A grande mídia, nossa maravilhosa fábrica de verdades, nos brindou cruelmente com a mais eficiente forma de ditadura existente no planeta quando tornou-se império absolutista global, fabricando verdades de acordo com seus clientes: verdades absolutas, verdades mentidas, meias verdades, etc.
De quarto poder, ela passou a ser primeiro; elegendo e distribuindo caprichos, mandos e desmandos a seu bel prazer. A fonte dos fatos, como num dinâmico game, é posta e exposta ao cidadão ávido de informações, mas lamentavelmente, descompromissados com o exercício investigativo das premissas dos fatos e da fonte. Assim se formam os estados e aniquilam-se as nações, transformando deliberadamente os governos em meras fachadas democráticas do sistema capital. A cidadania, assim como a ética, são artigos descartáveis e negociáveis a preço de ocasião; são gêneros de última necessidade. A falta desses itens no mercado humanitário passa despercebidos no cotidiano de liberdades democráticas. A imbecilização do cidadão é fato banal, visto que nosso sistema judiciário proclamou que a justiça precisa ser “provocada” para funcionar. Ou seja, ela na realidade se desobriga a agir contra esse mercado infame contemporâneo: além de possuir olhos vendados ele, nosso poder judiciário, se amordaçou deliberadamente.
Diante desse escabroso quadro, a consciência demente do cidadão se anestesia, na medida em que a política se alia a teocracia, garantindo e fazendo permanecer intacta a fonte de verdades, com as divinas bênçãos da religião, flagelo da nação, que sagra e consagrada verdade: de paradigma a torna dogma.
Dormindo eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e a luz do céu profundo jaz mumificada a nossa dignidade em seu jazigo perpétuo, tendo a sua esquerda a tumba da fênix e a direita o cadáver da esperança. A tríade cidadania-dignidade-ética transformou-se em pó que entorpece o indivíduo a cada notícia, vinheta ou comercial patrocinado pelo sistema capital. Na pauta da agenda da mídia é apontado o assassinato diário do sujeito como prioridade principal, procurando transformá-lo num prosaico indivíduo fortalecido e revestido pelo individualismo, destroçador do coletivismo nascente no colóquio das nações. Para nosso povo wik liks é só mais uma notícia entre tantas que ele ouve sem escutar, enquanto aguarda o início da novela. Assim, nessa sociedade da informação, elas, as informações vêm e vão, passando pelo indivíduo em brancas nuvens; nublando os bastidores da situação e oposição com o manto da hipocrisia autenticada, oficializada e legalizada pelos donos do poder sem pudor, quando legitimada pelo bom cidadão.
Por outro lado o fenômeno da globalização trouxe como conseqüência a abertura de um novo território: a dos links. Território onde o poder muda de mãos; onde a hipocrisia legalizada perde sua função. Território onde o centralismo dá lugar ao difuso, onde o poder emana de dentro para fora e nunca ao contrário. Portanto, é um território onde aqueles que estão dispostos a invadir e conquistar através da força nunca terão acesso, visto que, diferente da Terra do Nunca ela é Terra de Ninguém: Afinal pra haver links e necessário que haja Sinapses.
Penso, logo não sou virtual. Nossas sinapses descortinam a descoberta da realidade desconstruída, enquanto nossos links retiram o manto da hipocrisia que insiste em manter a Terra do Nunca da ordem e progresso. É natural, a partir da iminência da situação da perda de poder, que a inquisição se reinvente e volte com força total para coagir e supliciar, usando a contumaz retórica apolínea, monopolizada por “nossa” habilidosa mídia; é a teocracia lutando para se manter saudável através do comércio da morte, da dignidade, da ética, da cidadania e conseqüentemente do cidadão. O expediente usado pela inquisição é banalizado pela mídia, abençoado pela igreja e justificado pela justiça. Essa tríade mantém a ordem e o progresso das mentes colonizada do bom cidadão, dizendo, assim como Hitler dizia, que esse país é uma nação e que a nação precisa ser protegida à custa de qualquer custo. O resto dessa história nos já conhecemos; portanto vamos nos poupar de recontá-la. A diferença é que nossa bomba H agora são os links. A mídia sebe disso; o cidadão não sabe; como sempre a mídia sai com uma vantagem, que ela sabe que pode ser invertida a qualquer momento devido à incrível velocidade de informação na atual conjuntura global. Ou seja, ela tenta evitar o inevitável: o ocaso do império. Felizmente as pausas para comercial estão com os dias contados.
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