O Direito
de justiça passa pelo tortuoso caminho do poder sem pudor, em face do etéreo
contrato[2]
assina entre oprimido e opressor. Mas Esperança Garcia rasgou por direito seu sinistro contrato injusto enquanto Luiz Gama
bradou pelos irmãos feridos pela justiça, interrompendo essa estrada de mão única num chuvoso[3]
dia de tempestade, fazendo a contramão de retorno do direito de justiça. Da mesma forma que Jânus, olhar
o futuro sem esquecer o passado, seria a deixa para repensar quaisquer contratados confeccionado pelo terrorismo
estatal anunciado no tempo/espaço em torno do pelourinho contemporâneo de propriedade da elite
escravista moderna.
Essa é uma questão
maiêutica e diatópica necessárias àqueles que não querem se perder em meio a
tempestade cênica hollywoodiana, provocada por esses sinistros tempos de
eclipses religiosa e política que grassa em nossa sociedade eurocentrada. Para resgatar
a nossa história é necessário realizar a ancestral dança da chuva , a fim de que sejamos a própria tempestade e não as suas vítimas. Sendo
assim, o senso prático da ação, deve sobrepor-se ao da reação, a fim de
aproximar nosso discurso da prática, na medida em que nos afasta dessa hipocrisia, projetada pela mídia moderna no pano de fundo social, como imagem padrão e razão egocêntrica constituinte
do cidadão de bem.
Outrora, a disputa
bélica entre os povos, fez eclodir o racismo patológico, hierarquizando toda a
humanidade, com o perverso intuito de controlar e subalternizar aquele outro que traz na pele a
cor de sua bandeira de lutas, esse sinistro processo levou o ser humano a mais completa cegueira, a ponto de coisificar a pessoa da cor de noite
sem lua. Esse olhar para o outro que não encontra a si mesmo, passou a ser a senha
para as desditas ditadas pelos privilégios de uma ditadura pautada pelo poder racializado resoluto e absoluto, mas contraditoriamente dialógico.
Dessa forma,
o preto e o branco, assim como o dia e a noite ou a luz e a escuridão não se
juntam, também contrastam com as letras sobre o papel do contrato assinado entre
oprimido e opressor, enquanto dão voltas e circulam numa dança semelhante a um cachorro que roda em
torno de si correndo atrás do próprio rabo; é dessa forma que jorra sangue,
suor e lágrimas da caneta do doutor, assim como outrora jorrava sangue do
chicote desse feitor, que, hoje anda travestido de terno preto, gravata colorida e colarinho branco, pregando a diversidade.
Redescobrir a nossa história, olhando em volta do passado, é a forma mais eficaz de ampliar a visão e os pontos de vistas, e também a maneira mais precisa para vislumbrar possibilidades de futuros e prováveis devires, enquanto rasgamos todos contratos de medo redigidos pelo terrorismo do poder constituído.
Redescobrir a nossa história, olhando em volta do passado, é a forma mais eficaz de ampliar a visão e os pontos de vistas, e também a maneira mais precisa para vislumbrar possibilidades de futuros e prováveis devires, enquanto rasgamos todos contratos de medo redigidos pelo terrorismo do poder constituído.
[1]
Janus era um Deus que possuía duas faces; uma em direção ao passado e outra em
direção ao futuro.
[2] Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire.
[3] Alusão
a Marcus Garvey; “procurem por mim na
tempestade...”

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