa a emoção do jogo imposto, de cartas marcadas.
A mão que prende é a mesma que liberta o inferno refletido no espelho do outro, sendo nada mais que seu próprio inferno (refletido), mantenedora da imagem e das reação vivas, nesse inferno de mortos felizes.
Olhar para si e perceber sua própria mão, é destruir ilusões, matando sua pseudo-vida expressa na fachada da face fechada e fulgurante em forma apolínea, contida no semblante reflexo do semelhante.
A certeza da verdade incerta, se torna exata no preciso erro legítimo por natureza; natureza morta, onde a cor do céu é Black e a do inferno Blanc. Assim o Deus ciumento e sanguinário do velho (testamento) que se fez novo, torna-se o maldito Diabo Afro desse mesmo tudo que é nada.
Desse modo, o racismo rentável no rascunho riscado no reverso do retrato do rosto do Rasta, retundo e rarefeito, se rende a razão que reluz revelada. A rainha ranheta remando renitente na reta rota de ratos e raposas, recua a régua real; raptando respostas na rede que resiste, reergue e se refaz. O racismo das raças rasga a razão no jogo em questão.
Resta o dinheiro produzido e roubado do objeto negro, negociado no mercado branco, como fonte da razão da existência da divisão do mundo em raças.


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