Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Receita Para se Ouvir a Pronúncia do Silêncio Ativado

É na maviosa música que ouve o nosso silêncio, que existe aquele espinho com mil rosas fazendo a composição desse jardim, semeado em estéreo, no etérico espaço do nosso peito.  

O ritmo pulsante que reverbera em cada célula, ecoa na imensidão que forma o universo interno de cada ser, que guarda o silêncio das mínimas em pausas breves. O som desse silêncio pode ser ouvido a cada amplexo, além dos sorrisos semeados nas meninas dos olhos alheios e na sinfonia da Mãe Natureza.

É a algazarra do pensamento manifestada pela fala, que faz a pesada pedra de cada proceder, se desprender, e rolar do alto do nosso penhasco particular, que chamamos de altar, obrigando o neófito a recoloca-la infinitas vezes de volta ao seu devido lugar.

É na pronúncia do nada em pleno vazio, que se origina o germe configurador da Grande Explosão criadora, desde o metaverso até aos multiversos. É no poder do som desse profundo silêncio, que reside os ciclos de nascimento e ocaso, que regem a criação em todas as suas miríades transmutativas.

Cada sol que brilha no firmamento, é uma batida que marca o ritmo desse nosso universo, que reverbera no peito franco, aberto a vida que se mostra presente em cada agora. É dessa maneira que o véu dos cinco sentidos, se tornam simples adornos, coadjuvantes desse magnífico espetáculo, que é a vida plena de si mesma.

Desse modo, a voz que clama no deserto e a voz que se cala no deserto tornam-se uníssonas, podendo assim, testemunhar a ela própria, enquanto Criatura e Criadora, bailando ao sabor da própria música; a música das esferas.

  

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Os Caminhos da Capoeira



https://sparkle.hotmart.com/s/1435214/criolupreto387400/comunidade-rael-1590540789982/video-de-rael-oliveira

Salve, salve meu povo, Eu Sou Rael Rasta, tenho 58 anos de idade e 45 de Capoeira, e estou chegando na área, pra falar sobre um pedacinho dos séculos de existência dessa belíssima Arte Marcial brasileira, que é a Capoeira.

Bem, a gente considera e define como Arte marcial, toda forma de luta que serviu para defender um povo da opressão e da vilania praticada pelos homens “poderosos” que dominaram toda a nossa história; nesse caso, estamos falando especificamente do abuso sofrido pelos Povos africanos; nossos antepassados. Ou seja, estou falando dos nossos tataravôs, tataravós e até bisavós, que foram escravizados de forma estúpida e cruel bem aqui, no Brasil.

Então, não dá para falar de Capoeira, sem falar de África; e sendo assim, a gente precisa saber que esse misterioso continente, chamado de África, depois de ter sido invadido e colonizado pelos europeus, atualmente está dividido em 56 países; e dos 5.000 idiomas existente no mundo, mais de 2.500 estão presentes justamente neste continente.

As linhas que organizam a divisão desse continente em países, são válidas somente para os políticos e para quem aprende geografia na escola, porque os próprios africanos não consideram essa divisão, como sendo a sua realidade.

Desse modo, cada povo, tem a sua cultura distinta que os caracterizam e os definem enquanto povo. O tronco linguístico e a cultura predominante no continente africano, vem da tradição Bantu, que é a raiz principal que define majoritariamente o povo africano.

Para se ter uma ideia aproximada dessa proporção, podemos comparar a quantidade de falantes da língua espanhola falada aqui, no continente Sul americano, com o idioma brasileiro falado somente no Brasil.

No caso da civilização bantu, os principais valores que caracterizam essa cultura, é justamente o valor da linguagem do corpo, e da fala propriamente dita. Ou seja, qualquer ritual realizado nessa sociedade, envolve a música e a dança; portanto, a musicalidade, oralidade e a corporeidade sempre foram inseparáveis nas práticas desenvolvidas nessa sociedade.

Até então, as características desses valores, diferenciavam, distinguindo essa cultura das outras culturas existentes em todo continente; podemos comparar, no caso, com a cultura dos povos gêges, nagôs e Iorubas, por exemplo, que tinham as suas características culturais evidenciadas pala expressão da sua arte, tal como suas belíssimas esculturas, pinturas exuberantes, os seus artesanatos e os coloridos de suas indumentárias que saltavam aos olhos blasés dos europeus.

Foi justamente aqui, no solo brasileiro, que essas culturas vieram a dialogar entre si, depois que esses povos foram violentamente sequestrados dentro de seus próprios lares, sendo compulsoriamente misturados durante essa fantasmagórica viagem realizada nas profundezas abissais dos porões dos tumbeiros; os navios negreiros.

Foi no pequeno e tenebroso espaço daquele fedido e nauseante porão, que essas culturas se tornaram irmãs, já que, todos que ali se encontravam, além de terem perdido as suas casas, suas terras, suas roupas, suas crenças e até os seus nomes; haviam perdido também, os seus pais e seus os filhos, suas esposas e seus maridos, irmãos e irmãs, transformaram-se assim, em malungos. Ou seja, em companheiros.

Dessa forma, milhões de milhares de cidadãos bantos aportaram na cidade do Rio de Janeiro e na cidade do Recife; enquanto os povos iorubas, gêges e nagôs desembarcaram em salvador e São Luís do Maranhão.

Portanto, foi quando esses grupamentos bantus aqui se descobriram, cada com as respectivas suas práticas, que surgiu essa arte marcial, nascida na cidade imperial do Rio de janeiro e também em Recife, por conta da sua musicalidade, da oralidade e corporeidade que unia culturalmente os bantos presente nessas áreas, que toda a cultura negra pode ser preservada, somando todas as suas diversidades, multiplicidades e versatilidade, numa miscelânea cultural tupiniquim jamais vista em qualquer parte do mundo, originada justamente nesse grande encontro.

Foi dessa maneira que se deu a resistência da cultura negra no Brasil, que fez da capoeira, o maior e único partido político brasileiro das ruas cariocas, lugar aonde os capoeiristas e a tias reinaram absolutos até o final do século XIX, enquanto os nobres se refugiavam em seus salões de festas para não se misturarem com aquela negrada, que fazia do Rio de Janeiro, uma Pequena África.

Foi após o primeiro golpe de estado, que foi a instauração dessa nossa República Brasileira que perdura até os dias de hoje, que os capoeiristas passaram a ser perseguidos justamente por quem eles haviam colocado no poder.

Dessa forma, a partir de 1890, a capoeira, e os capoeiristas, foram ferozmente caçados um a um, sendo a maioria deles presos e exilados. Deste modo, por conta da perversa opressão policial, na cidade de Recife, por lá, a capoeira de ontem se transformou no frevo de hoje.

E no Brasil, a capoeira conseguiu ser aceita e oficializada por conta do Mestre Bimba, que adicionou a disciplina militar a capoeira, retirando toda a malandragem e estratégia característica da capoeira ancestral, implantando nessa Arte da Guerra, a predominância do conceito esportivo como valor fundamental.

Foi esse fato que colocou a fama da Bahia como berço da luta regional, que foi esse esporte-jogo-luta surgida da capoeira de Angola, trazendo então, esse novo jeito de se jogar, que conhecemos hoje como capoeira regional; e foi a partir desse fato, que a prática da capoeira passou a ser aceita no Brasil.

Podemos considerar essa estratégia usada pelo Mestre Bimba, como um verdadeiro Golpe de Mestre, porque ele conseguiu fazer exatamente o que os fundadores da Capoeira ancestral fizeram para sobrevivência da luta: ou seja, do mesmo modo que os nossos ancestrais ocultaram essa luta disfarçando atrás de uma dança; o Mestre Bimba também conseguiu ocultar a luta da capoeira disfarçando atrás de um esporte (essa é uma premissa que só os graduados poderão entender; ou não...). Bem, mas esse assunto sobre Capoeira regional e Capoeira de Angola é uma conversa pra outra hora, pois a capoeira sempre foi uma só.

A questão a ser considerada agora, e que nós, capoeiristas, chegamos com a capoeira, a fim de conquistar o direito da igualdade de justiça entre os povos. Por isso, fizemos e fazemos uso da Capoeira, como meio para chegar a esse objetivo fraterno de equidade ao qual todos nós, somos dignos e merecedores, independe de qualquer condição social, cor de pele ou religião.

São justamente esses valores africanos que, ainda hoje continuam em jogo, no centro dessa sociedade, que faz uso das máscaras e dos papeis sociais, para discursar sobre a democracia de uma enganosa igualdade, aonde o povo é divido em minorias de um lado, e uma maioria nanica de outro.

Yê, galo cantô...!!

yê, vamos embora camará...!!

 

 

 

  

sábado, 13 de novembro de 2021

Genealogia e Ancestralidade

Depois de comprovado a existência dos elementos químicos, descobertos no solo Terrestre e registrados na tabela periódica, existir igualmente nos galácticos corpos celestes; foi também constatado que, tais elementos constituem absolutamente toda a constituição do corpo humano.

Portanto, seguindo na clássica linha lógica do Sr. Spock, é notório a percepção de que, tais elementos que organizam o nosso corpo e também o universo, terminantemente vem instituir o nosso magnifico planeta, a qual chamamos de Gaia, como a Grande Mãe de todos os seres sencientes que caminham sobre ela; além de instituir todos os astros, estrelas, planetas e demais corpos celestes que compõe a vastidão infinita do espaço cósmico, como parte dessa nossa grande família ancestral. Dessa maneira, é apropriado assegurar que, os caminhos do DNA humano, uma vez mapeados, inevitavelmente se desdobrarão através dessa infinita e desconhecida imensidão.

Sendo assim, seja o ser vivente um terrano, intraterrano ou extraterreno, é coerente a lógica da existência de uma grande família celeste nesse universo residente, nos bilhões de planetas, próximos e distantes de Urântia. Dessa maneira, a humanidade, que por hora se comporta como uma criança sentada nas areias de uma praia, numa pequenina ilha em meio ao Pacífico, afirmando ser a sua praia, a única praia existente, já que esta criança, até então, jamais havia sido apresentada a nenhuma outra praia além da sua ilha.

A humanidade, uma vez convertida através do condicionamento e treinamento social e biológico, pode perfeitamente aceitar a existência do oxigênio, que possibilita a essência da vida na terra, ou admitir a existência do magnetismo, que o mantém seguro, preso ao solo planetário, sem que seja possível vê-los ou tocá-los; mas o seu adestramento social, não o permite sair da sua caixinha de crenças limitantes, que determina e o prescreve como um indivíduo que está convenientemente de acordo com a bula social, que o define como sujeito normal.

As suas crenças limitantes, seja religiosa ou ideológica, tem convenientemente fornecido todas as explicativas lógicas às demandas existenciais relativas a vida humana sobre a terra. Mesmo que essa pessoa necessite se retroalimentar cotidianamente com o bombardeio de tais crenças, para manter em dia o treinamento que religiosamente o fortalece, de modo que ele nunca se permita questionar sobre a sua real origem, e nem sobre quem ele realmente é.

Dessa forma, o ser humano se vê desincumbido a olhar em direção ao firmamento, para ver além do lugar comum, a fim de ter algum vislumbre, ou um lampejo perceptivo acerca da real função do brilho dos astros, ou do mistério das luzes que clareiam o seu caminhar, ao passo que, cotidianamente alimentam o seu corpo. Enquanto isso, Gaia sussurra em seus ouvidos através do vento, das águas correntes, dos pássaros, dos golfinhos, da chuva que cai, batizando o solo sagrado dela mesma, a própria Gaia, que está sempre a nos embalar em meio ao ruidoso silêncio do seu regaço.

Assim sendo, a Mãe Natureza ininterruptamente entoa o seu magnífico canto, enquanto o Sol brilha, nos aquecendo com o seu fulgor; e as flores exalam seu mavioso olor, embelezando a nossa existência sem acepção de religião, gênero ou cor.

Enquanto isso, do outro lado rio da vida, os seres civilizados e emplumados, digladiam-se, instituindo as selvagens linhas limitantes dos mapas que nos cercam, nos separando enquanto humanos; linhas estas, comparáveis somente as grades que apartam os animais de um zoológico qualquer.

Tais limites constituídos, de forma solene e arrogante, determinam e estabelecem a superioridade de alguns humanos em relação a outros muitos, considerados menos humanos, fazendo uso da pérfida astúcia outorgada através de um sistema organizado por meio de títulos, posses e correlatos, num benefício óbvio aos inumanos escondidos nos bastidores do poder.

O intrínseco valor dessa moeda ascensa, que estampa a riqueza da genealogia humana numa face, e o poder da ancestralidade na outra, não nos possibilita obter as caríssimas vestes do respeito humano, devido ao pregão eletrônico ter fixado o seu valor virtual, estabelecido em prol da cartografia do Deep State internacional. Sendo assim, paradigmas precisam ser quebrados e  dogmas destruídos, para que tenhamos a possibilidade de chegar ao coração de Gaia, lugar aonde o tesouro da humanidade se encontra encerrado, e ocultado do centro daquilo que conhecemos como raça humana.

Para isso, é necessária a gana curiosa de um investigador que explora a si mesmo, desbravando o seu universo interior, indo até o útero do Lácteo afeto gratuitamente fornecido por essa moeda de ouro depositada no imo coronário da nossa genealogia existencial.

Desse modo, olhando para o mundo inteiro com os doces olhos da ternura ao seguir a bússola do coração, finalmente poderemos nos conscientizar que o amor, é só o belo espelho refletor, desse som procedente do silêncio interior, respondendo com o aroma das rosas, cujos espinhos; como as faces dessa mesma moeda que nos faz distinguir e valorizar apenas o que permanece, desapegando do transitório; também essa rosa ancestral, gentilmente nos revela o nosso próprio poder de escolher entre a beleza e a dor, sem emitir nenhum juízo de valor. 

 


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Do Reflexo Liquefeito de Narciso à Gasosa Representação da Madrasta de Gelo

O doce Mistério que envolve todas as voltas que o mundo deu e as voltas que o mundo dá, é resultante do tremendo impulso oriundo da lei da Causa e Efeito, transmitido pelas ondas energéticas emitidas por esse colossal espelho, conhecido como Gaia, que jaz pendurado no vazio do Espaço Cósmico, antessala do Criador de Todas as Coisas; o Grande Espírito.

Através desse portal, que vem a ser a função desse espelho, são refletidos todos os eventos nascidos das pequenas vontades humanas, com transmissão simultânea e automática, para essa Fonte Criativa que os terranos categorizaram como Deus, ao conferir-lhe numerosos nomes e uma personalidade inteligível para os mesmos. Ou seja, foram conferidos conceitos fluídicos e limitantes, além de funções específicas e coerentes com a lógica da região e da cultura do neófito convertido.

Portanto, é notório a percepção de que a separação entre o Criador e a criatura, se tornaram aparentes, uma vez que a imagem refletida por esse espelho, se confunde com a realidade imediata, transformando tempestades em sementes, que, uma vez frutificadas, são impiedosamente colhidas pela humanidade como gigantescos tsunamis, após introjetadas as justificativas necessárias a lógica do inconsciente coletivo, responsabilizando as ditas desdita, a uma suposta esquizofrenia de uma Mãe natureza em fúria; e naturalmente, esse desnecessário episódio configura como um desproporcional ato de extremo contraste com a profunda generosidade e compaixão com a qual nossa arrebatadora Gaia é constituída.

Dessa maneira, como um poderoso refletor Cósmico, Gaia mantém a sua rotação e translação, impulsionada pela ação e reação desse centro que chamamos de raça humana, revelando para o universo, multiverso e cosmo, o seu espaço/tempo surpreendente, a cada suave movimento, hora provocado pelo vivificante afago da leveza mágica dessa brisa que traz o sopro da vida, hora pela intensa e ruidosa tempestade, que peremptoriamente vem levando o passado, para dar espaço ao futuro do presente.

Desse modo, há um imperceptível Destempo entre as estações do ano em que a dança da chuva não é realizada, justamente por ter sido relegada e ocultadas no silêncio amordaçado nas entrelinhas dos roteiros de filmes hollywoodianos padronizados, retratando de forma apolínea, o massacre das nações indígenas pelos intrépidos cowboys de um Estado invasor, rotulados como invencíveis heróis. É justamente esse imperceptível Destempo que demarca a rotação, e a duração de cada estação fora do Tempo linear; tempo este que foi exclusivamente estabelecido pelo sistema escravagista terrano dos Tempos Modernos.

É justamente esse princípio estabelecido pela linearidade, que produz a solidez necessária aos elos dessa corrente, que domina e aprisiona o subjetivo desse cidadão que é cotidianamente e perfidamente adestrado e condicionado pela mídia e pela religião, como um servo passivamente escravizado pós-moderno de alta-performance.

Portanto, a energia desprendida na ação do látego e na frequência do afago, vibrando como força-motriz de rotação e translação, é a mesma força que dá início ao metafórico processo que estabelece o ritmo das marés, cujas águas podem se liquefazer no formato da água que irriga a vida, ou sublimar-se no formato das lágrimas que adubam a morte.

Assim sendo, a Percepção da existência desse espelho célico, implica na aceitação de se liberar a generosidade do olhar, a fim de poder enxergar a própria sombra dançando a beira do abismo do medo que possibilitou sua própria criação; para então, enfim, avistar o caminho a ser percorrido em meio a esse escuro túnel sem fim, cuja luz, reside unicamente no interior do sujeito da ação; jamais no indivíduo reativo; visto que toda reação jaz num recente passado distante, que inevitavelmente será levado pelo infalível tsunami da Causa e Efeito.

É precisamente o desapego ao passado, que previne a inesperada visita do Doutor da Causa e Efeito, que vem através desse espelho da vida sustentado por Gaia. Também, essa é forma que possibilita a chegada do futuro em seu pleno potencial, e não mais em forma de looping, que traz um futuro que roboticamente repete o passado.

Essa seria uma maneira eficaz de se desligar da patologia do sofrimento, desintegrando-a em pleno ar, levada como cinzas pela suave brisa oriunda do movimento gaiano de translação, por nós jaculado, mudando enfim, a falsa imagem representativa, refletida através do espelho da vida.

Sendo assim, esse processo só pode efetivamente se dar, quando nos aceitarmos enquanto raça humana de fato; internalizando que, todas as ocorrências, necessárias ou desnecessárias, impetradas a quaisquer seres sencientes, será igualmente impetrada a todos no todo, já que somos extensão uns dos outros. A imagem refletida é fiel, ela não mente; ela ressalta todas as qualidades e todos os defeitos dos Narcisos as Brancas de Neve.

Portanto, somos nós que devemos ser os responsáveis pela qualificação e decisão da imagem a ser refletida, em vez de entregar essa missão possível, a um ego guiado pelo inconsciente coletivo e adestrado pela cultura de massa. Mas, para isso, é necessário ter a ciência de que, a vida, é um Espelho que atribui uma significância vital ou patológica a existência. Assim, a questão que se apresenta é a de mergulhar em si mesmo, em busca da sua verdade; ou afundar no reflexo criado para representar a sua imagem. Para isso, basta se questionar se a imagem refletida satisfaz, trazendo a beleza e a alegria do bem viver, ou revelam os nossos monstros internos, refletidos nos bizarros pesadelos e intermináveis conflitos que assombram a existência em sua plenitude.

 

 

  

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Diário de Bordo de um Escravizado: O Caminho da Flecha na Espiral do Círculo da Vida.

... Na abafada escuridão daquele profundo porão, o tempo respirava fundo a cada ritmada pulsação do tique-taque ecoado através do tambor cravado no meu peito. Em cada coração, o tempo pulsava com as saudades passadas, equilibrada agora por um contrapeso de um futuro servido e sorvido num copo repleto com um misto de Amor, fel, medo e dor, embaralhados ao sabor do movimento cíclico das ondas e marés, a cada balanço desse navio, que jaz sobre a linha do azimute. 

O eco das batidas do coração, sobressaltado diante desse desconhecido surdamente anunciado pelo escuro da garganta do Grande Calunga, era como o tinir metálico da força do tempo indivisível, medido pelo infinito invisível. 

Mas a chama do meu olhar altivo humilha a tempestade, quando este mesmo olhar enxerga nas estrelas da dor nascida no atrito da batida do cruento vergalho, o estilhaçar do arquétipo de vítima tatuado na minha pele cravada de vida, expondo enfim, a consciência ocultada de si sobre si mesma. 

Dessa maneira, o espelho d’água refletiu a simetria do ato atroz de cada ator e algoz, registrando sobre a superfície oceânica, o paradoxo da dialética dicotômica; e como o bumerangue que cruza o ar em direção ao alvo reverso, o movimento refletido é devolvido pelo espelho da vida. Do mesmo modo, também o chicote que cruza o ar, análogo a flecha lançada em direção ao alvo, percorre o mesmo caminho do bumerangue, como o eco responde ao grito lançado em pleno ar. 

O espelho d’água, como testemunha e diáfano da vida, refletia naquele momento grave, o lapidar brutal da aspereza do carvão em atrito, sendo transmutado em radiante diamante, sobre o impiedoso balanço do vergalho, o ciclo das marés e o sangue trazido pelo infalível bumerangue como eco responsivo da inevitável visita anunciada pela Nossa Senhora da Causa e do Efeito

Dos pérfidos e fétidos Negreiros aos luxuosos e opulentos iates que cruzam os mares da vida, os seus caminhos como correntes que ligam as origens aos seus respectivos destinos, se faz em mão dupla; visto que a estrada pela qual se vai, é também a mesma estrada utilizada para retorno, que nas voltas que o mundo dá, ele segue circulando numa infinita espiral, de tal maneira que, na qualidade de observado e observador, podemos testemunhar a nós mesmos. 


Assim, a chegada ao porto, significa a chegada ao ponto de origem de um proscrito destino prescrito, registrado e refletido pelo anverso reverso, no inverso do olho do furacão que rasga as velas da esquadra invasora. Enquanto o círculo que emoldura o leme da vida, se move ao sabor do vento trazido como presente por essa mãe natureza tão combatida pelo predador, que faz do letal progresso, seu sedutor arpoador. 

Ao som dos clarins, os canhões, uma vez perfilados e apontados para o alvo, vomitam suas fumegantes balas que automaticamente se transformam em flechas-bumerangues, fuzilando o futuro, e atingindo o passado no futuro do presente.  Assim, a ordem proferida pela língua transformada em arco, fazendo da palavra a sua flecha certeira, cumpre enfim a sua missão de lapidar todas as faces refletidas por esse precioso diamante negro...