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terça-feira, 26 de março de 2019

Da Verdadeira Liberdade Desde a Bandeira da Paz a Bandeira da Pan Africanidade


Enquanto a pomba da paz possuir uma cor específica, personificando uma religião que afirma nunca julgar e sempre amar ao próximo; além de se mostrar sempre  belicosamente pacífica; essa paz será sempre, e nada mais, que a personificação daquele abutre ricamente travestido com as fardas da hipocrisia, que vem célere todos os dias para degustar o sangue fresco que corre nas mãos do carrasco domador de pássaros cativos, que molda o status quo da liberdade nas gaiolas do social. 


Falo dessa mesma paz que aparece sempre em cartaz nas passeatas, propagandas, telas de cinema e telejornais, e que sempre nos faz ter uma enternecedora compaixão pelo mais pobre aldeão e o mais puro ódio pelo rico que lhe nega a mão. Essa é a branca paz seletiva, que evoca ódio e o amor, quando convém aquele que não vê a si mesmo no outro, só desdém.

Foi extremamente conveniente e convincente essa política de relacionar a escuridão com a cor negra e o que é limpo e puro com a cor branca, já que o cérebro humano tem a sua natureza fundamentada na linearidade, na classificação e consequentemente, na hierarquização daquilo que se apresenta a sua frente. Foi dessa forma se deu o desmembramento entre o intelecto e a emoção, causando a dualidade entre mente e coração, entre o masculino e o feminino, o preto e o branco, e assim sucessivamente. Dessa maneira, a nossa humanidade foi esquartejada, supliciada e compelida a viver permanentemente a procura de si mesma.

A cicatrização e cura das profundas feridas deixada por esse dialógico suplício, só poderão se dar, também de forma dialógica, quando houver o equilíbrio, através da equanimidade das causas e das consequências provocadas pela dualidade dessas forças que em nós habita. Dessa forma, como seres completos e não mais fragmentados, vamos colorir com cores diversas, e não mais com cores mortas, a natureza humana que se forjou no seio de suas próprias contradições. Enfim, somente dessa maneira, com nossa bandeira colorida e não mais dolorida, poderemos nos reconciliar conosco ao reconhecer a nossa própria imagem no outro. 

Finalmente nosso navio deixará de ser negreiro e nossa bandeira de ser pirata, enquanto as bandeiras vermelhas não mais sangrarão, cravada no peito cidadão, secando suas mentes e corações, fontes dos mais sinceros sentimentos e da mais profunda emoção. Dessa maneira, o navio em que chegamos aportará finalmente no museu da humanidade, não como mero espetáculo, mas como uma lembrança do que o mais puro sentimento é capaz de reconstruir dentro desse círculo entrópico no jogo entre a biopolítica e necropolítica definidas e classificadas por cores e bandeiras.


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