Reza no fractal caput do livro das Leis
movedoras dos Universos, um axioma afirmando que, não se dá sem receber e nem se recebe sem
dar. Sendo assim, se torna bastante evidente que, tudo aquilo que enviarmos
através de nossas intenções e pensamentos, será justamente aquilo que
receberemos como resposta, precisa e natural, através da questão posta a esse
espelho cristalino que nos rodeia, refletindo nosso Ser e nosso
Self ao infinito, diante do imensurável e Único Tempo sem tempo; o Tempo Rei.
Partindo do princípio de que, todo e
qualquer pensamento emitido é imediatamente plasmado no Éter, o retorno
imediato, positivo ou antagônico, da forma-pensamento emitida,
torna-se inevitável tal como o processo semelhante ao da chama de uma vela
diante de uma mariposa estreante. É nesse proceder que nossa escuridão
interior se faz presente, instalando-se dessa forma, as possibilidades de um
Tempo nublado, sem visibilidade, sujeito a ventos e tempestade ao final do
período, tal como a singular experiência da ingestão de um medicamento que
provoca efeitos colaterais que agem como vampirescas sanguessugas, escondendo a
causa primária dos males e exacerbando suas antálgicas consequências.
Sendo assim, na lei da causa e
efeito é o nosso livre arbítrio que nos permite
atrair e contrair as consequências previsivelmente imprevistas, tal como um
Narciso que busca por si mesmo fora de si. Mergulhar no fractal do espelho da
vida, é o mesmo que fazer de cada dia uma fotocópia repetida desse cotidiano, criando um espaço tempo em que a pessoa faz dela mesma uma personagem,
transformando-se no espantalho da plantação de uma triste história que narra sobre a natureza morta na esquina da vida.
Para quebrar os ciclos desse círculo
vicioso, é necessário invalidar os paradigmas que nos acorrentam a essas
imagens cinematográficas refletidas sobre esse espelho hollywoodiano de cada
dia que nos dói hoje; é esse espelho que afoga a alma e intoxica o espírito
quando espoliamos a imagem oposta para nos locupletar, sem atinar que estamos
furtando de nós mesmos, enquanto construímos uma personagem desapoderada de si,
e tal como no caso da mariposa e da vela, esse processo proporcionado pelas imagens
refletidas nos diáfanos distópicos do cotidiano, provoca em nosso ser uma empatia
descapacitante que nos exaure de nossa própria potência, fazendo
com que a desenvoltura de andar sobre o fio da navalha seja confundida com a
habilidade da aranha desfilando sobre o fio tecido a cada passo dado,
até que finalmente, seu mergulho revele a realidade nua e crua, sem efeito
especial. Dessa forma, se descobre que, sonegar, o quer que seja, aquele que
não é a sua imagem e semelhança, é o mesmo que furtar seu próprio pão, é retirar o próprio chão. É nesse momento que nos afogamos tal como Narciso, ou finalmente acordamos devido ao violento baque da cara na parede do chão percebendo que esse espelho que reflete, também faz refletir, sem jamais se quebrar.
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