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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sobre a Saúde da Pessoa Negra e os Livros Didáticos Neocolonial

A educação neocolonial nos fragmentou, fazendo da gente negra, uma mera caricatura; nos transformando numa criatura, crone de nós mesmos. Nossa história nos livros didáticos é a história de um personagem caricato, tal como fizeram com Monteiro Lopes[1].

Portanto, quando lemos a história de nossos antepassados nesses livros neocoloniais contemporâneos, nos referimos aos mesmos como “aqueles negros”, tentando fugir desesperadamente de nosso crone. Ou seja, tudo que aprendemos sobre nós, não pode ser desmentido; já que não pode ser falso, porque foi credível, e a credibilidade não se refuta.

Dessa forma, quanto mais conhecemos a nossa história nesses livros didáticos, menos compreendemos nossa existência como Povo Negro, pois a vontade dos colonizadores se dá através desses mesmos livros e de todas as suas tecnologias de informação e comunicação, que transformam automaticamente, a arrogância dos grandes homens e o servilismo automático em extensão política.

Dessa forma, se constroem os integracionistas, que desejam ser assimilados a essa sociedade que o rejeita, tratando-o como lazarento. Os negros integracionistas adeptos das Ações afirmativas, tal como os negros norte-americanos foram adeptos dos direitos civis em 1965; dai a origem das cotas no Brasil em 1975; os integracionistas brasileiros desconsideram que, ao contrário do Brasil, nos EUA os negros são minoria, e portanto, admitir cotas em nosso país, significa admitir a exclusão de 90% de nosso povo nessa sociedade europoide vigente. 

Diferente dos judeus, que tratavam suas causas como a causa de um povo, os negros brasileiros não se reconhecem como povo, e preferem tratar das questões sociais que dizem respeito a sociedade do seu dominador, sem priorizar as questões que se refiram a nação, e consequentemente ao povo negro; já que no Brasil, não existe um povo negro, pois os mesmos foram classificados e rotulados pelos europoides como afrobrasileiros.

Portanto, os “afrobrasileiros” são educados pelos eurodescendentes, que dão continuidade ao trabalho de adestramento iniciado por seus seus pais, através do mercado infame; mesmo que tal mercado tenha sido condenado como crime da história pela ONU, em 2001, na Conferência de Durban, tipificado assim, como um crime contra a humanidade; portanto, IMPRESCRITÍVEL.

Dessa maneira, não há quem reclame por tal crime, pois o que existe hoje da pessoa negra de outrora, é só uma caricatura, um crone que foi robotizado e lobotomizado, desenvolvendo assim, uma forte paralisia mental, que as vezes se traduz por comportamentos esquizofrênicos, suicídios ou homicídios.

Dessa maneira, precisamos nos deseducar, necessitamos desaprender para abrir espaços em meio a esse rio de falsas histórias, principalmente as histórias que são perpetuada pela imagem-vídeo, pois diferente da fotografia, do cinema ou pintura, que mostra uma cena, mostra um olhar; a imagem-vídeo do computador a excluí, já que nos faz imergir nelas mesmo ao simular um espaço de liberdade e descobertas deletando as referências das coisas.

Dessa forma, vivemos nosso hospício particular de cada dia que nos dói hoje, sem nem mesmo ter a nitidez mental de um Lima Barreto, e paradoxalmente, nos recusamos também a ser um Machado de Assis, que além de preto, pobre, tímido e gago, nunca foi a uma escola regular; pois é, descobrimos que ele, Machado de Assis era preto e Lima Barreto, além de preto, era bêbado; um brankkko assassino e bêbado jamais seria refém desse estereótipo. 

Afinal, somos a soma de quê..? Somos o resultado da soma do que nosso colonizador nos programou a ser através da violência da colonização...? Nossa liberdade de pensamento se dá pela simulação dessa mesma liberdade...? Já que as nossas referências foram apagadas...Eis a questão...!! Sair dessa caixa é vislumbrar novas referências, novas possibilidades, e não ter medo da própria liberdade, uma vez que nunca a conhecemos, e o que é novo, pode assustar. Como sujeitos inacabados, a nossa busca se faz perene; como as águas de um rio que nunca seca; até chegarmos a um mar de verdades que libertam.



[1] O primeiro deputado negro no Brasil.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Afroeducação


É necessário que o pai preto, que queira realmente educar seus filhos, tenha em mente que, na atual conjuntura neocolonial na qual estamos totalmente imersos, o estado infantil e a realidade virtual se confundem; o real e o virtual se mesclam; por isso, a afinidade entre a criança e a informática.

Tudo se resume ao imediatismo, a aceleração, o tempo real, que vai de encontro a concepção, a procriação, a gestação; procriação e gestação correspondente a infância humana que condena a criança a desaparecer, enquanto acelerada a adolescência.

Esse pai preto precisa saber que somos pensados pelo virtual, e o virtual elimina a realidade e a imaginação do real; não somente a realidade do tempo presente, mas também do passado e do futuro. Sendo assim, passamos a ser figurantes da realidade virtual, nunca atores, e menos ainda um espectador, pois estamos fora de cena, nos tornamos obscenos; eis a caixa a qual estamos circunspectos; a caixa da neocolonização.

Portanto, o pai preto deve perceber a linguagem e sua diversidade como arma absoluta do homem; e a linguagem única da computação, como nossa torre de babel contemporânea; este é o princípio para desfazer essa relação umbilical. Sendo assim, este pai preto saberá que a própria informação virtual são também os vírus digitais. Assim, ele saberá que vivemos numa alucinação coletiva, onde atrás de cada imagem, algo desaparece. Ou seja, tudo é virtual, até a nossa inteligência. Dessa forma, todos os efeitos especiais, as redundâncias, pleonasmos e superficialidades, assim como tudo mais que é produzido pela máquina, ele então saberá que também é máquina.

Ela, a virtualidade, para se aproximar da liberdade, elimina sub-repticiamente as referências das coisas ao simular espaços de liberdade e de descobertas; o espaço virtual são as latas de lixo de informações. Ou seja, quanto maior o conhecimento, menos a compreensão da existência, visto que a realidade passa a se resumir a um índice, enquanto a memória é apagada ao mesmo tempo que o real. Dessa maneira, vivemos nessa conjuntura de feudalismo tecnológico, como servos fiéis e dóceis, que defende aguerridamente seu próprio escravizador.

Para sair dessa paralisia mental, a Afroeducação deve negar o direito a indiferença que essa conjuntura nos concede como prêmio máximo, saindo deste lugar onde a democracia se regenera a cada estupro eleitoral; neste lugar onde dinheiro sujo se tornou sinônimo de político; sem mencionar que a vontade política é operada exclusivamente através da mídia, enquanto o povo se autoclassifica para assegurar a continuação desse espetáculo.

Sendo assim, o pai preto deve ter a consciência de que, a mídia exibe diuturnamente o reality show nas favelas, banalizando polícia que mata bandido e o cruel extermínio do povo preto, a fim de deixar o preto no lugar subserviente, para que ele permaneça eternamente na condição de escravizado e defenda o seu vil escravizador.

Perceber essa caixa e ter a percepção de que existe o lado de fora, é o começo de um processo único proporcionado pela Afroeducação; processo que se inicia de dentro para fora, mostrando que tudo que está em cima, também está em baixo, e tudo que está dentro, também está fora, denunciando que essa caixa é virtual, que não existe.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Sobre o Golpe Militar em Curso no Brasil, a Apólice da Apoplética Política Tupiniquim e a Revolução do Haiti

Foi eleito como presidente no Brasil, um herói que só estupra mulheres bonitas e tem como exemplo um dos mais sórdidos torturadores tupiniquins já conhecidos. Este herói, mitificado por um roteiro confeccionado por Hollywood, se tornou mais um dos seus maiores sucessos em terras tupiniquins,devido ao seu grande público cativo que aqui vive; público este que se considera povo e pensa seus direitos como produtos expostos numa grande vitrine nesse mórbido mercado infame contemporâneo, prontos para o consumo .

Enquanto isso a igreja, em seus megalomaníacos sonhos de poder, planejando transformar o Brasil num imenso Vaticano-evangélico, num conluio com o empresariado, apoiou os militares, dando assim, início ao advento da república ao revisitar a idade das trevas e principiar seu megaprojeto de neo-inquisição, legitimando o pseudo Estado Laico-fake tupiniquim.

Nesse mundo paralelo se encontra o poder judiciário, fabricado como um dos maiores embustes já criado pela elite, a fim de legitimar suas fraudes; já que nesse país vale o que não está escrito. Visto que, aqui, as leis, mesmo escritas, não foram regulamentadas pelo legislativo; seguindo uma cláusula que, com grande sagacidade foi inserida na constituição federal por essa mordaz elite escravista, onde reza que quaisquer leis, para serem válidas, precisam ser regulamentadas. Este detalhe faz com que nenhuma das leis aprovadas e ainda por ser aprovadas, tenham quaisquer efeitos sobre a vida da população ou do cidadão, sem que haja as devidas “negociações” conhecidas pelo grande público como “troca de favores”. Enquanto isso, a elite incansavelmente repete para si mesmo “O Estado sou eu”.

Sendo assim, o Estado, após invisibilizado, é governado pelo infame mercado, que faz uso das forças armadas, numa eterna troca de favores, e que a fim de manter o chicote diretor e doutrinador em suas mãos, trazem os religiosos a reboque desse processo, já que esses mesmos religiosos; a exemplo do paiaçu, padre Antônio Viera, e também padre Bartolomeu Las Casas; têm a importante missão de apaziguar e amenizar possíveis insurreições que acaso venham a surgir, fomentadas por escravizados descontentes com suas condições de desumanizados ou sedentos de exercerem seu livre arbítrio.

Dessa forma, o Estado composto pelo poder executivo, legislativo e judiciário, tendo as forças armadas como eminência parda, partindo do princípio de que sempre foram os militares que comandaram nosso país desde a fundação da república; nosso primeiro golpe militar; exatamente como agora, sendo que, na ocasião da formação dessa república, ela foi legitimada por uma junta constituinte que convalidou tais militares como representantes do povo, transformando-os num governo civil, e atualmente essa mesma república está sendo refundada, com suas devidas particularidades e peculiaridades, numa reprise dessa história que se repete como projeto republicano.

O que vem deixando esses mesmos militares descontentes, e vem acirrando os ânimos entre os urubus e sanguessugas representantes dessa neorrepública café-com-leite, é que pela primeira vez na história, um (des)governo sai de cima do muro, fazendo o Estado tomar posições e posturas diante da tessitura política internacional, como agora fez esse herói estuprador/torturador se aliando ao Estado de Israel, a se colocar no caminho do Oriente Médio.  

Os comandantes militares, cientes de que não tem um mínimo de poderio bélico para sustentar nem ao menos quatro horas de uma guerra anunciada, já se preparam para qualquer possibilidade de intervir diante das burradas desse herói que se sustenta, frente a esse povo-público através de bravatas.

E assim, o Estado se vê obrigado a sair de seu esconderijo, até então protegido por uma casca, camuflado de maneira eficaz, através do discurso retórico de sociedade trazido por Marx, que habilmente invisibilizou o debate sobre Nação trazido por Toussant L’ouverture. Dessa forma, hoje, nós temos de um lado, os integracionistas, que almejam se fundir a sociedade de casta da elite dominante; e do outro lado, os que prezam pela equidade e procuram redefinir o Estado de maneira pluri-étnica e pluriversal.

O projeto de nação branca que a república tentou implementar, tendo o processo como meio, já se esgotou em si mesmo. O vácuo deixado por essa estratégia belicista europoide com sua morte anunciada, faz com que essa sociedade do discurso se agarre ao imagético mítico que resta de seu rastro ao eleger heróis e salvadores republicanos dessa mesma pátria que partiu. Portanto, para se retroalimentar, andar em círculo, passou a ser o único expediente dessa casta escravista com visto vencido, nesse país onde a liberdade, a fraternidade e a igualdade inevitavelmente deixará de ser só mais um lugar comum do discurso meritocrático e inexistente do politicamente correto sustentado pelo debate de sociedade em detrimento da nação.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Entre a Consciência Negra e a Cultura Branca

Compreender a consciência como produto cultural, concebendo nosso inconsciente num estado colonizado, e nós, como seres cativos dessa neocolonização, é o primeiro passo para quebrar as correntes da distopia, e criar as condições adequadas a libertação dessa prisão sem grades na qual fomos confinados, e reduzidos a números estatísticos.

Este passo é dado no momento em que nos dispomos a sair da caixa de verdades e pós-verdades manufaturadas, para perceber outros pontos de vistas, situações e vivências que nos farão perceber as diferenças entre o bom senso e a tudo que venha a ser fake.

A escolha entre sair dessa caixa ou permanecer nela, é a mesma escolha entre ser um cidadão pleno ou permanecer na zona de conforto, na condição de mero consumidor. Ou seja, é o mesmo que escolher entre exercer o livro arbítrio ou ser refém do mercado infame coordenado pelo Estado nacional. Sendo assim, antes de tudo, é necessário perceber a caixa.

Tudo o que conhecemos dentro dessa caixa branca preparada pela ciência, pela religião e por todas as instituições cunhadas a partir da violência da colonização; não só dos territórios invadidos, mas também da colonização da própria história dos povos e da humanidade; é o que dá sentido a nossos pensamentos, gerando assim, as nossas emoções, fazendo com que a gente reaja de maneira previsível. Sendo assim, quem gera essas emoções também tem o controle sobre o emocionado. É notório perceber que o colonizador seleciona os heróis, enquanto o escravizado recebem os heróis.

Dessa forma, a colonização das mentes e corações, sendo um exercício de conhecimento público e notório, é também um processo paradoxal, porque é imperceptível para seu hospedeiro, já que ele se encontra imerso nessa caixa de verdade que dá sentido à sua existência e formata a sua zona de conforto. Nesse caso, a primeira reação do colonizado é a negação de sua condição.

Para sair dessa caixa seria necessário admitir e assumir essa condição, e isso implicaria em contrair culpas e vergonhas até que o reconhecimento diatópico venha trazer a Reparação necessária nesse cenário distópico. Até então, é a submissão que estará no controle, já que, até o momento, não ocorreu o exercício de aceitação de si mesmo, nessa condição de escravizado mental. Quando isso ocorrer, haverá o impacto que provocará o exercício de militância, no sentido da luta e denúncia de tal processo, para que em seguida haja a possibilidade efetiva do processo de articulação, que o fará finalmente, sair do lugar dessa servidão geracional. Dessa forma, enfim, a consciência negra se fará consciente de si.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Projeto Político de Nação do Povo Negro para o Brasil

A proposital invisibilização do Estado e da Nação promovida pela elite brasileira de pensamento escravocrata, decorre da sanha aguerrida com que ela mantém a monopolização desse mesmo Estado para si. Portanto, manter essa confusão entre governo e Estado, e Nação com sociedade, visa justamente a manutenção dessa ignorância como fator preponderante para que o cidadão brasileiro não busque o direito de justiça; direito devido pelo Estado e não pelo governo em si, fazendo com que o indivíduo ignorando o direito coletivo, passe a reagir juridicamente de maneira solitária e não solidária.

No caso brasileiro, aonde existem diversas etnias, com é o caso dos nisseis e dos judeus; e diversas outras nacionalidades, como a dos italianos, espanhóis, alemães, etc. que habitam nosso país além dos povos indígenas e do povo negro, observamos que os indígenas com seus idiomas e culturas, formam um povo, mas que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, já que não possuem terras, sendo que a mesma lhes foram propositalmente retiradas pelo Estado uni-étnico que juridicamente os tutelam.

Como no caso indígena, podemos afirmar então que uma nação é formada por etnias que compartilham a mesma cultura, idioma e território, sendo que este último item, o território, dentro do direito coletivo, os mesmos teriam que ser juridicamente reconhecidos como Povo, e a exemplo das 11 etnias que compartilham o Estado na África do Sul, com suas culturas, idiomas e territórios, deveriam também os mesmos participarem do Estado. Lembrando que um Estado, no Estado brasileiro, ele é formado pelo poder judiciário, legislativo, executivo e pelas forças armadas, e dele depende todo o funcionamento da Nação.

Podemos citar o exemplo da Espanha, país aonde existem diversas etnias, como a etnia dos Bascos, Catalães, andaluz, ciganos, etc. essas inúmeras etnias integram a Nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como o Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por sua vez, é formado pelas nações. Podemos inferir nesse caso que, o Estado brasileiro veio da sociedade e não da nação.

Portando, um Estado como é o caso do Brasil, que não foi fundado pelas nações que nele habitam, mas sim, por um congresso constituinte convocado para tal, lavrando dessa forma, um Estado monorracial, longe de ser pluriétnico e pluriversal, e isto faz com que o Brasil siga o exemplo do Estado de Israel, que expulsa o povo de uma terra para poder ter um país para chamar de seu. Com uma população sem um território, os judeus não poderiam ser considerados como povo, já que não existe povo sem território.

Este é o caso do Povo negro e dos Povos indígenas que sobrevivem nas terras roubadas pelos europoides. Ou seja, aos mesmos povos não se aplicam o direito coletivo; justamente por esse motivo, não existe condenação para o crime de racismo, já que o mesmo crime só pode ser considerado como tal, quando for dirigido a um povo e nunca a um indivíduo; e por isso, esse mesmo crime é largamente tipificado como injúria racial, portanto, sem dolo para o praticante.

Podemos observar que, no Brasil, os únicos a terem sua nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros, que foram convenientemente titulados como Afro-brasileiros; pois caso contrário, juridicamente seriam considerados como o único povo existente no Brasil, já que os indígenas foram praticamente eliminados, os eurodescendentes reconhecem as suas nacionalidades como tal, e a República não teve êxito em fazer da nação brasileira, uma nação branca, assim como previa seu meticuloso processo eugênico, contrariando as expectativas Darwinismo social.

Portando, este é o momento de nos reconhecermos como Povo, para finalmente poder fazer parte desse Estado que nos tem exilado em nossa própria casa, nos mantendo hora em liberdade condicional, hora em cárcere privado, atendendo a uma justiça que não contempla ao povo que construiu essa nação e aos que nela coabitam.

O Projeto de Nação do Povo Negro para o Brasil, exige primeiro negociar com o Estado todos os itens considerados como frutos do crime da escravização[1] de nossos antepassados, e que criaram toda as riquezas que hoje sustentam as famílias tradicionais brasileiras e seus eurodescendentes. Esta negociação trazida pelo processo de Reparação, dará início ao direito de justiça pelos crimes da história; crimes que até os dias de hoje permanecem impunes, uma vez amparados justamente pela distopia estruturada por essa conjuntura aonde esse Estado tem servido de brinquedo nas mãos de uma sociedade de pensamento escravista.

Esse Estado que intimida os povos alijados dessa mesma sociedade escravocrata, promovendo a limpeza étnica através do genocídio dos povos originários e autóctones que ainda restam nesse Brasil varonil, que manda os filhos da pátria para as margens da indignidade de forma vil.

Reparação já...!!




[1] Os países membros da ONU, com exceção de EUA e Israel, através da Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, organizada pela Organização das Nações Unidas; reconheceram o Estado como responsável pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos ocorrida em seu solo; fato este que o Brazil esconde e silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional firmado em Durban, mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas, que tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos, o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável, e que os mesmos deveriam ser Reparados pelo Estado em questão.


sábado, 12 de janeiro de 2019

Seminário Nacional de Luta pela Reparação

Nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro do ano de 2019, a OLPN - Organização para a Libertação do Povo Negro e o MNU - Movimento Negro Unificado, realizarão o Seminário Nacional de Luta pela Reparação que ocorrerá na Lapa, rua Joaquin Silva, 98, Centro do Rio de Janeiro.

Este Seminário vai trazer a lume os meios disponíveis para concretizar o Projeto Político do Povo Negro para o Brasil, e explicitar as estratégias do mesmo para atingir tal objetivo, seja esta estratégia definida através da Reparação histórica, que vem sendo trazida como proposta pela OLPN, ou definida através das Ações Afirmativas, trazida como proposta pelo MNU.

Nesse Seminário será definida e exposta a tática necessária a ser colocada em prática, para implementar o referido Projeto, como será tal Projeto, e o objetivo final a ser atingido.

A princípio, é de se esperar que os equivocados conceitos veiculados pelo senso comum a respeito do que venha a ser a Reparação Histórica, e o seu gritante contraste diante da definição do que venha venha a ser, e o que se veicula, sobre as Ações Afirmativas, fatos que serão explicitados, analisados e pesados, a fim de desfazer as desinformações, deformações e contrainformação relativas ao assunto em questão, permitam que possamos finalmente, avançar na luta diante, dessa dicotomia que tem paralisado nossas ações efetivas relativas a esse processo que se iniciou no ano de 1993 e que se arrasta até os dias de hoje.

Portanto, negras e negros de todo Brasil e do mundo, somemos como Povo, para que possamos efetivamente intervir nesse momento decisivo de nossa história, protagonizando como a Nação Negra que sempre deveríamos ser.

Uma pessoa só é uma pessoa através de outra pessoa, somemos...!! 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sobre o Processo e Impacto do Reconhecimento da Pessoa Enquanto Coletividade


Sair das cavernas de sua própria escuridão é um processo que requer, de antemão, pré-disposição, além de muita disposição, para reunir as condições mínimas efetivas diante desse atroz contexto de dominação que se apresenta de forma reptiliana no reflexo dessa história que fundamenta nossa atual conjuntura; exigindo, nessa longa jornada do herói, um permanente e constante diálogo com todas as forças visíveis e invisíveis, que regem o ávido desejo taxionômico do raciocínio humano; como vivemos num tempo em que a história é definida pelas constantes negociação das forças representativas, e representantes, que alimentam e regem o mundo das classificações e dos classificados onde esse mesmo indivíduo tenta se inserir de maneira semiótica.

Para iniciar essa jornada, este indivíduo como atento observador, deve perceber primeiramente que, tudo o que acontece dentro desse contexto, se encerra unicamente para atender aos interesses oriundos do infame comércio gerado exclusivamente por essas mesmas negociações, que criaram as ciências justamente para delimitar e legitimar as verdades e pós verdades industrializadas e comercializadas como oráculo. 

Dado esse passo que inevitavelmente o fará ter a percepção de sua submissão a esse sistema onde a medicina sustenta a farmácia e vice-versa, enquanto a biologia, privatizada pelo agronegócio, sustenta o fluxo contínuo do voraz ventre dos Shoppings, que simbolicamente representam os impávidos e poderosos gigantes de vento de Don Quixote, além de manter vistosas as pútridas vitrines por onde escoam a beleza mimetizada pelo venenoso padrão idiotizador e mantenedor de incontáveis hospícios, asilos, orfanatos; promovendo as nossas tragédias sociais de cada dia que nos dói hoje; tragédias estas que são meticulosamente pautadas pelo racismo estrutural; a constatação desse fatos, finalmente o levará a se localizar nesse sutil e volátil contexto paradoxal, levando-o a aceitar a si mesmo como um preto de cor negra que tenta integrar-se numa sociedade racista, de pensamento e cultura eurocentrada. 

Desse modo, se seguira o impacto do reconhecimento da banalização do temor e da incerteza de qualquer porvir, percebendo especificamente esse fio fornecido pelo sombrio Estado patrocinado  pela perversa e reptiliana elite. Este Fio que o conduz magistralmente, de forma estratégica, seduzindo, cativando e dominando a sua mente e o seu coração, da mesma forma que programada a sociedade ao transformar suas emoções em algoritmo e vice-versa, manipulando e formatando-a de acordo com as conveniências dessa mesma elite, estruturando assim, uma comunidade egocêntrica ao passo que transforma seus iguais em cobaias laboratoriais, fazendo com que esses mesmos indivíduos passem a disputar as hierarquias propositalmente criadas a partir da oposição entre a razão e a emoção, manufaturando seus subprodutos, frutos do macabro jardim suspenso dessa Babilônia produzida pelo medo; esse mesmo medo usado como material do fio condutor dessa sociedade tecida por fobias e esquizofrenias bipolares.

Quando essa etapa da jornada chegar, a luz dessa verdade libertadora transformar-se-á num farol em meio a essa ininterrupta tempestade de infinitas programações, sendo então o momento em que as novas referências o permitirá iniciar o processo de auto cura cuidando de seus próprios pares. Momento este em que, finalmente, as articulações se darão de forma coletiva, consentindo enfim, que o abraço na comunidade faça com que semelhante possa se curar através do semelhante. 

Esse então, será o tão aguardado e temido bug do milênio; quando enfim, ocorrerá a desprogramação da colonização e da escravização mental, que funciona como moto-perpétuo, produzindo um fantasmagórico encantamento através da sedução que arrebata o neófito assim que ele mira o fascinante alazão-de-Troia que magicamente baila nas telas televisivas, durante as introduções das narrativas de histórias corrompidas pela falsidade ideológica; é como se olhar fosse dirigido a mitológica Medusa; dessa forma, a hipocrisia de capa e espada vem camuflada em forma de príncipes e princesas brancamente norte-americanizados a francesa, que peremptoriamente o faz seguir o canto da Sereia.

Esse bug interior será um marco na jornada do herói que transformar-se-á em príncipe. Não naquele enfadonho e narcísico príncipe salvador de uma meiga, carente e desprotegida princesa, mas sim, no príncipe que primeiramente se ama antes de amar alguém, transformando-se assim, no salvador que livrará a si mesmo do abismo.

É na alegria dessa descoberta, desbravando a si mesmo, que se resume a simplicidade desse intrincado processo da conquista proporcionada por essa caminhada que dá vida ao herói que habita no interior do indivíduo que não busca a salvação nas forças externas a si; forças essas que invariavelmente são garantidas pelo sistema que o domina, mantendo-o cativo dele mesmo, numa condição de escravizado mental e defensor de seu senhor.

Dessa maneira, as princesas e príncipes negros devem se encontrar nessa caminhada, e juntos devem atravessar uma vida de aventuras e descobertas de verdades, individuais e coletivas, que darão sentido à vida e ao viver, fazendo com que se complementem numa unidade coletiva, aonde a pessoa só pode ser pessoa através de outra pessoa.

O profundo impacto dessa caminhada se fará quando finalmente nos reconhecermos coletivamente como parte de um processo tão significante quanto a edificação de cada pirâmide construída no mundo, e será exatamente o mesmo profundo impacto causado pelo advento do meteoro que provocou a extinção dos dinossauros na terra; pois enfim, a pessoa perceberá o seu lugar no infinito desse vasto universo que começa e termina dentro de si mesmo.

Dessa forma, as referências e significâncias postas, como a funda de Davi, passará a ser reconhecida apenas como mais uma arma de sedução nessa disputa entre a mente e o coração, enquanto a pretitude de Salomão ressaltará aos olhos tal como a força de Sansão e Dalila no calor da disputa; disputa essa que sabemos ser só mais uma atração em meio aos episódios da epopeia dessa mesma competição. Eis então o começo do vir-à-ser como ser humano, com o potencial de vivenciar a própria história, no reequilíbrio e na equidade do meio como processo realizador da pessoa como pessoa.