Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

sexta-feira, 8 de março de 2019

A Face de Jânus[1]: De Esperança Garcia a Luiz Gama

O Direito de justiça passa pelo tortuoso caminho do poder sem pudor, em face do etéreo contrato[2] assina entre oprimido e opressor. Mas Esperança Garcia rasgou por direito seu sinistro contrato injusto enquanto Luiz Gama bradou pelos irmãos feridos pela justiça, interrompendo essa estrada de mão única num chuvoso[3] dia de tempestade, fazendo a contramão de retorno do direito de justiça. Da mesma forma que Jânus, olhar o futuro sem esquecer o passado, seria a deixa para repensar quaisquer contratados confeccionado pelo terrorismo estatal anunciado no tempo/espaço em torno do pelourinho contemporâneo de propriedade da elite escravista moderna.

Essa é uma questão maiêutica e diatópica necessárias àqueles que não querem se perder em meio a tempestade cênica hollywoodiana, provocada por esses sinistros tempos de eclipses religiosa e política que grassa em nossa sociedade eurocentrada. Para resgatar a nossa história é necessário realizar a ancestral dança da chuva , a fim de que sejamos a própria tempestade e não as suas vítimas. Sendo assim, o senso prático da ação, deve sobrepor-se ao da reação, a fim de aproximar nosso discurso da prática, na medida em que nos afasta dessa hipocrisia, projetada pela mídia moderna no pano de fundo social, como imagem padrão e razão egocêntrica constituinte do cidadão de bem.

Outrora, a disputa bélica entre os povos, fez eclodir o racismo patológico, hierarquizando toda a humanidade, com o perverso intuito de controlar e subalternizar aquele outro que traz na pele a cor de sua bandeira de lutas, esse sinistro processo levou o ser humano a mais completa cegueira, a ponto de coisificar a pessoa da cor de noite sem lua. Esse olhar para o outro que não encontra a si mesmo, passou a ser a senha para as desditas ditadas pelos privilégios de uma ditadura pautada pelo poder racializado resoluto e absoluto, mas contraditoriamente dialógico.

Dessa forma, o preto e o branco, assim como o dia e a noite ou a luz e a escuridão não se juntam,  também contrastam com as letras sobre o papel do contrato assinado entre oprimido e opressor, enquanto dão voltas e circulam numa dança semelhante a um cachorro que roda em torno de si correndo atrás do próprio rabo; é dessa forma que jorra sangue, suor e lágrimas da caneta do doutor, assim como outrora jorrava sangue do chicote desse feitor, que, hoje anda travestido de terno preto, gravata colorida e colarinho branco, pregando a diversidade. 

Redescobrir a nossa história, olhando em volta do passado, é a forma mais eficaz de ampliar a visão e os pontos de vistas, e também a maneira mais precisa para vislumbrar possibilidades de futuros e prováveis devires, enquanto rasgamos todos contratos de medo redigidos pelo terrorismo do poder constituído.



[1] Janus era um Deus que possuía duas faces; uma em direção ao passado e outra em direção ao futuro.
[2] Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire.
[3] Alusão a Marcus Garvey; “procurem por mim na tempestade...”

Nenhum comentário: