Há muito mais entre o Ordinário e o Extraordinário do que imagina a nossa vã filosofia, como sempre tem
mostrado, de forma prosaica, qualquer Arco-da-Velha
que se mostra após as tempestades, mesmo sem exibir seu começo ou o seu
fim. O exercício de olhar e ver, divisando um e outro, já é em si, um
processo Extraordinário. Nesse processo cabe a analogia daquele peixe que
mergulha em pleno ar, e percebe nesse deliberado ato, a existência de um novo e
desconhecido mundo. Dessa forma, o fantástico, o maravilhoso e os milagres saem
do terreno exótico para o mar do prosaico.
As miríades desse processo, com
seus incontáveis e luminosos tons expostos pelo ar, podem até sufocar o desavisado
peixe urbano que nem percebe a mudança de forma do oxigênio, tal como o processo da
água que se transforma em gelo; mas é um processo natural, que segue seu curso da
mesma forma que o rio segue seu caminho em direção ao mar; diferente a cada momento, mas que
se mostra simultaneamente de forma coletiva e individual.
Portanto, há muito mais entre o Extraordinário e o Ordinário que imagina essa nossa vã filosofia que necessita deixar toda a sua pesada carga, durante a travessia por debaixo desse Arco-da-velha
que aponta por sobre esse rio de coisas que correm em direção ao mar da vida, e levar somente a fraterna simplicidade como óbolo para o irmão Carontes.

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