O suor de Gaia são puríssimas nascentes
de águas cristalinas que generosamente verte por todos os seus poros. O estrume
de Gaia são as fontes do puro ouro reluzente, que alimenta de calor o seu sol
interior. As árvores de Gaia, são seus pelos eriçados ao sabor do vento,
espargindo energia por todo seu celeste corpo terreno. O misterioso, místico e profundo
mar azul, são seus olhos que tudo vê. O solo de Gaia é seu ventre, fecundado e dourado
pela luz do sol e pelo fértil humor da maré da lua sempre nua.
Dessa maneira, Gaia baila em completo
êxtase pelas avenidas carnavalescas da via Láctea, enquanto é iluminada pelo faraônico
brilho solar e pelo intenso farol da faceira meia lua inteira, enquanto rodopia
pelo palco do eterno infinito grávida de vidas.
Qualquer pedacinho retirado da
carne de Gaia faz uma semente gigante, fazendo desse mesmo corriqueiro milagre um
fato bastante banal; banal o suficiente para não mais ser visto, ouvido ou percebido
por aqueles a quem Gaia recebe, abriga e embala em seu doce colo de Mãe,
durante a passagem desses filhos que justamente aqui vieram, para aprender sobre
o milagre comum desse infindo universo, que vem a ser exatamente o milagre da
vida.
Dessa maneira, como ingênuos, olhamos
para o Sol, olhamos para a Lua, olhamos para o céu, mas raramente olhamos para
o colo que vem a ser esse Solo. Sem Gaia, significaria que seriamos um Ser sem ciência
de onde pisa. Ou seja, seríamos sem chão, sem caminho de volta para casa, sem
comida, sem água, etc.
Mas, mesmo sem ainda saber aonde
pisamos, Gaia nos sustenta em seu regato, com víveres e abrigo, em cada um de
nossos ingratos passos dados nessa estrada da vida pavimentada por ela; nossa
Mãe-terra.
Mas enfim, continuamos caminhando, cantando e seguindo essa canção
destilada por um romantismo paralisante, causador de uma empatia descapacitante que anestesia nossa alma e esteriliza a alma
desse planeta chamado Gaia; nossa mais que Nave-Mãe que nos transporta no infinito do espaço e do
Tempo.

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