Todos nós somos espelhos,
mesmo que estejamos no limbo, de olhos fechados e de costas; Porque o Espelho, assim como a alma, é diatopicamente
um fractal; uma geometria espiral que reproduz infinitamente a si mesma, nesse evento quântico rotulado como um clássico Big Bang pela ciência encaixotada, mas que realmente se trata de um evento cronotrópico e entropico sem tempo ou espaço linear.
Falo de um tempo que não é passado,
presente ou futuro; evento este suscitado pelo reflexo de uma ação decorrente do pensamento que se soma o coração à mente, pulsantes num ritmo único, de uma forma
elegante e madura. Esse refletir de coração e mente num contexto fractal, faz com
que a caixa da ciência e da história se tornem ínfima para esse átimo infinito, pleno de tudo o que é.
Esse desencaixotar a mente e o coração é
um processo que efetivamente humaniza o Frankstein em que nos transformaram
ao mesmo tempo em que faz a vida surgir plena nesse corpo zumbi que nos paralisa. Isso fará categoricamente enxergar a tudo o
que olharmos; escutar além da simples audição; e também sentir plenamente o que
for tocado. Esse processo só se dará efetivamente quando sairmos desse armário
metafísico, cuja função tem sido a mesma função de um caixão horizontal, que nos tem enterrado
em escritórios, igrejas, quartéis, escolas e universidades; caixões estes que tem orgulhosamente ornamentado a estética desse imenso cemitério urbano em que se transformou essa caótica Urbi.
Essas caixas que delimitam, limitam
e imobilizam metafisicamente as energias potenciais que habitam o ser humano,
evitam que possamos sincronizar o nosso conviver com as forças da natureza que nos cerca, e faz parte do nosso ser, nos impedindo de entrar no ritmo desse universo que equilibra-se
em si e por si próprio. Só a mansidão de uma alma em festa seria capaz de quebrar
as tábuas metafísicas desse armário encaixotador de vidas e de possibilidades, nos desterrando finalmente dessa cidade tumbeiro; é esse o exercício de reconexão com
o que já foi. Ou seja, é o contato com o que se encontra
fora dessa caixa, que permitirá compreender o que somos, fazendo com que
a escuridão que existe no interior da mesma caixa; essa escuridão que assombram os discursos e engessam as ações, definitivamente se dissipem.
Essas mesmas madeiras que constituem
as caixas formadoras desse armário metafísico que capsulam os espíritos, são as
madeiras que constituem as cruzes pedagógicas que norteiam calvários, semeiam o
medo e ornamentam as sepulturas dos batalhões de redivivos aculturados e
assimilados.
A luz, que penetra gradativamente
pelas frestas desse armário, provoca a rebeldia ao aprendizado do ódio seletivo e o desaprender o temor do desconhecido. O madeiro dessa
cruz e desse armário metafísico, uma vez rompidos, transformam o tempo e o espaço mental e físico, em
arquivos de memórias passadas e memórias futuras, transmutando dessa forma, o
indivíduo finito, num ser multidimensional.
Dessa forma, os discursos
formadores de opiniões destinadas ao controle da massa populacional, uma vez
iluminados pela lógica, acabam perdendo sua força e sentido. Assim, as
entrelinhas do discurso comprometido com o poder constituído pelo egocentrismo,
são expostas, trazendo a lume o que era ocultado pelas sombras das paredes
dessas caixas-caixões que projetam as perspectivas da Casagrande sobre os arranha-céus dessa Cidade-Tumbeiro.

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