Um conto indiano relata o episódio do início dos tempos, quando os homens ainda eram próximo de seu criador e não necessitava de interlocutores, em que Deus reuniu seus auxiliares, comunicando-lhes a decisão de retirar do homem seu dom maior: a divindade.
Surgiu então a questão principal: em que lugar poderia-se esconde-lá...?? Sabendo-se da potencialidade humana e seu dom de exploração para descobertas, seu desenvolvimento e evolução... Cedo ou tarde ele certamente descobriria esse dom.
Seus auxiliares atarantados com a questão, cogitaram diversas hipóteses, das profundezas abissais da terra e dos oceanos, até o mais recônditos da imensidão do vazio das estrelas; mas... as possibilidades da redescoberta era sempre apontada.
Rogando sua própria ajuda, Deus disse a seus auxiliares que tinha a resposta a questão: onde esconder tal tesouro...!??
Diante de tal certeza, seus auxiliares perguntaram ansiosos pela resposta, a qual foram atendidos de pronto; O todo-poderoso então disse: vou esconde-lo justamente no lugar onde o homem não alcança; esconderei a divindade do homem... Dentro dele mesmo...!!
O tempo passou...
...E o homem, certa feita, numa rápida olhadela para o outro, num divino lampejo enxergou a si mesmo... E assim criou o RELIGARE: A RELIGIÃO.
O passo seguinte foi anunciar aos quatro cantos sua descoberta e a esta anunciação deu-se a origem de uma nova invenção: A IGREJA.
A seguir, como muitos concorriam ao divino sacerdócio da anunciação, já que isso conferia aos anunciadores um importantíssimo status divinus há muito perdido, surgiram então o processo de legitimação através do proselitismo desembocando finalmente na descoberta do MARKETING.
Foi então que, num golpe de mestre, patentearam essa divindade, inventando uma figura em que seria depositado todos os males da humanidade: O DIABO. Agora o homem só teria que se arrepender e se converter pagando indulgências. a conversão e mais uma cota de seu salário para livrar-se da culpa eterna de seus nefastos atos, seria um preço módico e conveniente para ter os problemas resolvidos.
O passo seguinte foi anunciar aos quatro cantos sua descoberta e a esta anunciação deu-se a origem de uma nova invenção: A IGREJA.
A seguir, como muitos concorriam ao divino sacerdócio da anunciação, já que isso conferia aos anunciadores um importantíssimo status divinus há muito perdido, surgiram então o processo de legitimação através do proselitismo desembocando finalmente na descoberta do MARKETING.
Foi então que, num golpe de mestre, patentearam essa divindade, inventando uma figura em que seria depositado todos os males da humanidade: O DIABO. Agora o homem só teria que se arrepender e se converter pagando indulgências. a conversão e mais uma cota de seu salário para livrar-se da culpa eterna de seus nefastos atos, seria um preço módico e conveniente para ter os problemas resolvidos.
Bem, esse processo desenvolvimentista se deu concomitadamente com descoberta e evolução da escrita, com a invenção do jornalismo, do rádio, da TV. Enfim, das tecnologias de informação e comunicação. Com seu vertiginoso processo de desenvolvimento acelerado, chegou-se enfim ao advento da internet, globalizando então suas potencialidades criativas interdependentes, indo na contra-mão de sua própria evolução.
Com um golpe de mestre, como um anjo caído, ele assimilou o processo de esconde-esconde divino para uso e proveito próprio, tirando grande vantagem sobre os outros concorrentes na disputa pelo poder, inventando então a divisão da humanidade em raças superiores e inferiores, instituindo assim, o poder dos primeiros sobre os segundos.
Utilizando o citado princípio divino, ele legitimou-se como portador da verdade divina, se apropriando de todo e quaisquer bens que os inferiores possuíssem, sendo esse bem material ou imaterial. Promoveram invasões de terras alheias, estupros e assassinatos; e tudo mais, em nome do divino.
Enfim, fundaram uma nova ordem, onde o capital foi colocado no trono como governo vitalício sempre usando a técnica do divino processo do óbvio ululante: ele prega a liberdade mantendo todos encarcerados; nega o preconceito, praticando o racismo; usando a ditadura em pleno processo democrático; torturando para dizer que é errado torturar; nega a exclusão, excluindo. enfim, reforça toda forma negativa do inferno na propaganda do paraíso.
Assim esse inferno é instituído na promessa de se ganhar tal paraíso; tendo como condição única o assimilar e o aceitar esse princípio divino desses iluministas iluminados, como forma de conversão e arrependimentos da cegueira de seus pecados. Neste caótico umbral urbano, a ilusão da verdade tornou-se a única pílula contra a ignorância. Só ela pode evitar a dor que seria o encontrar-se do homem consigo mesmo, com seu eu autêntico divino (abençoados sejam os ignorantes... eles podem enxergar seu inferno)
Essa foi a maneira encontrada para que o indivíduo se protegesse do próprio inferno; assimilando-esse inferno e dando-lhe abrigo em seu próprio peito para não enxergá-lo; assim como fizera Deus escondendo sua divindade. Desde modo, os conflitos, as perversidades. assassinatos categóricos, torturas indiscriminadas e mixofobias torna-se elementos naturais, não passíveis de estranhamentos em seu cotidiano, muito pelo contrário; são fatos vistos como atrações e passatempo nas horas de lazer.
Surpreendente seria alguém estranhar tais fatos e de algum modo tentar apelar à razão comunitária. tal sujeito se tornaria um meliante diante dos olhos hegemônicos da sociedade. Seria um terrorista, um macumbeiro, no mínimo um baderneiro ou algo do gênero; assim classificado e rotulado, seria despachado para o julgamento popular democrático da ditadura neo-liberal.
Esses anarquistas seriam os inimigos do Estado e da liberdade: infiéis, macumbeiros, anti-cristos da humanidade. Só o julgamento midiático final, devolveria a tranquilidade e a normalidade, trazendo o ar de controle do fracasso humano e do caos social, como um fator norteador da mixofobia e da saúde mental desse hospício urbano. O cidadão novamente se sentiria virtualmente protegido contra a realidade da cidadania que o espreita, do coletivismo que o rodeia e do comunismo que o assalta continuamente sem dar-lhe folga.
Assim, ele continua a olhar e a olhar-se sem nada enxergar, a ouvir sem escutar e a falar sem nada dizer: O princípio divino de sua natureza segue seu ritmo ininterrupto, nas profundezas de seu insondável ser, velado pelos religares midiáticos das TCIs e abençoado pelo capital, governador vitalício do império democrático tupiniquim; dentro da complexa simplicidade da arte do bem viver.

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